Simplest Mistake

12 Ciência Psicótica


Notas iniciais
Oláa pessoal o/ É um imenso orgulho eu conseguir actualizar "a horas" pelo menos esta fic. Todas as minhas fics, menos esta, estão paradas.. Uma vez que os estudos não me dão tempo para muito mais. Ou seja só vou conseguir actualizar uma fic de cada vez mensalmente. Atenção, não vou abandonar nenhuma fic, só estou a informar que por enquanto esta será aquela que será actualizada regularmente. Peço desculpa se o capítulo não for do vosso agrado, tive de o fazer muito rapidamente e revê-lo ainda mais porque tenho um trabalho para entregar. Qualquer erro me perdoem.. Desfrutem da leitura*

Rabugento, o sol iniciou mais uma alvorada. Descontente com seu árduo trabalho matinal, acalorou muito mais que o usual a temperatura, como se descarregasse sua fúria nos seres que habitavam o planeta azul que precisavam de seu brilho para viver.

De humor semelhante à estrela do dia, o chefe da organização despertava após a longa noite chuvosa. Inicialmente não se movera, mantendo sua face pressionada contra as almofadas, recusando-se a encarar suas obrigações mesmo sabendo que teria de as cumprir.

– Malditas manhãs.

Ao abrir preguiçoso o olho esquerdo pode deparar sob pequenos feixes de luz, Rukia estendida sob seu peito, coberta parcialmente por um lençol alvo. Perdeu-se algum tempo, analisando o contraste entre sua pele branca e o cabelo negrume brilhante. Sorriu ternamente, quando esta ainda antes de ficar consciente já começara a resmungar. Quando ela coçava os olhos, ele optou por provocá-la. Não conseguia imaginar sua manhã começando melhor sem ser desse jeito. Alguns mal despertavam optavam pelo silêncio face ao barulho para este não latejar fortemente em sua cabeça posteriormente, mas o Kurosaki preferia a escandalosa voz, de algum jeito interessante isso não o incomodava, nem quando acabara de acordar.

– Sabia que você baba enquanto dorme, Coelhinha?

– O quê? Ichigo? Eu não faço isso seu idiota!

Ichigo alargou seu riso jocoso, erguendo-se e começando a vestir-se, algo apressado. A Kuchiki o encarou opaca. Ao início ficou surpresa por este levantar-se sem nada dizer contudo depois começou a imaginar os motivos.

– Você vai encontrar-se com ele, não é?

– Sim. É um cliente exigente e bastante complicado, mas é útil.

– Não consigo compreender… O que ele ganha com a destruição parcial da Seireitei sendo ele um dos membros das doze famílias principais.

Ichigo acabara de vestir a última peça de roupa, pensando sobre a questão da mulher. Isso também o alertara. Afinal, poderia ter sido uma artimanha para apanhar os elementos de sua organização no entanto após averiguar cuidadosamente, entendeu os motivos ocultos do indíviduo duvidoso.

– Problemas relacionais entre os membros principais de cada família. Nomeadamente, com Kenpachi Zaraki. É tudo uma questão de poder.

– Faz sentido.

– Não penses nisso Coelhinha, afinal isso não é da nossa conta.

– Mas somos nós que fazemos o trabalho sujo deles.

Talvez soara áspera demais, quase acusatória porém não era essa a sua intenção, não para o Kurosaki. Ele suspirou longamente, não queria discutir no entanto isso era quase impossível até a morena não aceitar a realidade à sua volta.

– Rukia, o mundo é desse jeito. Não há bondade, nem compaixão. Só morte. Aprenda isso rápido para evitar decepções futuras.

O ruivo dirigiu-se à porta, a abrindo, sentindo o olhar violáceo cravado em suas costas. Ficou integrado em não ter recebido nenhum comentário revoltante da mulher pequena, por isso pensou que ela talvez também não quisesse discutir logo cedo.

– Você me salvou da morte Ichigo. Acho que posso então ter esperança que outras pessoas o façam, mesmo sendo assassinos.

Por um momento, ele ruborizou intensamente, perdendo inclusive a força nas pernas, apoiando-se discretamente na porta enquanto a encarava sob o ombro, reparando que ela voltou a deitar-se sonolenta, adormecendo em seguida.

Rukia era uma criança.

Sua sinceridade de certa forma conseguia ser assustadora e poderia causar danos arrebatadores. Sempre brigavam infantilmente, e por vezes, mais violentamente; todavia em ambos os casos, em certas ocasiões, com um olhar puro ela o elogiava, sem maldade ou excitação, só ingenuidade.

De um jeito tão cálido, que o fazia arrepiar.

Ele não compreendia, como seu mundo não a conseguia corromper. Não que ele desejasse isso, porém era algo que lhe fazia confusão. Optou por simplesmente fechar a porta com cuidado para não a perturbar, deslocando-se até sua sala, onde certamente alguém já o estaria esperando.

– Acordou cedo, Kurosaki-san. Não sabia que o senhor gostava de madrugar.

– Não me enche o saco, Urahara. O que quer?

– Que bom humor… A noite não foi agradável?

O ruivo sentiu veias saltarem em sua testa, suspendo a respiração para não irritar-se. Encarou fulminante o responsável pelos explosivos de sua organização. Descobrir coisas novas era um divertimento para este, através de coisas existentes criar outras mais bizarras era o auge do seu prazer. Principalmente quando envolvia sons sonoros e cores diversificadas. Seria uma ciência usual, se não fosse pelo facto de este introduzir conceitos como alcançar o experimento perfeito e mais bem-sucedido, um claro contraposto a todos os outros investigadores científicos que pretendem permanecer numa buscar eterna sem encontrar nada perfeito, só melhor que o anterior.

Urahara Kisuke. Um excelente trabalhor, responsável, obediente e respeitoso… Contudo, extremamente inconveniente e intrometido. Apesar que tinha de reconhecer que ele era um excelente observador. Um facto inegável.

Urahara divertia-se a desfrutar lentamente seus doces guardados em sua merenda, fazendo Ichigo revirar os olhos. Mudando de sua feição jocosa, o loiro peculiar demonstrou uma expressão mais séria e aterradora para quem estava acostumado somente com seu lado cómico.

– Ele encontra-se em sua sala. Parece aborrecido.

Ichigo ergueu uma sobrancelha, como esperando uma resposta mais concreta de Kisuke.

– Você já aprontou alguma das suas com ele, Urahara?

– Não, senhor. Ainda…

Ichigo cerrou os olhos, voltando a suspirar.

– Tudo bem. Só quando ele for embora, e nada de lutas entendido?

– Sim, não se preocupe Kurosaki-san. Está tudo controlado.

Em passos mortos, o ruivo se deslocou até a sua sala deparando-se com a visita indesejada, impaciente, rangendo os dentes.

– Não me recordo de termos combinado algo, Kurotsuchi.

– Não brinque comigo Kurosaki Ichigo, o senhor conhece o motivo da minha presença… E insatisfação.

– Infelizmente…

Estranhamente descontraído, Ichigo sentou-se em sua poltrona relaxando seus músculos enquanto era observado com cólera pelo seu cliente. Com extrema paciência, o ruivo tentou manter o diálogo cordial.

– O requisito central da missão foi concluído, as consequências desse mesmo trajecto não cabe a nós. A responsabilidade é sua por não ter previsto o restante.

Kurotsuchi Mayuri, líder científico da Soul Society, pertencente a uma das grandes doze famílias. Contratara os serviços do grande Kurosaki com o intuito de abater indirectamente um de seus inimigos e oponentes: Kenpachi Zaraki.

No entanto, na ocasião da explosão proporcionada por Kuchiki Rukia, o mesmo não se encontrava presente, saindo ileso para culminar a fúria infernal de Mayuri.

– Eu sou um cientista, tenho sempre uma alternativa para remediar todos os imprevistos que possam surgir.

Ichigo suspirou entediado. As disputas entre as famílias reais eram o mais comum que existia, e nunca desistiam de tentar dizimar umas às outras, quando supostamente elas deveriam existir para coabitarem, construindo um equilíbrio de paz mundial. Porém, isso era uma mera utopia.

– Voltarei outro dia, com mais pormenores. Fique atento senhor Kurosaki, voltarei em breve.

Sem dirigir um último olhar ou palavra, Kurotsuchi desapareceu tão rápido quanto aparecera nos aposentos do ruivo.

Mayuri dirigia-se para a saída da organização no entanto confrontou-se directamente com um velho conhecido, Urahara. Entre sorrisos irónicos e dotados de amargura, se cumprimentaram.

– Urahara.

– Faz muito tempo desde a última vez…

– Sim. Vejo que você continua igual. Um homem que pensa que conhece a ciência.

– Kurotsuchi-san, depois de um longo tempo sem nos vermos, pretende discutir?

– Não se trata de uma discussão, mas de factos. Para haver uma discussão algo tem que ser discutido, duas teses do mesmo nível.

Kisuke mudou ligeiramente seu sorriso, mais macabro. O desafio, o confronto, um novo saber… Tudo o estava a estimular.

– Continua a não crer na perfeição, Kurotsuchi-san?

– Isso é ridículo! Se há algo que me enjoa é a perfeição, o estado máximo das coisas, sem isso o cientista não tem razão para existir!

– Eu crio que a perfeição possa ser algo belo, sabe…

– Tolices.

– E se a perfeição tiver mais que um nível? E se a perfeição puder ser estudada? Nesse caso, só um cientista teria capacidade para a estudar. Essa é a minha função: descobrir e analisar as coisas mais belas, as melhores. E obviamente só o melhor poderá cumprir essa missão.

Mayuri curvou as rugas de sua testa perante o debate que se acendia a cada palavra cuspida. Exactamente como da última vez, eles recusavam-se a dar a razão ao outro. Com um olhar céptico e egocêntrico, criam na sua infabilidade.

Os sons agudos de sapatos altos ecoaram pelo corredor, atraindo a atenção imediata dos dois presentes. Yoruichi Shihōin, possuidora de um corpo estonteante. A provocação era um ar natural em cada traço físico seu, desde a pele morena, aos longos cabelos exóticos arroxeados até suas íris douradas como as de um gato. De todos os membros, ela obtivera os melhores resultados em velocidade, nos mais variados sentidos, desde a corridas como respostas instintivas. Outro factor incrível era sua pontaria nas noites negras sem qualquer iluminação. Uma verdadeira felina, que via a morte para além dos mantos de carvão.

A conversa hostil entre os dois cessou quando a fisionomia de Yoruichi se tornou evidente. Eles não pretendiam chamar atenção por uma disputa daquele gênero. Em um ligeiro aceno, Mayuri se despediu do casal e partiu, rumo ao seu caminho.

Yoruichi alargou seu sorriso, caminhando extremamente calma, porém mantendo a sua elegância. Conhecendo o jeito típico de Urahara, ela não precisou de grandes explicações para compreender o ocorrido. Por sua vez, o cientista esboça uma compostura desajeitada e desentendida, como se fosse um completo inocente. Ela não se acanhou em seus seguintes gestos, já estava familiarizada aos mesmos. Puxou brutamente a gravata incolor de Kisuke, o pressionando contra seu próprio corpo. Aproveitando essa mesma aproximação, a Shihōin com seu calcanhar, o erguendo, arrastou-o até à cintura entroncada do loiro.

– Sabe… Há uma outra coisa a acrescentar em seu relatório, Yoruichi-san.

– E o que seria?

– Excelente equilíbrio.

Com sua face curvada num sorriso perverso, Urahara exerce uma moderada pressão, desferindo um tapa na nádega de Yoruichi. Esta não se surpreendeu com o repentino toque, antes se enroscou no pescoço do loiro, ronronando, empinando seu traseiro contra a mão que prosseguia no local.

– Você não tinha trabalho no laboratório, Kisuke?

– Sim, e por acaso precisava de um ajudante para uma tarefa muito importante.

– Estarei à altura desse cargo?

– Você será a pessoa indicada, Yoruichi-san.

Kisuke num enlaço possessivo, circulou com seu braço esquerdo a cintura delgada da mulher com olhos de felino. Sem quebrar o agarro entre eles, em passos vagarosos mas firmes, dirigiram-se até o laboratório do loiro.

– Aqueles dois não tem mesmo vergonha.

Escondidas, descuidando de revelar suas presenças, Rukia e Nelliel espreitavam o momento íntimo do único casal assumido da organização. Sem requisito algum de maldade, a mulher de madeixas esmeraldas cintilantes, comenta uma comparação “pertinente” que, no entanto, não fora bem aceite pela outra.

– É como você e o chefe, Rukia-san!

– O que dizes Nell!? Não tem nada de parecido entre nós e eles!

A Odelschwanck gargalhava descontraída, fingindo não perceber quer o nervosismo da morena, quer suas palavras portadoras de um segundo sentido. A Kuchiki encolheu a cabeça entre os ombros, numa tentativa falha de omitir todo o seu desconforto com o comentário anterior.

– Partilho da mesma opinião. Você e o chefe bem que poderiam ser mais discretos e fazer menos barulho, ao menos todos poderiam dormir sem perturbações.

– De onde raio saíste pantera!?

– Da porta. Se não estivessem a espreitar a vida dos outros teriam percebido isso.

– Gimmy-kun está com ciúmes por não ter namorada!

– Não digas asneiras mulher!

A coloração rósea tornou-se típica na pantera sempre que se encontrava na companhia da esbelta comparsa Nelliel. As discussões, rotineiras, era um cómico confronto de personalidades divergentes, a aura assassina versus um jeito peculiarmente infantil exposto nos olhos mel.

Rukia se tornara invisível, porém os encarava sorridente.

Aquela mansão não era tão assustadora como aparentava. Só era um pouco fora do normal.

Notas finais
Obrigada a todos os que comentam e seguem minhas fics