Sinking Ship

21 Capítulo 19


- A Linzi é legal, Billy! – ia dizendo, entrando com um copo de Starbucks na mão, segurando a porta pra ele passar – Não sei do que você tanto reclama – fechei-a atrás de mim.
- Você não vive com ela. Agora ela tem ciúmes de você.
- Me des—
- Não. Eu gosto disso. Faz ela não ser tão egocêntrica.
- Não muda nada – disse, erguendo as sobrancelhas e sentando-me no chão, escorada a mesa.
- Tem razão – disse, sorridente, me fitando. Sorri de volta.

Liguei a TV na Fox e ficamos assistindo filme e bebendo. Eu percebia ele me olhar sorridente.

- Que diabos aconteceu? Tem esperma no meu nariz? – ele riu. Eu, logo em seguida.
- Você é uma adolescente. Tão boba...
- Eu não sou boba – o olhei sério -, sou?
- É.

Joguei uma almofada dele, ele retrucou. E almofadas voavam por todos os lados.

Vi a porta ranger e abrir-se.

- Oi crianças – disse pra mim e Billy. Ele acenou feliz pra ela, e ela retribuiu com um sorriso triste.

Veio até mim e depositou um beijo em minha bochecha esquerda. Sorri.

- Como foi querida? – disse, puxando-a para meu colo, acariciando seus cabelos enquanto sua cabeça pendia sobre meu braço.
- Normal – disse.

Silêncio.

- Passei na primeira seleção.

Eu ia abrindo um sorriso, irradiante, e Billy já tinha um na face, quando ela disse:

- Mas, segundo a reitora, porque meu pai não mora comigo, porque vocês são separados e minha guarda – ela direcionou seu olhar para mim – ainda pertence ao meu pai.

Gelei. Esquecera disso completamente.

- Mas esse não é o problema. O problema é que poderei fazer o vestibular só porque meus pais são separados – soltou uma risada – Que comovente não? – disse pegando uma jarra de água na geladeira, dirigindo-se ao corredor.
- Onde você vai? – perguntei.
- Estudar – ela me olhou, incrédula com a pergunta.
- Vem cá, pequena – foi Billy quem falou.

Ela o olhou assustada, e riu em seguida.

- Você é bem humorado.
- Eu to falando sério, porra.

Jo riu.

- Tá bom.

Caminhou em sua direção e sentou-se ao seu lado.

- Sabe, orgulho é algo bom. Mas não deixe que ele estrague os momentos únicos em sua vida.

Eu entendi a indireta. Completamente. Era exatamente o mesmo que ela fizera com Matt.

- Não deixe essa vaga ir pro ralo. Corre atrás. E daí que seus pais são separados? Você tem uma mãe, que, apesar de tudo, está ao seu lado. Você tem saúde, tem uma vida, que apesar de difícil, é uma vida. Não passa fome...
- Tenho agasalho, casa, escola – repetiu com voz infantil. Billy gargalhou.
- Você sabe a lição.
- Sei, mas isso é patético.
- Eu também acho, mas, vamos lá! – ele deu um soquinho em seu braço – Não seja fraca.
- Você que manda, Vampiro.

Billy fingiu estar furioso e eu tive de gargalhar.

- Quando você parar de me chamar de Vampiro, eu te dou um doce.
- Tá bom – disse, apertando suas bochechas – Tio Billy – falou novamente com sua vozinha infantil.

Ela levantou e me fitou.

- Posso estudar agora, mãe?
- Vaaai – disse, dando um tapa em sua bunda quando passou por mim, rindo.
- Sabe – ela disse, virando-se e apontando o dedo em direção a Billy – Você daria um bom pai.

Billy gargalhou. Eu senti minhas bochechas rubras.

- Tudo bem, Joanna, você não ia... estudar? – fitei-a com um olhar fatal.
- Ah, claro, estou indo – saiu em paços lentos. Quando a olhei novamente, continuou – ESTOU INDO!

-----------------------------

Era uma terça. O sol dançava ainda não totalmente forte por trás das vidraças, e eu observava do sofá Billy e Jo rirem tomando café. Jo jogou uma bolacha nele.

- Não brinca com a comida – disse, distraída, procurando um canal qualquer na televisão.

Billy veio e sentou-se ao meu lado.

- Pensativa? – disse, com um mínimo sorriso, passando seu braço direito sobre meu ombro, acariciando-o. Estremeci.
- Alguns.
- Alguns? – perguntou-me.
- Oh, alguns problemas. Desculpe-me.
- O que houve? – disse, pousando a testa em meu outro ombro — Não fica assim, tá?
- Maus pré-sentimentos. Bobagens. Estou bem – forcei um sorriso.
- Não, não está. Quer café?
- Não! Deixe-me Billy.

Ele levantou e ficou me olhando. Eu odiava, mesmo, ele ser tão preocupado.

- Tudo bem, vou sair com Jo. Descança. Qualquer coisa me liga, ok?
- Hum – resmunguei, atirando-me sobre uma almofada.
- Tchau mami! – Jo gritou, ao longe, e eu não pude evitar de gargalhar.

Eu fiquei perdida em pensamentos, as mesmas malditas lembranças de sempre, e agora aquele aperto no peito, que não fazia idéia de quando passaria. Adormeci.

Acordei com a campainha tocando constantemente.

- To indo, droga! – dirigi-me a porta.

Quando coloquei a mão sobre a maçaneta, vi um envelope médio sobre meus pés, apanhei-o e o fitei. Gelei na hora. Eu conhecia aquela caligrafia de forma, forte, mas bem escrita, levemente inclinada.

Abri a porta, abrindo ao mesmo tempo o envelope.

- Chegaaamos! – Jo gritou, lambendo um sorvete púrpura.

Não dei atenção e continuei correndo meus olhos sobre a carta, sentindo meus órgãos estacarem conforme as frases que lia.

- O que foi mãe? – Jo perguntou, espichando o pescoço.

Não respondi, até que Billy falou mais alto:
- Rose?!

Virei as costas e encostei-me sobre a bancada da cozinha, colocando os braços ali e jogando minha cabeça sobre eles, segurando-a. Pulsava novamente como já tivera pulsado tantas vezes antes.

— Moss voltou.

Notas finais
Ah, umas coisinhas:

- Não, eu não estou louca. A Jo tem 14 anos. Pela lógica ela estaria no 1º ano do colegial, e sim, está certo. Mas eles efetuam exames para a faculdade desde cedo, e no caso, esse que é citado nesse capítulo é um desses.
- A Jo teve os estudos meio perdidos, já que ela e o pai viviam se mudando e Moss sempre estava cheio de problemas. Mas os pais do Moss eram de classe média alta, tradicionais, e na infância ela estudara com Matt e Kath em um maternal particular.
- Não há indícios de que ela estude, mas provavelmente Rose vai fazer com que ela volte a estudar. No caso, fica evidente que ela pretende entrar pra faculdade.

E, por enquanto é isso :D