Simplest Mistake

14 Insanidade do Chefe


Notas iniciais
~Happy New Year My People!~ Ano novo, capítulo novo O/ Já faz um bom tempinho que não nos vemos não é mesmo? Como adiantei um dos capítulos, postando dois em Novembro, ficámos um mês sem nos ver ;A; Espero compensar eheh Muitos chocolates e boas fics para este ano!! *3* Desfrutem da leitura*

O chefe pode ser imprudente. Dar-se ao luxo de cometer insanidades. Praticar erros imperdoáveis. Afinal, era o chefe… Ele tinha poder para fazer tudo do mais reprovável. Não é uma questão de moralidade ou justiça, é controlo. Mandar sem ser questionado, essa era a relíquia de qualquer figura suprema. Mas, será que nem este tomava decisões, ocasionalmente, prejudiciais para a sua pessoa?

O ruivo contava mentalmente, afim de evitar irritar-se ainda mais. Rangia com os dentes, quando Kon, ao seu lado, pulava e cantarolava entusiasmado quando constatou a imensidão do palacete onde os membros da organização residiam.

Traiçoeiro, sem qualquer aviso prévio, Ichigo pontapeia o topo da cabeça do moreno desprevenido que consequentemente bate com o rosto no piso. O garoto ergue-se com poucas lágrimas nos cantos dos olhos, massageando com a sua mão direita no local machucado, encarando revoltado o ruivo.

– Por que fez isso, velho!?

– Olhe o respeito garoto, agora sou seu chefe.

– Que seja. Não respondeu à minha pergunta.

– Que complicado… você me está irritando com essa alegria exagerada.

Kon desvia a face, resmungando no tempo em que empinava o nariz. Aquela reacção fez com que o ruivo sorrisse de canto, recordando as discussões caricatas entre Yoruichi e Urahara. Aquele gesto meio que lhe recordava as típicas discussões entre seus pais.

– Estou curioso, porque está tão feliz por pertencer aos “maus”, Kon?

A súbita pergunta apanhara o garoto desprevenido. Mesmo com o ambiente animado, o jovem por momentos perdeu a felicidade que estava traçada em seu rosto. Facto que intrigou e encadeou a atenção do chefe. No entanto, o pré-adolescente rapidamente se recompôs. Para uma criança, era alguém forte. A solidão o tornara resistente à dor.

– Não tenho pais, nem ninguém em casa que me espere… Pensei que…

– … Que numa organização não estivesses só. Nem que fosse alguém só para brigar.

O rapaz encarou o superior pelo canto de olho, surpreendido e também um pouco desconfiado. Por sua vez, o Kurosaki mantinha sua expressão indiferente, como uma máscara, não transportando nenhum sentimento para o exterior.

– O silêncio é chato… dá medo. Parece a morte.

Ichigo mantivera-se em silêncio durante o resto do discurso, enquanto o garoto desabafava alguns momentos. No fundo, ele não estava abismado com o que este ia revelando. O ruivo previu que ele fosse sofrer com o abandono. Mais do que com a guerra entre as organizações de há dez anos atrás. Ele trouxera-o e sabia que isso iria criar problemas complicados entre ele e o casal. Contudo estava disposto a isso. Não iria continuar a compactuar com aquela farsa desumana. Eles podiam pensar que o protegiam, mas só destruíam a sua alma infantil e dócil.

Sem saber o que dizer, preferiram ficar calados. Ichigo já estava acostumado a esse aspecto. Mas, até Kon que era o novato das redondezas não repudiara aquele silêncio. Era confortável de certa forma. Um silêncio que falava. Uma estrondosa novidade para ele.

– Ichigo! O que está fazendo aqui? Não devia estar na… missão. Mas você é…!

– Rukia, este é o novo integrante da organização. Por isso estou atrasado para a missão. Deixo ele ao seu encargo temporariamente, pelos vistos já se conhecem, “mulher bonita com os olhos roxos”.

Kon tinha os olhos brilhantes por reaver Rukia, mas quando escutou o outro denunciar a alcunha que ele dera à Kuchiki, sua face ficou cobrida por um manto escarlate, escondendo inutilmente seu corpo atrás das pernas do ruivo.

Incredulidade e revolta trocavam consecutivamente na feição da Kuchiki. Ela mantivera-se estática, encarando ora Ichigo, ora o garoto que conhecera por um mero acaso.

– Ichigo, você ficou louco? Ele é uma criança ainda!

– Seu nome é Kon. Os treinamentos dele começam amanhã, quando regressar, eu me encarrego disso.

– Ichigo, isso é…

– Kon, siga em frente nesse corredor. Primeiro quarto à direita é o seu. Vá arrumar seus pertences, principalmente o “tal”. Não convém que alguém o veja… pode ser embaraçoso.

Kon engoliu em seco, percebendo de imediato que ele se referia ao seu urso de peluche. Acenou estranhamente obediente, fugindo segundo as indicações do ruivo, para seu novo quarto. Rukia aguardou o mais novo desaparecer do alcance da visão deles para se dirigir furtivamente até o Kurosaki, quase o agredindo.

– Como pode trazer uma criança para este lugar…!?

– Ele implorou.

– Ichigo, é uma criança! Ele não tem ideia de como vivemos…

– Rukia.

Tanto o timbre calmo, mas perturbado, como o olhar nublado, assustou a morena.

– É ele.

– Ele?

– O nome não lhe diz nada? Yoruichi e Urahara.

Rukia conhecia o Kurosaki. Seu chefe podia ser insano e rude, porém, mentir não se enquadrava em sua personalidade. Por um momento, ela sentiu o piso que a apoiava sumir. Sentia que nada do que sucedia era real. O Kon, aquele bebé bochechudo que pegara ao colo, estava de volta? Era aquele garoto?

– Não pode ser… deve ser um engano, Ichigo. Eles deixaram-no em…

– Ele fugiu. Não tem para onde ir. E, apesar de tudo, aqui é onde seus pais estão.

– Mas…

– Eu não vou continuar com isto. Se não querem assumir o filho, é problema deles. Mas não penso deixar o rapaz perdido nas ruas. E ele parece gostar muito de você, Coelhinha.

Esse era um dos raros momentos que a morena comprovava que o ruivo tinha sim um coração, só que muito bem escondido.

Graciosamente, Rukia lhe mostrou um de seus mais belos sorrisos. Agindo subitamente, ela pulou em seu pescoço. O beijando voraz, sem timidez. Ichigo arregalou os olhos, surpreso, porém se recompôs vertiginoso. A prensou contra a parede, sentindo de imediato as pernas rodopiarem firmemente a sua cintura, fazendo-o suspirar entre o beijo. Só com um gesto simples, a Kuchiki era capaz de o deixar extremamente excitado. Agravando com o longo tempo, na sua opinião, sem tocarem-se intimamente. Enquanto sua mão escorregava pela nádega exposta da morena, apertando-a, Ichigo passara a beijar o pescoço e ombros da mesma com volúpia.

– Ah! Velho pervertido! Existem crianças aqui, devia ter vergonha!

Kon na sua perfeita inocência, encontrava-se completamente rubro, cobrindo os olhos ao mesmo tempo que xingava o seu recente chefe. Rukia empurrou de imediato o Kurosaki, exagerando um pouco na força, o aleijando de leve. No entanto, esse detalhe passou-lhe despercebido. Constrangida só se recompôs, mesmo achando piada à reação do mais novo. Talvez a ideia de o trazer não fosse tão má quanto aparentava… Kon poderia resgatar a humanidade dos membros da organização The Mask.

Ichigo encostou a testa na parede, suspirando e expirando fundo. Repetindo em pensamentos “tenha calma Ichigo, é só uma criança…”.

– Maldito garoto intrometido…

– Eu sabia que você era um cara estranho! Olhe só para esse cabelo esquisito!

Veias tornarem-se visíveis, saltando da testa do chefe, que passou a encará-lo com um sorriso maligno.

– Garoto, fique sabendo, que esse cabelo esquisito é bastante apreciado pela minha Coelhinha em momentos como esse que viu agora e…

– Ichigo, cale essa boca maldita! Está falando com uma criança!

A Kuchiki era diabólica. Não por causa da sua tonalidade escarlate originada pela fúria, nem pela testa enrugada ou o olhar fulminante… E sim, pela potência existente em seus golpes, que o Kurosaki acabara de comprovar.

Kon suava frio ao sentir a aura maligna que emanava de Rukia.

Linda, mas mete muito medo! É melhor eu nunca irritá-la…

Emburrado, o Kurosaki murmurava monossílabos pelo machucado que a morena de baixa estatura lhe provocara em seu pescoço. E, subitamente, seu jeito infantil, amadurece, repentinamente. Kon o observava com atenção, estranhando a mudança de comportamento, contudo para a Kuchiki isso já se tornara familiar, a bipolaridade de seu chefe. Por vezes era excitante, outras frustrante.

– Está na hora?

– Sim. Grimmjow deve estar furioso com o meu atraso. Logo, estaremos de volta.

No tempo em que ele se dirigia ao local combinado com o azulado, Rukia encarava-o afastando-se, sentindo seu peito apertar, reduzindo-se a algo minúsculo. O sentimento de que algum contratempo ocorreria, não a abandonava.

– Nunca lhe perdoarei se você não voltar, Ichigo.

Notas finais
O próximo capítulo será ele todo um flasback, vocês já devem prever qual seja né? Isso mesmo YoruXUra. Aquilo que aconteceu há dez anos atrás. Não sei se os leitores preferem que eu me foque em exclusivo neste casal ou se querem mais intervenções das outras personagens, como Ichigo, Rukia, Nell, Grimmjow, etc. Dêem sugestões daquilo que mais gostaria que acontecesse e daquilo que nem querem ver à frente XD Sou muito grata a todos os que acompanham de coração esta narrativa