Sing of the times
11 Another Love
Capítulo 12 — Another Love
“And if somebody hurts you, I wanna fight... But my hands been broken one too many times.”
O jatinho cortava o céu de Nova York, mas dentro da cabine, o luxo parecia claustrofóbico. O silêncio era um prenúncio de funeral. Londres ficara para trás como um sonho febril, e as luzes da metrópole surgindo pela janela eram a sentença de que o tempo de brincar de felicidade havia acabado.
Edward segurou a mão de Bella, os dedos entrelaçados com força sob o cobertor de cashmere.
— Vai ser diferente dessa vez, Bella. Eu prometo — ele sussurrou, a voz carregada de uma determinação desesperada. — Eu não vou fugir. Vou consertar cada erro que cometi há dez anos. Nós vamos ter a nossa vida.
Bella olhou para ele, querendo acreditar com cada fibra de seu ser, mas o medo era um gosto metálico em sua boca.
— Londres fez parecer que o amor bastava, Edward — ela respondeu, os olhos marejados. — Nova York nos lembra que o amor também tem o poder de destruir tudo o que toca.
Quando a porta da aeronave se abriu, o ar gelado de Nova York atingiu Bella como um tapa. No hangar particular, parado ao lado do carro preto, estava Damon.
Mas não era o Damon que Bella conhecia. Não havia o sorriso fácil, nem os braços abertos, nem o brilho de alívio no olhar. Ele estava impecável em um sobretudo escuro, a postura rígida, uma aura de frieza que exalava a metros de distância.
Damon abraçou Bella quando ela se aproximou, mas foi um gesto mecânico. Ele não a beijou. Seus olhos encontraram os de Edward por cima do ombro dela, um olhar frio, cirúrgico, de um homem que parou de sentir dor para começar a processar a traição.
— Espero que Londres tenha valído a pena, Edward — Damon disse, a voz num tom perigosamente educado. — Imagino que a fusão tenha exigido... esforços extraordinários.
Edward sentiu o golpe. Antes de Bella entrar no carro, ele segurou a mão dela por um segundo a mais, um último contato antes da tempestade.
— Não deixa ele te convencer de que nós somos um erro — sussurrou Edward.
O trajeto até o apartamento foi preenchido por um silêncio insuportável. Damon dirigia olhando fixamente para a estrada, as mãos apertando o volante até os nós dos dedos ficarem brancos.
— Damon... — Bella tentou começar.
— Não agora, Bella — ele cortou, seco. Foi a primeira vez que ele negou a ela o direito à palavra.
Ao entrarem em casa, Charlotte veio correndo. Ela se atirou nos braços de Bella, chorando de saudade, contando sobre a escola, sobre os desenhos que fizera. Bella a apertou contra o peito, sentindo o peso insuportável da culpa.
— Mamãe! Cadê o Edward? — a pergunta da menina parou o tempo. — Ele voltou também? Ele prometeu que ia vir me ver para terminarmos o desenho do cavalo!
Damon, que servia um uísque no bar ao fundo, estancou o movimento. O nome de Edward dentro de sua casa, saindo da boca de sua filha, foi o estopim que ele tentava conter.
Enquanto isso, Edward entrava em seu próprio apartamento. Caroline o esperava na sala, uma taça de vinho na mão e uma calma melancólica no olhar. Ela já não chorava; o luto dela já havia ocorrido enquanto ele estava em Londres.
— Eu quero o divórcio, Carol — Edward disse, indo direto ao ponto, mas sem agressividade.
— Eu sei. Você já foi embora há muito tempo, Edward. Só esqueceu de levar o corpo — ela deu um sorriso triste. — Eu passei anos tentando ser o que você precisava, mas a verdade é que você nunca esteve realmente aqui. O seu coração sempre teve dona, e nunca foi eu.
Edward sentiu um aperto de remorso.
— O apartamento é seu. Eu vou te dar tudo o que você precisar para recomeçar. Quero que você seja feliz, de verdade, com alguém que te escolha todos os dias. Coisa que eu falhei em fazer.
Eles terminaram ali, em uma trégua silenciosa. Caroline o olhou uma última vez antes de ele sair.
— Vai atrás dela, então. Mas dessa vez, Edward... tenta não destruir o mundo inteiro no caminho.
Tarde da noite na mansão dos Salvatore foi o cenário de uma guerra. Damon já estava no terceiro copo de uísque quando Charlotte foi dormir. Bella tentou se aproximar, mas ele a afastou com um gesto brusco.
— Você sorria daquele jeito pra ele quando sorria pra mim, Bella? — ele perguntou, a voz subitamente rouca de mágoa. — Quando ele te tocava, você fechava os olhos e pensava que era eu, ou você finalmente parou de fingir?
— Damon, por favor...
— NÃO ME PEÇA POR FAVOR! — ele explodiu, arremessando o copo contra a parede. O vidro estilhaçou-se, um reflexo do estado emocional dele. — Eu te dei tudo! Eu te dei uma vida, um nome, uma família! E você me transformou em um corno internacional enquanto se deitava com o herdeiro dos Cullen!
Ele começou a quebrar o que via pela frente, vasos, porta-retratos, em um acesso de dor crua. Bella soluçava no chão da sala, vendo o homem bom que ela amara ser reduzido a cinzas pela sua traição.
Damon parou, ofegante, as lágrimas finalmente descendo pelo rosto contorcido de raiva.
— Você quer ele? Vá. Saia desse casamento agora. Corra para os braços dele, do seu grande e verdadeiro amor.— ele disse, com uma frieza que gelou a alma de Bella. — Mas a Charlotte fica comigo. Eu vou mover cada céu e terra, vou usar cada centavo que tenho para garantir que você nunca tenha a custódia dela. Se você sair por aquela porta para ficar com ele... você perde a nossa filha. Para sempre.
Damon saiu da sala, deixando Bella sozinha nos destroços. O celular dela, caído no tapete, vibrou. Uma mensagem de Edward:
"Já estou procurando lugares para nós. Mal posso esperar para acordar com você amanhã."
Bella olhou para a escada onde Charlotte dormia e depois para a mensagem. O amor da sua vida estava a um passo de distância, mas o preço para alcançá-lo era o coração de sua filha. Londres fora uma fantasia; Nova York era o pesadelo onde nada sairia inteiro.
O vidro fumê das janelas da Cullen&Swan Group refletia o cinza de Manhattan, mas para Bella, o mundo parecia estar perdendo a cor. Ela entrou no escritório de Edward antes que o primeiro assistente pudesse anunciar sua chegada. A maquiagem era uma máscara de guerra, camadas generosas de corretivo tentando esconder a exaustão de uma noite em claro, mas seus olhos, opacos e úmidos, entregavam a ruína interior.
Edward levantou-se no instante em que a viu. Ele fechou a porta e a trava eletrônica ecoou como um disparo. Sem dizer uma palavra, ele a envolveu. Bella desabou contra o peito dele, o cheiro de seu perfume sendo o único oxigênio que ela conseguia processar.
— Ele quebrou tudo, Edward — ela sussurrou, a voz falhando. — Ele gritou coisas que eu nunca pensei que ouviria do Damon. Ele disse que se eu sair... se eu for ficar com você... eu perco a Charlotte. Ele vai tirar minha filha de mim.
O corpo de Edward tencionou de uma forma que Bella nunca vira. A fúria não era um grito, era uma vibração gélida que emanava dele. Ele segurou o rosto dela com as duas mãos, obrigando-a a olhar para ele.
— Escuta bem o que eu vou te dizer, Isabella. Nenhum juiz neste país, nenhum advogado e nenhum grampo de poder vai arrancar uma filha de uma mãe porque ela seguiu o próprio coração. Eu vou mover céus e terras. Vou contratar os melhores escritórios de advocacia do mundo e vou colocar cada recurso da minha família à sua disposição.
Ele encostou a testa na dela, a respiração pesada.
— Dez anos atrás, eu deixei você enfrentar o mundo e as escolhas do meu pai sem mim. Eu fugi e deixei você sozinha nos destroços. Eu jurei para mim mesmo em Londres: nunca mais. Se ele quer guerra, ele vai ter. Mas ele não toca em você e não toca na Charlotte. Você não está mais sozinha nessa trincheira.
Bella fechou os olhos, sentindo a proteção dele como um escudo, mas o presságio de que o preço dessa proteção seria o sangue emocional de todos eles ainda a assombrava.
Caminharam até a sala de conferências principal como se estivessem indo para um cadafalso. Edward mantinha uma mão firme na lombar dela, um apoio silencioso que gritava posse para quem soubesse ler as entrelinhas. Ao abrirem as portas duplas de carvalho, o ar na sala pareceu subitamente rarefeito.
Damon Salvatore estava lá.
Ele não estava em um canto, nem parecia o homem destruído da noite anterior. Ele ocupava a cabeceira lateral, usando um terno sob medida que exalava poder. Ao lado dele, Charlie Swan ria, dando tapinhas em seu ombro, com um brilho de orgulho que fez o estômago de Bella revirar.
— Olha só quem resolveu que sentia falta do cheiro de café corporativo! — Charlie exclamou, radiante. — O Damon decidiu que as férias terminaram.
Damon inclinou a cabeça lentamente. O sorriso que ele exibiu não alcançou os olhos azuis, que permaneciam frios, analíticos e impiedosos.
— Gostou da surpresa, meu anjo? — Damon perguntou, a voz aveludada, carregada de um sarcasmo que agiu como um chicote na pele de Bella.
Bella sentiu os joelhos fraquejarem, mas a mão de Edward a segurou com mais força.
— Sabe, Edward — Damon continuou, girando uma caneta de luxo entre os dedos, mantendo o olhar fixo no rival — Eu percebi que cometi um erro. Senti muita falta da minha esposa durante essa viagem de vocês. O silêncio de Nova York me lembrou que eu não deveria deixá-la carregar o peso do mundo sozinha por tanto tempo. Resolvi voltar para a diretoria ativamente. Agora, poderei ficar grudado nela, de olho em cada detalhe... tanto em casa quanto aqui.
Os diretores, alheios ao subtexto sangrento, riram. Carlisle Cullen deu um sorriso diplomático, e Charlie soltou uma gargalhada: — É isso aí, Damon! Um pouco de romance no escritório não mata ninguém.
Mas o resto da sala era um deserto de tensão. Rosalie travou a mandíbula, Jasper desviou o olhar, sentindo a onda de agressividade contida que emanava de Damon, e Stefan fechou os olhos, percebendo que o irmão acabara de detonar a carga inicial de dinamite.
Durante a reunião, o jogo psicológico de Damon foi impecável e cruel. Sempre que Bella começava a apresentar um dado, ele a interrompia com um comentário "carinhoso", completando suas frases como se fossem uma só mente. Em certo momento, ele estendeu a mão e acariciou o pescoço dela, bem acima do colarinho, sob o olhar fixo de Edward.
— Minha esposa está um pouco cansada — Damon disse para a mesa, com uma falsa preocupação. — Londres é uma cidade exaustiva quando não se dorme o suficiente, não é, Edward? Você, como anfitrião, deve saber o quanto o ritmo lá pode ser... implacável.
Edward permaneceu imóvel, mas seus dedos estavam enterrados na borda da mesa de mármore. Ele via o que Damon estava fazendo: estava marcando território em público, humilhando-os através da normalidade.
Ao final da sessão, enquanto todos se levantavam, Damon sussurrou alto o suficiente apenas para que o "triângulo" ouvisse:
— Afinal... depois de tudo o que aconteceu em Londres, eu decidi que manter minha família por perto é minha prioridade absoluta. Eu não pretendo perder nada do que me pertence.
Minutos depois, Edward estava sozinho em seu escritório. O silêncio era insuportável. Ele caminhou até a janela e, em um acesso raro de perda de controle, golpeou a parede com o punho.
Ele entendeu a mensagem. Damon não iria apenas lutar pelo divórcio; ele iria incinerar a reputação de Bella, usar a custódia de Charlotte como moeda de troca e transformar cada corredor daquela empresa em um campo de minas.
O amor deles, que em Londres parecia uma cura, em Nova York havia se tornado a arma do crime. Edward olhou para o próprio reflexo no vidro e percebeu, com um pavor gélido, que talvez ele estivesse levando Bella para o centro de um incêndio do qual nenhum deles sairia sem cicatrizes permanentes. A guerra não era mais iminente. Ela já havia começado, e Damon Salvatore estava jogando para não deixar sobreviventes.
Fale com o autor