Simplest Mistake
20 Pugna
Notas iniciais
Para nascer uma vitória notável é necessária uma experiência medonha, que a transforme fenomenal ao alcançar o triunfo. Para um pássaro ter o prazer de voar independente, precisa da dolorosa práctica de forçar as suas pequenas asas baterem contra o vento, enfrentando a altura, sem medo da queda e confiante do seu vôo.
Rukia mantinha a cabeça inclinada enquanto Aizen divertia-se fazendo seu habitual chá na divisão ao lado, deixando-a assim a reflectir sobre a proposta que lhe oferecera. Ela mal conseguia raciocinar sobre esse assunto, estava imersa em antigas memórias que viveu em Rukongai, a miséria que deformava seu corpo, no entanto sempre tinha um ténue um sorriso, porque sempre foram unidas. Como Hisana, aquela que admirou por tanto tempo, como ela decidiu fazer parte da sociedade que as rebaixou e humilhou? A grande responsável pelas dificuldades que ambas ultrapassaram, que fez com que ela se convertesse numa criminosa.
A Kuchiki acreditava que a iria reencontrar perto da zona que frequentavam, a esperando, porém ela vivia na zona que mais odiava.O amor e carinho que sentia pela irmã mais velha fora substituído pelo ódio, com um sentimento amargo de traição. Um nobre… Hisana era casada com um nobre!? Agora, ela era uma Kuchiki, fazia parte do topo da hierarquia.
Rukia recordou seu desejo de voar para longe da organização, contudo esta verdade demonstrou que o Kurosaki sempre esteve certo. Ela não tinha ninguém, não quem ela acreditava... Ichigo, de facto, a esteve a proteger este tempo todo, até de quem ela nunca pensou que a machucaria. Como ela poderia trair Ichigo depois disto? Na verdade, agora estava decidida a nunca o abandonar. O mundo do crime sim, tinha firme convicção de convencê-lo a isso, mas não deixaria mais as pessoas que a receberam com carinho. Não colocaria mais em causa tudo o que o ruivo fizera por ela.
Num breve instante do seu longo pensamento, seu peito apertou em saudades do seu chefe.
Escutou a porta sendo empurrada, desmascarando o moreno que adentrava por ela. Reprimiu um gemido de desgosto ao observar a face risonha e satisfeita de Aizen bebendo calmamente seu chá. Jocoso, posicionou uma cadeira junto da Kuchiki, sentando-se nela e dobrando uma perna sobre a outra, gestos todos eles graciosos, confessava.
— Já tomou sua decisão, Kuchiki Rukia?
— Como se alguma vez eu fosse trair o meu chefe. Você não passa de um lixo, mesmo que lhe desse todas as informações, nunca o poderia derrotar.—Praticamente cuspiu as palavras, sentindo num rápido movimento, imperceptível para o campo da sua visão, sua garganta ser estrangulada com força.
Surrealmente, pela primeira vez, Rukia enxergou um brilho distinto de raiva e ódio no olhar daquele homem. Sua face endureceu perdendo o típico humor sarcástico e sádico. Sua visão tornou-se turva, revirando os olhos em tontura por conta da falta de oxigénio.
— Modere as palavras, não sabe com quem está lidando. –O tom tenebroso fez com que ficasse medo, nunca sentiu isso por alguém mas naquele instante sua voz conseguiu gelar sua alma. Apesar de não o ter deixado transparecer.– Tem certeza que essa será sua palavra final, Rukia?
Não disse nada, contudo manteve-se firme. Tal atitude confirmou a sua resposta. O líder de The Hollows, largou o pescoço alvo, afastando-se com passos lentos, parecia um fantasma de tão calmo e assustador que se encontrava. Rukia ofegou quando sentiu o ar adentrar novamente em si, encarando o homem de costas, que tirava um cigarro, aproximando-o da chama do isqueiro.
— Você vai morrer. –Rukia riu com aquele anúncio, parecia que seria alguma novidade perante sua resposta negativa.
— Ora, e por que não me mata agora? Não sou o suficientemente digna para ser eliminada pelo grande e poderoso Aizen Sousuke? Ou será que tem medo do que Ichigo faria consigo se descobrisse? –Riu de canto ao notar que ele estremeceu irritado, não entendia a origem, porém o Kurosaki era a ponta que fazia com que o delinquente demonstrasse algumas emoções diversificadas, durante uma precária perda de controlo.
O líder sem escrúpulos, no entanto, não permitiu enlouquecer perdendo a razão da mesma maneira como anteriormente. Reagindo, disfarçadamente, uma máscara que habitualmente utilizava.
— Tenho certeza que será mais interessante se Ichigo Kurosaki assistir aos seus últimos minutos de vida. –Sorrindo, abandonou os aposentos, deixando a morena preocupada.
Ichigo sabia que ela estava com Aizen? Grunhiu chateada por sentir-se tão fraca. Arqueou o pescoço, procurando algum ponto da poltrona para apoiar a cabeça, adormecendo em pura exaustão. Só queria acordar daquele terrível pesadelo.
O imponente sol reinava no céu a maioria das horas, cedendo humildemente seu lugar à lua, que roubava seu protagonismo durante a noite, utilizando seu brilho no céu nocturno. Murmurava sons imperceptíveis, ao preguiçosamente abrindo as pálpebras, despertando. Devido às janelas fechadas, não conseguia perceber se era dia ou noite. Bocejou ao tentar esticar os músculos sobre as correntes.
A habitação continuava sem um feixe de luz e terrivelmente sossegada. O silêncio que inundava o quarto não era de todo reconfortante, a Kuchiki parecia que por vezes escutava sons próximos de si, fruto de sua imaginação, tinha notado. Porém, foi mudando de opinião quando seu corpo tremeu com o pressentimento que aqueles passos que escutava atrás de si pertenciam a alguém e não era apenas uma ilusão. Seria de novo o Sousuke a importuná-la?
Mãos apoiaram-se em seus ombros, aproximando sorrateiramente os lábios de sua orelha, instintivamente deu uma cabeçada para trás atingindo o nariz da outra presença que gemeu de dor. Sorriu, podia estar amarrada mas não submetida.
— Vejo que ficou mais forte, Coelhinha.
Rukia paralisou. Seus olhos arregalaram, entreabrindo seus lábios. Abria-os e fechava-os diversas vezes. Murmurar baixo, não escutando sua voz sair, estupefacta.
— Ichi…go…? –Como resposta à sua pergunta, o Kurosaki contornou a cadeira, aparecendo diante dela, sorrindo largo apontando com o polegar para si.
— Sou eu mesmo. –Rukia riu perante a piscadela que lhe deu, sentindo seus olhos humedecerem com a imagem do ruivo.– Não pensava que tinha-se visto livre de mim, ou pensou?
— Você é idiota demais para morrer, Ichigo. –Riram concordando com essa observação.
Ichigo segurou no rosto ruborizado, aproximando-se dos lábios desta, beijando-a. Ela fechou os olhos, suspirando deliciada com o carinho dos lábios pressionando os seus. Normalmente, o ruivo era forte nos seus gestos até nos toques, mesmo nunca a machucando, porém, provavelmente pelo seu estado actual, ou a saudade, ele estava mais gentil consigo. Será que Ichigo Kurosaki estava mudando? Sorriu entre o beijo com esse pensamento. O ruivo afastou-se ligeiramente a soltando, cortando as correntes com a lâmina que trouxera, enquanto Rukia o encarava pensativa, Ichigo notando isso, limitou-se a encará-la.
— O que se passa, Rukia? –Obviamente ele suspeitaria de algo, constatou.
— Você não me contou que minha irmã casou com um nobre. –Sua voz saiu monótona, não era uma acusação, apenas apontou um facto. Ichigo rosnou raivoso, Aizen foi baixo demais ao revelar isso.
— Rukia, eu sei que falhei mas… –Um tanto nervoso e receoso, tentou arranjar rápido uma forma de se desculpar correctamente, enrolando a língua quase gaguejando.
A morena levou o indicador até os lábios do chefe, o interrompendo. Surpreendendo-o quando apoiou a cabeça debaixo do seu pescoço, o abraçando. Não desconfiava do motivo, mas começou a chorar baixo, quando Ichigo correspondeu ao seu gesto, confortando-a.
— Arigato. –Ichigo apertou mais o rosto dela contra seu corpo, aproveitando para alisar os cabelos negros.
O casal permaneceu naquela posição, até o Kurosaki sentir Rukia acalmar-se totalmente. Sentiu que esta adormecia em seu ombro, e moveu-se para a despertar. Precisava ser rápido em sair dali com ela, Grimmjow e outros membros da organização preparavam-se para entrar em guerra com os The Hollow.
Ichigo levantou-se a puxando de encontro a si. Esperou esta redobrar o equilíbrio próprio em suas pernas, a deixando perto da poltrona para se acostumar ao seu peso, indo até onde anteriormente estava, buscar seus pertences, quando a porta foi aberta perigosamente silenciosa. O casal encarou surpreso Aizen caminhando usualmente até Rukia.
— Ora, ora. Imaginei que estivesse aqui Ichigo. Estava com saudades da sua presa, certo? –Sorriu cínico, conseguindo irritar fácil o Kurosaki.
— Aizen, seu desgraçado! Você me paga caro por isto! –Ichigo rosnou entre dentes, pegando discreto sua arma, porém seu gesto foi perceptível e esperado pelo Sousuke.
— No seu lugar eu não faria isso. –Rapidamente Aizen aponta uma pistola na direcção de Rukia que bloqueou ao encarar uma arma de fogo apontada, de novo, contra si. Tentou balbuciar ajuda por Ichigo, mas sem entender bem o motivo, tremeu de medo. Onde estava sua experiência naquele momento? Por que continuava a ser uma coelha perseguida e fácil de ser caçada?
— Ichigo... –Murmurou como num transe, fazendo com que o ruivo tremesse receoso do seu estado.
— Aizen não a envolva nisto, ela não tem nada haver com nossos problemas! Você quer-me a mim! –Gritou furioso, mas também angustiado. Aizen sorriu, percebendo isso.
— Está enganado Ichigo. Ela tem muito a ver com isto, e você sabe bem disso.
Ichigo assistiu quase em movimentos lentos Aizen mexer o dedo empurrando o gatilho, para atirar. Lento, um meio para o torturar com a cena, gravando-a em sua memória. O Kurosaki, agiu por impulso, dando rápidos passos agarrou com violência o braço de Rukia, a puxando veloz quando escutou o som do disparo accionado.
Não tendo tempo para esquivar da bala, colocou o seu corpo na frente do feminino, bloqueando a trajectória da explosão, tomando em seu lugar o ferimento. Mais propriamente, no peito.
Sangue manchou sua roupa e escorreu pelos cantos dos lábios. Tossiu, perdendo as forças tombando para a frente. Rukia que estava estendida no piso por ser puxada bruscamente, atordoada e assustada, só compreendeu o sucedido quando constatou que Ichigo estava deitado perto de si ensanguentado. Um temor apoderou-se de si,perdendo o tom arroxeado brilhante, com lágrimas molhando seu rosto.
— Ichigo!
Aizen franziu a testa ligeiramente frustrado por ter atingido o rival, preferindo que este visse a amada morrer em primeiro lugar. Ergueu o braço para atingi-la também, contudo, escutou a voz da pantera azulada nos corredores. Resmungou baixo por sua vingança ter sido tão rápida e o facto de ter sido tão entediante matar Ichigo.Guardou a arma e escapou pelo longo corredor, onde haveria um túnel secreto que o conduziria até onde Gin o aguardava num carro prateado para sua fuga bem planeada.
— Ichigo, por favor, me responda! Não feche os olhos! –Rukia gritava desesperada, num pranto inconsolável, enquanto tentava estancar o ferimento com as roupas. Este a encarava com um sorriso no rosto.– Do que está rindo, seu idiota!? Não entende seu estado por acaso?
Estava irritada com sua falta de preocupação. Ichigo fraco continua sorrindo, com algumas dores, gemendo em seguida por isso, preocupando Rukia.
— Fico feliz por saber que se preocupa tanto comigo, Coelhinha.
— Como eu não haveria de me preocupar, idiota!? Você é meu chefe, me salvou muitas vezes… –Rukia ruborizou ligeiramente com o diálogo, aumentando a diversão do Kurosaki que observava seu rosto tingido de diversas emoções.
— Eu a salvei, porque sabia que você era diferente. Que um dia eu iria amá-la, da forma como me sinto hoje, Rukia. –Seu tom sereno não era tão divertido como antes, carregava carinho que por um momento fez Rukia chorar mais. Lágrimas de alegria e tristeza fundiam-se, quando ela descobriu que estava tão apaixonada assim? Estava terrivelmente feliz, mesmo ele tendo uma hemorragia sobre suas mãos.
Ele voltou a cuspir sangue retirando a Kuchiki de seus pensamentos, que pressionava mais as mãos contra o peito, tentando estancar o ferimento. Escutou vozes e passos perto da porta, reconhecendo de imediato de quem se tratava.
— Grimmjow! Rápido, estamos aqui! –Rukia gritou.
Grimmjow encaminhou-se com Nelliel ao seu lado, ficando ambos chocados quando encontraram Ichigo. A pantera abriu os lábios fazendo menção de perguntar o que tinha acontecido, porém o momento não era o indicado e a morena estava demasiado alterada, não iria conseguir responder com clareza. Acalmou-se, respirando fundo lentamente, aproximando-se do chefe e agachando-se o carregou nas suas costas. O azulado encarou sério Rukia.
— Se acalme. Vamos voltar para a organização, o Urahara irá tratar dele. Ichigo é forte, vai sobreviver. –Grimmjow apressou-se em dirigir-se para o seu carro indo na frente para prestar-se o apoio médico necessário ao ruivo, mas antes parou perto de Nelliel, murmurando.– Cuide dela, Nelliel.
Assentindo em concordância, o azulado saiu correndo o mais rápido que conseguia, sentindo o sangue do chefe começando a manchar suas roupas. Nelliel escutou os soluços da outra por causa do choro, se compadecendo por Rukia, aproximou-se dando palmadinhas nas suas costas a tentando tranquilizar. Sem pronunciar uma palavra, limitou-se a corresponder ao gesto quando Rukia a abraçou chorando convulsivamente sobre seu peito.
A noite foi turbulenta. Todos os membros encontravam-se reunidos na base, aguardando notícias do resultado da operação de Urahara e Yoruichi. Kon era o único que tinha cedido perante o desgaste, adormecendo. Foi com o inicio do rasgar da aurora no céu, que a euforia foi o sentimento compartilhado por todos os membros quando Yoruichi veio reunir-se com eles notificando que Ichigo estava fora de perigo, e que muito em breve acordaria quase recuperado. Provavelmente, em menos de vinte e quatro horas.
A Kuchiki sorriu largamente, imensamente feliz, festejando com os demais. Porém um aura negativa ainda a atribulava. O ferimento de Ichigo ainda a revoltara mais, ela tinha que descontar, culpar alguém. E ela sabia quem. Com uma feição sombria, lembrou-se de que ainda tinha algo por fazer.
Sem ninguém aperceber-se abandonou a mansão, entrando no carro alugado por Grimmjow para invadir a base de The Hollows. Guiou cerca de duas horas ignorando a dificuldade em enxergar a estrada, por a luminosidade solar ainda não ter preenchido as ruas, mantinha a velocidade até o limite máximo.Ao alcançar seu destino, como seria espectável, os guardas eram irresponsáveis que adormeceram em seu turno, por isso a Kuchiki não tivera dificuldade em voltar a passar a muralha que dividia os dois mundos.
Peregrinava discreta pelo início do amanhacer nas ruas ricas da Seireitei, ela procurava um símbolo em específico, encontrando-o com facilidade. Afinal, era um dos cinco símbolos mais nobres do Japão.
Invadindo a mansão, riu com escárnio pela arrogância e prepotência daqueles nobres. A segurança era mais muito fraca do que previa… Pobres não tinham como ser muito perigosos, certo? Pulou os muros, passeando pelos jardins, sem admirar sua beleza, encontrando um casal sorrindo na sombra de uma cerejeira em flor, reconhecendo-os.
Seu olhar modificou-se, ao constatar uma mulher extremamente semelhante a si, com um sorriso terno. Analisou rapidamente o homem ao seu lado, sentindo nojo deste. Pisou algumas folhas e arbustos, causando barulho, chamando a atenção intencionalmente. Num primeiro instinto, ao não reconhecer a mulher com o ambiente escuro, Byakuya colocou-se à frente de Hisana que encolheu-se em seu ombro temerosa. Ele ia chamar os guardas quando foi interrompido pela morena.
— Faz muito tempo, Hisana-nee-san. –A voz cortante e fria por um momento fez com que Hisana não reconhecesse a irmã mais nova.
— Rukia..? É você?
Hisana saiu do lado de Byakuya, que encarava tudo curioso e um tanto preocupado com a frieza demonstrada por Rukia, agarrando o braço da esposa para que esta não se aproximasse. A outra sorriu, ele era inteligente.
— Os anos de nobreza cortaram a pobreza e a sua irmã da memória. Não me reconhece mais sequer.
A Kuchiki observou machucada a irmã, não entendendo aquela atitude.
— Rukia, eu sei que errei ao deixar você mas eu só a queria protege-la,…
— Eu sei. – Hisana a encarou confusa, quando algumas lágrimas discretas rolaram pelo seu rosto.
— Nunca a odiei por isso. Sempre a procurei todos estes anos… eu acreditava que estava viva. –Rukia recordou com melancolia, fazendo com que a mais velha sorrisse e se aproximasse emocionada pelo reencontro, porém parou bruscamente ao terminar da frase.– Mas preferia que estivesse morta ao tornar-se uma nobre.
Byakuya enrugou a testa, preocupado. As lágrimas brilharam no seu olhar, deparando-se com o ódio nítido nas íris violáceas.
— Do que está falando Rukia…? O que quer dizer com isso…? –Balbuciou nervosa.
— Esqueceu do que nós passámos por culpa dos nobres!? Da divisão entre os mundos? Daqueles que estão morrendo aqui ao lado para sustentar os luxos deles? Ou devo dizer dos vossos!?
Os olhos negros de Hisana lacrimejaram, magoada, tentou rebater o ódio de que era atacada, sendo mais firme, defendendo o seu marido dos factos que ela apontava.
— Rukia, eu e o Byakuya nos amamos! Nós procurámos por você, ele deu seu nome para que pudessemos ter uma vida melhor…
— Recuso ser uma nobre.
— Hisana afaste-se. –Byakuya pronunciou-se, encaminhando a mulher para trás de si.
— Entendo seu ódio por nós. Mas o muro é uma medida de segurança para as famílias nobres. A violência causada pelos gangues é extrema e isso é uma das causas da pobreza de Rukongai. Não nos responsabilize por isso. Mesmo com estas medidas de protecção, veio algum criminoso colocar uma bomba num dos nossos edifícios, algumas semanas atrás. –Hisana acenou concordando, mas ficou estupefacta por Rukia rir.
— Sim, sim. Eu sei, fui eu que a coloquei. –Byakuya manchou sua compostura indiferente, ficando realmente abismado, Hisana murmurou o nome da irmã descrente.– Mas, foi o meu chefe que recebeu a ordem de um de vocês para matar os restantes líderes da Seireitei.
Byakuya tremeu com a anunciada traição, percebendo que a morena não mentira. Isso era algo grave, havia um traidor entre eles que causava distúrbio entre os mundos. E a intrusa, sua cunhada, foi quem os tentou matar. Byakuya manejou com a cabeça, indeciso. O que deveria fazer?
— Por vossa culpa… Eu passei fome… Me deram um tiro, fui torturada e quase morta. –O casal arregalou o olhar com a confissão.– Só uma pessoa me salvou e treinou. Sempre procurei minha irmã, e ele sempre escondeu a verdade… Que ela era aliada de um homem detestável que nos persegue… Por vossa culpa, eu posso perder a única pessoa que amei… Nunca poderei ter a porcaria de uma vida feliz com ele, ser livre, porque tive de matar para sobreviver, por vossa culpa!
Rukia gritava descontrolada, com lágrimas no rosto. Cega de raiva, acusava todos pelo sofrimento acumulado durante anos. Hisana soluçou com o que sua irmã tivera de passar, enquanto ela nada fez para a ajudar. Não queria aquele ressentimento entre elas, moveu-se para aproximar-se e abraçar a irmã quando Rukia ergueu um braço com uma arma na sua mão apontada à irmã mais velha. Byakuya tremeu com essa visão, preparando-se para ir até à esposa.
— Um passo, e morre.
Sua voz não tremeu ou hesitou. O líder da família nobre compreendeu que ela estava falando sério. Hisana a observava, não acreditando que a sua pequena irmã pudesse fazer algo assim, procurou a doçura no seu olhar, mas teve medo ao não encontrá-la.
— Rukia, por favor.
Ela só sabia matar. Mas ela apenas queria ser livre. Porém as cadeias do ódio a prenderam mais do que nunca no mundo do crime.
— Não seja idiota. Você não é assim, Rukia. –A morena arregalou o olhar com a voz atrás de si, surpreendendo os três presentes.
Sua voz a estava salvando da escuridão.
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