Notas iniciais
► cнαρρү ◄ Não fui sequestrada, não morri, e não desisti da fanfic! Desculpem, todo este tempo sem actualizações. Sempre que quiserem saber como vão as fanfics ou entender os atrasos podem mandar mensagem para mim. Não sintam vergonha disso. O motivo da minha demora foram vários. Entrei na faculdade, depois descobri que o curso não era o que eu queria e tive de lidar com a mudança e todos os problemas disso, comecei a estudar outras coisas enquanto estava parada na faculdade, e para além disso muitos problemas pessoais. Um familiar muito próximo meu teve perto de partir… isso me abalou muito. E para agravar, eu estudo longe logo fico quase todo o dia fora de casa, daí uma dificuldade maior para escrever. Não pensem que foi o cannon IchiHime que fez com que minha inspiração ou vontade de escrever sumisse. Errado, nada disso me afectou. Óbvio que queria IchiRuki cannon, porém não ter acontecido não mudou rigorosamente nada minha forma de encarar as fanfics. Por fim, muitas fanfics em andamento é difícil actualizar todas em tempo certo. Por isso, algumas estão em hiatos (as que estão, tem aviso), e outras demoram para actualizar. Quero acabar algumas mais perto do final para depois conseguir cumprir prazos. Vou acabar brevemente uma e depois a próxima será esta. Deve acabar perto dos 30 capítulos a Simplest Mistake. Não sei bem ainda. De qualquer forma, perdoem minha demora. Entendo perfeitamente as reclamações dos leitores, se estiverem chateados ou até mesmo alegres com meu retorno. Não pretendo voltar a demorar mais que dois meses para actualizar uma fanfic minha. Quero mesmo cumprir essa meta, se não conseguir por algum imprevisto, podem cobrar. Encher meu correio até me fartar e postar o capítulo #risos Obrigada por todo o vosso apoio pessoal! Espero que gostem deste capítulo, e muitos beijinhos ♥

Sua cabeça estava inclinada junto do móvel onde guardava todos os seus preciosos segredos, adormecera sentada contra a parede. Era noite quando Rukia despertou, sentia-se tonta, seu nariz queimava como se tivesse inspirado algum cheiro tóxico.

Inicialmente, pensou que fosse coisa de sua cabeça, estando aturdida pelo sono, contudo à medida que os minutos vagarosamente sobrepunham-se uns sobre os outros, astuciosa notou que alguém a intoxicara. Sua cabeça latejava numa dor aguda, ficando com a visão consideravelmente turva, enquanto o corpo cedia a uma moleza que não lhe permitia mexer os músculos, praguejou um baixo “Droga!”, notando uma sombra da cor do fogo dançando sobre seus olhos movimentando-se até si. Contudo, nunca sentiu calor, apenas o frio da perda da consciência.

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Redobrando a noção de sua existência, Rukia ergueu minuciosa o pescoço, estalando os ossos, resmungando com o incómodo de seu corpo estar numa má posição, provavelmente, durante horas. Remexendo os membros, compreendeu que estava amarrada por correntes nos pulsos, tornozelos e cintura numa poltrona corroída. O metal maciço, oriundo de um material resistente, feriam sua pele rosada, cortando-a quando esta tentava mover-se. Os sentidos da Kuchiki estavam a recuperar dos efeitos adormecidos pela eventual substância desconhecida que cheirou e com isso a dor retornava mais profunda. Suspirou um tanto dorida tentando afrouxar o aperto do metal em seus pulsos.

— Não adianta. Não vai conseguir soltar-se, Kuchiki Rukia.

Rukia ergueu o olhar, vislumbrando a mulher mais linda com que se deparara. Seus cabelos ruivos exóticos desciam sobre o busto avantajado, contornando a delineada cintura. Um vestido vermelho acentuava seu charme, um detalhe interessante em oposição com seus olhos cinzentos, possuidores de adorno inocente. Contudo, as emoções negativas que habitavam na alma da ruiva eram espelhadas em seus olhos fulminantes e carregados de ódio. Rukia estremeceu perante seu olhar severo redireccionado para si.

— É frustrante querer soltar-se de algo e não conseguir, não é? É assim que me sinto, há anos… querer esquecer e fugir de um sentimento que nos persegue e acorrenta ao passado. Sabe o que é ser abandonada, trocada por outro alguém…? Não, não sabe. Nem nunca saberá o que é essa dor. Nenhum nobre a conhece.

A morena não era idiota. Conhecia o passado de Ichigo, não era preciso um cálculo genial para compreender que aquela mulher tinha sido uma das inúmeras conquistas do Kurosaki, alguma que com certeza mantivera acesa a esperança de salvá-lo da sua escuridão, trocando-a, pela paixão. Não era a primeira vez que alguma despeitada a perseguiu tentando abordá-la ou atacá-la. No entanto, não entendera a acusação obscura do seu último comentário. Seu sangue não possuía realeza. Não tinha contacto com tal mundo. Cogitou em questioná-la acerca disso, mas uma forte chicotada em suas pernas a fizera esquecer todo o diálogo anterior. Gritando em agonia, sufocando-se na própria saliva pelo ataque feroz inesperado.

Os cortes em seu corpo persistiram, de tal maneira que a pequena mulher deixou de sentir dor, praticamente desmaiando com a falta de sangue. Estava pálida e transpirada, enquanto Orihime ria descontrolada. Balançou o braço com mais entusiasmo, não medindo sua firmeza no gesto, iria atingir-lhe o peito, rasgando-o. Contudo perante a fraca condição de Rukia, aquele golpe seria fatal.

Quando impulsionou-se para cumprir seu objectivo, uma presença surge atrás da ruiva, segurando firme o pulso desta, a impedindo de golpear a Kuchiki novamente.

— Ulquiorra?! O que está fazendo? Me solte, agora! – Orihime gritava furiosa, e totalmente descontrolada contra o moreno que sempre a seguia e vigiava.

— Você é importante para Aizen-sama. Não cometa nenhum disparate por causa desse Kurosaki Ichigo e de seus estúpidos sentimentos por ele.

Perante a crítica dura com palavras insensíveis, a ruiva ficou ligeiramente ruborizada, com pequenas lágrimas nos cantos dos olhos, com vergonha de sua atitude sanguinária. As esmeraldas a recriminando, e a visão de suas mãos e braços pingados do líquido carmesim a trouxeram à realidade, deparando-se com o que se transformara por causa do ódio que tinha acumulado. O moreno depositara a cabeça desta em seu peito com a mão no topo da sua cabeça, a acalmando como uma criança. Na verdade, ele sabia que estava preocupado com a vingança da ruiva e de como essa estava a consumir aquela alma tão intrigante para si, que mergulhava num abismo sem retorno.

Orihime afastou-se do quase abraço e sorriu terna para Ulquiorra, um sorriso singelo e honesto como à muito tempo não demonstrara. Ela contornou o corpo do servo leal de Aizen, abandonando a divisão em silêncio absoluto. Ulquiorra voltou-se, disposto a segui-la.

— Obrigada…- A morena agradeceu baixo, se não fosse a audição perfeitamente treinada, Ulquiorra nunca a teria escutado.

O Schiffer parou seu trajecto observando sobre o ombro a mulher acorrentada, limitou-se a dirigir-lhe um breve olhar indiferente antes de sair dos aposentos fazendo o mesmo caminho de Inoue.

Rukia não conseguiu contar o tempo em que esteve ali. Sua imponência até nesse pequeno detalhe a fez desistir de tentar contabilizar o incontável. O tempo era livre, regia-se por sua vontade e leis próprias, não se submetia a acções humanas nem a forças da natureza.

Tão perdida em pensamentos só notou a sua segunda visita desagradável quando esta optou por pronunciar-se.

Jovem Kuchiki, como se sente? Espero que sua estadia esteja sendo confortável. – Seu tom jocoso e sarcástico mantinha a calma usual, a Kuchiki mordeu o lábio, evitando demonstrar sua frustração com sua ironia, não lhe queria dar esse prazer.

Está tudo perfeito Aizen-sama, por momentos esqueci que não estava na nossa base. – Rukia pronunciou o “sama” com desdém, desviando o olhar contra a parede incolor, ignorando a aproximação do homem, que agachou-se até seu ouvido.

— Minha querida e encantadora Rukia, eu não sou o seu superior, cuidado com a língua ou irá perdê-la… e isso seria lamentável, não queria machucar uma mulher tão bela. – Rukia estremeceu ligeiramente com a ameaça, disfarçando o seu incómodo mantendo-se calada. Atitude que fizera com que Aizen abandonasse sua compostura mais austera, relaxando sua feição, sorrindo sedutor. – Muito melhor. O silêncio numa mulher é a sua maior beleza, e seu supremo mistério, não concorda?

Sousuke afastou-se da poltrona onde mantinha Rukia presa, sem aguardar uma resposta por parte desta. A Kuchiki o encarava sem interesse, pensou em questioná-lo, no entanto isso poderia implicar alguma consequência desagradável. Talvez, esperando, ele revelasse o que pretendia dela.

— Tenho uma oferta para você, Kuchiki Rukia. – Ela ergueu uma sobrancelha, surpresa e desconfiada de suas palavras. Esperava imposições e não propriamente acordos com aquele homem que naquele momento a controlava. – Eu lhe posso dar a tão ambicionada liberdade que a senhorita deseja, em troca, só tem de fazer uma coisa… Dizer tudo o que sabe acerca de Kurosaki Ichigo, seu superior. Tornou-se seu braço direito em poucos anos, alvo de sua admiração e amor, com certeza terá todas as informações que preciso acerca dele. O que me diz?

— Ichigo está morto. Isso não lhe servirá de nada, Aizen.

O Rei da organização rival, em um breve segundo, apertou o pescoço de Rukia, a sufocando, rindo tranquilo como se nada fosse.

— Ambos sabemos que isso é um falso boato criado por mim. Eu ataquei-o, e ao idiota do Grimmjow. Mas, como bem o saberá, ele está vivo e já deve ter chego até os restantes de seus membros.

Sim, ela sempre soube disso. Teve a derradeira confirmação quando um diapositivo foi accionado numa localidade estranha, adivinhou que fosse o ruivo. Sua mente recusava uma realidade em que Ichigo fosse morto. Era um paradoxo inexplicável. Por essa razão, acreditou tão facilmente em sua sobrevivência. Rukia arfou ofegante, procurando ar, Aizen afrouxou o aperto de seus dedos, notando o tom roxeado subindo pelo rosto da morena, contudo não a soltou.

A roedora pretendia ganhar tempo e escapar daquele diálogo tão perigoso quanto tentador. Ele estava oferecendo o que ela mais procurava… Mas, trair Ichigo? Não era o mesmo que fugir, estaria entregando-o a Aizen, não acreditava que este pudesse eliminá-lo. O Kurosaki era forte, violento e… vingativo. Nunca o derrotaria, contudo ela estava dando armas livremente ao adversário. Sua liberdade valia esse preço? Abandonar e trair o único homem que conseguiu amar num deserto de emoções?

— Eu… — Rukia gaguejava, não sabendo o que dizer naquela situação. Ela não conseguia pensar. O homem a encarou sorrindo, voltando a deixá-la encostada contra a poltrona desgasta, agora com as marcas negras de seus dedos envolta do pescoço alvo.

— Ichigo Kurosaki não merece a sua lealdade, ele a trouxe para o nosso mundo por um capricho. Não lhe revelou o sobrenome lhe oferecido pelo seu cunhado, e escondeu-lhe todo este tempo que Rukia Kuchiki é na verdade uma cidadã livre e… nobre.

— O quê? Que tamanho disparate é esse Aizen? – Rukia vociferou, esquecendo a primeira ameaça de Sousuke, quase gritando. A palavra nobre junto de seu nome a enjoava só de imaginar. Relembrando-a, do comentário anterior de Orihime.

— A família Kuchiki é uma das cinco famílias mais ricas da Seireitei, possivelmente a mais importante e influente nos negócios com o Comandante Yamamoto, actualmente. Byakuya Kuchiki, chefe do clã é o homem com quem sua irmã Hisana casou, lhe oferecendo assim, um título não de família apenas, mas também de nobreza e riqueza. Tudo isso foi-lhe privado por Ichigo Kurosaki, a obrigando a matar para sobreviver quando tem uma vida de luxo e conforto a esperando.

Aizen dava uma risada leve pelo nariz, encarando atentamente as reacções da Kuchiki. Notou ela o observar incrédula, procurando algum requisito em si de mentira e manipulação, porém, através da alta experiência atribuída pelo seu chefe, ela rapidamente notou e percebeu que não havia engano em seu discurso, fazendo até sentido toda o cenário descrito.

As pupilas dilataram-se, o tom arroxeado vivido ficou escondido sobre um manto sujo, a falta de luminosidade do local tornara suas íris sedutoras, em algo medonho e inclusive assustador. Seu rosto perdeu a expressão pura e juvenil que caracterizava a pequena mulher.

As lágrimas que escorriam por seu rosto era o único indício visível que Rukia chorava. Os soluços permaneceram trancados em sua garganta, os lábios sequer moviam-se… todo o rosto numa posição estática, fazendo com que ela encarasse perdidamente seus próprios pés.

Sua irmã, a pessoa que sempre idolatrara, vendera-se. Deixara a ostentação sedutora a cegar, a fazendo esquecer o que os nobres faziam, o que lhes fizeram inclusive no passado. Fome e desigualdade social, era esse seu objectivo, e ela contribuía para a continuidade esse rumo.

Hisana a abandonara. Mais valia isso, que tornar-se num deles.

Ichigo estava certo. O mundo era cruel, não havia uma ponta de esperança para acreditar ou viver. Devia estar chateada com ele, por lhe ter escondido a situação de sua irmã… ele sempre soube e nunca lhe contou. A defendeu da verdade. Um pequeno sorriso brotou de seus lábios, sincero. Ichigo, que ela tanto criticava de sua vida sanguinária, sempre a teve protegendo e mantendo sua personalidade ingénua, ele, que ela duramente acusara de a querer corromper.

Seus lábios moveram-se lentamente, as lágrimas contornavam sua boca entreaberta que nenhum som saía por ela, um pedido silencioso de desculpas ao homem que amava e um eterno agradecimento.

Seus sonhos ruíram, sua crença em final feliz caiu, porém mais que nunca percebeu o quanto amava o chefe da organização.

Rukia levantou as íris negras para Sousuke, que ria com escárnio, triunfante pela sua visão, fazendo com que ela amplamente risse. A pequena mulher nunca perdoaria Hisanna, mas também nunca trairia Ichigo. Ele e a organização eram a sua única família agora.

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Ichigo acompanhado por Grimmjow, que ia arrastando os pés preguiçoso com as mãos depositadas nos bolsos, encontrava-se a quatro passos atrás do ruivo. Caminhavam em silêncio até à mansão, não se importunando -por enquanto- sobre os motivos do imprevisível ataque de The Hollows. Apesar do clima chuvoso e a dupla lamentavelmente estar com uns farrapos imundos, estavam tranquilos. Afinal, tinham sobrevivido a uma queda radical, uma estratégica quase suicida… sem ossos partidos.

Quando adentram na organização, o pequeno Kon encontrava-se em pânico. Gritava, porém, não se entendia pela voz embargada pelo choro. Os dois preocuparam-se com a situação, e não encontraram nenhum vestígio de invasão. O jovem não ficara surpreso por encontrar os dois homens, na verdade, parece que tinha esquecido por completo que eles foram dados como mortos, mesmo nunca crendo totalmente nessa notícia, devido à influência da Kuchiki.

Kon, numa atitude comum da sua ingénua idade, corre até Ichigo o abraçando pela cintura, encostando o rosto contra o abdómen deste, acalmando-se ligeiramente, normalizando sua respiração, conseguindo falar perceptível.

— Velho… a Nee-san… ela, ela sumiu! – O garoto chorava convulsivamente, com as robustas mãos coçando os olhos, tentando limpar as lágrimas inutilmente. Ichigo e Grimmjow não relevaram o desaparecimento, possivelmente, pela sua demora, Rukia tinha tido outro plano doido em escapar. Era uma boa ocasião, tinha de confessar. – E… havia sangue no seu quarto! Ela pode estar muito ferida! A Nee-san precisa de ajuda!

O felino arregalou o olhar, desviando o olhar para o chefe que permaneceu mudo, embora seu rosto empalidecera por completo. As pupilas dilataram-se, apertando o punho, ela era o objectivo. Aizen o afastou intencionalmente da sua coelha para vingar-se de si…. Pela segunda vez, na sua miserável e precoce existência, Kurosaki Ichigo ambicionou sangue.

O senhor do destino era alguém com um grande sentido de humor, pregando zombarias constantes para Ichigo e Rukia. O futuro não era nada para além de incertezas turbulentas.

Notas finais
Espero, sinceramente, que tenham gostado (rezando para a qualidade não ter sumido neste tempo ausente aushaush) e desculpem qualquer erro. Eu revi algumas vezes mas certos detalhes sempre podem passar por alto, distraída como sou nem se admirem eheh.