Singelas Ameaças
5 Irmandade
Notas iniciais
— Por que tá se arrumando, D? — Depois de deixar Sofi na aula, fui pra casa com o intuito de ligar para Lauren. Talvez. Ainda não tinha decidido.
— Mani me acordou. Vai se arrumar, vamos sair. — Sua empolgação era quase papável. Nem tirava os olhos do seu reflexo no espelho da sala. O espelho era enorme, porque Sofi normalmente arrastava o sofá para ficar dançando em frente a ele. Dinah já estava quase pronta pra sair, restava apenas a maquiagem que ela não tinha colocado ainda.
— Como assim, vamos sair, DJ? Pra onde? Vou ficar de vela, é?! — Vi ela revirar os olhos e sorrir, e tenho a leve impressão de que a vi ruborizar.
— Deixa de ser irritante. Mani ligou e me chamou pra sair com ela e Lauren. Ai eu perguntei se você poderia ir e a Morgado gritou lá do fundo "SIM!". — Dessa vez, eu ruborizei. E ela riu de mim por isso.
— Juntou o útil ao agradável. Já tava pensando em ligar pra ela mesmo... Se ela ligou, meu nervosismo se foi. Vou me arrumar. — Ela riu da minha calma ao falar e quando fui subir as escadas pela cozinha, ela gritou ainda da sala "Lauren quer teu corpo nu!", me fazendo rir tanto que tive que me apoiar no corrimão da escada.
Enquanto tomava banho, lembrava na sombra dela no palco. Um arrepio percorreu meu corpo quando lembrei dos lábios dela se mexendo, dublando a música. Eu havia preservado meu coração à anos, com o intuito de não sofrer de amor. Isso, claro, depois de já o ter partido.
Depois que nós sofremos o acidente de carro, fiquei vulnerável, o que já era de se esperar. Na escola, os professores sempre me passavam trabalhos extras pois decaí no resultado das provas. Sempre fui uma das alunas exemplares, porém, depois de praticamente ver meus pais morrerem na minha frente, tudo o que conseguia me concentrar era em Sofi. O grito estridente da minha irmã quando o carro capotou não saia da minha cabeça, fazendo sempre um eco enorme e duradouro. Prometi a mim mesma cuidar da minha irmã mais nova como meus pais cuidaram da gente. Eu sofri, mas poderia ter sido bem pior.
Todos estranharam o fato dos patrimônios dos meus pais estarem em meu nome, é claro. Eu também, pois se um deles estivesse com alguma doença em estado terminável e descobríssemos depois, seria uma explicação razoável se programar. Porém, os dois estavam saudáveis...
— Mila, eu tô gostosa?! — Deixei cair minha camisa que segurava em frente ao closet, pelo susto que Dinah me deu. Olhei-a dos pés à cabeça. Ela estava impecável.
— Como assim está gostosa? Você é gostosa, DJ! Vem cá, me beija. — Comecei a correr pelo quarto atrás dela, que tinha uma incrível habilidade de correr de salto alto e ainda pular alguns objetos espalhados pelo quarto.
— Sai, Mila! Só quem pode me beijar agora é a Mani! — Assim que ela terminou de falar, consegui derrubá-la na cama e ficar por cima, fazendo cócegas. Sempre tínhamos esses momentos bem gays entre amigas, o que nos torna ainda mais inseparáveis.
— Então quer dizer que antes eu podia te beijar, é?! Porque não disse antes? — Ela ria histericamente enquanto tentava pegar meus braços para parar com as cócegas. Dinah não conseguia nem falar de tanto rir, então, em um ato misericordioso, eu parei com a brincadeira divertida de ouvir a risada escandalosa dela.
— Camila, sua vadia. Quase morro sem ar! — Ela me fez sair de cima da cama e quase cai no chão. — E eca, só de pensar em beijar você me dá um embrulho no estômago! Eca!
— Ah, para! Você sabe que iria gostar. — Ela me mostrou a língua e copiei seu gesto, fazendo-a rir mais. Ela estava tão feliz... — Mas agora é sério. Você e Mani...?!
— Pra você é Normani. E sim, rolou beijo. — Ela fingiu estar entediada e sentou na ponta da cama, com as pernas cruzadas. Em seguida, vi seu sorriso envergonhado aparecer e realmente, ela estava muito sem graça. — Ai, Mila... acho que ela já me tem.
— Por Deus, Dinah! Você nem sabe sobre a vida dela direito! — Ela tapou os ouvidos num ato rebelde e começou a cantar Single Ladies muito alto. Tão infantil. — Espera... Dinah Jane está realmente apaixonada? É sério?!
— Não tô apaixonada! Não ainda... — Não estava olhando nos meus olhos, mexia suas mãos desesperadamente em frente ao corpo e descruzou as pernas, sendo que seu pé direito batia sem parar no chão. Eu convivo com Dinah desde... desde que me lembro da minha primeira lembrança e sei desvendá-la mais do que ela mesma, então claro que sei que, mesmo tendo a confirmação notável que ela está se reprimindo para não aceitar o que sente, não devo confrontá-la. Não ainda.
— Tá, tá. Mas sabe que se sentir algo por ela assim, do nada, talvez... Só deva deixar rolar. Não force nada. Quanto mais naturalmente acontecer, melhor. — Dinah é do tipo de pessoa que precisa notar as coisas sozinha, caso contrário, irá se martirizar por um bom tempo por não ter percebido antes.
— É, você tem razão. Vou só deixar rolar. Vou conhecê-la e quem sabe... É. E você e Lauren?! — E ela perguntou sério, mas eu nem falei com ela direito.
— Bom, ela... Ela me causa aquilo que eu tentei evitar por um longo tempo. O mesmo que Austin me causava. — Austin. Meu primeiro amor. O primeiro que quebrou meu coração do jeito amoroso.
Depois que meus pai se foram, eu fiquei muito carente. E creio que o novato, Austin, percebeu isso bem rápido. Assim que voltei as aulas, não conseguia me concentrar direito nas matérias, por isso, os professores passavam várias trabalhos extras. Dinah sempre me ajudava pois passávamos muito tempo juntas sempre, porém, ela tinha cursos á tarde, nos dias de semana, então, eu ficava sozinha com meus avós porque Sofi também ficava na escola praticamente o dia inteiro, então, Austin, como um novato bem inteligente, se ofereceu para me ajudar nos trabalhos e assim também pegar o ritmo das atividades da escola. Nos aproximamos e, como todo romance adolescente, começamos a namorar poucas semanas depois. Ele realmente foi muito bom, me ajudou e muito em me acostumar com esse novo período da minha vida, porém, depois de 3 meses de namoro, quando saí da escola correndo puxando Dinah comigo, ele estava lá, bem em frente a escola, num muro baixo, no meio das pernas de uma menina que eu tinha visto apenas nos corredores da escola. Claro, foi um choque. Para todos ali ele era, no mínimo, descente. Eu estanquei, fiquei no mesmo lugar parada. Não percebia nada, fora aquela cena. E admito que gostei muito quando, no meio da cena, Dinah apareceu e tirou ele do meio das pernas da menina, que não fazia ideia do que acontecia, e deu um belo soco no nariz dele.
— Aquele energúmeno! Nem me lembre dele. — Dinah ficou com mais raiva dele do que eu, talvez porque ela gostava do quanto ficávamos bem juntos.
— Mas sabe, ela, a Lauren, ela me causa uma coisa mais forte. Eu me sinto frágil e confusa, sim, mas... Eu gosto de ficar assim. Talvez eu esteja realmente me precipitando, porque só nos vimos uma vez! — Ela levantou da cama e me abraçou forte. O abraço da Dinah era o melhor de todos.
— Mila, leve o que você diz para os outros, para a sua vida também. Deixa rolar. Talvez isso seja um sinal que vocês vão se dar muito bem ou talvez, ela seja só uma transa. Quem sabe?! — Eu conseguia ouvir o coração dela bater forte e devagar, bem ritmado. Ela sempre me deixava mais confiante, minha melhor amiga.
— Obrigada, D. Não sei porque temos que ser melhores amigas, porque você seria a mulher da minha vida. — Nós sempre fomos assim. Falamos sério e no mesmo momento, brincávamos uma com a outra. Éramos irmãs.
— Acho que não daríamos certo mesmo, Mila. Você é muito magra. — Bateu na minha bunda e saiu correndo, rindo. Aquela vadia.
— Vou dedurar para Mani, huh?! — Gritei para ela, que descia a escada e apenas mostrou o dedo do meio, ainda de costas. Eu ri e peguei a roupa que estava jogada no chão. Eu estava em dúvida, pois DJ estava bem arrumada. Não parecia que iriamos sair casualmente, então, peguei minha calça preta skinny, um salto baixo preto e amarelo e uma camisa raglan que deixava apenas minha barriga à mostra.
— Mila, você ainda...?! — Adoro quando as pessoas ficam sem palavras quando me vêem. Esse é o melhor elogio que elas podem me dar.
— Tô gata, né?! Será que ela vai gostar? — Dinah deu o seu melhor sorriso malicioso. Eu sei exatamente o que se passava naquela mente poluída. — Nem precisa falar nada, eu já tô acabando. Só vou arrumar meu cabelo.
— Pra que?! Camila, seu cabelo fica muito mais bonito assim natural e meio desgrenhado. Fica sexy. E isso irá dar várias ideias a Lauren... — Vagabunda. Só diz verdades, mesmo. Sem pudor nenhum.
Depois que terminei de me arrumar, o celular de Dinah tocou e era a Normani dizendo que iríamos para uma biblioteca. Ficamos chocadas mas muito interessadas, pois as duas não pareciam o tipo que saem para ler e nós havíamos nos arrumado demais. Pensando melhor, Dinah usa salto alto até para fazer bolo, então não seria tão chocante assim. Normani passou o endereço por mensagem para Dinah que colocou no GPS do carro e como sempre, eu dirijo.
Quando chegamos no nosso destino, ficamos procurando a tal biblioteca, porém, mas rápido do que pensei, achamos as duas. Estavam lindas! E também de salto.
— Dinah, você tá muito elegante. — Lauren comentou com um sotaque diferente... Britânico?!
— Obrigada, Jauregui. Você também tá gata. — Normani e Lauren riram e Dinah colocou o braço ao redor do ombro de Mani. Ok, ela é bem... acelerada.
— Hey, babe. — Elas se beijaram. Meu Deus, elas se beijaram.
— Ok, vocês são rápidas. Mani, vá apresentar a feira e a biblioteca para DJ. Vou acompanhar Camila. — Esse sotaque. DJ beijou a Mani. Meu Deus. Onde eu parei de acompanhar essa história toda?!
— Mila, qualquer coisa, liga pro meu celular. E Lauren, ela ainda não comeu. — Dinah e Lauren já parecem tão próximas... o que rolou quando eu fui embora naquela noite?!
— Tá com fome?! Tem um café ótimo dentro da biblioteca. Que tal? — De onde veio esse sotaque maravilhoso? Eu estou bem perdida.
— Ah... claro! Estou mesmo ansiosa para conhecer... seja lá o que for. — Eu gostei do seu estilo bem despojado e admito: estou com uma queda enorme por ela. Coturno preto e shorts jeans desfiado e uma camiseta preta da Rolling Stones. Seu cabelo escuro e enorme caia pelos seus ombros expostos e brancos, fazendo um contraste muito bonito. Lauren era realmente muito linda.
Mesmo de coturno, ela ainda era mais alta que eu. O tempo nesta tarde estava muito bonito mesmo estando pouco fechado, fazendo assim os olhos de Lauren ficarem muito verdes e chamativos. Sempre que ela falava sobre algo, mesmo andando, eu virava o rosto para prestar atenção nas suas expressões. Sua boca vermelha e sua pele branca, com as bochechas rosáceas faziam-me perder totalmente o foco. Ficamos conversando sobre amenidades e nossa conversa fluía muito bem, super agradável. Falei de minha irmã, de como Dinah e eu nos conhecemos, sobre o que eu fazia na faculdade e como era meu trabalho e ela me explicou como era sua relação com Normani e Ally. Aquela mulher sensual e confiante estava ali o tempo todo, porém, de uma forma bem mais... amena. Sem toda a encenação da performance, eu consegui notar o quão suave e delicada ela poderia ser, mesmo sendo notoriamente uma mulher com personalidade forte.
— Então meu irmão pulou por cima da cabeça do meu pai e pisou na rabo do nosso gato! Todo mundo na casa acordou e ele ficou 3 semanas de castigo. — A história sobre como seu irmão chegou bêbado da festa dos amigos, tarde da noite, nem era tão engraçada, porém, sua risada lembrava à um bebê e ela estava radiante. Nós ficamos rindo enquanto terminávamos nosso cappuccino.
— Você deve ter adorado isso, huh?! — Ela olhou nos meus olhos e mesmo não entendendo o porque levantou a mão, eu fiquei parada, sorrindo. Senti seu dedos frios passando pelo canto do meu rosto, levando uma mexa de cabelo para atrás da minha orelha.
— Oh, sim. Eu adorei. — Seu sorriso me fez tremer. Nunca pensei que sentiria tanta atração por alguém em tão pouco tempo. E o mais animador é que ela parece estar sentindo o mesmo.
— Sabe, eu achei meio estranho você querer sair comigo... — Já que flertamos o dia inteiro, vamos ao que interessa realmente.
— Por que?! Normani convidou a Dinah e ela perguntou se eu queria ir. Ir para ficar de castiçal para as duas não iria ser muito divertido. — Sua risada de bebê ecoou nos meus ouvidos novamente.
— Ah, sim. Então se elas não tivessem te chamado...
— Eu iria te ligar. Só achei que.... bom, talvez eu devesse esperar um pouco. Afinal, todos que pegam meu número ou dão algum indício que gostaria de sair comigo, sempre querem apenas uma coisa. E por eu ser uma dançarina, você deve entender o que quero dizer. — Mesmo sorrindo, eu pude ver o brilho nos seus olhos diminuírem.
— Não acho que vá entender, porque eu não consegui pensar em nada quando você dançou. Eu apenas... — Nosso contato visual era intenso. Eu estava começando a sentir um leve formigamento no meu baixo ventre por ansiedade. — Apenas prestava atenção naquela visão dos deuses. Você realmente, Lauren, consegue fazer com que uma mente sã dê várias voltas.
— Bom, eu e Normani somos quase co-fundadoras desse clube. Temos prestígio, mas... admito que sua fala me deixou bem esperançosa. — Sua expressão era uma mescla de sinceridade e malícia.
— Esperançosa para que?! — Estávamos flertando novamente. A tempos não me sinto tão segura de mim mesma. E um flerte aquela distância resultaria em alguma coisa, pois eu sorri quando senti sua perna encostando na minha coxa. Nossas cadeiras estavam perto uma dá outra, assim como nossas xícaras.
— Talvez para isso. — Senti um arrepio quando sua mão que estava na mesa encostou no meu braço, apertando-o de leve enquanto sua outra mão segurava levemente meu rosto. Minha respiração falhou quando ela sorriu. Um sorriso matreiro que enviou uma mensagem sutil para meus olhos, que se fecharam. Senti seus lábios macios contra os meus, apertando-os levemente. Sua mão deslizou pela minha bochecha e foi delicadamente para meu pescoço, me fazendo tremer ainda mais. Minha mão descansou em sua coxa e ousadamente, mordi seu lábio inferior. Mesmo gostando de ter o controle, a deixei comandar. Sua respiração estava pesada e senti sua pele arrepiando entre minha mão, que deslizava pela sua coxa macia. O aperto no meu braço se intensificou, fazendo com que eu soltasse um gemido baixo por entre seus lábios, sendo acompanhada por ela, que senti tremer quando arranhou levemente minha nuca. Deixei minha mão vaga pousar em seu rosto, afagando. O ritmo diminuiu gradualmente e quando abri meus olhos, aquele oceano encontrava-se perto, com a pupila dilatada.
— Nossa... — Meu sorriso teve como companhia o brilho dos olhos verdes. Aquela cor estava tão clara que conseguia sentir sua aura muito mais leve.
— Nossa, mesmo. — Nunca senti algo nessa intensidade e por isso até me assustei. Parece que ela sentiu o mesmo, pois sua reação assemelha-se à levar um choque de realidade, se afastando rapidamente com um sorriso aberto nos lábios agora inchados.
— Parece que as coisas aqui evoluíram, huh?! — Dinah, claro. Só podia, mesmo. Apenas ouvi sua voz atrás de mim e percebi o sorriso de Lauren.
— Não tanto quanto vocês, eu acho... — O sorriso sarcástico de Lauren ao dizer isso, fez minha curiosidade aguçar, virando-me na cadeira. Normani encontrava-se bem sem jeito enquanto, mesmo com o braço ao redor de Mani, Dinah franzia as sobrancelhas.
— Como assim? Não faço ideia do que está falando. — Começamos a rir da situação e até mesmo Mani ria.
— Eu sabia que você gostava de marcar território, Mani! — E como constatando o que brincávamos, Dinah ficou vermelha e coçou o pescoço, fazendo que Lauren tivesse um ataque de riso. Posso me acostumar com essa risada infantil que ela tem.
— Vocês são idiotas, sabia?! — Até parece que ela ficou mesmo brava com isso, enquanto Mani também ria abraçada a cintura de DJ.
Depois de voltarmos para a feira de livros, ambas, Mani e Lauren disseram que teriam que ir ensaiar. A ideia demorou a passar pela minha cabeça mas logo lembrei do quadril largo de Lauren rebolando ao som de Beyoncé.
— Bem que poderíamos acompanhar vocês qualquer ensaio desses, huh?! — Dinah brincava com o cachinho azul de Mani com tanta naturalidade que quem visse de fora com certeza pensaria que são namoradas.
— Quando quiser, baby. — Precisava conversar mais com Normani, para saber de suas intenções. Ela pode querer fazer DJ de passatempo sem que ninguém saiba... preciso cuidar do coração da minha grandona.
— Se quiserem ver nosso ensaio hoje, sem problemas... — Senti os dedos frios de Lauren acariciando minha mão suavemente. Troquei um sorriso com Dinah e virei meu tronco para o lado, observando seus olhos estarem mais escuros. Havia desejo neles e isso me assustava um pouco mas sempre tive uma leve quedinha para mistérios como Lauren.
— Se você me responder o porque ficou com esse sotaque o dia inteiro, nós vamos. — Pega de surpresa, enrubesceu.
— Eu disse que ela iria perceber, Laur! — Normani e Dinah riam e seguravam a cintura uma da outra. Lauren abaixou levemente a cabeça, fazendo com que algumas mechas de seu cabelo escuro caíssem sobre seu rosto bonito.
— Dinah disse que você gosta de ingleses e eu sempre ensaiava isso na escola, então... achei que não perceberia tanto. — Ela queria mesmo me agradar e ficou sem graça por ser pega, mas achei mesmo adorável de sua parte.
— Eu gosto. Mas gostei mais de como disse meu nome no seu sotaque espanhol perfeito... — Seu sorriso ficou sincero e ainda mais infantil. Peguei sua mão, que estava gelada e guiei até o carro. — Me mostra o caminho, então.
— Tem certeza que não vamos incomodar, Camila?! — Normani tem um tom mais polido quando fala comigo, realmente. O que houve quando Dinah ficou até mais tarde?!
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