Siren
19 O Bondoso Elfo

— Quem é você? — Perguntou Rosé, olhando para o Elfo.
O Elfo se aproximou e sorriu para ela, abaixando-se para ajoelhar-se.
— Olá, amiga dos mares. Meu nome é SeokJin, mas pode me chamar apenas de Jin. Sou um Elfo da floresta e gosto de vagar por toda Amicitia ajudando a quem quer que eu encontre pelo caminho. Tem muito tempo estou procurando por esse maldito circo que vem sequestrando diversas criaturas, inclusive algumas crianças de meu povo. Vim para ajudar, sou um amigo, confie em mim.
Jin dominava os cipós e raízes como se fossem meros brinquedos, imobilizando Rym em meio à sua própria armadilha. Enquanto o homem se debatia, impotente diante do controle habilidoso do elfo, Jin também tapou sua boca com um gesto decidido. A intenção era clara: silenciar aquela voz detestável que não merecia ser ouvida. O silêncio que se seguiu foi uma espécie de alívio, uma pausa na crueldade que Rym representava. Rosé observava, impressionada com o poder de Jin e grata por sua intervenção.
— Obrigada, Elfo Jin. Você salvou minha vida, serei eternamente grata. Sou a Rosé e essa é minha namorada Jisoo. Somos sereias dos profundos mares de Amicitia, moramos numa cidade submersa chamada AquaMarine. Estamos aqui para encontrar algumas amigas que se perderam, mas por falta de sorte encontramos esse humano em nosso caminho… odeio os humanos — Rosé estava com a voz embargada, olhando para Jisoo desmaiada em seu colo.
— Não odeie todos eles. Sei que no geral eles são perversos e gananciosos, mas nem todos são assim… — Jin tocou os próprios lábios, lembrando-se do beijo desajeitado que um jovem humano chamado Namjoon havia lhe dado alguns dias atrás — Existem humanos bondosos, cuja a alma é pura, gentil, corajosa e caridosa. Um dia conhecerá humanos bondosos. O que não é o caso desse aqui. Posso dar uma olhada em sua namorada? Sou curandeiro.
Rosé assentiu com a cabeça em gratidão, algumas lágrimas escapando de seus olhos, uma mistura de preocupação por Jisoo e alívio pela ajuda de Jin. Ele não só havia livrado-as das garras de Rym, mas também possuía habilidades de cura que podiam ser essenciais naquele momento. Jin se aproximou de Jisoo, sua expressão séria contrastando com a delicadeza de seus movimentos enquanto examinava sua respiração, os batimentos cardíacos e a energia que ela irradiava. Essa análise precisa oferecia uma visão clara de seu estado de saúde.
— Ela está bem, não se preocupe. É um sonífero, logo ela irá acordar e ficará bem.
Rosé respirou aliviada.
— Obrigada, Lord Jin.
— Não sou um lord, me chame apenas de Jin.
Rosé sorriu e afirmou com a cabeça.
Enquanto Jin se concentrava em examinar Jisoo, uma sensação de alerta o percorreu de repente, e ele se inclinou rapidamente para o lado. Uma flecha assobiou pelo ar e quase cortou seu rosto, alojando-se com um estrondo na parede próxima. Com agilidade, Jin virou-se para trás e encarou dezenas de homens armados com espadas e arcos, prontos para um novo ataque. O ar estava pesado com seus xingamentos e gritos furiosos, exigindo a devolução de seu líder, o dono do circo, enquanto avançavam determinados.
Jin suspirou e olhou para Rosé.
— Fique aqui e cuide dela. Farei uma pequena limpeza, pois creio que não deixarão irmos embora em paz.
Jin encarou os homens com firmeza, enfrentando seus olhares cheios de ódio enquanto mantinha o líder deles imobilizado entre os galhos e cipós controlados por sua magia. Apesar de ser superado em número, com mais de cinquenta homens contra apenas um, Jin não se intimidou. Um dos homens, escondido atrás de uma árvore, tentou atirar um dardo venenoso para imobilizar Jin, mas o Elfo estava alerta e ágil o suficiente para se esquivar. O homem, desesperado, tentou fugir, mas teve suas pernas presas por raízes que emergiram do solo. Uma fenda se abriu no chão e as raízes o arrastaram para baixo, fechando-se novamente em um solo aparentemente intacto.
Os outros homens observavam atônitos o poder de Jin, porém, mesmo diante da demonstração impressionante de suas habilidades, não recuavam. Dois espadachins avançaram em conjunto, desferindo golpes coordenados contra Jin, que segurava apenas um cajado adornado com flores e folhas. Demonstrando uma destreza incrível, Jin se defendia e contra-atacava os espadachins, mostrando que suas habilidades físicas eram igualmente formidáveis, sem necessidade de recorrer à magia.
Quando três arqueiros tentaram atacá-lo covardemente por trás, disparando suas flechas, Jin reagiu rapidamente fazendo surgir da terra grandes plantas carnívoras, que os engoliram vivos. Enquanto manipulava as raízes para prender a maioria dos homens, Jin também fez emergir plantas venenosas, que liberaram um jato de pó verde altamente nocivo. Aqueles que inalaram o veneno caíram mortos no chão, vítimas da habilidade mortal de Jin.
Apesar de controlar tantas plantas simultaneamente, Jin ainda enfrentava uma batalha árdua contra os espadachins. Determinado a encerrar rapidamente aquele confronto, Jin desferiu um golpe mortal, atingindo a traqueia de um dos espadachins. O outro, distraído e assustado, acabou sendo golpeado na cabeça pelo cajado de Jin, caindo inconsciente no chão.
Com passos que exalavam todo seu poder, Jin se dirigiu até Rym, que chorava em desespero, amordaçado e com secreção nasal escorrendo até seu queixo. Com tamanha revolta devido a tudo o que Rym vinha fazendo contra seu povo e seus amigos, Jin criou um longo espinho que surgiu do chão, tão afiado quanto a ponta de uma lança. Encarando os olhos de Rym, que imploravam por misericórdia, Jin não vacilou. Com um movimento rápido e decisivo, enfiou o espinho na garganta do homem, que engasgou com o próprio sangue e sucumbiu. Jogando o corpo sem vida ao chão, Jin sentiu seu estômago revirar de repugnância diante daquela criatura abominável. Mas agora, aquele circo de horrores tinha finalmente chegado ao seu derradeiro fim.
Enquanto Jin percorria as celas, libertando todos os seres ali presos, Rosé ajudava Jisoo a se levantar. Ainda tonta e cambaleante, Jisoo apoiava-se nela, uma mão na cabeça, sentindo pontadas doloridas. Com cada cela aberta, um suspiro de alívio ecoava entre os prisioneiros, animais místicos e elfos de diversas raças, todos agora livres graças à coragem e habilidade de Jin.
— Quem é ele? — Perguntou Jisoo, confusa.
— É o Jin, um Elfo da Floresta que veio nos ajudar — Respondeu Rosé
— O que aconteceu?
— Eles te envenenaram, por isso acabou desmaiando.
Jisoo, preocupada, virou-se para Rosé, segurando seu rosto.
— Chae, você está bem?
— Sim, estou bem… está tudo bem agora. Não vamos mais nos separar.
— Não, não vamos. Vou grudar em você pra sempre.
Envolvidas em um abraço apertado, Jisoo e Rosé se entregaram a um beijo cheio de emoção, lágrimas de alívio e felicidade escorrendo por seus rostos. Jin observava a cena com um sorriso afetuoso, apreciando aquele momento de ternura e amor, sempre um admirador de um bom romance.
— Não quero atrapalhar, mas precisamos ir. Preciso cuidar de vocês devidamente, ainda estão muito fracas. Farei um acampamento para que possamos descansar e se alimentar.
— Preciso achar uma amiga — Informou Rosé.
— Uma amiga? — Perguntou Jisoo.
— Sim, minha nova amiguinha.
Enquanto se organizavam para decidir seus destinos, alguns optaram por viajar com suas próprias raças, enquanto outros preferiram seguir sozinhos, ansiosos para retornar para casa agora que estavam livres. Jin se tornou um verdadeiro salvador para eles, recebendo abraços de gratidão e admiração enquanto expressavam sua profunda gratidão. No meio da multidão, Dahyun correu até Rosé, lágrimas de felicidade escorrendo por seu rosto. Em um abraço ternamente reconfortante, Rosé sentiu um alívio profundo, sabendo que Dahyun finalmente estava segura.
— Rosé… — Dahyun chorava de alegria — Finalmente estamos livres!
— Sim, estamos, minha pequena amiga Dahyunnie.
— Graças ao Elfo Jin!
— Sim, ele é um bom elfo e um bom amigo.
— Obrigada Jin — Dahyun se aproximou de Jin e lhe deu um abraço tímido.
— De nada, minha pequena flor. Fico feliz que esteja bem.
Após se afastarem do caos do antigo circo, encontraram um local mais tranquilo na floresta. Apenas os quatro permaneciam ali, pois os outros já haviam partido para seus lares. Jin habilmente montou um pequeno acampamento, usando seus poderes para criar um abrigo que os protegesse da chuva e do frio, garantindo uma noite confortável de sono. Com a fogueira crepitando ao seu lado, ele preparou uma deliciosa sopa de legumes, que as meninas devoraram vorazmente, saciando a fome que as assolava. Enquanto desfrutavam da refeição, conversavam animadamente, Jisoo relatando a Jin tudo o que havia acontecido até ali, incluindo os detalhes de como foram parar naquele circo sinistro. Jin ouvia atentamente cada palavra, absorvendo a história enquanto saboreava sua própria porção da sopa.
— Posso levar a pequena Dahyun para a casa dela. Costumo viajar muito e conheço tudo por aqui, assim vocês podem continuar sua jornada em busca de suas amigas — Disse Jin.
Rosé olhou para Dahyun e sorriu.
— Tudo bem pra você ir com ele?
— Tudo bem, Sereia Rosé. Eu gosto muito do Elfo Jin — Dahyun deu um largo sorriso.
— A levarei em segurança, não se preocupem.
— Confiamos em você, Jin — Disse Rosé.
— Quando tudo isso acabar, venham nos visitar no castelo do Rei de Amicitia.
— No castelo? — Perguntou Jisoo, admirada. Nunca imaginou que um dia poderiam entrar em um lugar desses — Mas nós somos sereias e…
— Não se preocupe, todos os seres são bem vindos lá. O rei é muito bondoso e acolhedor, é um grande amigo que conheço há anos. Meu irmão, que também é um Elfo da Floresta, vive naquele castelo e o Rei o trata como um filho.
— Como é o nome do seu irmão? Ele é uma criança que nem eu? — Perguntou Dahyun.
— O nome dele é Hoseok, tecnicamente ele tem mais de trezentos anos, mas na verdade é uma criança, pois apronta muito com os amigos.
— Amigos? — Dahyun arregalou os olhos.
— Sim, o Príncipe Jimin e Taehyung, um aprendiz de arqueiro, são amigos de meu irmão. Os três causam as maiores confusões naquele castelo, mas são a alegria do lugar. O único comportado e sério é um jovem rapaz, um ótimo guerreiro, o nome dele é Namjoon — Jin sorriu involuntariamente — Vocês vão adorar conhecê-los.
— Parecem ser boas pessoas — Disse Jisoo.
— E são. Apesar de serem humanos, todos eles tem um bom coração… Enfim, agora vamos dormir que amanhã temos uma longa viagem pela frente, precisamos descansar.
Dahyun se aconchegou no colo de Rosé, enquanto Jisoo envolvia ambas em um abraço protetor. O cansaço físico e emocional logo as envolveu, levando-as ao sono. Jin, apoiado em uma árvore próxima, observava a lua e zelava pelas meninas, garantindo que dormissem em paz e segurança. Como um elfo, ele não necessitava tanto de descanso quanto os humanos; a simples contemplação das estrelas já lhe proporcionava a renovação de suas energias. Enquanto Jisoo e Rosé dormiam tranquilamente, seus corpos e mentes se preparavam para os desafios que ainda estavam por vir na difícil jornada em busca de Jennie e Lalisa.
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