Notas iniciais
▸Chαppy falando… Surprise! Novo capítulo, e desta vez um tanto diferente do que costuma ser. Ichigo kawaii? Só vendo para crer! Agradeço os favoritos e comentários*/

As nuvens incolores navegaram pelo extenso céu, acompanhando do trovejar dourado que cintilava sobre os céus, anunciando uma perigosa tempestade. Um clima pouco previsível para a estação florida, que naquela manhã assemelhava-se a um dia tranquilo.

— ...Ichigo?— Balbuciou, quando o braço subiu seu ombro, contornando seu pulso, agarrando carinhoso seus dedos, abaixou a arma, retirando-a de suas mãos. Esse seu gesto deixou-a estática, porém foi isso que a fez notar as várias ligaduras em seu braço, recordando de que ele devia estar em repouso absoluto. — Seu idiota! O que pensa que está fazendo? Esqueceu que quase morreu, devia estar descansando!— Gritou furiosa.

— Que Coelinha mais nervosa. — Ichigo sorriu, sacudindo os ombros calmo, sem sucumbir a uma expressão de dor quando Rukia virou-se para o encarar.— Estou ótimo, não está vendo? Uma bala não me mataria.

— Idiota arrogante! — Rukia grunhiu entre dentes, socando a cabeça alaranjada, deixando Ichigo irritado.

— Baixinha ingrata! Está vendo isso aqui?— Apontou para as ligaduras bem feitas, apertadas desde seu abdómen até os braços.— Foi para salvar sua vida, podia ao menos mostrar alguma gratidão, que tal um "obrigada Ichigo, por me salvar."— Falou com ironia, imitando a voz mais grave de Rukia.

— Eu nunca lhe pedi que me salvasse, eu tinha tudo controlado. — Rukia arqueou o nariz, arrogante, cruzando os braços no peito. Ichigo ficou mais enraivecido com sua teimosia, porém até considerou engraçado, quase riu divertido. Quase.

Em outras circunstâncias, aquele reencontro seria romântico. No entanto, nem as aparências causavam essa impressão falsa. Ichigo estava visivelmente fraco, com uma camisa totalmente aberta, deixando descoberto todo o seu peito enfaixado, com certeza a veste justa apertada iria causar dor. Inclusive, seu corpo estava praticamente todo apoiado na perna direita, quase cambaleando pelo esforço que fazia ao manter-se naquela posição. Por sua vez, Rukia estava perturbada, sua atitude exagerada de fazer escândalo era uma forma de esconder sua preocupação extrema pelo estado do ruivo ferido. Ela aconchegou-se debaixo de seu ombro esquerdo para que este se pudesse apoiar melhor sobre ela. Gentilmente, abraçou-o pela cintura, obrigando-o a endireitar-se ao notar que este não colocava o real peso sobre ela para não a forçar. Ela odiava aquele proteccionismo hiperbólico que Ichigo lhe dava, ela não era uma boneca que se partia a qualquer contacto ou uma roedora que era sempre vulnerável.

Hisana assistia curiosa, e abismada, perante a mudança radical da irmã mais nova por causa daquele homem. Aquelas brigas deveriam ser usuais, e confessava que se não fosse a tensão existente ela acharia graça e iria rir. Byakuya aproximou-se da esposa, ambos prestando atenção no invasor ruivo. Pela grande familiarização entre eles, os ferimentos e as palavras anteriores de Rukia, aquele seria o chefe dela. O homem que ordenou o atentado à Seireitei, um sujeito perigoso portanto, rapidamente classificou o Kuchiki.

Discretamente, escondendo o braço nas costas de Hisana, faz um sinal a uma empregada da limpeza, ordenando que chamasse rápido os guardas. O tilintar das espadas sendo desembainhadas surpreenderam os presentes, excepto Byakuya. Rukia rapidamente preocupou-se ao notar o considerável número destes, Ichigo estava machucado, não tinha como ele defender-se deles todos, e ela não conseguiria ajudá-lo estando também ocupada. Hisana entreolhava ora Rukia ora os guardas, não sabia o que deveria fazer. Acima de tudo ela era sua irmãzinha, o bebé que criou, ela não poderia ir presa por a ter abandonado anos atrás.

— Byakuya-dono, por favor… Deixe-os ir…—O murmúrio da esposa fez com que ele repensasse suas atitudes, suspirando derrotado. Se ele os deixasse fugir agora, seriam designados de inúteis, e se por acaso se descobrisse que eram os responsáveis pela bomba, poderiam ser considerados cúmplices de tal acto, sobretudo se o ataque veio encomendado por alguém da Seireitei.

A resposta para o dilema de Byakuya veio mais cedo do que se previa, arregalando o olhar negro surpreso, ao constatar Rukia erguendo os pulsos a um guarda para a prenderem, entregando-se. O líder nobre constatou que aquilo era para o ruivo conseguir fugir, e seu espanto aumentou ao notar que este não pretendia fazê-lo... ela era apenas uma subordinada dele, por que se importava tanto afinal? Rukia estava ansiosa e nervosa por ver que o Kurosaki não pretendia escapar, mesmo ela fazendo sinal disso. Ichigo estava doente, precisava de apoio e se fosse preso com certeza não o receberia. Iria ofende-lo e gritar até que desaparecesse da mansão Kuchiki, ela poderia distrai-los enquanto ele escapava, porém, ele para surpresa geral sorriu, aproximando-se de Rukia, a abraçando pela cintura afastando-a do guarda que ia algemá-la. O guarda ia protestar, contudo ele o encarou de forma gélida, fazendo este recuar uns dez passos com medo.

— Tanta confusão por apenas uma visita cordial, Kuchiki-san? Rukia é uma Kuchiki, lhe deu o seu apelido, certo? É crime invadir a própria casa, ou pelo menos onde a irmã vive? —Ichigo riu jocoso, atenuando a situação, causando confusão nos guardas e pânico por quase prenderem uma nobre. Não permitiu que Byakuya respondesse, alterando ligeiramente seu ar brincalhão para mais sério e autoritário. Defrontando, sem receio, directamente o líder da família.—E, além disso… Rukia é a mulher com quem escolhi casar, ela apenas me acompanhou numa visita à Seireitei, mas perdi-a de vista.

O recontro espelhou-se em todas as faces perante as palavras de Ichigo. Os olhos arroxeados de Rukia brilharam perante tal ideia, casamento? Ele estava falando sério? Desviou o olhar para ele, sem saber se estava feliz por ele querer casar com ela, ou furiosa por ele nem ter feito um pedido decente! Byakuya e Hisana prestaram mais atenção no casal à sua frente, reparando em cada mínimo detalhe, analisando-o. O Kuchiki manteve-se indiferente ao discurso matrimonial do ruivo, soando gélido em seu tom.

— Não percebo onde quer chegar com esse disparate. Não me comoveu, vocês entraram em minha casa sem autorização com armas.

— Byakuya, Byakuya…—Ichigo gargalhou, soando o nome do outro jocoso, irritando-o por o tratar tão informalmente, era uma falta de respeito gravíssima para um nobre. Rapidamente, o Kuchiki descobriu que odiava aquele sujeito. Ichigo aumentou a pressão na mão na cintura de cintura, ao prosseguir.— No dia em que ousar tocar na mulher de um nobre pertencente da família Shiba, nesse mesmo dia, eu destruo e declaro guerra ao clã Kuchiki.

Hisana encarou com horror a ameaça ao marido, o observando deparando-se com este totalmente abismado, o estado de Rukia era quase idêntico. Ichigo era nobre. O Kuchiki tentou recompor-se rapidamente, mantendo sua compostura indiferente.

— Quem é você, garoto?

— De repente lembrou-se da boa educação e quer saber meu nome? Agora que não sou um habitante de Rukongai, é que se interessou por mim? —Ichigo ria, divertido com a feição irritada do moreno, enquanto Rukia escutava atentamente o ruivo.— Shiba Ichigo. Mas prefiro seguir a escolha do meu pai, e usar o nome da minha mãe, Kurosaki Ichigo.

Rukia estremeceu com a pronúncia do apelido nobre. Ela sabia da morte dos pais e irmãs de Ichigo, mas nunca pensou que ele também pertencesse àquele mundo… Por que ele preferiu o crime? Foi quando ela começou a recordar suas palavras anteriores a Hisana, ela também acabara de escolher o crime face à nobreza hipócrita.

Alguns guardas estavam hesitantes, se deveriam ou não prender a morena. Ichigo os recriminou, colocando-a debaixo de seu ombro, a afastando deles.

— Não volto a repetir, nem se atrevam a tocar na minha mulher. —Proibiu, os assustando, e envergonhando a Kuchiki pela forma como este a estava designando.

Byakuya não era idiota, e Ichigo previu isso. Seu nome real não valia nada, seu pai foi contra as regras sendo banido, porém isso nunca se provou logo a família Shiba ainda era considerada nobre. No entanto, se fosse ao tribunal da Seireitei com as provas evidentes que iriam surgir seria expulso. Ainda assim, Byakuya não podia fazer isso naquele instante, dando-lhe tempo para escapar com Rukia. O líder da família Kuchiki remeteu-se ao silêncio, acenando aos guardas para estes se afastarem e deixarem-nos partir. Hisana sorriu satisfeita com o esposo, mesmo estando cabisbaixa por aquele reencontro trágico.

Ichigo recuou juntamente com Rukia, desconfiado. Observando várias direcções, discreto. Não podiam ser seguidos.

— Rukia! —Hisana gritou pela irmã, na esperança de esta lhe sorrir antes de abandonar a mansão, convicta de um outro encontro, em melhores circunstâncias.

A morena olhou para trás, com lágrimas rolando em seu rosto, murmurou sabendo que esta não escutaria.

— Adeus, Hisana-nee-chan.

O muro que dividia os dois mundos, separou as duas irmãs.

Escondendo o tom arroxeado sobre as pálpebras, seguiu o seu chefe, desiludida. Longe de olhares curiosos, Ichigo colocou a mão no rosto dela e sorriu meigo, numa tentativa de a animar, acabando por a deixar constrangida, não estava habituada a um Ichigo tão carinhoso como este que estava conhecendo.

—Sabe eu não estava brincando, eu quero mesmo que se torne minha esposa. —Aquele sorriso, acompanhado de um ténue rubor em Ichigo...

Aquilo foi um pedido de casamento?

Notas finais
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