Sinking Ship

28 Capítulo 26


Ninguém nunca disse que seria fácil. Nem eu mesma tive tal certeza. Cresci vendo o mundo sendo mutável, vendo as pessoas sendo hipócritas e impassíveis. Cresci vendo meus pais numa união televisiva. Cresci, e cresci vendo o mundo sendo falso e superficial. Não mudou. Nunca.

Uma vida, então duas, e logo após três. Eu lembro-me de quando conheci Moss. Eu tinha cinco anos e ele oito. Foi engraçado, era engraçado, naquela época era tudo risos. Nós íamos com o irmão mais velho dele, Don, a shows logo mais tarde, quando eu tinha uns dez anos.

Com treze, quando eu estava sentada sobre o meio fio da calçada, olhando uma casa de um político vizinho, ele chegou por minhas costas e disse que me queria. Eu tinha treze anos, e obviamente, eu me assustei. Mas nunca fora um “me queria” vulgar, até quando eu estava às vésperas de fazer quinze anos. E então descobri que estava grávida.

Não fora nada adolescente, pelo contrário, fora infantil. Eu mal tinha terminado a escola e tinha uma criança sob meu ventre, outra criança sobre mim mesma. E então tudo mudou.

- Rose? – ouvi a voz suave e rouca as minhas costas.

Deparei-me com Moss enrolado nos lençóis vinho, me fitando sonolento. Eu estava sentada sobre a cama, com as pernas cruzadas e um papel sobre o colo, escrevendo.

- Oi – disse fraquinho.

- Você está bem? – ele perguntou, chegando mais perto de mim e pondo uma mecha de minha franja por trás de minha orelha.

Envolvi meus braços sobre seus ombros, deixando o lápis e o papel escorregarem e baterem o chão. Passei minhas mãos por seus cabelos loiros e macios, sentindo o cheiro de lavanda percorrer meus pulmões.

Ele pousou uma mão em minha bochecha e me fitou.

- Rose? – repetiu, preocupado.

- Não está nada bem – disse, levantando e me jogando na cama logo em seguida, de barriga pra cima, suspirando.

- Você está certo. A verdade é que tem sido difícil. Moss, Jo, uma família estranha novamente... Estamos felizes e tristes ao mesmo tempo, Billy. E sinceramente, eu poderia dizer tantas coisas... – suspirei – Mas é como se houvesse uma tala em minha garganta, as coisas não saem tão facilmente e todas aquelas lembranças do passado retornaram de forma inesperada.

- Você está preocupada com Jo, não?

- Estou, Billy. Como não estaria? Dói tanto vê-la perdida e incerta de tudo, assim como eu. Eu não queria que a vida fosse assim pra ela, ninguém queria, nem nós queríamos, não é? – ele assentiu com a cabeça, compreensivo – Mas...

- Eu sinto muito, Rose, de verdade. Eu sinto muito.

Ele inclinou-se e me abraçou, eu o retribuí. Ele partiria dali em cerca de vinte e quatro horas, e então eu só o veria quando o inverno finalmente chegasse. Uma estação inteira sem um ombro amigo.

Se houve algo que eu aprendi, fora a ter um amigo. Tudo aquilo foi novo pra mim. Os conselhos, um apoio... Nunca sequer o tivera, e agora eu estava tendo a dor de vê-lo se ir.

- Eu te amo, Billy – falei baixinho, as palavras pareciam passar apertadas por minha garganta – Obrigada por tudo.

Billy pareceu esganar-se, e então tossiu baixinho, levantando-se, e saiu caminhando em passos fortes sobre as folhas outonais, secas.

- Se cuide, pequena – ele falou, sem sequer se virar, e eu sorri.

A lição era não olhar para trás.