Sinking Ship
26 Capítulo 24
Caminhei pela rua movimentada que me levava ao recanto que sempre fora o Cheddar’s. Empurrei a porta pesada e fui indo, automaticamente, em direção à mesa que sempre sentara, mexendo em minha bolsa. Senti que estava esquecendo de algo. Levantei a cabeça e fitei ao meu redor. Ah, claro.- Olá, Peter – disse, sorrindo pra ele e apertando sua mão.- Achei que a tradição do "oi" tinha se quebrado – ele falou, um pouco trêmulo, sorrindo gentil pra mim.- Depois de tantos anos. Quase quinze, digamos.- Realmente, seria avalassador – ele sorriu bondoso, segurando minha mão – Feliz? Faz tanto tempo que não lhe vejo assim...- O mundo da voltas – falei, divertida, e beijei-lhe a bochecha, indo a direção de minha mesa.
Logo quem eu esperava entrou pela cafeteria, meio atrapalhado, cumprimentando Peter e vindo simpático em minha direção.- Você não acha que com esse calor – disse, apontando minha regata branca e meus shorts jeans curtos -, você deveria deixar dessa capa estranha? Aliás... Muuuito estranha.- Obrigada, Rose – ele disse, tirando o casaco.- Todas suas camisetas são pretas? – perguntei, observando os ossos alados desenhados em branco sobre o preto.- Realçam minha pele – ele disse, mordendo os lábios em seguida, enquanto eu gargalhava.Ouvi um gritinho histérico e olhei ao meu redor. Uma menina de cabelos pretos e longos, espelhados, e olhos bem contornados pulava e apontava Billy. Fingi me assustar.- O que é isso, um ataque atômico? – perguntei, fitando Billy de olhos arregalados.- Fãs. É parecido – ele disse, levantando-se – Com licença.Observei ele ir até a menina e dar-lhe um autógrafo, após tirar uma foto de celular com ela. Agradeceu e foi-se embora pela porta.- Provavelmente ela vai falar para as amiguinhas que me viu aqui e chovera fãs a porta do famoso Cheddar’s. Aliás, devia-se chamar Rose. Você é patrimônio desse lugar.- Obrigada pela sua gentileza – falei, fingindo estar ofendida.- De nada, querida – ele falou meio longe, e eu percebi o tom casual em sua voz – Mas então... Han, problemas?- Não. Quero dizer, o de sempre, mas te chamei aqui por outro motivo...- Diga – ele sorriu, incentivando-me a falar.- Billy... Eu sei que eu merecia uma surra depois disso, mas tente me entender – falei incerta – É que... Moss voltou. Você sabe dessa parte, e... Eu não consigo... – minha voz não saía – Sem ele – continuei, em partes.- Primeiramente, Rose, desculpe-me por aquele dia. Eu não devia ter... Me aproximado, eu não queria, desculpe. E quanto a Moss – ele falou, suspirando – Eu não posso te dar conselho nenhum. Segue teu coração. Você se ferrou tanto que eu já acho impossível não sobreviver à outra coisa – ele sorriu sem graça. Gargalhei sádica.- Às vezes você tem razão – eu disse, agradecida.- Me desculpe, Rose, de verdade. Eu sinto muito por tudo.- Obrigada, Billy – disse, simpática, pegando sua mão e a apertando forte – Mas não sinta pena de mim. Acredite ou não estou bem. Confusa, mas bem – suspirei – Eu não devia ter voltado pra Moss, não deveria me entregar, nem dizer aquelas coisas pra Jo... mas mesmo com a distância, e com tudo... Só piora. Por mais distante que ele esteja, e eu esteja, as lembranças nunca se vão. E é melhor ter a dura certeza de que ele está perto e arrependido do que a dura certeza de que ele está longe e perdido. Ele também se machucou. A bomba caiu sobre todos nós.- Eu sinto tanto, Rose. Você passou por tanta coisa...- Passei. Mas não me arrependo – disse, suspirando e passando a mão pelos cabelos – Nada é em vão. Agora eu vejo que as coisas... Acontecem. Pra alguns sim, pra outros não, pra mim de maneira catastrófica e inalcançável, mas, eu não me importo. Na verdade eu só estou preocupada com Jo. Muito preocupada – disse, cansada.- Nada vai mudar, Rose. Isso é certo. Não se iluda... – ele disse, e quando eu abri a boca pra rebater, continuou – Eu sei que você não é de se iludir, mas me entenda. Entenda o que eu quero dizer. Jo ficará bem, um dia ou outro. As coisas continuarão difíceis, você sabe que sim. E nada está isento de acontecer. Mas a vida da voltas, não dá? – ele sorriu bondoso.- Se dá – sorri, levantando e contornando a mesa, abraçando-o. Ao menos agora, eu tinha alguém com quem contar, e não precisa das suas palavras pra saber disso. Eu tinha um amigo.
Fale com o autor