Simplest Mistake

3 Nublosa Incerteza


Notas iniciais
Oláa! Não era para estar a postar tão cedo novamente, mas meu coração se abriu perante os pedidos dos leitores. Quero agradecer muito o apoio que me tem dado, e espero não decepcionar. Desfrutem da leitura*

O pior dos massacres é que estes começam por ser um dia aprazível, atraindo inúmeras pessoas a passear descontraidamente. Tendo as barreiras baixas se tornam alvos fáceis para os mais desagradáveis eventos futuros.

Tiros irromperam pelo campo quando alguns adolescentes jogavam descontraidamente e enquanto outros praticavam desporto. Os gritos agoniantes ecoavam aumentando o pânico e volume progressivamente. O terror estava assinalado no rosto de cada um, que corriam o máximo que suas pernas permitiam para salvarem suas vidas.

Entre a imensidão populacional onde se instaurou a confusão, uma jovem que assistia os outros praticarem seus jogos, usufruindo do calor reconfortante, agora encontrava-se estendida no relvado. Inesperadamente, ela escutou um som perturbador. Não soube atribuir-lho à sua origem, no entanto quando algo potente perfurou seu ventre, atravessando-o, imaginou o que seria. O líquido escarlate humedeceu a grama na qual seu corpo desnutrido se encontrava.

Seus peculiares olhos violetas encararam o céu nebuloso azul em transe, porém seu contacto visual fora interrompido por uma figura que surgira sob si, tapando a paisagem que antes observava, obrigando-a a corresponder ao seu olhar. Apertou sua mandíbula quando conseguiu captar perfeitamente o olhar de um ruivo misterioso dirigido a si. Definitivamente, ela esteve no lugar errado à hora errada.

Alto e atlético, não aparentava seus dezasseis anos. Olhos avelãs de uma cor ingénua e pura, porém transmitiam uma assombrosa frieza que congelou por instantes a hemorragia da jovem. Ela tentou falar mas não conseguia, o olhar dele a analisava lentamente enquanto claramente a mente deste divagava sobre algo incógnito. Não encontrou um único requisito de perversão e isso a aliviou momentaneamente. Apesar da desagradável situação seus olhares pela primeira vez navegavam um no outro, numa exploração mútua. Naquele momento, todas as desavenças que os rodeavam tinham encontrado o seu lugar nos confins do Inferno, suficientemente distante dos dois jovens.

– Você é resistente.

Ela não saberia se devia tomar esse comentário como um elogio. Afinal, ela estava severamente ferida no solo e ele nem se designava a deixá-la morrer só? Ela já conhecia a solidão em vida, não deveria ser muito diferente na morte também. Talvez ela até lhe estivesse grata por ele lhe dirigir a palavra, ao menos sua última visão seria uma pessoa, e não a suposta movimentação das nuvens no céu azulado.

Ela reconheceu a feição do misterioso rapaz. Conhecia os actos condenáveis daquele ruivo encantador, e por isso sabia que ele não a salvaria. Contudo, mesmo tendo esse conhecimento sentia a vontade absurda de discutir com ele, chamá-lo de “idiota”… Em seu íntimo, ela sabia que só queria um motivo para poder conversar. Sair da solidão que estava submersa desde que sua memória viajava no tempo. Nunca chegara a pronunciar uma única palavra, nem fora necessário. Sua face era extremamente expressiva demonstrando o que esta pensava.

Descodificando a linhagem dos pensamentos da jovem, este riu largamente, enquanto estendia seu braço esquerdo rasgando, com a mão direita, a camisa que utilizava. Apesar de esta encontrar-se em farrapos e com diversas manchas avermelhadas. Usou essa parcela de tecido negro para amarrar envolta do abdómen dela que a bala ferira impiedosamente, que provinha da organização oposta à qual o rapaz pertencia.

– Você teve sorte. A bala saiu logo, será menos doloroso.

Apesar de delicado e cuidadoso, o toque no machucado rebuscou uma dor superior de quando fora atingida. Grunhiu de dor porém não cedeu às lágrimas o que atiçou a curiosidade do ruivo. Mulheres eram mais sensíveis às emoções, por isso choravam mais facilmente, principalmente em momentos de profundo sofrimento. Contudo isso não aconteceu. Os movimentos hábeis e experientes finalizaram a atadura, fazendo a morena suspirar de alívio.

Ela não agradeceu, suas cordas vocais estavam mudas. Recusavam-se a funcionar. Porém, ele não parecia interessado em escutar agradecimentos da pessoa que salvou. Limitou-se a segurá-la, protectoramente, em seus braços e carregá-la. Por momentos pensou que ele a levaria para um hospital. Apesar de estranhar tamanha amabilidade e cortesia de um assassino, intitulado o novo chefe do maior clã das redondezas.

– Kurosaki Ichigo.

– Eu sei, você está afixado por todos os cartazes da cidade.

Pronunciou-se com dificuldade, rouca pela ardência que acalmava ligeiramente. Ichigo riu descontraidamente e isso abriu a curiosidade da morena que sentiu que brincava com a caixa de Pandora. Queria conhecer aquele rapaz e fazer-lhe perguntas, mas temia que ao permitir sua curiosidade avançar, iria abrir a caixa transportadora do maior mal que dominaria sua vida.

– Uma coelha como você deveria ter mais cuidado. É uma presa fácil.

Rukia o encarou fulminante, ele parecia desinteressado em conhecer seu nome, em vez disso o substituíra-o por um nome designado a um animal! Podia estar-lhe eternamente grata por a ter salvado mas isso não significa que ela gostasse daquela alcunha. Apesar disso, foi inevitável ficar ligeiramente ruborizada porque seu amor por coelhos era inquestionável. Incrível as capacidades dele em persuadir sua mente, para que esta sem sua autorização revelasse seus segredos. Achava-os extremamente fofos e sempre se rendia a essa característica dos pequenos animais. Talvez até compartilhasse algumas semelhanças com eles, num mundo cruel onde a lei do mais forte domina a cadeia alimentar, os mais fracos eram considerados os de baixa estatura cuja aparência é designada frágil.

O jovem Kurosaki estava consciente que seria um eventual erro trazê-la consigo, para o seu mundo de pecados. No entanto, tinha um pressentimento que ela seria-lhe útil. E ele nunca falhava. Mesmo que se envolvesse demasiado com ela, seria uma entre tantas. Com certeza não seria a sua ruína.

O destino orquestrou uma grandiosa peça para que estas duas personagens se encontrassem e nunca mais se afastassem. Assim como a força da gravidade criara a relação entre os homens e a Terra (planeta onde a lixeira humana se concentrava), também pela intensidade do momento em que se conheceram, os laços entre o casal nunca seria quebrada.

O condenável nos seres é a sua dualidade na personalidade. Alguém pode ser a melhor pessoa do mundo, e a pior em simultâneo, dependendo da situação. A máscara da hipocrisia é o recorrente das pessoas comuns… Só alguns não temiam revelar sua essência negativa, aquela que todos tentavam esconder sob disfarces: a organização em Karakura liderado por Kurosaki Ichigo, na qual recebera um recente membro pelos braços do chefe.

Rukia Kuchiki, quando recuperou totalmente, somente com os treze anos cumpridos começa a ser treinada pelo próprio Ichigo para eliminar seus adversários. Contudo, ela não gostava de matar. Apesar de ela ter tentado inúmeras vezes fugir nunca obtivera êxito, sempre era descoberta em uma semana, no melhor dos casos. Não compreendia como o seu chefe, sendo ele tão novo, para o ramo em que está, tendo tantas mulheres rendidas ao seu charme irresistível a escolhera a ela para aquele papel.

Todos os dias praticava imensos e variadíssimos exercícios. Exercitava e desenvolvia os músculos de seu corpo como uma verdadeira arma humana, acabando consequentemente aperfeiçoando sua beleza sensual. Treinara sua apontaria com diversas armas de fogo e aprendera a lutar devidamente. Para nunca fracassar numa missão nem ceder perante torturas, fossem elas psicológicas ou físicas. Não que Ichigo permitisse a situação chegar a tais extremos.

Ele sempre a protegeria. Mesmo que ela já o soubesse fazer autonomamente.

Kurosaki era um sádico humorista. Sorria assistindo as vítimas se esvaziando em seu sangue na sua frente porém um lado protector, que ele nem sabia que possuía, fora despertado pelo brilho violáceo de determinados olhos.

Ele não era diferente com Rukia. Só que parecia mais humano ao seu lado. Ela puxara o melhor que ele tinha em si. E raramente demonstrava isso a outros. Normalmente, só os seus companheiros da organização usufruíam de tal privilégio de efeito temporário.

Fora uma questão de tempo até a própria se render ao ruivo exótico. Ela deixara de tentar escapar, aprendeu a sobreviver naquela vida e manteve as relações harmoniosamente com seus colegas. E através de árduos treinamentos, com o decorrer dos anos ela alcançou o topo e tornou-se o braço direito do temido Kurosaki. Magoá-la, era pior que atentar contra o líder ruivo.

Os raios cintilavam, trovejando entre o céu escuro, anunciando uma noite húmida se não inundada. Após uma missão concluída com êxito Rukia situava-se na entrada de uma gruta, escondendo-se da polícia que a procurava por o assassinato de um milionário que roubara seus trabalhadores, com Ichigo encostado na parede rochosa atrás de si. Ela encarava o céu nublado. Após longos sete anos matando inocentes e outros culpados, estava farta daquela matança e só queria recomeçar sua vida como alguém normal. Planejava uma fuga, a primeira após anos atrás todas terem sido fracassadas vergonhosamente, sabendo que o cargo que ocupava seria condenada como traidora e possivelmente seria morta se fosse descoberta. Mas a possibilidade de conseguir a excitava.

– O que você tanto pensa?

– O céu… A qualquer momento pode chover. É tão imprevisível este tempo de Inverno.

– E depois? O que tem isso de especial?

Rukia olha para ele, e por um momento sentiu-se culpada de um dia abandoná-lo. Como ela conseguiria viver sem aquele que durante esse tempo todo a protegeu? Seria uma vida incerta e agoniante sem ele ao seu lado. A menina sonhadora, que ainda habitava nela, acreditava que um dia eles podiam viver felizes, andando normalmente pela calçada das ruas desfrutando de um harmonioso passeio, como um casal romântico normal. No entanto, a realidade duramente lhe recordava a verdadeira essência daquele que possivelmente amava.

– Minha vida é a incerteza da chuva de inverno.

Inerte do segundo sentido daquela frase, Ichigo não descodificou o significado daquelas palavras. Rukia, reunindo a coragem que precisava, consegue escapar após três meses daquela conversa e manter-se escondida durante um ano até ser novamente capturada pela pantera azulada. Seus pecados sempre a iriam perseguir e acorrentá-la àquele homem que a fascinou desde o primeiro momento.

Era uma escolha difícil para a pequena Kuchiki: viver ao lado daquele que estava dependente ou uma vida normal e descontraída que desejava? Dois sonhos, e só um podia perdurar. A pior decisão era aquela que obrigava escolher uma de duas coisas que se ama.

Notas finais
E então? Como me saí? Mereço o comentário de meus leitores atenciosos? Eheh Bom, eu vou deixar de fazer os preview's a pedido de alguns leitores e informo que aqueles comentarem podem fazer um pedido relacionado com esta fic. Qualquer coisa: desde coisas que gostassem no enredo, postagem de um capítulo mais rápido ou num dia determinado... Qualquer coisa. Desde que seja algo aceitável, eu faço :) Beijinhos, Beijinhos!