Simply Complicated
2 Wanted Dead or Alive
Notas iniciais
***
Querido Diário,
Aqui estou solitária em minha cama escrevendo em você. Faz apenas alguns meses que terminei com Perseu, e amanhã vai ser o meu primeiro dia de aula, no último ano do colegial, apesar disso não estou nem um pouco animada.
Não posso mentir, e falar que não amo o Percy. Parece que todo esse tempo longe dele me fez sentir mais saudades, mais culpa e principalmente mais amor.
Como pode né? Se eu foliar algumas outras páginas, consigo ler, e confesso era uma idiota. Mas nessas férias, eu evolui. Agora que mudei a cor de meu cabelo, que era castanho claro, fiz umas mechas bem loiras, parecendo o meu cabelo de antes, que por motivos desconhecidos escureceu.
Mas quando digo que evolui, não quero dizer apenas fisicamente. Mas mentalmente também. Não quero que mais pessoas me chamem de “babaca” ou mesmo outros nomes que prefiro nem comentar.
Ainda tenho que aguentar minha irmã Sage, que está começando o colegial agora e está toda animada. Ela me lembra de uma Annabeth Chase (Eu), falsificada de anos atrás, claro que em modéstia parte, eu sou ou era muito melhor que ela.
Ontem ela veio puxar um papinho dizendo “Annie, será que quando as lideres de torcida forem convocadas, e se por acaso tiver uma seletiva, você poderia conversar com a Clarisse, para eu ser uma de vocês? Animadoras de torcida?!”.
E é claro que eu respondi “Sage, eu não vou fazer você ficar popular, não vou construir a sua reputação. Você acha que eu tenho a minha reputação como? Eu que a construí.”
Minha irmã sempre quis ter a minha vida, sempre quis ter as mesmas amizades, frequentar as mesmas festas, só que, porém agora vai ser difícil de evita-la nestes ramos sociais.
Desde ontem, então ela não me olha na cara.
Pois é querido diário, é melhor eu dormir. Amanhã tenho uma pessoa que vai ser muito mais difícil encarar do que a minha irmã. Acredite, amanhã promete.
***
Fechei o diário , e sem nada para fazer, resolvi dormir. Sonhei com algumas coisas absurdas, sobre plantas e o mar caribenho, que me lembra da cor verde. Olhos verdes.
Acordei e me espreguicei. Olhei para o relógio e percebi que ainda era o começo da manhã. Logo comecei a escrever em meu diário.
Querido Diário,
Bom Dia... Ou nem tanto. Dormi bem cedo ontem, agora são sete horas da manhã, e claro, adivinha? Primeiro dia de aula! Quero dizer, eu estou em pânico! Não sei o que fazer ou o que dizer quando encontrar Percy. Se eu bem o conheço sei que ele não vai querer olhar na minha cara. Mas e os outros, vão pensar ainda que sou aquela antiga Annabeth?
Não quero mais que os outros pensem isso de mim. Claro que agora estou decente . Terminei com Percy achando que estava muito presa com ele, mas assim, ao terminar pensei que seria aquela "eu" novamente. Porém pensei errado. Algo muito estranho aconteceu. Percy realmente me mudou, hoje sou outra pessoa.
Meu dia vai ser ainda pior, pois minha irmã Sage vai estar lá. Bem, como eu já havia dito que é o primeiro dia de aula dela, no primeiro ano do colegial. Agora tudo ela vai saber o que eu faço com quem eu saio... Uma total e completa bosta é claro.
Tenho saudade de mim mesma, já que agora estou comportada (em parte eu goste disso). Mas quem sabe com essas atitudes Percy vai querer voltar comigo? Tá, tudo bem que no dia seguinte que terminei com ele eu já fiquei com alguns outros garotos, mais era melhor fazer isso sem estar comprometida com ele do que comprometida não é? E outra eu não ouvi boatos dele com outras meninas. Ainda bem! Se não ele iria se vir comigo, mas espera... Ai! Está vendo “querido diário” no que você me faz pensar? Eu ainda gostava dele quando terminei.
Pelo que soube de meu irmão Ian, que agora está no segundo ano de colegial e é um grande amigo para mim, mas claro que não é tão assim, já que somos irmãos também não nos abrimos tanto, enfim, ele não é muito amigo do Percy, na verdade mal fala com ele, ficou sabendo que ele foi para um acampamento.
O que me preocupa é que nesses acampamentos há muitas garotas...
Espera... Quantas vezes eu pronunciei Percy? Percy eu te amo, me perdoa Percy, sinto meu amor Percy, Percy, por favor...
É tudo que eu tenho vontade de falar para ele... Mas e a coragem?
É melhor eu tomar o meu banho e ir para maldita escola á pé... Já que Sage ganhou uma Vespa novinha, por ser a “menina mais doce e menos influenciadora”, valeu pai... Mãe, por jogar essa indireta, que eu sou uma grande influenciadora, mau caráter... Quer saber? Sage, você não é melhor do que eu, você repetiu a quarta série. Agora me deixe ir, para não me atrasar.
Terminando de escrever, resolvo tomar um banho. Após isso, visto um roupa qualquer, porque na verdade nunca fui de ligar para roupas estilosas para ir para a escola.
Estava um pouco atrasada, mas em relação à isso, estava tudo bem. Resolvi pegar carona com Ian, e já sabia que seu carro ainda estava na garagem. Era impossível confundir o barulho do motor daquele jipe.
Estava resolvida a apressar Ian em seu quarto, mas. Não, realmente talvez não tenha sido muito bom entrar sem bater na porta.
– Ah! – Gritei, após a imagem constrangedora que acabava de ver: Uma garota (vestida), arrumando alguma coisa em sua bolsa, no quarto de meu irmão.
A garota também se assustou e se escondeu atrás da cama. Em seguida Ian apareceu, e com uma escova dental na boca.
– Desculpe! – Falei, mas não consigui evitar rir.
– Depois a gente conversa... – Ele disse e bateu a porta na minha cara sem terminar a frase.
Sabia que Ian não vai faltará aula, então esperei-o na sala de televisão, no andar de baixo.
Fiquei quieta, sem ligar a televisão. E após uns dez minutos, Ian desceu com a tal garota.
– O que você está fazendo aqui? – Sussurrou meio irritado, após me ver. Enquanto a garota descia a escada.
– Eu? Esperando-te para me dar carona para escola. – Falei, e depois fiquei nas pontas dos pés e baguncei seu cabelo negro e liso, porque do jeito que estava, estava ridículo.
– Está maluca? Eu estou com a Emily...
– Olá. – Emily disse e me dá um beijo no rosto, interrompendo Ian. – Desculpe não podermos nos apresentar de um modo, “normal", é que você sabe... Até agora nunca nos vimos. Eu sei quanto isso deve soar para você...
Eu rio.
– Sim é um prazer... Emily né? Eu sou Annabeth, irmã do Ian – Falei.
Ela também sorri.
– Sim. Como sabe meu nome? Já sei, o Ian te contou?
– Sim, ele fala muito de você... Para mim. – Inventei essa, livrando a barra de meu irmão.
Ela se voltou para ele, surpresa.
– Como ele pode ter falado de mim, se nos conhecemos ontem?
– Ah... Já chega! Que bom que vocês já se conheceram. Emily... Annabeth... Vamos indo? – Ele diz.
– Ela vai estudar conosco? – Perguntei a Ian.
– Sim. Vamos, já que o clima aqui não está muito agradável. Emily? Que tal ir à frente? – Pergunta Ian a Emily.
– Sim. Eu vou à frente, para vocês dois conversarem. – Ela diz gentilmente, e vai a caminho da garagem.
Esperei ela sair, e dou um soco de leve no peito de Ian.
– Sério? Foi ontem que você a conheceu? Atena e Frederick, quando voltarem de viagem não vão gostar nada.
– Você não vai falar nada. Não para a Atena. – Afirmou.
– Como assim, não vou? – Desafio.
– Você não vai, porque se não eu te deduro sobre tudo que sei ao seu respeito. Inclusive sobre Perseu.
Ouvir o nome de Perseu em voz alta depois de tanto tempo, me dá um aperto no coração.
– Não se preocupe, não vou falar nada para ninguém. E mesmo se você falasse para o Frederick ou para a Atena, do Perseu. Não importa mesmo. Preferia ouvir a bronca deles e estar com o Percy, do quem sem ele. – Falei deprimidamente.
Meu irmão percebeu que ele me machucou com o nome de Percy, então ele tenta mudar de assunto:
– Se você fosse menos bobona a Emily não iria ficar assustada. – Diz ele e me pega por traz fazendo cócegas em mim.
Começamos a rir.
– Para, para! – Falei e ele parou. Mas ainda estavamos rindo.
Ele dá um sorriso de lado. Pela primeira vez vejo como meu irmão cresceu. Ele não é mais um pirralho chato. Mais sim um homem. Ele está bem encorpado e com grandes músculos. É fácil confundi-lo como maior de dezoito. Seus cabelos pretos, não formam mais o famoso “Tigelinha”, está com o comprimento normal, seus olhos verdes são os que o encantam mais ainda. Deve ser por isso que ele atraí tanta mulher, obvio: Porque ele está lindo.
– É melhor irmos, em? – Perguntei. – Afinal, Emily está esperando.
– Esquece por um minuto ela. E foca em você. Será que você está realmente pronta ir a escola. Onde encontrará certa... Pessoa?
– Não. – Digo melancólica. Mas é preciso. – Mas tenho que ir.
– Ótimo. Qualquer coisa é só dar uns socos nele ok? – Ele diz meio sarcástico. – Eu te ensinei dar uns socos né?
Faço que sim com a cabeça e dou uma leve risada.
***
Pegamos um pouco de trânsito, como todos os dias de Nova York.
Cheguei à escola atrasada, mas mesmo assim consigui ir para a aula de Francês, sorte que Percy não é dessa turma. Quando entro na sala de aula a maioria dos alunos falam:
– E ai Chase! – Diz Charles, um velho colega de classe e Grover, também um velho colega de classe. Bato nas mãos deles.
E outros também falam algo assim, só que ao invés de bater na mão de todos, eu mando beijos soprados.
– Gataaaaaaaa! — Diz Clarisse, minha melhor amiga.
– Você que é Gata! – Respondi e mando outro beijo soprado.
– Silêncio Alunos! Concentrem-se! — Grita Senhora Marie a professora de francês.
Sento-me atrás de Grover, ao lado esquerdo de Clarisse.
A aula é à mesma de sempre. A mesma do ano passado. Não me surpreendia nada. Nada depois que uma hora Grover se virou para mim e sussurrou:
– Largou do Jackson? – Se referindo ao sobrenome de Percy.
– É. No fim do ano passado. – Sussurrei de volta. Era só o que eu conseguia falar.
– Não apareceu em quase nenhuma festa depois disso. To te estranhando, em Chase?
– Ah, cala a boca! – Sussurrei, mas de bom humor.
– E a sua irmã bonita. Tá estudando mesmo aqui? – Sussurrou.
– Quem? A Sage? – Falei até alto demais.
– Srta. Chase! Por favor, mantenha-se quieta! – Grita a Senhora Marie, mas eu não estou nem ligando.
– É essa Sage ai! – Falou.
– Espera, você acha ela atraente?
– Para uma garota de dezesseis anos! – Ele disse.
– Socorro! – Falei, mais acabo sem querer gritando. Todos olham para mim. Inclusive Senhora Marie.
– Srta. Chase, isso são modos? Novamente peço que se mantenha quieta... – Ela diz com mais autoridade. Quando volta a falar, nem todos estão ainda olhando pra mim.
– Então voltando a falar da Sage. Acha que ela namoraria comigo – Perguntou Grover.
Fico examinando Grover. Ele não era muito charmoso, tinha o cabelo negro meio encaracolado onde batia um pouco antes de seus olhos. A cor de seus olhos era muito escura, mas o deixava mais misterioso. Ele era magro, alto... Sim Sage poderia "gostar" dele.
– Sim. – Falei.
– Ótimo. Passa o celular dela para mim? – Perguntou.
– Vai ao bar central e você acha ela! – Gritei.
Que porcaria.
– Senhorita Chase, por favor, se retire e vá para a detenção. – Diz a Senhora Marie.
– Pelo o que? – Perguntei na defensiva.
– Vá, ou será suspensão de imediata! – Ela Grita.
Ótimo! Nos primeiros minutos de aula eu sou mandada para a detenção.
Saio da sala e indo para outra onde fica o local da detenção, e por isso tenho que passar por um novo corredor, adivinha quem eu encontro, encostados no armário, aproveitando que não há ninguém no corredor?
– Uma ótima maneira de eu não ficar traumatizada! – Falei, e o corredor faz eco.
Ian se separa de Emily rapidamente, com a boca levemente avermelhada de tanto a beijar.
– Ah, cale a boca Annabeth! – Falou meio irritado.
– Desculpa ai! – Respondi.
Enquanto passo reto ao lado deles, Ian vira para mim e pergunta:
– Espere o que você está fazendo aqui? Não devia estar na aula?
– Detenção. – Falo e dou um sorriso falso. – Mas porque a pergunta, já que vocês dois também deveriam?
– Vamos perder a primeira aula de história mesmo, então precisamos aproveitar de alguma maneira não é? – Diz Emily para mim.
Eu dou um sorriso sem mostrar os dentes, e assinto com a cabeça.
Então os deixo a sós, sendo que em breve os verei na detenção, já que estão “se pegando” na escola e matando aula, mas mesmo assim mantenho-me quieta.
Caminho para a sala do filho do diretor, Castor. Ele é um carinha de 20 e poucos anos, mas mesmo assim é feio demais. Tem dentes tortos, cabelo encaracolado raspado, e olhos bem escuros. Ele vive se insinuando para as garotas, fica vigiando os suspensos da aula, pois é o filho do Dionísio.
Bato na porta da sala de detenção.
– Entre. – Castor fala.
Entro e observo a sala enorme cheia de cadeiras escolares enfileiradas. Há apenas quatro estudantes, bem... Contando comigo são cinco. Jason Grace está lá, encostado na fileira esquerda da parede, que procaria! Ele é o melhor amigo de Percy. Logo atrás não há muitas pessoas importantes, e algumas nem me lembro de seus nomes.
– Srta. Chase... Há quanto tempo. O que fez dessa vez? – Diz ele, de seu modo nojento e malicioso, olhando-me dos pés a cabeça.
– Ah, Cale a boca. – Falo com desdém e indo me sentar em uma cadeira qualquer.
– Não senhorita! Não fale assim comigo. – Diz novamente malicioso, e isso me dá arrepios.
– Ah, tanto faz Castor. – Falo e vou me sentando atrás de uma japonesa que nem sei o nome.
– Ah é? É assim senhorita Chase? Já não basta vir para a detenção, agora quer ir para a sala do diretor? – Diz desafiando-me.
– Você só fala, mas não passa de um filhinho de papai que se oferece para tentar um emprego nessa escola, Castor. – Retruco e faço o sinal de pare com a mão.
Ele se levanta e segura minha mão levantada com força.
– Solte-me.
– Me obedeça. – Agora ele exige, e aparta minha mão com mais força e começa a doer.
– Ai!
Para a minha surpresa Jason, se levanta chega ao nosso lado e coloca seu braço direito em meu ombro direito, e coloca a sua mão esquerda sobre a minha, puxando-me de Castor.
– Ela vai ficar quieta e vai te pedir desculpas Castor. – Diz Jason olhando fixamente para Castor, que acaba mudando de postura e me solta. – Certo, Annabeth?
Concordo com a cabeça.
– Desculpe-me Castor. – Falo com desgosto.
Ele acinte com a cabeça.
Jason volta para o lugar dele, e vou atrás dele e sento-me em uma cadeira atrás dele. Quando ambos sentamos, e vejo que Castor voltou a se sentar-se à mesa maior e está lendo sua revista, falo a Jason:
– Obrigada.
– De nada. Só pense na próxima vez em não ser uma idiota com os outros. – Ele diz.
Penso nisso como uma indireta.
– Hã... Se você está falando isso por causa do Percy...
– Não, eu não me intrometo com os assuntos dele, além do mais... Ele já te superou.
Como assim ele já me superou?
***
FLASHBACK
Ele acariciou minha cabeça tentando me fazer dormir, ele me ama tanto, que tenho até remorso de estar com ele às vezes.
– Ai, ai, garota você é inesquecível. – Ele disse e me dá um beijo lentamente e demoradamente.
– Hmmm... – É o barulho que consigo fazer enquanto ele faz cafuné em minha cabeça e estou quase dormindo.
– Eu te amo. – Ele diz.
Ai Meu Santo! Como assim ele “me ama”? Percy e agora?
Abro os meus olhos assustada e vejo seus lindos olhos verdes, que me acalmam imediatamente.
– Hmmm... Obrigada. – Falo. Ai! Você é uma imprestável mesmo Annabeth! “Obrigada”?
Ele para de fazer cafuné imediatamente e se afasta um pouco e fica sentado.
– “Obrigada”? – Pergunta confuso.
Fico sentada na cama dele, também.
– É... Quero dizer... Sabe que eu gosto de você. – Falo, e continuamente mais nada.
– Caraca, eu acabo de falar que “Te amo” e você só responde “Obrigada” e “Gosto de você”. – Diz ele, um pouco ressentido.
Eu o puxo pelos ombros, e deixo-o cair em cima de mim. E depois... Eu o beijo.
– Você é meu e eu te amo. – Falo depois de beijá-lo. Depois torno a beijá-lo e envolvo minhas mãos em seus cabelos, o puxando para mais perto de mim.
– Você é inesquecível Annabeth Chase.
FIM DO FLASHBACK
***
Agora como ele diz que já me superou, se ele sempre me falou que eu sou inesquecível. Oh não Percy, por favor...
– Ele me superou? Quer dizer que ele já pegou outra? – Volto a falar com Jason.
– Sim. – Sussurra, depois de perceber que Castor estava de olho em nós.
– Qual é nome dela? – Falo entre dentes. E Jason ri baixinho.
– Não sei... Não foi só uma. – Sussurra.
Uma sensação que eu nunca havia experimentado antes percorre de meus pés ao centro de meu corpo, um frio e sinto-me insegura, mas esse ocorrido acaba em um estante, passando a percorrer por meu corpo ao invés de frio, calor e começo a sentir raiva.
– Como assim não foi só uma?! — Falo enfurecidamente.
– E você? Pegou uns cinco garotos em um dia depois que terminou com Percy. – Ele disse.
– É mais eu mudei!
– Como?
– Eu mudei. Fiquei com poucos garotos depois que terminei com ele. – Falo, mas ele não parece acreditar. – E o acampamento dele como foi?
–É, umas negas ai, mais nada sério.
– Ele não me ama mais? – Pergunto.
– Ele acha que você é uma babaca. – Diz. – Mas eu não concordo. Quando ele ficou com você já sabia que ia ser assim. Afinal você é a Annabeth Chase.
Fiquei observando Jason. Tinha olhos azuis elétricos e misteriosos, cabelo loiro liso, curto e formava um topete que o deixava mais bonito.
– O que você quis dizer “Afinal você é Annabeth Chase”? – Pergunto.
– Você é de ficar e não namorar. – Responde, suavizando as palavras.
– Eu estou mudando nesse ponto Jason. Mas e você é o que? – Pergunto.
– Depende, acho que ficar é claro que é muito bom, mas namorar... Depende.
– É eu também. – Falo, como se fosse obvio.
Ele dá um sorriso para mim, e sinto que ele está gostando de minha presença e não está nem ligando ao fato que magoei o amigo dele.
Mas quem entra agora na detenção? Percy Jackson. Isso definitivamente não pode estar acontecendo.
Ele continua lindo como sempre. Parece que está mais alto e um pouco mais musculoso, mas continua magro. Se cabelo castanho escuro está curto como sempre, seu estilo é o mesmo: calça jeans e uma blusa comum.
Ele anda até metade da sala em silêncio de cabeça abaixada, sem Castor perceber, pois está ocupado demais com sua revista de fofocas.
Percy então percebe que eu estou aqui e fixa seus olhos verdes em mim, logo depois se senta na frente de Jason, e começam a sussurrar.
– O que essa ridícula está fazendo aqui? – Sussurra Percy para Jason.
– Acha que ela não consegue ouvir? – Sussurra de volta Jason.
Percy se inclina um pouco para me observar, e aproveito, não sei por que, para mostrar o dedo do meio da mão direita para ele.
– Que se dane a Chase. – Sussurra.
Abaixo minha mão.
– Ela disse que mudou. – Sussurra Jason.
– Você acredita em qualquer uma? — Pergunta Percy.
Como Percy pode se referir a mim como uma?
– Você acreditou. – Intrometo-me. Provocando-o.
Ele se inclina novamente para me olhar.
– O que você está fazendo na detenção? Seu lugar não é aqui. – Percy fala, mas parece que ninguém está prestando atenção em nossa conversa, nem mesmo Castor.
–E lugar de corno é aonde? – Pergunto.
– Rídicula, babaca.. – Diz, e volta a sua posição.
Passou-se quantos minutos até eu estar aqui? 30 no máximo, e parece que eu estou aqui há horas...
Depois de ser liberada vou a algumas aulas, mas fico cansada e então decido matar aula.
Chego a minha casa na hora do almoço, nem decido comer, vou direto ao meu quarto tomar um banho, depois fico em minha cama mexendo em meu notebook. É isso que o tédio faz com as pessoas.
Depois disto, pego meu diário e então começo a escrever.
Querido diário,
Meu dia foi terrível.
Primeiro o caso de Emily e Ian. Imagine se eu tivesse visto algo que definitivamente eu não quisesse!
Chegando a escola mal falei com Grover, e a professora de francês me botou na detenção. Conversei com Jason sobre Percy. E parece que ele me superou mesmo.
Depois de alguns minutos Percy apareceu na detenção, e me insultava para Jason, que sempre revirava os olhos, pois quando Percy quer ser cansativo. Ninguém ganha dele.
Fiquei quase uma hora na detenção, e depois... Não aconteceu mais nada. Tive umas aulas chatas que principalmente que Percy estava lá, mas nós nos ignoramos. Simples assim.
Resolvi matar aula, cheguei a minha casa e não fiz mais nada. Agora vou dormir, porque de noite tenho uma festa de volta às aulas na casa da Clarisse minha gata ♥ (risos).
Clarisse é minha melhor amiga, e substituiria minha irmã por ela facilmente...
E decidi que vou voltar a ser quem eu era. Percy me esqueceu?
Isso é o que vamos ver.
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