Simplesmente Acontece

27 Capítulo 4 - Tempestade


Notas iniciais
Gosto dessa sequência :)

Quando estão a caminho do RJ, começa uma chuva muito forte, uma tempestade muito feia. Já era tarde, eles não podiam mais voltar para Petrópolis, a visibilidade na estrada estava horrível, e a chuva aumentava a cada instante.
Du: Lucas vai devagar pelo amor de Deus.
João Lucas: Eu tou indo Du, mas tá difícil enxergar alguma coisa lá fora.
Du: Será que não é melhor pararmos?
João Lucas: Vamo parar onde? É mais perigoso parar aqui no meio do nada.
Du segurava as mãozinhas dos filhos, que a essa altura, já tinham acordados e estavam chorando.
Lá fora a chuva não parava de cair, parecia que o mundo iria acabar, e João Lucas tentava enxergar alguma coisa na estrada, mas era praticamente impossível, já era tarde da noite, e estava muito escuro.
Du chorava junto com os Lekinhos, não conseguia controlar seu nervosismo, se estivesse apenas ela e Lucas no carro, tinha certeza que os dois iam dar muitas risadas e saberiam como sair daquela tempestade da melhor maneira possível, mas agora era diferente, os dois filhos estavam ali, e ela temia por eles. Du começou a rezar mentalmente, pedia a Deus para que não acontecessem nada com eles.

Aos poucos a tempestade foi acalmando, mas a chuva ainda era forte, eis que chegaram em uma parte da estrada, onde estava muito transito, Du enfim se acalmou, eles não estavam sozinhos no meio do nada.
Algum barranco deveria ter cedido, e alguns guardas tentavam organizar o transito.

Agora mais calma Du tentava acalmar os filhos que não parava de chorar, Lucas estava quase enlouquecendo no volante.
João Lucas: Du, faz eles pararem de chorar, por favor.
Du: Eu tou tentando Leki, eu tou tentando. Tu quer trocar de lugar? Quer vim acalmar eles, e eu dirijo?
João Lucas: Não, não.
Du: Acho que eles estão com fome.
João Lucas: Da de mama então.
Du: É isso que eu vou fazer.
Du pega Alfredinho no colo que é sempre o mais desesperado, e lhe de mama, ele enfim se acalma. Então ela o põe de volta na cadeirinha, e pega Martinha.

Quando Du estava dando de mama para Martinha, um guarda bate no vidro do carro.
João Lucas abre.
Guarda: Caiu um barranco, vocês devem tomar muito cuidado daqui pra frente, nada de sair dessa faixa ok? A outra está interditada.
João Lucas: Tudo bem seu guarda, mas vai demorar muito para liberar esse transito? Eu tou com a minha mulher e meus filhos. – João Lucas percebe que junto com esse guarda, há outro, que estava o encarando.
Guarda: Acho que vai demorar só mais um pouco, daqui a alguns quilômetros, já vai estar melhor.
Guarda 2: Pede os documentos.
Guarda: Posso ver os seus documentos?
João Lucas: Mas porquê? Algum problema seu guarda?
Guarda: Nenhum, é só procedimento.
João Lucas percebe que o outro guarda ainda estava olhando,
e enquanto ele pega os documentos se dá conta que na realidade o Guarda não tirava o olho de Eduarda que estava no banco de trás amamentando Martinha.
Quando ele se dá conta da situação, seu sangue sobe pela cabeça, ele tenta abrir a porta, mas esquece que estava travada.
João Lucas: Tu tá maluco? Tá olhando pra minha mulher? Não tem amor a vida cara?
Eduarda se assusta com os gritos de João Lucas, Martinha e Alfredinho também eles começam a chorar, Du rapidamente arruma sua blusa.
João Lucas continua aos berros com o Guarda, que tenta se defender, o primeiro guarda tenta controlar a situação, mas não consegue.
João Lucas enfim destrava a porta do carro, saindo rapidamente, e indo pra cima dele.
O outro guarda por sua vez, consegue acalmar João Lucas, aconselha a voltar para o carro, e seguir viagem.
João Lucas enfim volta para o carro, os gêmeos ainda choram muito e Du esta super assustada.
Du: Leki, o que foi isso? Tu tá bem?
João Lucas: Eu tou bem Du, só tou....tou..tou... todo molhado, e aquele desgraçado que não devia tá bem. Mas eu vou falar, eu vou falar com meu pai, para colocar os contatos dele atrás desse imbecil, onde já se viu ficar olhando para...para...a minha mulher não. Isso não, esse cara vai se arrepender de ter nascido.
Du: Calma João Lucas por favor, não faz nenhuma besteira, por mim, por nossos filhos.
João Lucas olha para o banco de trás, e se depara com uma Du assustada, frágil, que tremia, mais que os Lekinhos que não paravam de chorar.
Ele então se arrepende de ter surtado, se aproxima dela, e pede desculpas

João Lucas: Perdão Du. Fica calma por favor, você precisa ficar calma para cuidar dos nossos Lekinhos. Eu não queria ter te assustado, ter deixado você, vocês, desse jeito. Mas quando eu vi aquele cara olhando para você daquele jeito, eu não me segurei. Me perdoa Du?
Du diz deixando as lágrimas caírem dos olhos:
Leki, eu não quero ficar viúva. Eu fiquei com medo, eu tou com medo.
João Lucas, passa a mão de leve no rosto dela para secar as lágrimas.
João Lucas: E não vai, eu sou como meu pai, imortal, vou estar sempre aqui para defender vocês.
Ele consegue arrancar um sorrisinho de Du, o carro que estava atrás buzina, o transito tinha andado um pouco. João Lucas então coloca o sinto, e volta a dirigir.
A chuva estava passando, os gêmeos se acalmaram e enfim dormiram, eles ficaram mais algumas horas no transito, e enfim chegaram em casa.

João Lucas estacionou na frente do prédio, e no desespero nem se lembrou de colocar o carro na garagem. Ainda chovia um pouco, João Lucas pegou algumas sacolas, colocou entre os braços, e pegou Alfredinho no colo, Du pegou Martinha, e eles correram para o prédio.
Chegaram ao apartamento molhados.

Como já era de se esperar Marta os esperavam na sala, junto com José Alfredo, ambos estavam muito preocupados.
Maria Marta: Onde vocês dois estavam? E chegam em casa nesse estado? Ensopados por conta da chuva? Seus irresponsáveis, essas crianças estão molhadas. Meu Deus.
João Lucas se irrita com os comentários de Marta, ele passa reto, colocando as sacolas em cima do sofá.
Marta continua destilando seu veneno, e José Alfredo apenas observa.
Maria Marta: Vocês estão loucos, essas crianças podem ficar doentes.
João Lucas, aumenta o tom de voz e responde totalmente irritado:
Mãe, para, eu sei como muito bem como cuidar dos meus filhos, eu não admito que a senhora ou qualquer outra pessoa dessa casa se meta na nossa vida, tá me ouvindo? Vem Du

João Lucas e Du sobem para o quarto.
Maria Marta fica chocada com a resposta de João Lucas, e Zé Alfredo começa a rir.
Maria Marta: Você tá vendo isso Zé? Não vai falar nada?
Zé Alfredo: Falar o que Marta?
Maria Marta; tu não tá vendo? Seus netos estão ensopados de chuva, eles podem ficar doente. Você vai ficar rindo da irresponsabilidade desses dois? Faz alguma coisa Zé.
Zá Alfredo ainda rindo, sobe atrás de João Lucas e Du.

Antes de João Lucas entrar no quarto, Zé Alfredo consegue alcança-lo.
Zé Alfredo: Filho, espera.
João Lucas: Não pai, eu não quero ficar ouvindo, preciso ajudar a dar banho nas crianças.
Zé Alfredo: Onde vocês estavam? Porque chegaram a essa hora da noite?
João Lucas: Fomos para Petrópolis Pai, e pegamos uma tempestade na estrada, tu não tem noção pai, muita chuva, muito transito, e outras coisas, mas depois eu te falo. Me dá licença.

João Lucas entra no quarto, Du já estava preparando a banheira para começar a dar banho nos gêmeos, e ele a ajuda.
Os dois dão banho em Alfredinho e Martinha, e os colocam no berço, as crianças estavam calmas, cansadas e já tinham pegado no sono.

Du ainda estava tremula e assustada com tudo o que tinha acontecido na volta para casa, João Lucas percebe a aflição de sua mulher, ele então se aproxima, envolvendo ela em seus braços, dando um leve beijo em sua cabeça.
João Lucas: Calma Du, já passou.
Du: Lucas, eu...eu...
João Lucas: Não fala nada, vamos tomar banho, tirar essas roupas molhadas, antes que os gêmeos acordem.
João Lucas a pega pela mão, e juntos caminham até o banheiro.

Depois de um banho rápido, eles voltam para o quarto, João Lucas, deita na cama, teria apenas poucas horas de sono, logo o dia iria amanhecer e ele tinha que ir para a Império.

Du ainda foi amamentar os gêmeos, e quando eles já estavam alimentados e dormindo, ela se deitou ao lado de Lucas, abraçando-o. E assim, sentindo o corpo do marido ao lado do dela, se sentindo segura e protegida, logo pega no sono.