Simplesmente Acontece
37 Capítulo 7 - Revelação
Quando João Lucas entra no quarto, Du estava deitada na cama observando os Lekinhos que dormiam, ela sorri ao vê-lo.
Ele se aproxima e senta bem devagar na cama, para não acordar as crianças.
João Lucas: Tão Lindos, dois anjinhos.
Du: Nossos anjinhos meu amor. Se divertiram tanto aqui comigo, e acabaram dormindo. Me ajuda a levar eles para o quarto?
João Lucas: Claro.
João Lucas pega Martinha no colo, e espera até que Du se levante e pegue Alfredinho, eles vão até o quarto dos bebês, e os colocam nos berços.
Quando João Lucas, de cabeça baixa, começa a caminhar em direção a saída do quarto, Du
o pega pelo braço, o puxando para perto de si.
Du: Vem aqui, tou com saudades.
Ela entrelaça seus braços em volta de seu pescoço, e lhe rouba um beijo. Um beijo que terminada rápido, por iniciativa de João Lucas, que sorri meio de lado, se desprende dela, e caminha novamente em direção ao outro quarto.
Du estranha a atitude do marido, e logo em seguida vai atrás dele.
Ele estava inquieto, andava de um lado para o outro.
Du: Leki;
João Lucas: O que?
Du: O que tá pegando?
João Lucas: Nada Du.
Du: Tem certeza?
João Lucas: Tenho sim. Mas e ae me conta, que história é essa da Martinha falar Mamãe, aposto que foi papai – ele tenta brincar, mas não consegue disfarçar o tom de voz triste.
Du está sentada na cama, apenas o observando, e ele está encostado perto de um armário.
Du: Leki, olha pra mim.
João Lucas não conseguia olhar nos olhos de Du, toda vez que ela o encarava ele virava o rosto.
João Lucas: Eu tou olhando Leki, me conta o que nossos Lekinhos aprontaram hoje?
Du se levanta e vai em direção a ele, parando bem em sua frente.
O que está acontecendo João Lucas.
João Lucas, não consegue encara-la, ele está morrendo por dentro, então respira fundo, e tenta sair de perto dela.
Mas ela o segura pelo braço.
Du: Desenrola, o que tá acontecendo?
João Lucas: Eu já disse, nada. Tou cansado, hoje o dia foi muito puxado.
Ele se solta, e senta na cama, colocando a mão no rosto, tentando se acalmar.
Du novamente vai até ele, senta ao seu lado, afrouxando sua gravata.
Du: Eu te conheço, tu tá estranho. Você estava em uma praia com uma cara de choro. João Lucas olha para mim e me conta o que aconteceu.
João Lucas tira a mão do rosto, e seus olhos finalmente encontram os dela,
ele não consegue segurar as lágrimas, e deixa escapar algumas, que logo são secas pelo toque macio de Du.
Ela o abraça.
Du: Leki, eu tou aqui, o que aconteceu.
João Lucas se separa do abraço, encarando Du, e despejando de uma vez as palavras que tanto temia.
João Lucas: Eu fui até a casa dos seus pais, e falei com o seu pai.
Du: O que?
Eduarda ficou surpresa, e se levantou da cama imediatamente, andando para o outro lado do quarto.
Du: Quem mandou tu ir lá JL?
João Lucas: Eu, eu, eu, achei que devia.
Du: Você não tinha esse direito.
João Lucas caminha até Du, pegando em suas mãos, ficando de frente pra ela.
João Lucas: Eu tinha esse direito sim, eu sou seu marido Eduarda.
Eduarda abaixa a cabeça, e o abraça.
Du: Eu sei, Desculpa Leki.
João Lucas dá um beijo carinhoso em seu rosto, e pega pela mão e juntos caminham até a cama. Ele respira fundo, e se prepara para responder a pergunta que sabia que iria ouvir:
Du: Mas e aí Leki, o que rolou lá?
João Lucas: Eu só conversei com seu pai, nada demais.
Du: Eu te conheço melhor que ninguém Lucas, você sabe que tu não consegue me esconder nada, então fala tudo agora.
João Lucas não tinha ideia de como começar a falar, ou quais palavras ia usar, ele estava com um nó na garganta, temia pela reação de Du, mas sabia que devia falar. Então ele fechou os olhos e disse de uma vez.
João Lucas: Seu pai me contou que sua mãe não é sua mãe biológica. Ele teve um caso com uma secretária do lugar em que trabalhava, e ela engravidou. Mas ela morreu no parto, e ele convenceu a Edna a te aceitar como filha. Por isso que ela te despreza tanto. —
João Lucas despejou as palavras, e falou tão rápido que estava com medo de Du não ter entendido, quando ele tomou coragem de abrir os olhos, lá estava ela,
com aqueles olhos arregalados, imóvel.
João Lucas: Du, fala comigo Du.
Du se levanta, agitada, anda de um lado para o outro.
João Lucas se desespera, porque sabe que o pior ainda está por vir.
Du: Isso explica, explica tudo. Aquela filha da p....
João Lucas: Du, pera, fala comigo.
Du andava de um lado para o outro muito nervosa, Lucas tentava acompanha-la e não sabia o que fazer, eis que a segura pelo braço a encara dizendo:
Para Du, se acalma por favor.
Du: Não tem como Lucas, aquela mulher me humilhou a vida inteira cara, tu sabe o eu passei naquela casa? E ela, e ela nem é minha mãe.
João Lucas: Eu sei Du, mas ela, ela não importa agora. Tá me ouvindo?
Du: O que tu quer dizer com isso João Lucas?
João Lucas a pega pela mão, levando até a cama, os dois se sentam e ele visivelmente abalado termina de dizer toda a verdade:
O seu pai Du, ele...ele, tá muito doente. Por isso que ele está tentando uma reaproximação, com você, ele quer conhecer os lekinos. Ele, ele... Ele ta doente Du, e quer o seu perdão.
Du não conseguia acreditar nas palavras que saiam da boca de João Lucas, em apenas alguns minutos parece que seu mundo estava desabando, a mulher que ela acreditava ser sua mãe não era nada sua, e seu pai estava a beira da morte.
João Lucas viu os olhos de Du encherem de lágrimas, e ela o abraçou tão forte, mas tão forte que João Lucas até se assustou.
Ele a envolveu em seus braços, e sua vontade era de protege-la de tudo e de todos, de nunca mais a deixar sair de perto de si.
Alguns minutos se passaram, e ela foi se acalmando.
João Lucas: Quer uma água?
Du: Não, obrigada.
Ela finalmente se desprende daquele abraço, passando a mão em seu rosto para secar as lágrimas, e se levanta.
João Lucas: Onde você vai?
Du: Preciso ver meus filhos.
Ela vai em direção ao quarto dos lekinhos e João Lucas vai atrás.
Os bebês dormiam tranquilamente, Du vai ao lado dos berços e observa seus filhos.
Ela não consegue segurar as lágrimas, acaricia de leve as crianças.
João Lucas fica ao seu lado por um instante e depois a abraça por trás, para tentar acalma-la.
Ele sente o corpo dela tremer.
João Lucas: Du fala comigo, por favor – ele sussurra em seu ouvido.
Ela não responde, continua olhando para os filhos.
João Lucas a vira de frente pra ele, a encara por alguns segundos, depois passa a mão de leve em seu rosto para secar suas lágrimas.
João Lucas: Fala comigo, grita, me bate, faz alguma coisa. Eu não aguento te ver assim. – JL diz com lágrimas nos olhos.
Du não responde, a o abraça com todas as suas forças, e cai no choro.
João Lucas: Du, por favor, eu não suporto te ver assim. Eu não, eu não devia ter te contado.
Eles se separam do abraço, e Du volta a olhar para os filhos dormindo.
João Lucas fica ao seu lado:
Eles estão crescendo né? Tão lindos e espertos.
Enfim, ele consegue arrancar um sorriso do rosto dela.
João Lucas: Eu vou pegar uma água com açúcar. Você está muito nervosa meu amor, não pode ficar assim.
João Lucas sai do quarto, e vai para a cozinha.
Ele pega um copo de água com açúcar e quando chega no quarto dos Lekinhos, Du não estava mais lá. Ele deixa o copo em cima de um móvel.
João Lucas: Du!!!
Ele sai desesperado do quarto dos lekinhos correndo para o quarto dele, e nada dela.
João Lucas: Du !!!
Ele desce correndo as escadas e se depara com a porta aberta.
João Lucas: Meu Deus, Du, onde você se meteu?
João Lucas sai correndo, em busca de Du pelas ruas, e não demorou muito para ele avistar um Pontinho Ruivo a alguns metros à frente.
Ele gritou:
Du.
Mas ela parecia não ouvir, continuava caminhando sem rumo, em direção ao outro lado da rua, sem olhar para os lados.
João Lucas percebeu que vinha vindo um carro,
o seu corpo todo gelou, e ele começou a correr o mais rápido que podia em direção a sua mulher.
O carro vinha a toda velocidade,
João Lucas escutou uma buzina, e enfim seu corpo foi de encontro ao de Du, em um movimento rápido e brusco, ele a agarrou, e se jogou junto com ela para o lado
assim saíram da direção do carro.
O Carro freou bruscamente, e se João Lucas não tivesse conseguido tirar Du do caminho, uma tragédia ia acontecer.
– Tá maluca garota? Quer morrer? – O motorista colocou a cabeça para fora do carro e gritou, logo após acelerou, e foi embora.
E lá estavam João Lucas e Du, caídos no chão, perto da guia da caçada.
João Lucas se levanta, rapidamente, e ajuda Du a se levantar.
– Vem Meu Amor, levanta.
Ela se levanta, e eles caminham até a calçada.
João Lucas estava mancando, torceu o pé com a queda.
Du se senta na guia da calçada e JL senta ao seu lado.
– Meu Amor.
Finalmente Du olha para ele, com os olhos cheios de lágrimas, aparentemente assustada, e frágil.
Ver Du daquele jeito, partia o coração de Lucas em mil pedacinhos.
– Porque você fez isso, os Lekinhos precisam de você, se aquele carro tivesse te pegado, eu não sei o que seria da minha vida.
Du não consegue dizer nada, apenas o abraça, colocando a cabeça em seu ombro e desabando a chorar.
João Lucas acaricia suas costas, levemente, falando baixinho em seu ouvido:
Calma, tudo vai ficar bem eu prometo meu amor, eu prometo.
Instantes depois Du se separa do abraço, e encara João Lucas, que sorri para ela, passando a mão de leve em seus rosto para secar as lágrimas que ainda insistiam em cair.
Du: Aiii – Du reclama.
João Lucas: O que foi Meu Amor?
Du: Eu não sei, meu braço tá doendo.
Du percebe que seu braço estava todo ralado, e sangrava um pouco.
João Lucas: Você se machucou.
Du: Não foi nada.
João Lucas: Foi sim, vamos para casa cuidar disso.
João Lucas se levanta, e dá a mão para ajudar Du a se levantar.
Eles atravessam a rua em direção ao prédio, e JL continua mancando.
Du: Você tá mancando Lucas.
João Lucas: Isso não foi nada Du, não foi nada perto do que podia acontecer.
Du: Desculpa, eu não sei, não sei o que deu em mim.
João Lucas: Tá tudo bem Amor, Vai ficar tudo bem confia em mim.
Du para de andar de repente, encarando João Lucas:
Não tá tudo bem Leki, não tá. Aquela mulher não é minha mãe, eu não sei, não se se fico feliz ou triste por causa disso... Ela sempre me tratou como um lixo mesmo, é um alivio eu não ser filha dela. Mas meu pai Lucas, apesar de tudo... Lucas, eu não quero perder ele.
João Lucas: Calma Du, eu prometo que eu vou resolver isso. Vou atrás dos melhores médicos, mandamos seu pai para os Estados Unidos se for preciso, mas você não vai perder ele, eu juro que vamos fazer de tudo pra ver ele bem.
Du: Mas com que dinheiro Lucas?
João Lucas: Não se preocupa que seu marido vai resolver tudo, eu prometi que vou cuidar de você, e sua família também é minha família.
Du abraça João Lucas.
Obrigada Leki.
João Lucas: Agora vamos entrar para dar um jeito nesse seu braço.
Du: Espera.
João Lucas: O que foi amor?
Du: Valeu Leki, eu não sei, o que seria de mim sem você.
João Lucas: Que isso Du, eu sou seu marido, esqueceu? Você já segurou todas as minhas barras, agora ta na hora de eu cuidar de você.
Du abraça forte João Lucas, seus olhos já estavam inchados de tanto chorar.
Du: Eu tou com medo Leki.
João Lucas: Não precisa ter medo, eu prometo que tudo vai ficar bem.
Eles se separam do abraço, João Lucas passa a mão levemente no rosto de Du para secar as lágrimas, e sorri pra ela, depois segura a sua mão, e juntos voltam para a casa.
Assim que entram na sala, Maria Marta andava de um lado para o outro tentando acalmar Martinha que chorava em seus braços, Ze Alfredinho estava com Zé Alfredo, e Claraide tinha acabado de chegar da cozinha com duas mamadeiras.
Maria Marta: Graças a Deus, onde os dois irresponsáveis foram? E deixaram os bebês sozinhos, chorando, com fome? O que deu em vocês hein?
João Lucas: Agora não Mãe.
Zé Alfredo: O que aconteceu João Lucas, você está mancando? E a Du?? O que aconteceu com o braço dela? Porque a moça está chorando?
João Lucas: Pai, por favor agora não, cuida dos Lekinhos, precisamos dar um tempo, depois eu explico tudo. Vem Du, vamo subir.
Maria Marta: Mas..
Zé Alfredo, não deixa Maria Marta terminar de falar : Mas nada Marta, vamos cuidar dos nossos Netinhos. Claraide, me dá aqui essa mamadeira.
João Lucas sobe para o quarto com Du, enquanto Maria Marta e Zé Alfredo cuidam dos Lekinhos.
João Lucas ajuda Du tirar sua blusa, ele pega o Kit de primeiro socorros, e começa a limpar o ralado no braço dela.
Du: Não precisa Lucas eu tou bem cara.
João Lucas: Quieta Du, seu braço tá todo ralado, precisa limpar isso para não infeccionar.
Du: Você que devia cuidar desse pé, ir no médico tirar um Raio X, vai que quebrou isso, tu ta mancando Leki.
João Lucas: Só torci Du, amanhã amanhece melhor, relaxa, e deixa eu terminar de limpar esse machucado.
Du: Ai cara isso dói.
João Lucas: Desculpa meu amor.
Ele sorri pra ela.
João Lucas: Pronto.
Du: Obrigada.
João Lucas: Eu disse que eu ia cuidar de você.
Du: Eu te amo sabia?
João Lucas: Sabia, mas eu não canso de ouvir.
Du: Seu bobo. Aii, eu tou com frio.
João Lucas caminha até o guarda-roupas enquanto Du continua sentada na cama. Ele se vira para ela e pergunta: Quer uma camiseta minha?
Du: Não, abre a primeira gaveta, e pega uma preta que está por cima.
João Lucas faz o que Du mandou, e quando entrega a blusa para ela questiona:
Du, tu vai vestir essa? Já tá quase na hora do jantar, não vamos mais sair.
Du: Leki, eu preciso ir na casa dos meus pais, eu preciso falar com ele, olhar na cara dela, entende?
João Lucas: Mas Du, tu tá muito nervosa, quase morreu atropelada agora pouco. Não prefere descansar, dormir um pouco? Sei lá, pensar melhor sobre tudo isso. Amanhã eu prometo ir lá com você.
Du: Leki, eu preciso ir agora, se tu não quiser, não precisa ir comigo.
Du veste a blusa, e se levanta da cama, procurando sua bolsa pelo quarto. João Lucas pega a chave do carro e avisa:
Tá bom, tá bom, eu vou contigo Du.
Du: Pega a bolsa, vamos levar os Lekinhos.
João Lucas: Mas Du... – Du não deixa JL terminar de falar e já vai saindo do quarto, nitidamente nervosa.
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