Simplesmente para Provar que Eu Existo...
15 Acabou...Ou Não?
Notas iniciais
Saímos rindo da enfermaria, parece até que Janku, Kusatta Kankyo, as mortes e minha loucura nunca aconteceram. Foi só um “nightmare” que devemos esquecer.
Minhas emoções se misturam, é quase como ter amigos pela primeira vez, apesar de tudo o que fiz em Janku, eles me amam de verdade. Sinto como se aquela Nightmare que possuiu meu corpo por um tempo tenha sido morta e agora estou livre para ser Hikari.
Acho que tudo está certo finalmente. Talvez de alguma forma tenha feito Hakochi recuperar suas asas, Yuuto derrotou nossa suposta “Kami”, todos estão sãos e salvos.
–Nightmare...
Me viro, Kitsune está me fitando com frieza.
–Kitsune... – desvio o olhar – Meu nome é Hikari.
–Hikari? – ele ri gozando – Nada a ver com você.
–Claro que tem! – discorda Yuuto – Se não fosse pela luz dela o mundo seria coberto por trevas!
–Ela é as trevas! – diz Kitsune – Não sei o que houve na igreja, mas...
–Desculpe – dou um passo à frente – Sei que fui desprezível! Te matei! Ri disso e o faria de novo... Porém aquela que fez isso morreu!
–Como? Você continua viva – fala ele.
–Eu sou Hikari – tento convencê-lo de que sou totalmente diferente de Nightmare – Me perdoe pelo que Nightmare fez, não sou assim, só quero... que as pessoas me vejam, me ouçam, me amem.
–Depois de ter matado milhões delas?!
Me ajoelho a seus pés.
–Faço qualquer coisa pelo seu perdão – digo – Não quero que ninguém me odeie. Se quiser pode até me bater...
–Não... – Yuuto se indigna.
–Deixe Yuuto – peço.
–Você não tem orgulho? – pergunta Kitsune.
–Só quero que lembrem de mim como uma boa pessoa e não como Nightmare – quase choro – Nightmare na verdade era uma covarde, ela feria por ter medo de ser ferida. Fui fraca e deixei o medo me dominar. Por favor, me perdoe! Não me odeie! Por favor!
Kitsune se ajoelha em minha frente e ergue minha cabeça, me olha ainda frio, analisa desconfiado pra saber se não estou mentindo.
–Nem parece com aquela louca que me matou – conclui.
–Você me perdoa? – indago com esperança.
–Vou fingir que nada aconteceu – decide ele – você não parece uma ameaça agora. Isso faz parecer que eu que fui mau ao querer te matar.
–Entendo seus motivos, mas Nightmare foi embora, nunca mais a deixarei voltar – prometo.
–Desculpe ter te condenado. Vamos ser amigos, talvez?
Sorrio, me levanto e agradeço:
–Muito obrigada!
–Eu que agradeço Hikari – diz ele.
Fico muito feliz por vários motivos, por ter conseguido seu perdão, ter conseguido sua amizade, ser chamada de Hikari...
–Ei, Kitsune! – a garota dos cabelos coloridos aparece.
–Ah, July!
Ele sai correndo como da outra vez, a garota corre atrás dele, os dois riem muito juntos.
–Parece que esse aí também já encontrou seu lugar – deduze Mizu.
–Conquistar uma garota fugindo dela...é a cara dessa raposa – comenta Mari.
–Aquele otário fez uma confusão só pra matar a Dare... Ops...Hikari – Yuuto sorri.
–Não preciso dele se tiver vocês – falo.
–Mas a Mari é minha! – Thy aparece repentinamente e abraça Mari.
–Thy?
–Ainda não sabe? Os três vão estudar no meu colégio – conta Thy egoísta – Nem deviam estar aqui aliás!
–Ah, então você é professora em outro colégio – assimilo.
–Não se preocupe Hikari, vamos visitá-la sempre que puder – assegura Mizu.
–Até parece que vocês estão mudando de cidade.
–É, o colégio é bem longe – dizem eles.
–Tomara que eu consiga fazer novos amigos aqui – desejo.
–Vai. Só não nos esqueça – pedem eles.
–Nunca.
Yuuto cochicha em meu ouvido:
–E não se apaixone por outra raposa traiçoeira de novo.
–Já aprendi a lição, e estou apaixonada por outra pessoa – sussurro de volta.
Yuuto se afasta envergonhado, ele sabe que essa pessoa é ele.
–Ah, antes de irmos embora – ele fala com Thy – Posso ficar um pouco com Hikari?
–Master? Tá – permite ela – Mas...
Antes de ela terminar a frase Yuuto pega minha mão e me leva pra longe. Vamos ao terraço do colégio.
–Por que...
Sou interrompida por um beijo repentino, não ouso afastá-lo, porque gosto disso de fato. Gosto muito...
–Desculpe por ter te feito passar por tudo aquilo em Janku – ele se desculpa depois.
–Nem acredito! – choro mais, como sou infantil – Pensei que você...
–Gostava da Mizu? – completa Yuuto corado depois do beijo – Ela não sente o mesmo por mim e depois de tudo descobri o que era aquele sentimento inquietante que sentia perto de você. Vou sentir muita saudade Hikari.
–Então você me ama mesmo? – questiono emocionada.
–Ainda é estranho. Sabe? Nunca tive uma namorada.
–Ah... – o beijo antes da resposta, tenho certeza que será “sim”.
Depois de conversarmos bastante, Yuuto parte.
–Tudo perfeito, não é?
Tomo um susto com a chegada desavisada de Morte.
–Parece que finalmente serei feliz – digo.
–Acho que ainda não – nega Morte – Por acaso Kami continua vivo.
–Ah, é – lembro – Mas...
–Acha que Ele vai deixar você em seu final feliz? Nenhum Kami quer o entediante final feliz dos protagonistas das histórias.
–Como assim? Você... – percebo algo -... você já foi Kami?
–Sim – afirma ela – E não é muito legal, você não sabe como é solitário, e o poder é viciante. Queremos mais injustiças, mas tristeza, dor, ódio... Somos verdadeiros psicopatas sádicos. Rimos do sofrimento alheio, pois é a única coisa que temos, isso é o que nos entretêm e nos diverte.
–Não entendo.
–É consumidor! Quase enlouqueci!
–Portanto Kami continuará fazendo injustiças?! – deduzo – Só para o seu divertimento?!
–Sim, claro. Todos abusam do poder que tem. Acha que Kami pensa no que faz para seus personagens? São só marionetes que o fazem rir. Ele só pensa em si mesmo, porque não é feliz, pensa que é só um teatrinho e nada além disso. Não percebe que está fazendo pessoas de verdade sofrer – explica Morte.
–Então ainda não estou segura?! – me apavoro.
Penso em meus amigos. Yuuto, Mari, Mizu...
Ouço o som das sirenes de uma...ambulância?
Meu coração pulsa mais rápido, o desespero me toma, eu poderia pular do terraço se fosse impulsiva. Saio correndo ofegando. Eles não podem morrer, eles não podem morrer!
Saio do colégio e corro pelas ruas desesperada. Chego ao local do acidente, fico incrédula com a cena chocante.
Bombeiros apagam o fogo de uma carro e um caminhão destruído. Há sangue, dessa vez de verdade, há sangue demais!
Pessoas são levadas em macas para a ambulância. Acho, não, tenho certeza: O acidente foi com meus amigos. Sim, vejo que aquela é Thy, e ali está Mari, Mizu...YUUTO!
Por quê? Por que eu? Por que só comigo?!
Uma folha de papel cai levemente bem em minha frente. Nela está escrito com palavras em vermelho sangue: “Desculpe-me”. Sei que é uma mentira, alguém está zombando de mim. Um jogo idiota, uma brincadeira de mau gosto. Aperto os punhos.
–Kami!
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