Simplesmente Acontece
36 Capítulo 7 - Passado
Notas iniciais
Du estava dormindo em seus braços, João Lucas a olhava admirado, ele não se cansava de tanta beleza, mas seu coração estava apertado, pois tinha certeza que Du não estava bem,
e sabia qual era o motivo: Ela estava preocupada com o pai, mas era marrenta demais para admitir isso e procura-lo.
Então estava decidido, assim que amanhecesse iria até a casa dos pais de Du, falar com Francisco.
João Lucas acordou cedo como de costume, se despediu de Du, que ainda estava dormindo, com um beijo em sua testa, passou no quarto dos Lekinhos para se despedir deles também, e seguiu para a Império.
Depois de algumas horas de trabalho, ele decide ir até a casa de Du.
Ele estaciona o carro e fica um bom tempo observando a entrada da casa.
Quando de repente, Edna, a mãe de Du, sai com uma sacola de supermercado. Tinha chegado a hora, assim que a mulher some de vista, João Lucas salta do carro e vai tocar a campainha.
Como era de se esperar Francisco atente, e fica surpreso com a presença de JL.
Francisco: Menino o que faz aqui? Está tudo bem com a minha filha e meus netos?
João Lucas: Tá tudo sim, será que eu posso entrar? Queria bater um papo com o senhor.
Francisco convida Lucas para entrar e ambos sentam no sofá da sala. Tinha chegado a hora da tão esperada conversa.
Francisco conta a Lucas, que na verdade Eduarda não é filha de Edna.
Isso explicava a implicância que ela sempre teve com a menina.
Francisco era um advogado bem sucedido e trabalhava em um ótimo escritório de advocacia,
ele era casado com Edna a um bom tempo, e já tinha três filhos. Emily, Edson e Erick o casula que estava com 5 anos. Eles tinham uma vida boa, e eram um casal feliz, mas Francisco acabou tendo um caso com a secretária, e ela engravidou.
Quando Edna descobriu, o expulsou de casa. Mas Francisco a amava e não sossegou enquanto não teve o perdão da mulher. Porém ao voltar para a casa, teve a notícia de que Valentina, estava grávida.
Foi outro choque para a família, mas Francisco garantiu que não tinha mais nada com a secretária, iria assumir a criança, porém ele amava a esposa e não ia deixar a família.
Mas o destino foi cruel, Valentina teve complicações no parto, e acabou morrendo.
Francisco não teve outra alternativa a não ser levar a pequena e frágil menina para a casa.
Edna não queria aceitar a criança, mas aos poucos Francisco a convenceu que era melhor para todo mundo, que ela criasse a menina como filha.
Dito e feito, Eduarda foi o nome escolhido para a menina, e foi registada no nome de Edna e Francisco, porém Edna não conseguia gostar da menina, desde pequena nunca teve um pingo de amor por ela, que não tinha culpa de nada.
Francisco, se sentia culpado, acabou afogando as magoas na bebida, perdeu o emprego e as coisas ficavam cada vez mais complicada.
Edna não tinha nenhum carinho por Eduarda, que foi criada jogada em um canto da casa, apenas com palavras de desprezo da “mãe”.
Francisco, por se sentir culpado, não conseguia repreender Edna, então se calava diante da situação.
Os anos foram se passando, Eduarda crescendo sozinha, uma criança triste, depois uma adolescente Rebelde, e por fim uma grande mulher.
Francisco se arrependia de tudo que tinha feito, e queria o perdão da filha, ainda mais agora, que estava doente, muito doente, o médico já tinha lhe dado pouco tempo de vida, e ele não queria morrer sem o perdão de Eduarda.
João Lucas saiu da casa dos pais de Eduarda tonto, depois de ouvir aquela história,
caminhou sem rumo pela rua, até chegar a praia,
ele estava chocado com tudo que tinha acabado de ouvir.
Sentia como se estivessem enfiado uma espada em seu peito, o seu coração estava em pedaços, ele não fazia ideia de como Du já tinha sofrido nessa vida, na sua cabeça passava um filme, de momentos que ele teve com ela.
Ela sempre muito forte, decidida, marrenta, falava pouco dos pais, reclamava que eles eram chatos, pegavam no pé dela, mas até ai era normal, todo filho pensa isso dos pais.
João Lucas nunca podia imaginar que ela já tinha sofrido tanto nessa vida, e mesmo assim tinha se tornado uma pessoa incrível,
uma pessoa que sempre esteve ao seu lado, mostrando uma coragem que ele nunca tinha visto em ninguém,
Du sempre foi sua melhor amiga, sua confidente, seu porto seguro, era ela que o tirava das roubadas, que o guiava. Se ele já admirava sua esposa,
a partir daquele momento ele começou a admirar mil vezes mais.
O amor e a gratidão que ele sentia por ela era algo tão forte, que ele estava se sentindo destruído depois de ouvir tudo aquilo.
Ele odiava pensar que ela tinha sofrido o desprezo da mãe a vida inteira, odiava pensar que ela cresceu sozinha, sem proteção, sem carinho, e odiava pensar qual seria a reação de Du ao descobrir a verdade sua a sua vida. Além do mais, o pai dela estava doente, estava morrendo, por mais que ele tenha sido um pai ausente a vida inteira,
era pai dela, e João Lucas tinha certeza que ela o amava.
Como ele ia contar isso pra ela?
Ele odiava pensar na hipótese de ver ela sofrer.
João Lucas não conteve as lágrimas, uma mescla de sentimentos, ódio, pena e até dor, o atormentavam, naquele momento ele daria a vida para nunca mais ver Eduarda sofrer.
Ainda caminhando na praia,
o celular de João Lucas toca, era Eduarda o chamando no ‘FaceTime’.
Ele rapidamente passa a mão pelo seu rosto para limpar as lágrimas e disfarçar o choro, e atende a ligação.
Du: Leki, tu não imagina o que acaba de acontecer cara! – Eduarda fala toda animada, com um sorriso de orelha a orelha.
João Lucas: Fala meu amor.
Du repara que João Lucas não está na empresa, e aparentemente estava chorando.
Du: Leki, onde você tá? Que cara é essa? Tu tava chorando?
João Lucas: Não é nada Du, me conta o que aconteceu?
Du: A Martinha Lucas, ela falou, quer dize ela não falou exatamente, ela resmungou nessa língua de bebês sabe? Estamos aqui brincando, ela abriu os bracinhos pra mim, vindo em minha direção, e disse: MAMAMAMA. – A primeira palavra dela foi mamãe, Leki.
João Lucas abre um sorriso, seu coração enche de alegria ao ver a animação de Du.
João Lucas: Não brinca Du, tu tá mentindo, Martinha ainda é muito nova para começar a falar. E se ela falou aposto que foi papai.
Du: Seu bobo, foi mamãe, tá. E o pior, Alfredinho começou a chorar depois disso, e veio também em minha direção. Ai Lucas, onde você tá hein? Volta logo para casa, quem sabe você tem sorte e ela fala MAMA, na sua frente de novo. Olha os Lekinhos estão com saudades de papai né, lekinhos?
Du aponta a câmera para as crianças, que estão entretidas com alguns brinquedos ao lado dela na cama.
João Lucas: Meus Amores.
Du pega os dois e coloca em seu colo, ficando os três na frente da câmera do cel.
Du: Olha o papai de vocês.
João Lucas: Lekinhos mais lindos, olha o papai aqui.
Os dois começam a rir, depois que ouvem a voz de João Lucas, Alfredinho vai com a mãozinha para tentar pegar o telefone, mas Du o repreende.
Du: Não Alfredinho, a mamãe segura. Lucas, onde tu tá hein cara? Tu tá na praia?
João Lucas: Ehhhh.
Martinha também tenta pegar o cel, e Du fica brava mais uma vez.
Du: Martinha, você também? Não é para pegar o celular da mamãe.
Du: Lucas, que cara é essa? Tu andou chorando? O que tá acontecendo? E porque você tá na praia? E não na Império?
João Lucas: O clima tava muito pesado por lá Du, aí resolvi caminhar um pouco, mas já tou indo para casa. Tá ouvindo, papai já tá indo.
Du não consegue mais controlar os gêmeos, que começam a chorar por não conseguir pegar o celular da mão de Du.
Du: Tá bom, vem logo, que esses dois já começaram a fazer bagunça. Da tchau para o papai !
João Lucas: Tchauuuuu.
Os gêmeos começam a rir novamente e a prestar atenção no celular.
Du desliga a chamada, e João Lucas começa a caminhar de volta para o carro, é hora de voltar para a casa, e ele não tem a mínima ideia o que vai dizer para Du.
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