Simplesmente "Maria"
10 O amor.
E tudo aconteceu rapidamente.
Naquele jantar surpreendente, os dois descobriram que se amavam, o amor os invadiu com tal força que nenhum dos dois teve tempo para esperar os conformes, como o tempo, para se conhecerem melhor.
Pois os dois conversavam como se já se conhecessem de outras vidas, e se outras vidas tivessem, ele sentiam que em todas elas, eles estiveram juntos.
Ele nesse primeiro encontro, disse que esperou Maria por trinta e cinco anos, e só agora a havia encontrado.
Ela por sinal lembrou que com catorze anos, sentada em frente á sua casa, olhou para o céu e pediu a Deus por esse dia e que desde então havia esperado por ele.
Diante de tamanha explosão de amor, já não cabia esperar, e eles abriram os seus corações um ao outro. As palavras saiam de suas bocas quase sem querer, como se guiados por uma força maior.
O jantar acabou, e Maria disse que precisava voltar para sua casa, essa frase soou aos ouvidos de Odilo como uma punhalada em seu coração.
E para Maria estranhamente parecia que se ela saísse de perto dele, iria perder metade dela ali, sentia uma dor muito forte por ter que deixa-lo.
Eles nessa noite confessaram que se amavam, celebraram o encontro, se arrepiaram com as coincidências entre eles, e nem um beijo se deram, foi tudo em nível espiritual, nada ainda físico, não que eles tivessem algum pré-conceito, mas diante da grandeza dos fatos e da rapidez dos acontecimentos, não cabia.
Eles teriam que assimilar as ideias. Era tudo muito novo e assustador também.
Ele a levou para sua casa, e no dia seguinte ele não á ligou, como ela esperava. Era uma sexta-feira. Ela estranhou.
Maria pensou que talvez no sábado com certeza ele á procurasse, pois provavelmente ele, estaria também um pouco assustado com tudo oque aconteceu entre eles.
Mas no sábado de manhã, Maria tinha o costume de ir ao supermercado fazer compras, e foi, mas quando passou próximo a loja que Odilo tinha, foi levada por uma força irresistível, que á puxou para o lado esquerdo, sendo que seu caminho era subir reto, e quando ela parou, estava em frente a loja de Odilo. Ele quando á olhou sorriu e disse:
—Que bom que você veio!
Daquele dia em diante, não se separaram mais.
No outro dia, Maria disse á Odilo, se ela poderia confirmar com a ex-mulher dele, aquela história que ele havia dito no primeiro encontro, que ele havia sido casado legalmente por doze anos e nunca havia dito á sua esposa em todos esses anos que á amava.
E também havia dito que para Maria as palavras saíram no primeiro encontro e se ele não as tivesse proferido, sentia como se fosse explodir.
Ele disse que sua ex-mulher, que haviam se separado á seis anos, era um pouco nervosa, e que ele temia que ela pudesse destrata-la, mas se para Maria era importante, ele aceitaria.
Maria disse que sim, que para ela era fundamental, pois se ela confirmasse, ela não teria mais nenhuma dúvida sobre os sentimentos de Odilo, e comprovaria que ele não falava, eu te amo da boca para fora, como muitos homens o fazem.
E ela ligou para ex-mulher dele, e pediu se poderia ir até lá, marcaram uma hora e Maria foi, fez a pergunta e obteve a resposta que queria.
Ouviu um pouco de coisas que não queria, mas saiu com oque havia ido buscar, E como Odilo disse, confirmou que sua ex-esposa era um pouco desiquilibrada emocionalmente, e ele também havia dito que agradecia á Deus por ela ser estéril, pois assim eles não tiveram filhos, o que não o obrigaria a ter convívio com ela. Maria também agradeceu, pois diante do que viu, seria mesmo difícil o convívio.
Depois disso, eles foram logo morar juntos, pois um não conseguia mais ficar sem o outro. O amor e carinho entre eles, era muito fortes.
Abrahan Filho, com dez anos, apesar de se dar muito bem com Odilo e admira-lo muito, ficou um pouco enciumado, em ver a mãe dividindo seu tempo com outra pessoa.
Odilo disse que se Maria tinha um filho, ele de agora em diante tinha mais um filho também.
E o aceitou com muito carinho, eles jogavam futebol juntos, em todos os passeios Abrahan ia junto, eles dois nunca o excluíram de nada, pois para eles a família estava sempre em primeiro lugar. Maria se sentia no paraíso, finalmente havia conquistado o que ela mais sonhou, um companheiro para toda sua vida.
Odilo á tratava como um rainha, e eles acordavam cedo, e iam para o trabalho juntos, ela para o salão de cabeleireira onde tinha sua casa ainda, e ele ia para sua loja que ficava no mesmo bairro.
De tarde ele a buscava, e eles iam para o apartamento dele juntos. Eram momentos muito particular e agradáveis.
Seu filho Abrahan estava começando a aceitar os dois juntos, quando D.Conceição apareceu na história.
Ela soube do relacionamento deles, achou um absurdo sua filha nem conhecer bem e ir morar com um estranho (diga-se de passagem Odilo era de uma família tradicional na cidade, engenheiro de formação e proprietário de uma loja estável de produtos eletrônicos há quase vinte anos, e muito conhecido por sua integridade).
Mas D.Conceição não aceitando que a filha tivesse alguém, que ela nem conhecia e não pudesse controlar ,usou de todas as suas artimanhas para atrapalhar esse relacionamento, e já no primeiro mês, foi a loja de Odilo, e disse que ele não sabia com quem estava andando, pois ela como mãe sabia que Maria não prestava, que nunca prestou como filha e nunca prestaria como mulher, disse que Maria só usava os homens como uma roupa que quando não quer mais se joga fora, disse que a filha possuía um demônio que a fazia destruir todos que com ela estivesse.
Quando Odilo foi buscar Maria em seu salão, chegou atordoado.
Ele disse que nunca havia visto uma mãe falar tantos absurdos de uma filha, que infelizmente ele teve que pedir que ela saísse da loja, pois ela não parava de falar absurdos e gritar. Que havia sido uma baixaria.
Maria pediu desculpas, e ele disse que ela não tinha culpa da mãe que tinha.
Como Maria já havia lhe contado várias coisas sobre a sua mãe, ele meio que já estava preparado, mas confessou que não pensou que fosse tão pesado assim.
D.Conceição agora estava uma fera, pois sabia que não poderia dominar Odilo, que como Maria, não se abaixaria diante de suas mentiras e ameaças.
Mas claro, que para o relacionamento dos dois, era chocante e desgastante toda essa situação.
Abrahan filho de Maria, já estava começando á aceitar o "outro Homem" na vida da mãe, quando sorrateiramente D.Conceição , o buscou na escola e lhe disse, que sua mãe o estava trocando por outro homem, que provavelmente ela preferia ele que o próprio filho e coisas desse tipo.
Disse tantos absurdos, que só mesmo ela seria capaz de fazer com uma criança, tamanha a dor que causaria nele, sendo seu próprio neto
Se aproveitando de um ciúme passageiro da criança, a avó com interesses oclusos, alimenta o seu ciúmes e mais, alimenta no neto até uma raiva da mãe e do padrasto.
Naquele dia Abrahan que iria entrar de férias na escola, pediu para passar uma semana na casa da avó, e Maria e Odilo acharam aceitável, pois Maria apesar da mãe que tinha, nunca o distanciou da avó, ela sabia que eram dois relacionamentos diferentes, e que devia respeitar o vínculo familiar e de sangue dos dois.
Abrahan orientado pela avó, não disse nada, sobre o que ela havia planejado.
Maria então fez uma pequena malinha para o filho e pela primeira vez, ele foi passar uma semana com a avó. Pois D.Conceição sempre dizia que "quem pariu o Matheus que balance", e nunca gostou de ficar com crianças de ninguém, mesmo seu neto, nem quando nasceu ajudou a filha á dar banho, coisas desse tipo.
Maria pensou que talvez a avó estivesse aceitando mais o seu novo relacionamento e também querendo se redimir, levando o neto para passar uns dias com ela. Mas se Maria soubesse, NUNCA teria permitido!!!!!!
Lágrimas de sangue, ela chorou depois.
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