Simply Complicated
23 Had to be with him
Notas iniciais
Desci as escadas com uma velocidade super sônica com lágrimas caindo livre e desesperadamente dos meu olhos. Ele não podia estar morto, eu não aguentaria. Como eu conseguiria sobreviver sem ele?
Quando eu cheguei na sala eu senti minhas pernas fraquejaram e irem de encontro ao chão. Eu ainda tinha esperança que fosse apenas uma brincadeira de mau gosto da Sage, mas não, era real, ele estava ali mesmo. Na minha frente. Caído. Sem vida.
Senti braços me envolvendo. Olhei para trás. Clarisse. Ela chorava também. Todos na sala choravam. A morte não era conhecida por nós. Ela tinha acabado de se apresentar ou pelo menos vimos ela de longe. Mas vimos. Vimos a escuridão. O frio. A tristeza. As lágrimas. O vazio. Tudo estava presente. O que só deixava o momento mais doloroso.
Rastejei até seu corpo quando consegui reunir forças suficientes para isso. Peguei seu rosto com a mão e olhei bem para ele. Aquilo podia ser a última vez.
– Você vai ficar bem. Você está vivo. Eu sei que está. Tem que estar.
Dito isso deitei em seu peito e fiquei ali. Chorando. Ouvi o barulho de ambulância ao longe. Depois de pouco tempo senti meu corpo ser arrancado gentilmente de cima do dele. Não tinha forças para protestar. Não tinha forças para nada.
– Quem vai na ambulância.
Eu e Sage levantamos a mão. Ela tinha direito também. Claro que tinha, mas também era claro que eu tinha mais.
– Apenas uma.
– Eu vou.- Falei com a voz extremamente fraca.
Ninguém contestou. A Sage tinha consciência afinal.
Entrei na ambulância e os paramédicos fecharam a porta. Eu me encolhi abraçando minhas pernas e fiquei lhe olhando. Seu rosto foi o último que eu vi antes de me perder na escuridão.
(...)
Acordei em um quarto totalmente branco e assepticamente perfeito. Demorei um pouco para me acostumar com a intensa luz do recinto. Me esforcei um pouco para me lembrar o que eu estava fazendo ali ou pelo menos onde eu estava. Quando me lembrei, levantei em um movimento brusco e repentino. Acordando Clarisse que dormia na poltrona ao lado, também branca.
– Calma Annie.- Clarisse disse me recolocando na cama. — Tudo bem. Você está bem? Está melhor?
– Como ele está? — Ela ficou séria. As lágrimas recomeçaram a cair pelo meu rosto. — COMO ELE ESTÁ CLARISSE?- Perguntei desesperada.
– Ele... Ele... Ele está em coma Annie. Eu sinto muito. Ele já não está em tanto perigo como antes, mas... Não sabem quando ele vai acordar ou se ele vai acordar.
– Eu quero vê-lo. Me leva até ele Clarisse.
– Annie você tem certeza que está bem? Você desmaiou, todo mundo ficou louco de preocupação.
– Eu estou bem, eu já disse.- Falei com certa irritação.
Me levantei e saí do quarto com aquele vestido de hospital mesmo.
– Onde ele está?
– Você não acha melhor falar com o médico primeiro? Ou com o pessoal? Está todo mundo preocupado Annie. Eu estou preocupada. Você nunca reagiu bem a essas coisas e eu acho que com ele vai ser pior. Não sei como vai ser sua reação ao vê-lo do jeito que ele está agora.
– Você disse que ele estava bem.
– Não, eu disse que ele estava fora de perigo, mas ele está todo entubado e...
Não a deixei terminar, andei apressada pelos corredores em busca de alguém que pudesse me dar alguma informação. Qualquer uma. Clarisse estava logo atrás de mim.
– Annie eu acho melhor você se trocar. Sabe, essa bata é apenas amarrada atrás.
Droga! Voltei quase correndo para o quarto e peguei uma roupa na mala ao lado da cama. Uma camiseta branca com algo escrito, que não deu tempo de ver e um short jeans. Me vesti e voltei a andar quase desesperada pelos corredores. Até que algo chamou a minha atenção parei em frente a uma janela e olhei lá para fora. Ao longe eu via... A estátua da liberdade?
– Clarisse por que estamos em Nova York?
– É... Hm... É que... Sabe...
– Por quanto tempo eu fiquei inconsciente?
Ela mordeu o lábio inferior e olhou para mim receosa.
– Clarisse?
– Uns... dois dias?
– Dois dias? Oh meu deus! Eu deixei ele sozinho por dois dias?! Droga, droga, droga. Isso não poderia ter acontecido. Calma aí... Eu estou bem, não estou?
– Calma Annie, ele não está sozinho. A Sage está lá com ele a dois dias. Ela também vem ver você ás vezes. E sim você está bem, o médico disse que foi um choque emocional muito grande e também você estava fraca e desidratada, afinal, a quanto tempo você não comia?
– Sei lá. — Falei séria.
– Annabeth?
Suspirei e mordi o lábio inferior.
– Um dia?
– Annabeth! O que você estava pensando? Tá louca? Meu deus eu te deixo um segundo sozinha e você quase morre de fome.
– Não vai acontecer de novo, é só que... Tinha tanta coisa acontecendo que eu nem me lembrei de comer.
– Não se lembrou de comer? Agora eu tenho certeza que você está louca.
Ela não se segurou e começou a rir. Eu a acompanhei. Okay eramos duas malucas morrendo de rir no corredor de um hospital.
– Agora é sério, Clarisse eu quero ver ele.
– Tá bom, só... Vamos falar com o médico antes, okay?
Eu assenti levemente com a cabeça.
– E o Valdez cadê?
– Ele foi comer alguma coisa. Ele estava a um bom tempo na cabeceira da sua cama. Olha, que eu vou achar que ele é melhor amigo do que eu.
– Ninguém é melhor amigo que você.- Falei séria.
Ela sorriu gentilmente.
– Eu sei. Sou foda.
– É sim. Vamos? Eu realmente preciso vê-lo.
– Vamos sim, se eu não me engano tem uma enfermeira no quarto dele a essa hora.
Andamos pelos corredores até pararmos em frente a uma porta branca com uma plaquinha metálica que indicava o número do quarto. 225.
– É aqui. Está pronta?
– Não. Mas eu acho que não dá para ficar pronta para isso.
Ela assentiu e abriu a porta.
Dois rostos se viraram para nos ver. Sage e uma mulher baixinha, gordinha e ruiva, com uma roupa leve branca, com detalhes em bordados.
– Como ele está?
Perguntei usando todas as minhas forças para segurar o choro. Estava cansada de chorar.
– Não teve nenhuma mudança no quadro. Eu sinto muito.
– Por que ele estava sem pulso, quero dizer, quando o achamos? — Perguntei.
– Ele ingeriu uma quantidade muito grande de uma bebida muito forte mesmo, provavelmente era a sua primeira vez bebendo isso o que provocou uma quase morte. Na verdade, ele teve muita sorte.
– Bebida forte é? Ele foi muito burro. Mas eu pensava que ele era um homem das jurupingas.
A enfermeira sorriu gentilmente e saiu do quarto. Fui até a cama e o abracei.
–Você vai ficar bem. — Sussurrei.
E eu continuei ali. A noite chegou, as estrelas brilhavam no céu. Nova York continuava agitada, como sempre, afinal é a cidade que nunca dorme. Então, quarto esvaziou.
Naquela hora era só eu e a pessoa que eu mais amava no mundo.
Meu irmão.
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