Sinking Ship

25 Capítulo 23


Notas iniciais
Música do Capítulo From End to End - Relient K
[http://www.4shared.com/file/35838667/2fb934f4/Relient_K_-_From_End_To_End.html]

Passava manteiga no pão, tentando manter a calma, enquanto minha mente borbulhava com os acontecimentos passados.

O telefone tocou. Levantei mal-humorada e o atendi.

- Alô – disse, sem nem verificar o identificador eletrônico.
- Rose, é o Billy.
- Ah, oi – disse, mais aliviada.
- Tudo bem? Com você e Jo?
- Sim, Billy, tudo bem. Não se preocupe, tá bom?
- Er, qualquer coisa me ligue – a campainha tocou.
- Sim, Billy, o farei. Deixe-me ir. Campainha.
- Se cuide.

Desliguei o telefone e me arrastei em direção a porta, ainda segurando a faca e o pão. Abri a porta, tendo uma certeza estúpida de quem era.

- Oi Moss – disse, de costas, indo-me sentar.
- Ia me atacar com essa faca? – perguntou, apontando a faca de margarina e sentando-se em minha frente à mesa do café.
- Não mesmo – sorri.
- Tava falando com aquele cara esquisito? – o fitei por alguns instantes e fiz que sim com a cabeça, voltando a passar a manteiga no pão – Ele parece um vampiro – comentou.

O fitei novamente.

- Bom pra você – disse, sorrindo irônica – Cuide-se, talvez ele esteja voando por aí e de repente, se ele amordaçar seu pescoço, você não terá muito que fazer.
- Mamãe tem razão – olhei pro lado e vi-a vindo, de pijama, em direção a mesa, sentando-se ao meu lado, na diagonal de Moss – As aparências enganam – lançou um olhar feroz pra Moss, e ele pigarreou baixinho, voltando a me fitar.

— Jo, Rose, me desculpem por aquele dia...
- Não se desculpe – ela sorriu, servindo suco em seu copo e bebendo um gole.
- Você não vai deixar essa indiferença de lado, comigo?
- Quem se importa? – ela falou, olhando em seus olhos, e eu senti o clima terrivelmente tenso.
- Tudo bem, Jo – Moss falou, suspirando – Deixamos a conversa pra depois – levantou-se e depositou um envelope vermelho e amassado sobre a mesa, desviando seu olhar em minha direção. Piscou-me com um sorriso enviesado.

Virou-se e saiu porta a fora, sem nos dizer mais nada.

- Ridículo – Jo disse, apanhando o envelope.

Abriu-o e leu-o, com o cenho levemente franzido, olhando desgostosa para o pedaço de papel. Jogou-o sobre a mesa e levantou-se, batendo em seguida a porta do quarto.

Apanhei-a, vacilante, e li, sob a caligrafia forte e de forma, levemente inclinada:

Excuse me, but i\\\'ve got a request
(Com licença, mas eu tenho um pedido)
Could you take the gag off of my mouth
(Você poderia tirar a mordaça da minha boca?)
I admit that i\\\'m fairly impressed
(Eu admito que estou bastante impressionado)
Cause you\\\'re the best at blocking me out
(Porque você é a melhor em me bloquear)


Tive de rir. Sabia o motivo do envelope estar amassado e a caligrafia já desgastada e um pouco borrada. Moss já havia enviado aquilo. Pra mim. Deveria estar entre os destroços deixados no antigo apartamento, às pressas.

I believe that we weren\\\'t quite done
(Eu acredito que nós não tínhamos realmente acabado)
I know it\\\'s hard to hear me out again
(Eu sei que é difícil me ouvir de novo)
I realize, you\\\'re not the only one
(Eu percebi, você não é a única)
Who\\\'s terrified of life from end to end
(Que está aterrorizada com a vida, de fim pra fim)
Hey hey, can you hear anything i say
(Hey, hey, você consegue ouvir qualquer coisa que eu digo?)
I\\\'m feeling unwanted, that\\\'s not what i wanted
(Eu me sinto indesejável, não era o que eu queria)
And attention to me is something you refuse to pay
(E você se recusa a prestar atenção em mim)
Cause i just can\\\'t believe the way that this
(Porque eu simplesmente não consigo acreditar, na maneira como isso)
Continues to go on
(Continua acontecendo)
I say i wish you didn\\\'t always think i\\\'m wrong
(Eu digo que eu queria que você não pensasse, que estou sempre errado)
So tell me
(Então me diga)
Tell me what will it take to get this through your head
(Me diga o que fará isso entrar na sua cabeça)
And tell me what will it take
(E me diga o que acontecerá)
Until you see things through from end to end
(Até você ver as coisas, de fim pra fim)

Excuse me, but isn\\\'t this the way
(Com licença, mas essa não é a maneira)
That things always turn into something good
(Que faz as coisas virarem coisas boas, sempre)
You\\\'ve tried to ignore the things i say
(Você tentou ignorar as coisas que eu digo)
But in the end you found you never could
(Mas no fim você viu que nunca conseguiria)
Hey hey, can you hear anything I say
(Hey, hey, você consegue ouvir qualquer coisa que eu digo?)
You search for the short-cut, you live life but for what
(Você procura pela saída mais rápida, você vive sua vida, mas pra que?)
I love you and hope you will find the truth some day
(Eu te amo e espero que você encontre a verdade algum dia)

Sorri e caminhei em direção ao quarto de Jo, batendo uma vez na porta e a escancarando.

- Tem um motivo pra isso chocar e estar tão amassado – sorri gentil pra ela – Alguns motivos, na verdade.
- Jura? Ele realmente me comoveu – Jo disse, fitando-me e logo após jogou-se sobre a cama, apanhando o travesseiro, abraçando-o.
- Ele mandou pra mim. E com certeza você deve me achar desprezível, nojenta, egoísta, insensível e mais uma tralha de coisas. Mas, acredite, uma vez eu já me comovi com isso e derreti por ele.
- Quando você saiu em aventura pelo mundo e deixou eu ter uma criação antiga com meus vovózinhos?
- É, Jo, naquele tempo – afirmei.

Ela me olhou assustada, e perguntou:

- Tem certeza que ‘tá bem? Você nunca falou disso comigo, assim, sem se proteger.
- As coisas mudam, Jo. As pessoas, não.

Saí do quarto e encostei a porta, certa de que discussões não nos levariam a nada. Fitei o envelope vermelho novamente.

Gargalhei. Ele nunca se dera bem com as palavras, mas sabia as colocar. Ah, aquele tatuado inconseqüente por quem tinha me apaixonado... Novamente.