Notas iniciais
Música do Capítulo Give 'Em Hell, Kid - My Chemical Romance [http://www.4shared.com/file/32777010/630371ef/My_Chemical_Romance_-_Give_Em_Hell_Kid.html]

- Jo, você está bem? – A garota perguntou, sentando ao lado da maior e olhando-a preocupada.
- Eu... eu não sei, Kath – abraçou-a.
- Ei, tudo vai ficar bem... – afastou-a e sorriu – Tudo.
- E quando ela descobrir?
- Matt vai dar um jeito nisso, não esquenta.
- Matt acha que pode resolver tudo, enquanto não pode. O Robert já nos deixou na mão uma vez, novamente eu não agüentaria.
- Calma, Jo, tudo ficará bem.
- Não é tão fácil... tipo, eu tenho quatorze anos – gesticulou com a mão.
- Você tem a nós.
  Sorriu e abraçou-a novamente.
  Campainha.
- Cacete, de novo? – a menor perguntou, dirigindo-se a porta e puxando mais um cigarro do bolso.
  Abriu a porta e o vulto escuro passou apressado ao lado dela.
- Jo, nós temos um problema...
- Hã? – pulou do sofá, assustada com a voz.
- Nós temos um problema. Não pagamos o aluguel à três meses, enviaram uma viatura pra cá. E você sabe porque eu estou me preocupando...
- Mas pai...!
- Eu sei que é demais pra vinte minutos, mas nós precisamos sair daqui. Junte suas coisas, o mais importante...
- COMO ASSIM? – gritou, jogando o cinzeiro que se encontrava parado na mesinha de canto.
- Jo – o pai suspirou cansado -, sei que é difícil, mas... me entenda. Nós precisamos sair daqui.
- E vamos pra onde? – jogou o cigarro pela janela – Para Santa Fe? Morar no meio do mato de novo? Ou você está sonhando em ir morar no castelo da Cinderela? Porque eu cansei de fugir.

- Eu sei – passou a mão pelos cabelos -, mas... dessa vez são por vários motivos. Primeiro porque estamos sendo despejados, segundo porque há quilos de cocaína aqui, terceiro porque há alguém nos perseguindo, e eu não tenho mais dúvidas disso... Quarto porque... porque preciso esquecer sua mãe – sussurrou a última parte.
  Joanna bufou e segurou suas mãos.
- Vá, pai, eu me viro... Matt resolverá tudo.
- Mas Jo... – foi Kath que falou agora.
- Eu até deixaria você ficar, mas Matt também está encrencado. Não é mais tão fácil. Estão nos vigiando, eu avisei!
  Foi a vez de Kath, seguida de Jo passarem as mãos pelos cabelos.
- Tudo bem. Tudo bem.

  A última mala foi jogada no porta-malas da Ferrari antiga, e o carro deu um solavanco, alertando o mais velho do devaneio.
- Ótimo, Jo, Kath, peguem um táxi. Juntas. Eu dirijo. Não podemos dar bandeira, sejam o mais discretas possíveis. Matt irá com nós. Ele está com o carro do avó...
- E Robert? – Jo perguntou, ajeitando a saia de pregas.
- Vai disfarçado. O pessoal tá achando que ele é o mandante do Matt, e ele tá na mira também. Mas por favor, tome cuidado...
- Eu tomarei – concluiu, lançando-lhe um mínimo sorriso e puxando a amiga pela mão, entrando no carro que parara a pouca distância dali.
- Eu espero – o sussurro foi fraco demais...
  Estou saindo do casebre. Espero vocês na estrada velha. Passarei antes na estação de música, ao lado do café."
- Matt – Kath sussurrou, após ler a mensagem de celular.
  As cabeças latejavam e parecia que tudo estava caindo. Tudo. Jo abraçou Kath, e foi orado em silêncio um pedido de desculpas e piedade. Só mais uma vez... uma última vez.

If you were here I\'d never have a fear
(Se você estivesse aqui, eu nunca teria sentido medo)
So go on live your life
(Então vá e viva sua vida)
But I miss you more than I did yesterday
(Mas eu sinto sua falta mais do que eu senti ontem)
You\'re so far, far away
(Você está tão, tão longe)
So c\'mon and show me how
(Então venha e me mostre como)
\'Cause I mean this more than words can ever say
(Porque eu quero dizer isso mais do que palavras podem dizer)

- Calma, Kath – Jo sussurrou no ouvido da menor – Tudo ficará bem, e agora é eu que digo isso – a menor sorriu fraco – Papai cuidará de nós. Ele te considera uma filha. Nós somos quase irmãs. Eu estarei ao seu lado, sempre.
- Obrigada, Jo!
  O sorriso aberto respondeu a exclamação.
- Moço, deixe-nos aqui. Obrigada – Jo estendeu um macinho de dinheiro amassado ao homem jovem, que sorriu amarelo.
  A estrada estava movimentada. Teriam que andar a pé até o local marcado, mais retirado da movimentada Highway 101.
- Teu pai podia ter facilitado as coisas né... – Kath falava embolada no mapa extenso que segurava, e tentava fechar a mochila com a outra mão, enquanto Jo puxava o capuz da jaqueta e cobria os olhos.
  Jo sorriu e fechou a mochila da pequena, retirando o mapa das mãos dela.
- Você é muito enrolada, Kath. Além do mais, o mapa estava de cabeça pra baixo.
- Olha! Alguém prestou atenção nas aulas de geografia.
- Pelo ao menos isso né – riu fraco.
- Eu acho que é ali — apontou pra uma estrada secundária -. É, deve ser, porque depois nós pegamos mais duas.
- Pra onde vamos?
- Eu não sei, Kath.

­   ­ O celular apitou alto e Kath deu um pulo.
- Boca aberta, baixa o volume dessa coisa.
- É o Bert...
  Moss e eu estamos aqui. Faltam vocês e o Matt. Sigam as dicas da mensagem anterior, que provavelmente o lesado mandou. Bobinhas.
- Mas o Matt é doido! Como vamos confiar nas baboseiras que ele falou? – Kath perguntou indignada.
- Me alcança isso aqui – Jo puxou o celular das mãos da menor, e remexeu nas teclas.
- Tipo, estação de música... ele deve ter bebido.
- Usa a cabeça, Kath. Tem aquela antena de rádio ali na terceira estrada, não é? E logo depois, na secundária, tem um pub. Lembra que Jason levou nós lá uma vez? Foi lá que conhecemos o Robert.
- Como eu ia esquecer do meu primeiro porre... – maneou a cabeça.
- Dã – Jo riu, a outra a acompanhou.
  Minutos de silêncio. O sol estava queimando, queimava mais a cada passo que davam em direção ao sul da Califórnia.
- Kath, você está bem? – perguntou, preocupada.
- Não sei, Jo – ela falou e começou a caminhar de costas, defronte a outra – Eu só estou tão confusa, tão confusa... é tudo tão complexo, veja onde viemos parar – levantou os braços – e olhe pra você. Sua mãe tem razão.
- Eu agradeceria se você não falasse da vadia.
- Ela vai acabar te ajudando – sussurrou.
- Me dando um Gloomy de Natal? Que ótimo.
- Você sabe que não é assim, Jo – segurou-a as mãos, acariciando-as de leve – Apesar de tudo ela gosta de você. E mudou.
- Ela nunca mudará. Pessoas nunca mudam, Kath. Saiba disso – desvencilhou-se das mãos, nervosa.
- Algo me diz do contrário. Mas não irei contrariá-la – confirmou, voltando a andar do lado de Jo, ofegante.

­ Um Corsel azul piscina passou ao lado delas, na medida que diminuía a velocidade. O dono do carro assoviou.
- Ora, essa! – Jo saiu pisando forte, gritando com o ocupante – Vá arrumar o que fazer, seu inútil – mostrou o dedo do meio.
  O dono do Corsel acabou-se rindo.
- Depois sou eu a idiota! – Kath disse e veio correndo de onde Jo deixara-a parada – É o Matt!
  Jo correu até a porta do carro e olhou pro garoto de aproximadamente dezessete anos, com cabelos escuros, caindo sobre os olhos, e rebeldes. Tinha olhos azuis, e uma barba mal-feita. Chutou a lateral do carro.
- Idiota! Malandro! Cacho—
- JO! – Kath gritou, rindo.
- TPM hoje em alta hein, gata – piscou, saindo com o Corsel em direção a pequena estrada que dava à um ponto de ônibus, na via secundária.
- HEY! MATHEW!
- Ninguém mandou você ficar se estressando. Vamos, eles estão com pressa – Kath a puxou.
- O Matt tem problema, cara...
  Defronte à parada de ônibus haviam três autos estacionados. O Corsel azul piscina, a Ferrari antiga preta, e uma moto preta com lataria prateada.
  Ouviu-se uma sirene distante.
- Ok, e agora? – Kath perguntou baixinho à Jo, enquanto fitava os três homens acomodados na lataria do Corsel, dois deles fumando.
- Agora vocês vandalizem essa belezinha aqui – Robert indicou o carro azul, batendo-lhe a lataria.
- Mas porque diabos? – Jo perguntou chocada.
- Porque sim. Vamos, Joanna, não temos tempo – disse o pai, saltando do capô e dirigindo-se a moto. — Kath, você vem comigo.
- Mas... – ponderou enquanto entrelaçava os dedos na mão de Jo.
- Vá – sussurrou e deu um mínimo sorriso, apertando de leve a mão frágil e a afastando da sua.
- Jo, aproveite e quebre um pouco mais o carro... – Matt riu, puxando-a para um abraço.
- Eu vou vandalizar é a tua cara daqui a pouco — disse emburrada, entrando no carro, enquanto observava Matt tragar o cigarro lentamente e Robert quebrar os vidros e amassar a lataria do carro.