Simply Complicated
22 Rolling In The Deep
Notas iniciais
Clarisse saiu alguns minutos depois do quarto, falou que ia por a casa em “ordem”, ou seja... Ela iria começar a gritar com todo mundo, então só ficou meu irmão e eu no quarto.
– Annie, você sabe que se precisar eu quebro a cara do Perseu. – Ele diz, fazendo carinho em minha cabeça que está apoiada em seu peito.
Eu dou um sorriso triste, e enxugo minhas lágrimas.
– Ian, não precisa. – Digo me levantando e fazendo contato visual, em seus lindos olhos de cor verde. — Eu te amo, sabia?
– Claro, sua pentelha. – Ele dá um sorriso de lado. – Eu também te amo. Apesar de você ser uma irmã muito chata.
Ele então joga o travesseiro e cima de mim, brincando comigo.
– Hey! – Falo, chamando atenção e ao mesmo tempo rindo. – Eu estava desprevenida, seu boboca!
Ele ergue a sobrancelha e então me segura na cintura, me impossibilitando de me aproximar dele e lhe dar um tapa brincalhão.
– Ian! – Choramingo. – Não vale, você é mais forte do que eu!
Ele ri e me solta. Em seguida, Ian se levanta me deixando confusa, sentada na cama. Então surpreendentemente ele me põe no ombro, me segurando. Minha reação? Eu não paro de rir, e lhe batendo fracamente nas costas.
– Me larga, boboca! – Falo gargalhando.
– Nossa! Annabeth! Como você está gorda! – Ele diz me chacoalhando, fazendo minha risada aumentar e a dele também.
– Eu não estou tão gorda assim Ian! – Grito.
Ele ri e me joga na cama e faz cosquinhas e mim.
– Para! Eu vou morrer! – Falo gargalhando mais ainda.
– Melhor morrer feliz do que triste. – Ele respondeu continuando a fazer cócegas em minha barriga.
Sim, eu e meu irmão podemos agir como idiotas, mas sempre fomos grandes amigos, ele simplesmente é o melhor irmão do mundo e eu o amo muito. Além de termos os mesmos gostos musicais e as mesmas opiniões sobre pessoas detestáveis.
Porém, neste momento ridículo dele fazendo cosquinhas na minha barriga, alguém interrompeu.
Ian se afastou de mim, contendo a risada.
– Annie...? – Esse alguém era Jason, que acabava de atrapalhar meu momento alegre. – Ah! Desculpe-me, eu só queria conversar.
Eu fitei aqueles olhos azuis elétricos, e depois fitei os lindos olhos verdes muito escuros e intensos de meu irmão, porém os de Percy eram mais bonitos.
– Quer que eu fique? – Sussurrou Ian.
Neguei com a cabeça e ele saiu, me deixando sozinha em um quarto com a porta semi-fechada, com Jason.
– Podemos conversar? – Ele perguntou.
– Se eu disser não. O que você vai fazer? – Eu perguntei.
– Simplesmente te obedecerei. – Ele disse abaixando a cabeça.
Eu me aproximei dele.
– Primeira coisa Jason. Vire macho. – Falei como se fosse obvio. – Você tinha que ser que nem um cara de verdade. Falando que eu teria que ouvir de qualquer jeito...
– Tipo o Percy. – Ele disse agora me desafiando.
Eu fiquei pasma. Não assustada, mas ele sabia a verdade. A verdade de que em todos os termos deste namoro fútil eu queria o substituir. Eu queria que ele virasse um Percy.
– Sim. Tipo um Percy. – Dei de ombros, e me virei, evitando contato visual. – Mas não importa.
– Não importa mesmo, Annabeth. Por que eu não sou um Percy. Eu nunca fui e nunca serei bom o bastante para você. – Ele disse.
Eu ri.
– Só agora você descobriu? – Perguntei.
Ouvi-o engolindo o seco.
– Você quer ouvir minha versão? – Ele perguntou.
Virei-me furiosamente para ele.
– OUVIR O QUE? QUE TODOS VOCÊ PREFEREM ME USAR E DEPOIS FICAREM COM A MINHA IRMÃ? – Falo chorando. – QUE SÃO SIMPLESMENTE UNS CANALHAS, RETARDADADOS, QUE SÓ QUEREM UMA ÚNICA COISA EM MIM, QUE DEPOIS DE CONSEGUIREM, VÃO ATRÁS DE MINHA IRMÃ! É ISSO?
– Annie...
– Jason! – Sussurro agonizantemente e chorando. – Eu não te amo!
Ele se aproxima de mim e me abraça.
– Eu gosto de você Annie. Não quero terminar com você.
Eu o empurro e encaro, ficando simplesmente perplexa.
– Jason. – Sussurro. – Eu não quero você e NUNCA vou querer! Cara, você sabe quem eu amo. E você sabe que quem eu amo não está disponível.
Ele revirou os olhos em solenidade e assentiu tristemente.
– Posso ser pelo menos seu amigo, Annie?
Eu o encarei incrédula.
– Babaca. — Eu disse e sai.
Desci as escadas, por sorte Jason não me seguiu, e fiquei zanzando pelo andar de baixo, e acabei voltando para a sala, onde Percy e Sage estavam "agarradinhos" no chão, e estavam comendo fondue de queijo, molhando o pão italiano ali.
– Unpft! Olha quem está ai. — Sage disse sem me olhar, fixando o queijo derretido.
Eu encarei Percy, que também me olhava. Me fitava. Com aqueles lindos olhos verdes.
– Sage. — Chamei. — Você contou ao Percy o porque de eu terminar com o Jason?
Ela se virou para mim, assustada e arqueou a sobrancelha.
– Contar o que? O que você tem haver com isso Sagyn...? — Ele perguntou para Sage.
– E porque Percy, você não fala o que fizemos de interessante nesses dias, enquanto eles faziam trilha? — Perguntei para Percy, maliciosamente.
Ele riu e revirou os olhos.
– Annabeth, não é porque você não tem ninguém que você precisa estragar a felicidade dos outros. — Ele disse amargamente.
Simplesmente eu queria esganá-los. Esganar Sage primeiro e depois castrar o Percy. Meu Santo! Eles simplesmente estavam qualificados para o casal mais filho da puta do Alasca, quem dera dos Estados Unidos.
Mas ao mesmo tempo, eu o queria. Eu o amava, e não importava o que eles fizessem que eu continuaria o amando.
Como eu pude ser tão burra ao ponto de falar que ele nunca me teve? É claro que ele me teve. Eu era, sou, e sempre serei dele para sempre.
– Percy, não é porque você é corno que você tem que ser tapado. — Respondi na mesma moeda, para ele.
Sage se levantou e veio a minha direção. Bem, eu já era baixa com os meus 1,65 de altura, mas já Sagyn era praticamente uma anã. Ok, nem tanto, mas ela era menor que eu. Seu cabelo liso e loiro batiam até a costela, seus olhos cor de mel piscavam perigosamente. Ela ia puxar briga comigo.
– Sage, não perca o seu tempo. — Percy disse logo atrás dela.
– Percy, pode me deixar a sós com a minha irmãzinha, por favor? — Ela perguntou, eu simplesmente ri.
– Sage... — Ele a olhou preocupado. Percy sabia que eu acabaria com ela.
– Percy, eu sei me defender. — Ela disse seguramente.
– Sage, a Annie... — Ele falou preocupado.
– DEIXE-ME A SÓS COM ELA, PERSEU! — Ela gritou com a voz ridícula dela, enquanto eu me acabava de rir.
Percy soltou um suspiro e acabou saindo da sala deixando-a sozinha comigo.
– O que é? — Perguntei parando de rir.
Ela se aproximou de mim, querendo dar um "efeito" intimidador, porém comigo não rola.
– Se você abrir essa boca suja para o Percy... — Ela me ameaçou. — Eu conto algo que ele te detestará para sempre.
Eu arquei a sobrancelha.
– E o que é, bebê? — Falei tirando sarro dela.
– Falo com quantas vezes você traiu ele, enquanto namoravam, e... — Ela sorriu com a ideia. — Você ficou grávida dele, e abortou. Você sabe o que o Percy mais valoriza né? É a família... Ele ficaria tão contente. Até para um garoto de 16 anos...
– Ele não vai acreditar. — Falei rigidamente. — Isso tudo é mentira. Eu nunca fiquei grávida, e nunca o traí, Sagyn, você sabe disso.
Ela riu maléficamente.
– E quem você acha que ele vai acreditar? — Ela perguntou. — Em mim, ou em uma ridícula mentirosa que terminou com ele sem motivo algum, que já está ficando velha...
Eu não a deixei terminar a frase. A raiva tomou conta de mim. Por mais cretino que o Percy fosse, ele era um cara responsável, que mesmo se a Sage ficasse grávida, o meu maior medo, ele assumiria a criança. Então, eu fiz a coisa mais sensata a fazer. Lhe dei um soco na cara.
– Ai! — Ela gritou.
Confesso que meu soco não foi fraco. Acho que pela raiva, botei mais força nele do que quando bati no Drake.
– ISSO É VOCÊ SUA...! — Gritei ainda com os punhos cerrados enquanto ela chorava com a mão no nariz dela, que estava sangrando.
Dei as costas e segui em direção à saída, quando encontrei Percy, encostado na parede, encarando o chão de braços cruzados.
– Me desculpe, Percy. – Eu sussurrei me aproximando dele.
– Eu pensei que ainda tínhamos chance. – ele falou mais baixo ainda.
Eu me aproximei dele, devagar.
– Ainda temos, Percy. – Falei me aproximando de seu rosto e ficando na ponta dos pés.
Ele me encarou com aqueles olhos verdes cor do oceano.
– Há uma chama acendendo dentro de mim, Annie. Chegando num ponto de febre, e com ela, sinto que está me tirando da escuridão, finalmente eu posso vê-la claro como um cristal, você foi em frente e me abandonou, eu queria expor seus podres. Veja como eu a deixo com cada pedaço seu, não subestime as coisas que eu vou fazer, e posso. As cicatrizes do teu amor me fazem lembrar de nós, me fazem pensar que nós tinhamos quase tudo, As lembranças me deixam sem fôlego, eu não consigo evitar a sensação, nós poderíamos ter tido tudo, amando incondicionalmente, você teve meu coração na palma de sua mão, e você simplesmente pisou nele.
– Eu não tenho ainda, Percy? – Perguntei.
– Annie... – Ele me olhou amargamente. – Você não me entende.
– Percy...
– Eu te... – Ele começou a falar, porém foi interrompido.
– Percytooooooooooooooooooooo! – Gritou a voz chorona de Sage.
Ele riu pelo nariz e me encarou. Ele já devia imaginar o que eu tinha feito com ela.
Não sei se foi por uma impulsão minha de tentar tê-lo do meu lado, eu escutei um sussurro de Percy para Sage como um "Eu te avisei", mas acho que isso só foi coisa de minha cabeça.
E segui para o quarto em que estava hospedada, e dei de cara com Silena e Thalia.
– Annabeth! — Falou Silena, assustada. — O que aconteceu?
Elas perceberam o meu estado de choque.
– Eu simplesmente não estou aguentando o Alasca, garotas. — Eu disse eufórica.
– Calma, falta apenas dois dias para irmos embora. — Disse Thalia me direcionando para sentar em minha cama.
Silena chegou perto de mim e me fixou.
– Quer nos contar, Annie? — Ela perguntou.
A observei bem. Silena. Ela tinha quase tudo para ser amiga de Sage. Quase. Silena só vestia rosa, e era toda estilosinha, como Sage. Silena era fofa, isso ocorre com quem não conhece Sage. Só tinha uma única diferença entre elas. Silena tinha caráter e era legal, diferente de Sage.
– Não precisa, Silena. — Assenti. — Dois dias? Finalmente este inferno está acabando!
– Sim, é só dois... — Disse Thalia, pensativa. — Annabeth...?
– Me chame de "Annie", Thalia. — Eu disse a corrigindo.
– Annie, porque você e meu irmão terminaram? — Ela perguntou, me fixando com aqueles olhos azuis elétricos.
Eu deitei em minha cama e olhei para o teto.
– Eu... — Falei. — Posso ficar sozinha um pouco, Silena, Thals?
Elas suspiraram, desanimadamente e por fim assentiram com a cabeça, me deixando sozinha no quarto.
Eu fiquei encarando e olhando o teto. Simplesmente não podia mais viver assim. Eu ia esperar amanhecer e me declarar para o Percy na frente de todos. Eu ia beijá-lo e agarrá-lo na frente de todos. Se ele não me aceitasse? Eu ia pagar alguém para nos sequestrar e nos deixar em uma ilha quente e abandonada. Eu ia ganhá-lo de qualquer jeito.
(...)
Mais tarde, acordei com alguém me chacoalhando. Essa pessoa simplesmente era nada mais, e nada menos do que Sage.
O que essa filha da puta está fazendo aqui?
– Para Sage! — Gritei sonolentamente.
Porém, eu vi que a situação era séria. Ela estava com o rosto todo vermelho, com o nariz roxo, ato meu, e chorando. Chorando descontroladamente. Ele soluçava de tanto chorar.
– O que foi? — Perguntei séria e preocupada.
– Ele... — Ela tentou falar mas não conseguiu terminar a frase.
Eu olhei para a janela. Ainda estava escuro. Olhei para o relógio que marcava três horas da manhã. Então ouvi sirenes de ambulância se aproximando. Ouvia sussurros vindo do andar de baixo.
– O que foi Sagyn?! — Gritei já preocupada, enquanto ela chorava e se recuperava.
– Ele... Ele... ELE NÃO ESTÁ ACORDANDO, ANNABETH! ELE... Achamos que ele pode ter... Morrido! — Ela gritou chorando e me abraçou.
Eu fiquei pálida. Ele quem? ELE QUEM PORRA?
– Quem morreu? "Acham"? Do que? — Eu perguntei assustada.
– Ele estava desmaiado, do lado dele estava cheio de garrafas de bebidas... — Ela fungou e soluçou. — A Clarisse disse que é bebidas forte...
– Co-como assim? — Perguntei novamente, assustada. — Ele quem, Sagyn?
– Ele não está acordando, está sem pulsação e não conseguimos achar seus batimentos cardíacos... Chamamos a ambulância...
– QUEM É ELE? — Berrei e também já estava chorando, mesmo nem sabendo quem era "ele".
Foi então que ela falou o nome da pessoa.
E eu senti como se fosse uma facada no meu coração.
Fale com o autor