Simplesmente Viver: Anos Um e Dois
3 Severus Snape
Notas iniciais
Severus Snape
Siria estava no seu jardim à beira do grande lago onde costumava tomar banho. Esperava a resposta do director de Hogwarts a qualquer instante.
- Siria! — Gritou a mãe. — Siria, aparece, onde é que tu estás?
Pelo tom de voz da mãe, Siria depressa se apercebeu de que estava metida em apuros e deu por si a fechar os olhos e a pedir muito para aparecer no seu quarto. Siria sentiu uma sensação estranha no seu corpo e, passados uns segundos, abriu os olhos e viu-se no seu quarto tal e qual queria. Sorriu, se ao início tinha pensado que a magia poderia ser uma coisa perigosa, agora achava que era a melhor coisa do mundo.
Desceu as escadas e saiu para o jardim ao encontro dos seus pais e da sua avó Lindis. Porém, quando chegou lá, viu também uma pessoa desconhecida, um homem de cabelo e olhos pretos, alto e com uma cara como se estivesse ali obrigado. " Se calhar até está", pensou Siria. Pelo modo como a mãe olhava para o homem, dava para perceber que o conhecia, mas que não gostava nada dele. O homem simplesmente ignorava.
- Podes-me explicar o que é isto? — Perguntou-lhe a mãe, apontando para o homem que lhe mandou uma cara de desprezo. Siria compreendeu-o, não deve ser agradável ser tratado por "isto".
- Mãe, é apenas um homem com uma roupa esquisita. Não sei por que me perguntas a mim, vocês parecem todos conhecê-lo. — Acusou Siria, que já se tinha apercebido que o homem era feiticeiro. — Bom dia, senhor! — Cumprimentou ela com um sorriso agradável no rosto.
- Siria, este homem acabou de me dizer que tu fizeste uma coisa muito estúpida. — Declarou a mãe. Siria ficou escandalizada, pois apenas tinha feito o que necessitava.
- Milirian, ela foi a única da tua família que teve o bom senso de fazer o que estava correto. — Disse o homem severamente.
- Severus, tu estás a dizer que eu não fiz o correto, que a nossa família não fez o correto? — Perguntou ela friamente. — Nós só fizemos o que fizemos para a proteger. Quando Aquele Cujo Nome Não Deve Ser Pronunciado voltar, muita gente vai ser morta. Nós não queremos o mesmo destino para a nossa filha. — Disse ela, olhando para a filha. — Ela é o bem mais precioso que nós temos, mas ainda é muito nova para decidir o que é melhor para si.
- Mãe, eu não sou nova para decidir o que fazer. Tenho idade para ver o que é melhor para mim. Se o Voldemort vai voltar, porque haveria eu de não ir para Hogwarts? Não é o mais sensato aprender a defender-me se quero realmente sobreviver? — Perguntou ela decididamente.
- Como é que sabes de Hogwarts, como é que sabes da magia? Nunca te dissemos nada. — Falou o pai, que, ao contrário da mãe, não estava nada furioso.
- Foste tu. — Disse Milirian, acusando a mãe. — Nunca concordaste mesmo com que eu decidi acerca de nunca lhe revelar que somos feiticeiros. Sempre adoraste Hogwarts, não resististe ao impulso de lhe falar acerca da escola, tenho a certeza. Tu e o Albus sempre estiveram contra, velhos dementes.
- Milirian! — Falou Severus com um tom que fez prender toda a atenção nele. — Tenho a certeza que a tua estupidez não é hereditária, penso que seja única no mundo, por isso duvido muito que apenas o Albus e a tua mãe não tenham concordado com a decisão que tomaste. — Insultou ele, os outros pareceram concordar.
De repente, um balde de água foi despejado sobre Severus. Siria tentou convencer-se de que a culpa não era dela só porque tinha pedido muito que aquilo acontecesse, mas ela sabia que tinha provocado aquilo. Todos a olharam, concluindo que tinha sido ela a fazer aquilo. "Bolas!" pensou Siria. Snape secou-se, olhando repreensivamente para ela. Siria fez-se ingénua:
- Como é que isso aconteceu? — Perguntou ela. — Ah!, foi magia. Fixe! Quem é que fez?
- Foste tu, Siria. — Respondeu Gilbum. Siria baixou o olhar com um ar culpado. — Tu tens noção que provocaste a molha? — Perguntou ele surpreendido.
- É claro que tenho, pai. Aconteceu porque eu quis. Não deveria ter noção?
- Não, não devia, Miss Sfear, você não deveria conseguir controlar a sua magia, pois ainda não teve aulas e não tinha conhecimento de que a feitiçaria existia. Estou surpreendido por saber que sabe controlar mais ou menos a sua magia, embora ache muito grave ter tido o descaramento de me encharcar, tendo noção do que estava a fazer e sem nenhuma razão. — Disse Snape severamente.
- Olhe, eu não faço ideia de quem é que o senhor seja, mas, por mais erros que a minha mãe tenha cometido, o senhor não tem o direito de lhe falar assim.
- Eu não cometi erro algum. — Defendeu-se Milirian. — Eu fiz o que fiz por amor à minha filha. Mas amor é uma coisa que tu desconheces, não é, Severus? — Snape avançou ameaçadoramente para ela.
- Mãe, pára de dizer asneiras. Se te queres defender, não o faças atacando os outros tão cruelmente. As pessoas têm sentimentos.
- Depressa te aperceberás que esse homem não é uma pessoa, pois não possui sentimentos alguns. — Disse ela friamente.
- Pára, mãe, eu não quero ouvir mais nada, já foram disparates suficientes para um dia. E o senhor. — Disse Siria virando-se para Snape. — Eu não sei quem é, mas creio que tenha vindo de Hogwarts. — Snape anuiu. — Eu quero que o senhor pare de insultar a minha mãe. Não estamos numa guerra, ouviu? — Severus afastou-se, dizendo:
- Eu estou aqui por ordem de Albus Percival Wulfric Brian Dumbledore, Director da Escola de Magia e Feitiçaria de Hogwarts, para a levar para a escola. — Siria sorriu.
- Eu posso mesmo? — Perguntou ela contente. — É que eu tenho 13 anos e não sei nada de magia, terei que ir para o primeiro ano e eu sei que se entra em Hogwarts com mais ou menos 11 anos, é permitido isso acontecer? — Perguntou ela demasiado depressa tal era a euforia que sentia.
Severus não pôde deixar de sorrir, recordando-se que já tinha sentido uma euforia semelhante há 20 anos atrás. Os outros três surpreenderam-se, mas Snape depressa se recompôs e disse:
- Sim, sim, pode ir para o primeiro ano. O diretor está a tratar de tudo, falta apenas a inscrição, mas para isso é preciso a autorização dos pais. — Siria virou-se para o pai, em primeiro lugar. Sabia que ele autorizaria logo. O pai perguntou:
- Onde é que eu preciso de assinar? — Perguntou ele para Snape. Este, com um toque de varinha, tirou um grande livro de um minúsculo saco, o livro ficou a flutuar no ar. Siria achou aquilo maravilhoso, mas controlou-se, tinha que se mostrar pronta para a magia. O livro abriu-se numa página que tinha como título " Siria Sfear". Gilbum pegou na sua varinha e, em vez de assinar o seu nome, deixou apenas uma marca lá, dois riscos horizontais paralelos que era atravessados por dois riscos curvos e um círculo. — É a minha marca própria de feiticeiro, é o que nos identifica em documentos oficiais do Ministério da Magia e em outros documentos importantes. Serve depois para outras coisas, mas eu não te vou explicar, aprenderás isso na escola. — Disse ele para Siria.
- Eu não vou permitir que ela vá, eu não assino. — Siria olhou suplicantemente para o pai, Gilbum piscou-lhe o olho e avançou para Milirian,
- Milirian, olha para a Siria, olha como ela quer ir. Nós não lhe podemos negar aquilo para o que ela nasceu. — Milirian não se mostrou menos decidida. Gilbum beijou-a docemente e, separando-se, perguntou-lhe: — Lembras-te dos nossos tempos em Hogwarts? De como fomos felizes lá? Lá, aprendemos não só magia, mas muitas mais coisas, conhecemos a magia mais fantástica de todas, lembras-te? És capaz de negar a felicidade à nossa filha?
- Eu assino, mas não estejam à espera que eu concorde com esta loucura. Não esperes apoio da minha parte, Siria, eu tomei esta decisão há 13 anos, não é assim que eu vou mudar, mas eu assino. — Disse ela, assinando. A marca era composta por um coração com um sino no seu interior, o sino movia-se e reproduzia som, ao contrário da marca do pai que era fixa e silenciosa. O livro voltou para o minúsculo saco.
- É linda a tua marca, mãe. — Elogiou Siria.
- Obrigada, filha. Tenta não te meteres em perigos, Siria. Eu posso romper essa inscrição a qualquer momento. — Disse Milirian, tentando fazer com que o seu tom saísse ameaçador, mas não conseguindo, ela estava triste por se ir separar da filha.
- És fantástica, mãe, apesar de teres escondido o que eu era, durante todo este tempo. Amo-te, não te preocupes comigo. — Disse Siria, abraçando a mãe. — Adeus, pai, obrigada por convenceres a mãe. — Milirian reproduziu um som de descontentamento. — Eu estou tão feliz. — Siria abraçou o pai e depois a avó, que disse:
- Alguém vai ter que te acompanhar para fazer as compras escolares. — Siria olhou para o homem.
- Lindis, o Albus não me mandaria até cá só por causa da inscrição. Eu vou com a sua neta. — Declarou-lhe ele respeitosamente. Siria achou-o um bocadinho estúpido, ele tratava tão mal a sua mãe e tão bem a sua avó... será que ele tinha noção de que a sua avó era mãe da sua mãe?
- Eu não vou permitir que uma pessoa como tu leve a minha filha sozinha para um sítio qualquer. — Disse Milirian.
- Se quiseres vir, vem. — Disse ele saturado.
- Não, eu e o Gilbum temos que ir trabalhar daqui a bocado, não daria tempo. — Disse ela.
- Então a tua mãe vem connosco. — Disse Snape, arrajando logo solução.
- Eu não vou. Se o Albus confia no Severus, então eu não tenho razões nenhumas para desconfiar. — Disse ela decididamente. — Se ela for com ele, estará bem entregue. — Concluiu ela.
- Então vamos lá. — Disse Snape.
- Mas eu preciso das minhas malas. — Disse Siria.
- Vá então fazê-las, eu não tenho muito tempo. — Disse ele.
- Eu já as fiz, só preciso de as ir buscar. — Disse Siria decididamente. Com um acenar de mão, a janela do quarto de Siria abriu-se e, por elas passaram as malas que aterraram suavemente. Todos a olharam chocados. — Era só para experimentar. Desculpem. — Disse ela seriamente.
- Siria, não peças desculpa, se tu és boa nalguma coisa, deves fazê-la. Boa sorte, filha!
- Miss Sfear, temos que ir. Agarre o meu braço com força. — Disse ele, estendendo-lhe o braço esquerdo. Ela aceitou-o, mas disse-lhe:
- Já que vamos viajar juntos, devia dizer-me, pelo menos, o seu nome.
- O meu nome é Severus Snape, professor de Hogwarts. — Depois, Desapareceram.
Notas finais
Sim, o Snape a sorrir é um pouco esquisito, mas toda esta história é :D
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