Sinking Ship

15 Capítulo 13


Chris tirou uma seringa do bolso e sorriu triste pra mim. Eu achei que ele me atacaria a qualquer momento, e o pânico ia tomando conta de mim aos poucos.

Mais uma vez, não...

Eu não suportaria. E eu achei que ele me atacaria, enquanto eu esquivava aos pouquinhos e encostava-me na cabeceira da cama. Mas seus olhos eram frios, e ao mesmo tempo tristes, e eu vi como seu rosto estava pálido.

- Você sabe como dói, só não recorda de como é...
- Cala a boca, Chris – eu sussurrei fraca.
- Você sabe o que isso faz, como é, e o que acontece depois... Mas você acha que agora está livre de tudo, não é?
- Chris... – sussurrei.
- Eu saí do GC. Saí do GC, ROSE, EU SAÍ! EU SAÍ DO GOOD CHARLOTTE PORRA.

Eu percebi que ele estava mal e fraco, e levantei, cruzando os braços e me distanciando o suficiente.

- Eu não tenho culpa, isso é problema seu.
- Eu saí do Good Charlotte, PORRA! Você sabe o que é isso?
- Continue se drogando e bebendo até morrer, afinal, a vida é sua, e você que faça o que bem entender.

Agora ele estava desabado no chão, a ponta da cama, com os braços estendidos sobre a mesa e puxando a colcha de leve, chorando.

- Eu pensei que você me amasse, se preocupasse comigo... – ele sussurrou, derrotado.
- Eu nunca amaria alguém como você. Eu não me importo com você, desde que você se distancie dessa casa e não perturbe a minha vida, e muito menos a da minha filha, entendeu?
- Você não vai se livrar assim... Não assim... Depois de tudo...

- Chris, eu não tenho medo de você. Você quer me drogar, me estrupar, me fazer chorar? Isso já não me atinge mais. Você é um FRACO, um desequilibrado, faça-me o favor.

- Obrigada pelas belas palavras... – ele levantou desgostoso, passando a mão pela cabeça, aproximando-se de mim.

Puxou meu queixo com força, e olhou fundo nos meus olhos, mordendo meus lábios e dando-me um selinho em seguida, saindo do local.

- Ah, não precisa me dizer que acabou, eu acho que isso nem sequer começou, não é? Passar bem, romancista – ouvi gritado ao longe.

E então a porta bateu num baque, e eu escorreguei pela cômoda, jogando minha cabeça aos braços e sentindo a incerteza do amanhã me atingir, me despedaçar, cada tola e suja esperança, tantas em uma só vida, em uma só pessoa...

- Mãe, vem tomar café – ouvi a voz levemente infantil vir da cozinha, e não pude evitar de sorrir.

Tantas quedas e cicatrizes, tantas pessoas que passaram e já não lembro mais, não me fazem falta, nem me fazem mais pensar, mais uma e mais um cicatriz não fariam diferença alguma, não agora, que eu tinha uma filha pra criar.

Eu sorriria, nas horas mais difíceis, eu estava certa de que daria a volta por cima, aos pouquinhos, que eu faria de tudo para fazer com que minha filha não sofresse igual a mim. Eu estava disposta a viver pensando nela, só nela e em mais ninguém. Por enquanto.

Jo entrou pela porta e sorriu.

- O que foi? – perguntou.
- Hã? – balancei a cabeça, livrando-me de meus devaneios.
- Tá rindo boba assim por quê?
- Não é nada não... Me dá um abraço?
- E eu sou a melosa, não é? – ela sorriu e correu me abraçar.

O abraço dela era quentinho e apertado, mas ao mesmo tempo carinhoso. Sorri involuntariamente.

- O que você tem? – ela perguntou, colocando uma mecha da minha franja por trás da orelha.
- Nada não...
- O Chris esteve aqui, não esteve? Ele te machucou? – ela me olhou triste.
- Como você sabe? – eu a olhei assustada.
- Intuição.
- Você não viu ele, viu?
- Eu vi ele saindo do prédio quando estava chegando, mas não me viu, não se preocupe, ele nem me conhece, não é mesmo? Mas, você não respondeu, ele te machucou?
- Não, eu não deixei – tive que rir fraquinho – Tá tudo bem...

Ela retribuiu meu sorriso fraco novamente.

- Você está aqui.
- Own, que fofinha – me apertou as bochechas enquanto eu ria.

Levantei da cama e peguei meu casaco estendido sobre a poltrona.

- Quer apostar uma corrida até a frigideira? – Jo perguntou com os olhos brilhando.

Eu fiz cara de tédio e saí correndo.

- EI, NÃO VALE! Sua trapaceira de uma figa... – ela vinha gritando atrás, enquanto eu ria em meio as lágrimas que por dentro teimavam em cair.