Simplesmente "Maria"
9 O encontro.
Indo ao clube que frequentava com seu filhinho amado, um senhor á pergunta se ela teria filtro solar para empresta-lo, que o dele ele havia esquecido.
Ela mais do que nunca, foi gentil, pois mesmo que não quisesse emprestar, o filtro estava ao seu lado e bem visível.
Ela emprestou e a partir daí, ele não á deixa mais sozinha, todo domingo á esperava chegar no clube, e conversar.
Na primeira vez ele perguntou se poderia sentar na cadeira de sol ao lado dela e foi puxando papo.
Ele um grisalho muito charmoso, engenheiro de formação, mas atualmente lojista no comércio. Chamava-se Odilo e sua conversa era muito agradável, ele era mesmo muito educado e inteligente. Tinha um tipo exótico de traços, e uma mente que surpreendeu muito pelos detalhes ricos e profundos.
Começaram a conversar, eles falavam sobre suas vidas, rotinas, interesses, politica, religião, decepções, etc. Depois desses dez anos sozinha parecia para Maria até um pouco estranho um homem ao seu lado na piscina.
Abraham seu filho ficava pulando e nadando na água indiferente á presença desse novo amigo. Um pouco antes dela ser interrompida por esse senhor, Maria que por toda vida manteve sua eterna paixão por livros, e também os levava a piscina, para enquanto seu filho brincasse, ela ficaria lendo, estava lendo o livro "O maior milagre do mundo" de Og Mandino.
E nesse livro, maravilhoso, que ela estava encantada, tinha uma leitura, que você repete um carta intitulada" Memorando de Deus", e que você o lê por cem dias seguidos.
E também por cem dias seguidos, você passa a usar um alfinete em sua roupa com um pedaço de tecido branco, que irá representar sua velha vida, sendo transformada. E ela fazia como o livro ensinava.
Mas quando ele se aproximou, ela por educação guardou o livro, e eles dois continuaram á conversa. Como Maria trabalhava a semana toda, só tinha tempo de ir ao clube aos domingos, então no outro domingo, como sempre fazia, lá estava ela com seu filho e seus livros.
Mas agora diferentemente, ao seu lado tinha Odilo. Sempre educado e espirituoso, conversando com objetividade, sem nada vago, as vezes ele parecia um pouco deprimido com a vida, mas muito raramente, reclamava muito da política atual. Fora isso, estava sendo genial estar conversando com alguém tão profundo como ele, pois nesse tempo sozinha, Maria só encontrava pessoas superficiais, que ela conversava somente por educação, mas com ele era diferente, era pelo prazer de uma boa conversa.
Ele nesse tempo todo, foram sete meses de conversa semanalmente, nunca á cantou, ou fez nenhum gracejo, era sério, e Maria admirava sua postura. Pois se um homem viesse até ela com aquela conversinha de como ela era bonita, etc...seria por uma única vez. Ela não perdia seu tempo com isso, na verdade, como sempre foi, ela detestava esse tipo de assunto, e fugia de pessoas com esse perfil.
Nesses sete meses e aproximadamente vinte e oito encontros, Maria pulou um domingo, não pode ir, pois teve que atrasar a mensalidade do clube, e este não aceitava que usasse a piscina enquanto não pagasse.
Na outra semana, ela pode pagar e ir como de costume. Mas quando chegou, Odilo que a esperava ansioso, estava decidido a convida-la para jantarem. Talvez por ela não ter podido ir em um domingo, ele sentiu medo de á perder, e assim criou coragem para um convite, pois Maria era muito franca e muito séria também, esta postura intimidava os homens. Ela sempre falava o que pensava, não agia por convenções sociais, era direta.
E no final do dia, por sinal feriado de Tiradentes no Brasil, 21 de abril, quando ela estava se despedindo dele, ele á convida para jantar. Ela pergunta onde e ele diz em sua casa.
Ela pergunta como no primeiro encontro ele á convida para sua casa?
Deveria chama-la para um jantar em um restaurante primeiramente, e diz que na casa dele é muito íntimo, e se ele achou que por ser em sua casa, após o jantar facilitaria as coisas e ela seria uma sobremesa, que ele estava redondamente enganado.
Ele se mostrou assustado com o questionamento dela, e disse que em momento nenhum havia pensado por esse lado, e que muito pelo contrário, gostaria dele preparar um jantar para ela, e foi só por esse motivo que a convidou.
Ela vendo sinceridade em seus olhos, aceitou.
Disse que só precisaria confirmar se sua mãe ficaria com Abraham, para que eles pudessem conversar mais tranquilamente. E foi o que fez.
Foi á casa de sua mãe, mas ela já sabendo como Dona Conceição era, que se percebesse em Maria, qualquer sinal de felicidade e expectativa por um passeio, ela nunca ficaria com o neto, pois seu prazer seria maior em ver o sofrimento de Maria por não poder ir, sua mãe adorava esse tipo de coisa, parecia que a alimentava.
Então sabendo disso, Maria foi á casa da mãe, e logo disse que queria ir embora, pois eles iriam dormir cedo naquela noite, pois ela estava muito cansada, seu filho Abraham, como toda criança, não queria ir para casa dormir cedo, e disse, me deixa ficar hoje aqui na vó...estava dando certo. Mas agora dependia da resposta da vó, ela olhou para Maria para ver sua expressão, mas Maria estava firme, e disse, não!
Vamos filho, para casa!
D.Conceição que adorava contrariar as vontades da filha, disse para deixa-lo hoje ele com ela. Mas ela disse somente depois de olhar desconfiada para filha e ver se a filha estava precisando de favor ou não, e quando viu que não, ela o convidou.
Maria nunca gostou de mentiras, nem de brincadeiras, nem quando alguém diz ao telefone, fala que eu não estou, ela não gostava de falar, pois se sentia suja mentindo, mesmo que um detalhe cotidiano e comum.
Ela definitivamente não gostava de mentir nem brincando, nunca teve esse costume, mesmo em situações que a constrangessem ou a faria receber um castigo, ela tinha como costume falar a verdade, e ela amava e admirava essa sua postura
Mas nesse dia, ela precisou ou iria perder o encontro que transformaria sua vida. Abrahan já conhecia bem Odilo, e gostava muito dele, e poderia leva-lo sem problemas, mas Maria achou melhor os dois no primeiro encontro, estarem á sós.
Ela ligou para ele confirmando o encontro, e ficou marcado para dezenove horas da noite.
Exatamente as dezenove horas em ponto, ele para o carro em frente á sua casa. Um ponto para ele, pois ela era metódica, sistemática e pontualíssima com horários.
Já no carro, no caminho, eles começam á conversar e ele falando sobre culinária, pergunta das preferências dela e diz que a única coisa que ele não apreciava era bife de fígado, e ela diz que coincidentemente o único alimento que não gosta do sabor, é exatamente bife de fígado.
Eles conversam mais um pouco e logo chegam ao seu apartamento, um apartamento bem localizado, que ele havia comprado há quase vinte anos atrás. Quando entram, tudo estava em ordem, e ele havia posto uma mesa de jantar muito bem posta.
Mas antes á levou para sala, e serviu frios acompanhado com um vinho Chella, que estava muito bom. Eles foram conversando e depois foram para sala de jantar comer, nesse momento tudo ficou mágico. Desde a comida que estava especial, até o assunto, que até hoje não tem uma explicação para tudo o que ela viu e ouviu naquela noite.
Primeiramente há que se contar, que Maria havia tido uma cliente psicanalista, muito renomada, com mestrado, coordenadora de cursos na principal faculdade de psicóloga da cidade, escritora de livros e que estava sempre em programas de televisão, dando entrevistas sobre seu trabalho. As duas fizeram uma amizade muito intensa, por Maria ter uma mente muito pensante, e a Dra. Bene também, as duas se aprofundaram em muitos assuntos e assim construíram , os alicerces de uma profunda amizade.
E, em meios á essas conversas, Maria quis conhecer o consultório da Dra. e fazer umas sessões para poder usufruir melhor suas potencialidades. E assim fizeram, como Maria não tinha dinheiro sobrando para esses luxos, elas combinaram em fazer permuta, a sessão que era cobrada já um valor diferenciado, ela descontava do cabelo que Dra. Bene, fazia semanalmente no seu salão. Assim ficaria bom para as duas.
E assim foi, Maria fez quatro sessões, na primeira falou sobre sua relação com sua mãe, sua infância, que a Dra. Bene avaliou com uma palavra linda, disse que Maria havia "Sublimado" toda essa ausência de mãe.
(Sublimar: segundo o dicionário é, elevar a maior altura de dignidade, grandeza e de honra, enaltecer, glorificar).
E essa sessão foi linda para ela, pois foi exatamente isso que Maria sentia que havia feito, toda maldade de sua mãe, ela transformou em forma de crescimento e mais aprofundamento para ela.
Na segunda sessão, Maria falou sobre sua vida sentimental, o quanto fazia falta para ela um companheiro, e sobre seus relacionamentos anteriores, e conversando com Maria, Dra. Bene teve acesso de perto á coisas espirituais sobre o amor que ela já acreditava, mas que era bom constatar através dos lábios de Maria. A Dra. analisou que ainda não havia chegado o homem para conquistar de vez o coração de Maria.
Na terceira sessão, Maria quis falar sobre sua vida profissional e situação financeira, falou sobre o quanto ela havia sonhado mais alto e o pouco que havia realizado nesse sentido, falou sobre os sonhos perdidos de uma faculdade, falou da dificuldade de aumentar seu negócio no salão, pois faltava dinheiro para investir, e que essa roda era infinita, sempre que ganhava um pouco mais, era para cobrir contas atrasadas...e contou seu dia á dia. Como Maria era sempre muito franca e objetiva, as sessões era muito avançadas e conclusivas.
Dra. Bene no final dessa sessão entendeu a situação da paciente, e disse que achava que Maria tinha uma inteligência privilegiada e que deveria investir em seus estudos e fazer uma faculdade para finalmente mudar sua vida financeira.
Maria estranhou naquela altura falar em faculdade, pois em sua cabeça já havia aceitado que não fez e pensava que não voltaria mais aos estudos. Mas depois de analisar a situação com a Dra, ela também viu que essa seria a única maneira de realmente fazer algo que gostava e ganhar bem com isso.
Como Dra Bene coordenava o curso de uma faculdade de nome, disse que depois de Maria prestar o vestibular, á orientaria em meios de conseguir uma bolsa de estudo e no que pudesse a ajudaria.
A quarta sessão foi sobre qual curso fazer e foi nessa sessão que a Dra. disse que Maria era autodidata, e que da parte dela daria alta, pois ela analisou que a paciente tem como se auto avaliar, tamanha era sua capacidade, e Maria já sabia disso, mas admirou a sinceridade da psicóloga que poderia ter pensado em ganhos materiais e enrolado mais um pouco.
A Dra. disse que tudo o que falava, Maria já sabia, e no fundo era verdadeiro, exceto, sobre faculdade, que sinceramente ela não havia cogitado na possibilidade no momento.
Dra Bene pediu então para fazerem um teste vocacional, fez muitas perguntas e depois falou com Maria em quais os cursou ela se daria bem. disse que poderia ser direito, administração, por ser comunicativa hotelaria e turismo, ou qualquer outra coisa, pois disse que Maria tinha perfil múltiplo, e capacidade para muitas profissões, desde que gostasse.
E assim passou a bola para Maria decidir qual seria sua preferência. Maria pensou em direito, pois parecia ser a que mais á atraia, mas antes de resolver, disse que iria orar e pedir orientação á Deus, para ver se vinha alguma resposta mais definitiva.
E foi assim que fez, ficou três dias seguidos em jejum e oração, pedindo á Deus uma resposta. Maria tinha esse costume de orar e jejuar desde que muito nova aprendeu que Deus se agradava. E sempre que ela tinha algo importante para resolver, ela fazia esse ritual.
E depois de orar muito e jejuar, uma estranha resposta veio em seu coração, foi quase audível, ela ouviu dizer a resposta é "SERVIR" . Maria não entendeu bem essa resposta, mas sabia que foi Deus pois ela com o tempo de convívio com as coisas de Deus, já sabia muito bem diferenciar o que era seu, e o que pertencia a Ele .
Ela então escreveu em um papel, como veio a resposta, ela pôs entre aspas "SERVIR" e colocou dentro de sua bíblia, e não contou á ninguém, essa resposta, nem mesmo a seu filho Abraham, primeiro porque ninguém entenderia, sendo que nem ela de momento entendeu e segundo porque era algo muito pessoal.
Como Dra. Bene havia lhe dado alta e Maria precisava do dinheiro do seu trabalho, resolveu parar mesmo temporariamente a sessão, sabendo que não poderia se dar a esse luxo, mas ela disse á Dra., que se um dia pudesse, ela faria só para te o prazer de conversar com alguém com o nível intelectual dela.
Voltando agora ao assunto do encontro.
Os dois na mesa de jantar, e o ambiente mágico. Eles falando sobre assuntos variados, e de repente ele olha para ela e pergunta se ela já o conhecia de antes, ela diz que não, e ele fala que parece que ela está contando toda a sua vida, pois tudo o que ela falava era ele.
Ela também sentiu a mesma coisa em relação a ele. Ele inclusive brinca e pergunta se ela não teria investigado sua vida anteriormente, pois era muito estranho aquilo tudo estar acontecendo tão rapidamente. E ele para o olhar nela e faz a pergunta fatal, ele pergunta:
—Você sabe o que veio fazer no mundo?
Maria o olha meio perplexa pela complexidade da pergunta e nesse instante, ele fala tão naturalmente, Entre aspas "SERVIR", e ainda faz o gesto entre aspas, com as mãos.
Maria fica toda arrepiada, e pergunta para ele como ele sabia? E ele diz que sabendo e sorri.
Mas ela pensa, por um momento só e rapidamente para não atrapalhar o clima do jantar, pensa em como esse homem que nunca entrou em sua casa saberia a resposta que Deus lhe deu e ela guardou dentro da sua bíblia e não contou a ninguém desde então?
Ela fica surpresa e ele também, pois ela falava coisas que o arrepiavam todos os pelos dos poros. E assim foi esse jantar.
Para Maria coisas espirituais eram comuns, ela vivia isso em sua rotina, poderíamos dizer que se ela não tivesse um corpo, ela seria puro espírito. Mas o diferencial dessa situação misteriosa, era que ela guardou toda essa energia que possuía para dividi-la com alguém algum dia, mas de todas as pessoas que havia encontrado, nunca conseguiu passar do primeiro degrau, pois a pessoa já se sentia perdida.
E foram pessoas de todas as formações, ela tentava conversas e ninguém conseguia de fato de aprofundar. E toda vida ela tinha que se sujeitar a falar consigo mesma, poucas pessoas, raríssimas, que dá para contar nos dedos conseguiram pelo menos entender, passar no primeiro estágio desses assuntos. E agora esse senhor não só entendia tudo, como também se aprofundava ao ponto de deixa-la de boca aberta?
Quem seria esse homem?
De onde viria tanto conhecimento espiritual?
Como ele já sabia do recado de Deus e disse de forma tão especifica?
Meu Deus, agora era ela que pensava, na possibilidade dele tê-la investigado e ido á seu quarto e aberto a bíblia e lido aquela palavra, mas como ele saberia que aquela palavra era para responder exatamente aquela pergunta que ele fez, sobre o que ela veio fazer no mundo, sendo que a pergunta ela nunca tinha escrito?
Ela pensou ou é Deus ou é o diabo. E sem medo disse: _Vamos conferir!
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