Simplest Mistake

13 Urso de Peluche


Notas iniciais
I'M BACK O// Antes de mais nada, quero avisar que estou a postar muito mais cedo por um motivo. Supostamente, esta fanfic é actualizada todos os meses, no primeiro dia, porém em Dezembro é o aniversário do Ulquiorra e nessa data a página Coração Ulquihime (da qual sou CDC) irá estar atafulhada com afazeres por causa do evento #Ulqui4Day. Portanto este capítulo será o natalício ;) A prenda de natal mega adiantada !! Vou tentar voltar a actualizar no próximo mês como um extra, mas não tenho garantias nenhumas... Entretanto, tenham uma boa leitura com este *

O destino gosta de debochar. Como um labirinto, ele confunde os seres humanos, fazendo-os cair em artimanhas perigosas. Um dia retira uma pessoa querida, passados anos, quando se perde a esperança, então ele a devolve…

O que fazer ao reencontrar uma cara conhecida?

Como se pede perdão a alguém que se abandona?

Palavras podem desculpar erros graves do passado?

Até onde se consegue, de facto, perdoar alguém?

– Não faça essa cara Coelhinha, eu não vou demorar.

– Não compreendo porque não posso ir junto, Ichigo!

– Coisas de chefe, só chefes podem entender.

Rukia amava muito o ruivo sedutor, porém, nestes breves momentos era capaz de o odiar profundamente. Ele irritava cada célula sua, quando discursava sua excessiva protecção por ela… Afinal, ele a treinou para ela se defender. No entanto, ele ainda menosprezava suas forças, a reduzindo a uma mera roedora entre as feras famintas.

Pela outra perspectiva, o Kurosaki evitava deixar demasiado transparente seu sorriso jocoso. Irritar Kuchiki Rukia era, sem dúvida, o seu melhor passatempo. Bom, talvez o segundo…

Ele ajeitou a última arma perto de seu peito, por dentro da camisa. Esse detalhe não passou despercebido ao olhar violáceo, que se encontrava apreensivo. Temia que aquela missão não fosse algo tão banal assim. A morena reconhecia as excelentes capacidades de seu chefe, e este não iria propriamente sozinho, Grimmjow o acompanharia. Contudo, o facto de ele fazer questão de ela não ir junto a alertava para algum perigo oculto.

Distraída, não percebeu a aproximação cautelosa do ruivo que carinhosamente pegou em seu rosto, com ambas as mãos, beijando sua testa.

– Não se preocupe tanto Rukia, eu voltarei em breve. Será só um dia.

– E se acontecer algo, Ichigo?

O Kurosaki abraçou o pequeno corpo com força contra seu peito, com um largo sorriso em seu rosto. Seu peito aquecia com a preocupação genuína da única pessoa que amava.

– Eu sou Kurosaki Ichigo, sempre darei um jeito de ficar por cima.

– Idiota.

Apesar do tom choroso, Rukia não evitou uma pequena gargalhada. Vagaroso, o ruivo se afastou, somente se despedindo com um beijo simples nos lábios da morena peculiar, desaparecendo em seguida pelos portões da organização, sem nunca deixar de ser observado pelo olhar arroxeado.

– Kon! Você está dormindo!?

– Hm? Ah, é você Jinta.

– O que deu em você? Não fala, e está sempre distraído!

– Suponho que… Só ando a dormir mal esses dias.

– Isso é estranho vindo de você.

– Falamos amanhã, Jinta. Tenho trabalhos para fazer, não ouviu a professora? Deveria fazer o mesmo.

– O quê? Preocupado com trabalhos!? Você está mesmo mal Kon! Vou levar você à enfermaria agora mesmo!

– Está tudo bem. Adeus.

O pequeno garoto de cabelos castanhos se despediu de seu amigo de longa data com apenas um aceno. Mecanicamente, sem olhar sequer por onde seus pés pisavam, ele se dirigia para 'casa'.

Suspirou. Um gemido longo, originado para além de seus pulmões, provinha da própria alma.

Apesar de um garoto trapaceiro, a vida de Kon era entediante. E seu mau comportamento era um reflexo de seu desespero por atenção, mesmo que fosse negativa.

Ele esteve sempre sozinho, pelo menos, era assim que se lembrava… Sem ninguém. Nunca soube o que acontecera com seus pais, se o abandonaram ou morreram. Por isso, não perdia tempo em odiá-los. Afinal, eles são uma incógnita, uma esfumaça de sua mente. Como pode repudiar o desconhecido? Tinha medo de descobrir a verdade, certo, mas isso não implicava que ele a odiasse. Provavelmente, quando a descobrisse, e aí deixasse de ser uma incógnita aí não passasse a gostar dela, simplesmente.

Ele durante seis anos viveu e aturou um inferno chamado orfanato, designado para cuidar e velar pelo bem de crianças solitárias. Um esquema da sociedade corrupta para ainda destruírem ainda mais as vidas que já eram um caos. Kon, com quase sete anos, preferiu fugir e se auto-governar, sendo explorado no trabalho e vivendo só do que voltar a sofrer maus tratos diários.

Apesar das dificuldades iniciais, ele teve o luxo de conhecer seu amigo peculiar de madeixas cor de fogo, que junto de sua família, o mantiveram vivo durante os primeiros meses até encontrar trabalho. Jinta foi contra Kon deixar sua casa para viver num quarto minúsculo, porém a escolha do moreno era tornar-se independente, queria sobreviver pelo seu suor.

Já numa rua estreita, anterior ao local onde vivia, Kon recordou-se da mulher com uns lindos olhos roxos. Um pequeno rubor subiu em sua face por tais pensamentos, mas o facto é que ficou encantado com sua presença altiva.

A linha de suas lembranças prosseguiu, o guiando até o amedrontador homem azulado.

– Será que ela está bem? Espero que não tenha acontecido nada…

Ele nunca mais visualizara o homem armado pelas redondezas, e esse aspecto roubava seus preciosos momentos de descanso nocturnos.

– E se ela foi capturada por aquele tipo!? Será que ele fez algum mal a ela…?

Kon sacudiu a cabeça, erguendo seu punho cerrado à altura de seu nariz, confiante.

– Não. Ela é forte! Sabe se defender! É isso!

"Ela é forte…"

O remorso apertou o peito do pré-adolescente. Ela só tivera de ser corajosa, porque ele fora um covarde. Metera-se em sarilhos que posteriormente não teria capacidade para soluciona-los, nem sequer fugir deles.

Ao entrar na única divisão de sua humilde casa, Kon se dirigiu automaticamente à sua cama, deparando-se com seu velho urso de peluche… Um acessório ridículo na idade avançada dele. No entanto, era o único objecto que possuía relacionado a seus pais. Apesar de não os conhecer, sentia o cheiro de ambos no peluche felpudo. Poderia nunca se recordar do rosto de ambos, mas seus cheiros por algum motivo ficaram gravados em sua mente. Ou era só uma alucinação triste resultante de sua solidão.

Quando fora abandonado, o ursinho era o único pertence que o acompanhava. Kon sempre abraçava o pequeno, em seus múltiplos prantos, numa esperança vã de sentir seus pais o abraçarem, o consolarem.

As mãos trémulas agarraram nas patas do peluche, e por um momento pensou fazer o que sempre fez. Contudo, sentiu o urso o encarar de um jeito diferente, o incentivando.

Um rasto de lágrimas já brilhava no rosto rechonchudo, enquanto abria um sorriso espontâneo, limpou com a manga da sua camisola, a cara molhada.

– Eu vou ser corajoso como ela! Não irei mais chorar, fugir nem esconder! Quero ser forte também!

Arrumou todos os seus pertences essenciais, principalmente comida, numa mochila azulada gasta, que já tinha perdido praticamente toda a sua cor cintilante para um cinza sujo. Kon ia abandonar seu lar, quando parou subitamente próximo da porta, encarando sob o ombro o peluche abandonado sob sua almofada, o fitando.

Doía deixar aquela lembrança para trás. Apesar de ser um sentimentalismo idiota, aquele urso de peluche fora seu único companheiro e amigo desde os tempos de infortúnio do orfanato. E queria prevalecer esse laço.

Voltando atrás, Kon ajeitou sua mochila, arranjando espaço para colocar seu amigo felpudo, partindo assim, sem olhar para trás.

O moreno procurara durante horas seguidas alguma pista do rastreio da mulher que o salvara, porém ninguém a vira. O jovem queria evitar seguir o seu último plano, pretendia seguir o conselho dela, mas não tinha outro jeito de encontra-la se não ir contra suas ordens.

Ele ia retornar ao beco onde quase perdeu a vida.

Se para se tornar forte, ele precisava de enfrentar a morte, então ele o faria. Não seria novamente um covarde.

O que Kon nunca suspeitou e que descobrira tarde demais é que naquele exacto momento havia um conflito entre duas organizações, e ele acabou por se intrometer no campo de batalha sem se aperceber. Quis recuar discretamente, mas era impossível passar despercebido, ambas as organizações por não o reconhecerem consideravam-no inimigo.

– Olhe, olhe, o que temos aqui… Você parece perdido, garoto.

Kon trincou os lábios ao assistir um ser horripilante se aproximar dele, a passos lentos, tentando o amedrontar. O jovem recusava-se a tremer ou demonstrar algum indicio de pavor, que realmente sentia. Porém, não revelaria sua parte fraca.

– Que olhar audaz… Uma pena, que não seja o suficiente para viver.

– Nunca se vira as costas a um inimigo, verme.

– O quê?

O estrondo do tiro arrebentou o crânio do homem que pretendia assassinar Kon. Este se encontrava em choque com todo o sangue derramado. Afinal, ele ainda era uma criança. Kon reparou no outro individuo, que o salvara, aproximar. Notou de imediato a cor chamativa de seu cabelo.

– Você não deveria estar aqui rapaz, é perigoso.

– Eu, só… Procuro uma pessoa.

O seu salvador não parecia interessado, pois imediatamente pegou em Kon, o depositando em seu ombro, levando-o para fora do conflito. O moreno ao perceber isso, debateu-se, mas isso não sensibilizou em nada aquele estranho homem.

– Por favor, eu preciso mesmo de encontra-la!

– A única coisa que irá encontrar aqui é a morte.

– Você não compreende! Eu preciso mesmo de encontrar a mulher bonita com os olhos roxos!

Ele não soube como, nem quando, mas num segundo estava sob o ombro do seu salvador, e no outro tinha sido atirado 'gentilmente' contra o chão. Kon, resmungou de dor, massageando suas costas enquanto um olhar severo o observava.

– Quem é ela?

Kon pareceu se surpreender com a mudança de atitude, contudo ao perceber a impaciência do estranho não tardou em responder ao exigido.

– Eu não sei seu nome… Ela me salvou uma vez, neste beco. Ela fugia de um tipo com um cabelo estranho azul… Eu quero ser forte como ela!

O olhar acastanhado determinante por um momento comoveu-o. Era uma utopia ele supor que poderia ser forte nas organizações. A força que obtinham tinham um preço alto, porém ao atentar no estado do garoto este não parecia ter nada a perder.

– Kuchiki Rukia.

– O quê?

– Esse é o nome da pessoa que procura.

– Você a conhece!?

– Sim, e o de cabelo azul também.

O moreno ficou instável com essa afirmação enquanto o estranho sorria de lado.

– É uma longa história… Eu sou o namorado de Rukia, Ichigo Kurosaki. E sou seu chefe também, e de Grimmjow.

– O cara de cabelo azul?

– Esse mesmo. Nunca pensei que Rukia envolvesse uma criança em sua fuga…

– Ela não me envolveu! Eu é que… Segui o tal Grimm… Ah! Lá como ele se chama.

O Kurosaki gargalhou de leve com a espontaneidade do garoto, por um momento lembrou-se de si mesmo naquele jovem. Ele quando acolheu Rukia pensara que poderia estar a cometer um erro, e nesse momento, tinha os mesmos juízos com Kon… Mas não deveria ser um problema, se ele quer ser forte poderia ser treinado. Um membro a mais não seria estorvo. Principalmente se ele nutria uma enorme admiração por um dos membros.

Ichigo desviou seu olhar para os pertences espalhados do garoto, que após a ligeira queda, saltaram da mochila. O ruivo pretendia-o ajudar, porém travou ao reconhecer um pequeno objecto, o pegando. A pequena face de Kon ficou tingida do mais puro escarlate, gaguejando.

– N-não é o que você está pensando! Eu posso explicar!

"Boa Kon, como você irá explicar que quer ser forte mas trás um ursinho de peluche!?"

Ele se debatia em pensamentos, enquanto o seu constrangimento não diminuía. Ichigo o encarou, atentamente, como procurando algo conhecido. Não havia troça ou recriminação em seu olhar, só curiosidade…

– Kon. Você é o Kon?

– Como sabe meu nome?

O jovem garoto o encarava inocentemente, não compreendo os mistérios que o envolviam.

Ichigo sentiu seu cérebro abrandar, como se deixasse de funcionar… Nunca pensou reencontrar o filho de Urahara e Yoruichi naquele lugar, naquela ocasião.

Notas finais
Surpresos? Ansiosos? Chateados? Desiludidos? Eufóricos? ... Digam o que acharam e prometo melhorar no que não gostaram e tals eheh Beijinhos, Beijinhos Obs.: FELIZ NATAL PESSOAL! (Muito cedo, mas ok.) Jya née!