Notas iniciais
Hoje vocês verão um lado mais fofo de Hakochi, que na verdade é um manteiga derretida. E depois tudo vai se acertar. Agora só falta um capítulo para o fim (sqn, pois a série ainda não acabou)

O choro de Yuuto se perde num vácuo, não sinto mais seu corpo em cima do meu, me sinto flutuando no nada. Abro os olhos, estou mesmo flutuando, há estrelas a minha volta. Estou encolhida no meio delas, nas visto roupa alguma, sinto vergonha por isso. Pelo menos não tem ninguém olhando.

Ou tem?

Olho em volta.

–Parece que você está morrendo – há um homem conhecido caminhando no ar.

–Hakochi? – me encolho mais, ele não pode me ver assim.

–Vai desistir da vida? – pergunta ele.

–Eu não queria... – me lamento – Sou tão fraca... E justo quando alguém me quis...

–Aquele garoto ridículo?! – Hakochi ri.

–Yuuto é com certeza melhor que eu demônio como você! E falando nele... Você quase o matou, não é? – lembro.

–Mas não o matei, vi que você gostava dele.

–Por que está aqui? – mudo de assunto – Achei que não pudesse morrer.

–Ninguém morreu, mas se você não quiser viver morrerá – avisa ele.

–Como vou voltar?

–Estou decepcionado.

–Por quê? – fico confusa.

–Você não me deu asas – responde.

–E como é que eu faria isso? – questiono.

–Todos fomos enganados. Sabe?

–Por quem?

–A parte vazia de Nightmare – explica ele.

–Como?

–Ela mentiu ser Kami – conta Hakochi – No fim essa hipócrita fez uma confusão.

–Então eu morri pra nada?! – me indigno.

–Você ainda não morreu – nega ele.

–Quero voltar! – choramingo.

–Me ajude – pede Hakochi – Me dê asas novas.

–Mas como?!

–Sabe como as perdi?

–Disse que foram os humanos, há onze anos.

–Sim – afirma ele andando sinuosamente – Mas eu não teria saído do Inferno se não fosse por você.

–Por mim?

–É, eu soube que você tinha desaparecido ia procurá-la – confessa.

A posição fetal em que estou já está se tornando incômoda, mas não ouso me mostrar pra ele.

–Eu sabia que você me odiava – continua Hakochi – Mesmo assim, nunca deixei de amá-la.

–Quê?! – não creio, pode muito bem ser mentira.

–É claro que ainda a amo – ele se aproxima.

Quero me afastar, mas se eu me mover...

–Lembro como se fosse ontem de quando nos amávamos – fala ele.

–Por favor, me diz como voltar! – suplico.

Hakochi toca levemente meu rosto, fecho os olhos, estou com medo.

–Nós dois somos odiados pela humanidade, somos invasores, injustiçados, nos tornamos demônios – ele segura meu braço – Somos feitos um para o outro Night...

–Não! – grito – Não me toque!

–Nightmare...

–Não dou Nightmare! – discordo – Meu nome é Hikari.

–Hikari? Não é um nome muito apropriado pra você – comenta ele.

–Desculpe, mas... Yuuto está me esperando.

–E se não estiver?

–Ele está – afirmo tanto pra ele quanto pra mim – Por favor, me faça voltar!

–Tudo bem – concorda Hakochi – Mas... Se você puder, por favor, pode me fazer voar novamente?

–Se eu puder – aceito.

Um líquido negro cai dos olhos de Hakochi.

–Que é isso? – pergunto – Que está havendo?

–Ah, estou chorando – explica ele – Tenho tanta saudade de voar pelos céus, sentir o vento, ter aquela liberdade. E quando olho pra mim... Isso dói, sou uma anomalia aos olhos de outros demônios, eles riem e me lembrar como sou idiota por ter acreditado e amado um humano.

Hakochi se vira e continua a história:

–Conheci um humano, ele não parecia mau, me acolheu. Ou pensei ter sido acolhido. Caí como um tolo em sua armadilha. Vários humanos estavam me segurando, tinham injetado um soro de paralisia em mim, ele me fitava friamente sem remorso enquanto eu chorava em desespero pela dor de ter minhas preciosas asas arrancadas.

–Falando assim tenho até pena de você – falo – Vou te dar novas asas, eu prometo.

Ele me olha sorrindo.

–Já me deu.

Hakochi fecha os olhos e começa a flutuar pra cima, minha visão se torna embaçada, mas vejo que suas asas parecem crescer de fato.

Então tudo fica negro. Ouço pessoas falando e sinto um peso em minhas pernas. Não pode ser que ainda estou na igreja.

Abro os olhos com um pouco de dificuldade e vejo que é Yuuto dormindo debruçado em mim. Mas não estou na igreja, nem estou ferida. Essa é a enfermaria do colégio.

–A senhorita acordou – a enfermeira coloca a mão em minha testa – Desmaiou do nada no meio da aula.

–Aqui é Janku? – indago.

Ela fica confusa.

–Teve um sonho?

–Onde estou? – questiono.

–Na enfermaria.

–Não, em que mundo?

–É você teve um sonho bem estranho – conclui ele – Estamos na Terra, ora.

–Voltei – suspiro.

Observo Yuuto.

–Ele ficou aí desde que você desmaiou – conta a enfermeira – É seu namorado?

–Não, Não! – nego corada.

–Hikari? – Yuuto abre os olhos – Hikari!

–Yuuto...

Ele fica paralisado um instante e depois me abraça choramingando:

–Hikari pensei que você tinha morrido por minha culpa! Fui horrível! Você estava sangrando tanto!

–Yuuto, você lembra? – me surpreendo – Do que houve em Kusatta Kankyo?

–Claro – afirma ele – Me desculpe! E ainda pensei que me tornaria Kami. Que será que aconteceu?

–Ela não era o verdadeiro Kami – explico.

–Por isso... – Yuuto esfrega o rosto em meu peito.

Isso deveria me incomodar, mas é tão aconchegante...

–Yuuto é verdade?

–O quê?

–Que você me ama? – quero saber.

Alguém entra na enfermaria, Yuuto me larga rapidamente.

–Mizu? Mari? – ele está todo vermelho.

É bom vê-las de novo, e vivas. É meio estranho pensar que eu as tinha matado, mesmo que em Janku.

–Yuuto... – Mari e Mizu me olham com medo.

–Não se preocupem Hikari não vai machucar ninguém – Yuuto segura minha mão.

–Dare... – elas ainda estão com receio.

Levanto-me e elas ficam rígidas, preparadas pra correr se precisar.

–Meu nome é Hikari, prazer em conhecê-las – me apresento diferente da ultima vez, me sinto uma garota normal.

–Ela não é uma ninguém como pensava ser – Yuuto vai pro meu lado – Não é a reencarnação das trevas, Nightmare no Sekai. Essa é Hikari, uma garota normal de quinze anos, ou melhor, aquela que derrotou as trevas. Ela é a Luz.

Me emociono com suas palavras amáveis demais pra alguém como eu, ninguém nunca me deu tanta alegria. Lágrimas escorrem por meu rosto. Finalmente serei amada?

De repente as garotas correm e me abraçam chorosas:

–Desculpa Dare, quer dizer, Hikari...

–Fomos muito covardes pra te ajudar!

–Eu admito que menti sobre amarmos você. Por favor, nos perdoe!

–Desde que não mintam e me amem de verdade – proponho – Ah, como sou egoísta!

–Não, não! – elas negam – Seremos suas amigas! E mesmo que para os outros você seja uma ninguém, pra nós você é a Luz! Nossa Hikari!

Não consigo conter as lágrimas de emoção e pela primeira vez em anos, abraço alguém por conta própria.

–Eu consegui! – exclamo radiante – Encontrei tudo o que queria! Provei que existo!

Notas finais
Ah, lindo, né? Mas nem tudo acabou. E Thy? E Kitsune? E...Kami?