Sirenas
5 Um saqueamento, uma oportunidade
Notas iniciais
Ao estar realmente decidida a mudar a situação daquelas mulheres, tudo pareceu conspirar a favor do plano que Tereza havia elaborado. Alguns dias após a noite que Sebastian surrara Tereza e o mar revoltou-se, fato muito estranho, segundo o capitão, depararam-se com duas naus vindas do porto espanhol.
Um rápido e intenso combate sucedeu após o encontro. A embarcação de Sebastian perdera um dos três mastros, que acabou caindo por cima de alguns dos marujos de menor importância na hierarquia, nada com o que se preocupar. As velas cheias de furos e rasgos talvez só aguentassem mais algumas milhas antes de chegarem à Inglaterra.
A munição deles estava acabando e, como as naus espanholas possuíam mais tripulantes a bordo do que o Pía Marina, alguns suprimentos foram roubados. Por pura sorte os mais astutos e imprevisíveis dos homens de Sebastian conseguiram roubar umas sacas recheadas de ouro e prata e umas garrafas de rum de ótima qualidade, a julgar pelo cheiro.
Enquanto os canhões atiravam e os invasores brandiam suas espadas e facões, Tereza se abrigou na enfermaria com as outras mulheres. O primeiro contato delas com Tereza desde que o capitão a privou da companhia delas. Após os primeiros momentos de choque, Tereza se aproximou de Conceição e começou a falar sobre seu plano. Disse o que cada uma delas deveria fazer e que não se preocupassem, pois pareceria loucura, mas, segundo sua avó, aquilo funcionaria.
Conceição quase não acreditava de felicidade que teriam uma chance de sair daquele lugar horroroso, mas tentaria não cantar vitória antes do tempo. Obviamente, tudo o que Tereza havia falado soava como loucuras de uma senil, porém elas aguentaram tanta coisa juntas, firmes e focadas em sobreviver que aquilo não parecia tão ruim.
– Dê um medalhão desses para cada uma delas. Diga-lhes para tomarem cuidados e que não mostrem aos homens antes do tempo certo. Saberão o momento perfeito, eu aparecerei e mostrarei o meu. — Tereza deu-lhe as pequenas peças talhadas em madeira.
O que pareceram horas de luta, na verdade, duraram apenas alguns sangrentos minutos, o suficiente para elas se comunicarem. Por incrível que pareça, os homens de Sebastian tiveram sorte mais uma vez. As naus espanholas estavam destruídas. Os tripulantes espanhóis, que eram homens pobres e sem treinamento algum, pelo que se via, em sua maioria foram capturados e transformados em embarcadiços de último nível na hierarquia marítima, substituindo os que haviam morrido na tempestade e no recente combate.
Preocupado, Sebastian descia escadas que dava acesso às distintas galerias e rumou para a enfermaria, para onde ele mandara Tereza. Na verdade, naquela vez não haveria problemas se ela ficasse junta das outras, não poderiam perder suas “preciosas” mulheres, certo?
O que Sebastian não sabia era que, mesmo achando que mulheres eram seres inofensivos e submissos, elas poderiam ser mais poderosas que um leão e mais cínicas que cobras, especialmente se estavam unidas.
– Tereza? Tereza! — ele abriu a porta inchada de madeira e se agarrou a ela. Sem se importar com as outras, ele, ainda abraçado a ela, os levou para fora do local – Venha, já terminou, nós vencemos!
E enquanto ele queria comemorar, ela se despediu silenciosamente, somente com olhos, de suas irmãs. Era isso que todas eram agora, irmãs.
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