Simplest Mistake
18 Sedução
Notas iniciais
Há aqueles momentos na vida que não se enxerga com clareza o caminho a seguir. Para onde ir? O que fazer? Deve-se ficar preso às lembranças ou viver os acontecimentos actuais, ignorando o que já passou? O que irá ditar o futuro: passado ou presente?
Os mortos convertem-se em fantasmas dos vivos. Atormenta-os com suas memórias agradáveis, e em alguns casos perseguem-nos com as ruins. O facto é que há mortos que nunca serão esquecidos, mesmo não contribuindo de forma alguma para o presente, e muito menos para o futuro.
— Ichigo… Você não pode ter morrido. É idiota demais para deixar isso acontecer…
A nova líder da organização encontrava-se em seu quarto, com o corpo estirado no piso sujo, encostando as costas na porta. A certeza de assumir o poderoso Kurosaki esfumara-se, foi algo momentâneo. Uma súbita sede de sangue. Pela primeira vez, quis matar. Olho por olho, vida por vida.
No entanto, o medo retornara. A insegurança da menina sonhadora ainda habitava em seu coração. Como ela, uma simples roedora poderia orientar predadores do topo da cadeia alimentar? Era uma tentativa de suicídio que proporcionava riso.
A Kuchiki pretendia encontrar Ichigo, não permitiria que a criança do seu passado interferisse nessa busca. Porém, liderar uma organização de assassinos não era de todo um de seus objectivos. Só o fazia porque muitos dos membros eram seus amigos.
Por a divisão encontrar-se numa escuridão total, não era possível enxergar-se o movimento de sua mão que fora até sua coxa, retirando uma chave minúscula. Engatinhando cegamente até ao móvel, procurou seu cofre cheio de segredos internos, da sua própria personalidade e do seu romance com o chefe desaparecido.
Por causa da ferrugem que cobria o fecho, ao abrir o cadeado, este rangia irritantemente. Não pretendia nenhuma página em especial, procurou aleatoriamente uma que tivesse bastantes cores, de forma a colorir a imensidão negrume que a cobria naquele instante.
Uma folha em especial, cativou seu tato, a retirando. Não acendeu nenhum diapositivo que lhe permitisse enxergar, queria que o símbolo de sua fraqueza que escorria por suas íris violáceas permanecesse encoberto pela escuridão. Com a ponta dos dedos, percorreu a textura das cores, notando os traços mais firmes em alguns pontos. Foi reconstruindo seus desenhos mentalmente, e sorriu com o sabor amargo das lágrimas em seus lábios. Aquele retratava uma lembrança agradável, a dor quase a fizera esquecer desse momento.
O dia em que Ichigo Kurosaki a ensinara a ser sensual.
— Senhor Chappy, é um incrível re-contador de histórias.
FLASHBACK ON
Centésimo primeiro dia desde que Rukia fora conduzida para a The Mask.
— Sabe Coelhinha, os pequenos detalhes só melhoram o sexo. A sedução é fundamental nesses pormenores.
— Ichigo, seu pervertido! O que está insinuando!? Que devo me envolver em missões!? Nunca faria tal coisa!
— Óbvio que não. Você é a minha coelha, estou ensinando não para a usar com esses lixos.
Apesar de o ruivo ter negado seu receio, a fúria não apaziguava. Como assim “aulas para ser sedutora”? Era tão arrogante que irritava!
— Então para que devo aprender algo que não usarei!?
— Não entende? Sedução é uma arma para além de inimigos, mas aliados.
— Como assim? O que quer dizer? — Ergueu uma sobrancelha, demonstrando num gesto inocente sua confusão.
— A melhor forma de aprender é demonstrando.
O sorriso malicioso que se apresentava em seu rosto não a fizera recuar, na verdade, só contribuíra para aumentar o caos desorganizado em seu raciocínio. A inocência era uma característica invejada nas crianças, valorizada e apreciada, contudo no mundo dos adultos ingenuidade conduzia a destruição.
Rukia estava lidando com homens perigosos, sedentos por poder e vulneráveis aos desejos carnais. Ichigo tinha conhecimento disso, por experiência. Porém, havia limites que nem ele passava, outros perderam os escrúpulos totalmente para saciar seus desejos. Não podia permitir que Rukia tornasse uma vítima, por isso instruía-a como uma agressora.
Uma coelha em aparência, uma fera mortal em carácter.
Com um porte rígido, aproximou-se do corpo feminino ligeiramente machucado pelos treinos intensivos de dias anteriores. Contornou algumas cicatrizes, com o olhar vibrado no percurso de seus dedos sobre os machucados.
Rukia ruborizou com o toque atento, sorrindo discreta. Ele estava preocupado.
Ele podia ter permitido que Ukitake tratasse daqueles arranhões alguns superficiais, outros mais profundos que arderiam durante algumas semanas. No entanto, fizera o oposto. Proibira expressamente qualquer tratamento médico.
O corpo humano funciona em adaptações. Habitua-se a qualquer realidade, por mais degradante que esta seja. Trata-se de sobrevivência, o instinto mais primitivo em qualquer animal. Se ao mínimo corte ele a tratar com auxílio de pomadas e medicamentos, vai retirar essa função ao seu organismo que se habitua a ser tratado e não a regenerar-se. Fica dependente.
Mesmo quando machucado é mais grave, desde que não cause danos consideráveis, deve deixar o corpo juntamente com o tempo limpar as impurezas, sem a interferência de outros meios. Era a única forma de um assassino sobreviver. Afinal, ele não pode ir a um hospital normalmente depois de um tiroteio. Seria preso antes mesmo de sair das emergências.
A mão áspera, resultado de inúmeros desafios dolorosos, continuou seu trajecto até alcançar o ombro desnudo. Inclinou a cabeça, e pousou seus lábios no local, um carinho mudo, porém extremamente significativo.
A sua língua quente deixava um caminho de saliva do ombro, pescoço até ao queixo. Sorriu antecipadamente ao deparar-se com os lábios entreabertos, pela respiração pesada e cortada da sua roedora. Contornou a fina boca com a ponta do nariz, sentindo o ar quente embater contra a sua cara, numa alucinante provocação.
Usou as mãos para segurar o rosto de Rukia firmemente em direcção do seu. Mordiscava os lábios levemente, rindo quando ela o trincava seu lábio com força exigindo alguma seriedade do beijo. No entanto, ele prosseguiu com a brincadeira. Por instantes aprofundando o contanto entre seus corpos.
Subitamente, ele separa-se completamente da morena, deixando seu corpo desprotegido com o frio da habitação. Ela abraçou seu corpo, procurando conter os arrepios gélidos que a percorreram. Porém, nem o frio acalmou a frustração que sentia.
O Kurosaki sentiu a aura negra em volta do pequeno corpo, não conseguia disfarçar o ar divertido implantado por sua face. Ignorando qualquer aproximação que ele iniciara, retomou à aula. De novo caminhou em sua direcção, com um intuito diferente, ela mantivera com os braços cruzados sob o peito, arregalando os olhos com sua iniciativa. Cogitava que ele fosse zombá-la, mas em vez disso, ele enrolou sua cintura com um braço. Com a mão livre desferiu um estalo nas nádegas, o som alto provocou uma avalanche de emoções na coelhinha. Inofensiva perante aquele gesto, limitou-se a tentar esconder o incontrolável corar de seu constrangimento. Rukia para além de inocente, ainda era demasiado tímida.
— Ousadia, coelhinha. Isso excita qualquer homem, não perca seu tempo com vergonhas.
Odiava seu tom presunçoso. A sua certeza de que ela era inofensiva irritava-a. Apertou o punho, assistindo ele afastar-se de novo para terminar a aula.
— Não mesmo, Kurosaki Ichigo…
A aluna também poderia ter truques. A roedora também podia contra-atacar.
Em passos apressados e silenciosos, saltou para as costas de Ichigo, amarrando suas pernas na sua cintura. Rasgou a camisa com volúpia, traçando um trilho de sucções pela pele exposta. Quase perdeu sua compostura agressiva ao escutá-lo gemer. Não era usual ele demonstrar seu agrado, tão audivelmente.
Apesar de algum receio pela inexperiência no comando, não o revelou, mantendo suas acções firmes; guiou seu calcanhar direito até a virilha do Kurosaki, movendo-o circularmente quando encontrou a elevação que buscava. Ela mordeu o lóbulo da orelha com força quando entendeu que o seu chefe estava à beira de espasmos, enfraquecendo a força em seus joelhos.
Riu jocosa, sabendo que isso enfureceria o ruivo. Estava estupefacta por com simples encenações, ele demonstrar um descontrole animalesco. Bruto, conseguiu retirar os braços de seu pescoço, puxando-os, para colocá-la de frente para si.
Encarava-a de um jeito diferente, surpreendido, mas ainda assim os requisitos de desejo prosseguiam nas íris avelãs. Quando se beijaram pela primeira vez, cogitara que seria terno e calmo. Nada a preparou para sentir seus lábios roçando sua bochecha, garganta e por fim sua boca onde ele permaneceu. Tal como naquele momento do passado, gemeu em antecipação, abrindo os lábios num convite impercetível, mas o suficiente para Ichigo com firmeza apoderar-se de seus lábios beijando-os apaixonadamente, mordendo o lábio inferior e saboreando-o sensualmente.
Rukia sentiu a calidez da língua procurando a sua, jogando com ela. Cada vez mais intenso. Puro fogo.
As mãos do ruivo estavam em todo o lado. Inicialmente ternos e gentis com suaves carícias e logo mais atrevidas, procurando sentir a maciez de sua pele.
Em instantes velozes, ele rompeu as vestes que os separava enquanto a fazia delirar com as sensações proporcionadas. Não compreendia porque ele simplesmente não retirava sua roupa em vez de a arruinar, ao princípio pensou que seria um fetiche, porém começava a pensar que era apenas o seu jeito apressado e descompassado em lidar com o prazer.
Prontamente sentiu os dedos de Ichigo acariciando seu peito desnudo, beijando-os, lambendo seu corpo e beijando-a ardentemente.
Por sua vez, ela alisava seu peito timidamente. O ruivo emitia sons como se fossem rugidos, agarrando fortemente na mão de Rukia a levando até à boca, onde começou a lamber os seus dedos eroticamente, logo guiou a mão desta até seu membro onde indicou à jovem os movimentos que o fariam gozar.
Ainda insegura, percorreu a magnitude da sua virilidade suavemente com a palma de sua mão. Notando a dureza e por sua vez a delicadeza daquela região pecaminosa. E, sobretudo, o calor agradável que emitia.
Ichigo começou a perder a razão que suspendia o controlo de suas atitudes, optando por preparar Rukia para a penetração. Apesar de não ser a primeira vez deles, o facto de ela ser inexperiente sempre o fazia agir protectoramente, temia magoá-la mesmo naquelas circunstâncias quase impossíveis de isso suceder.
Roçou o membro na entrada húmida, gemendo em antecipação. A testa da morena estava húmida pelo suor que reflectia-se seu prazer. No entanto, aquilo era um jogo. Uma brincadeira de sedução. E por muito que fosse difícil, a missão deve ser cumprida. Quando o órgão ia invadir sua cavidade, ela golpeia o cerne do abdómen de Ichigo, esquivando-se do corpo do Kurosaki antes de este desabar pela dormência provocada.
Um pequeno rasto de sangue escorria pelo canto dos lábios do ruivo, ele sorriu enquanto limpava o líquido com sabor férreo.
— Vejo que aprende depressa, Coelhinha. – Aumentara o sorriso quando se levantara com a mão apoiada no sítio socado, observando o corpo nu da morena que sorria orgulhosa cruzando os braços presunçoso, elevando os seios com esse gesto.
Num acto imprudente, mostrou as costas ao líder da organização, não prevendo que este recuperasse rapidamente do seu ataque. Novamente, segurou sua cintura, colando suas costas em seu peito.
— Seduz o seu chefe e pensa que ficará livre de punição?
Sua pele fina arrepiou-se com o sussurro, contorcendo-se em seus braços, pressentindo o membro ereto pressionar sua nádega. O calor que assombrou seu ventre, aumentou a coloração de suas bochechas, porém, contrariamente às outras vezes, o motivo não foi vergonha.
Rukia suspirou quando Ichigo remexeu a cintura. Pela primeira vez, estava a divertir-se com aquele jogo de perseguição ao roedor.
FLASHBACK OFF
Claramente, os episódios seguintes não foram retratados pelo coelho Chappy… Apesar de estes serem memoriais muito vividos na mente de Rukia.
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