Simplesmente

28 Capítulo 28: Os Amigos e Confusão


Notas iniciais
Gente, eu pensei que esse capítulo seria chato, mas do nada parece que baixou o santo e eu comecei a escrever e a escrever e não me matem! eu não estava planejando esse rumo pra esse capítulo, mas no momento pareceu uma coisa certa se fazer. Tudo o que eu posso adiantar é que mais uma vez uma dose de realidade bateu nas duas e... o resto só lendo, matem o Gerrad e não eu =3

Eu não poderia deixar de agradecer imensamente a Pleasure e a holdmeachele. Você me fizeram chorar ç.ç Pleasure é uma das que mais me ameaçava de morte (falo mesmo u.u) pra não demorar a postar ou fazer as duas não brigarem. Suas lindas, obrigada mesmo pelas recomendações!

PS: São quase 2h da manhã, não revisei nada e nem pus em itálico, perdão, to morrendo de sono ç.ç

PoV Shay


As expressões de incredulidade ainda tomavam Tinna e Thomás. Mesmo depois que estávamos sentados ao redor da única mesa da casa. Era óbvio pelas caras e bocas deles que ainda não acreditavam que Ivy estivesse ali ao meu lado vestindo roupas minhas e com um sorriso bobo aparecendo em sua face de minuto em minuto. Depois do primeiro susto Ivy correu para salvar o pão da torradeira e eu cai na gargalhada pelas caras que Tinna fazia ao tentar falar algo, mas sem nunca conseguir. Então fomos nos vestir, eu não poderia ficar com o lençol apenas e da mesma forma não deixaria Ivy seminua, apesar de muito sexy com minha blusona.



–Certo, chega – Tinna pousou o garfo com um pouco de força na mesa – O que diabos está acontecendo?



–É uma história longa – Ivy comentou e delicadamente terminou de tomar o seu café.



–Ah, esqueci de dizer. Quando cheguei aqui eu encontrei aquela sua foto no corredor indo para biblioteca. Foi a Tinna que me ajudou a encontrá-la. Eu disse que você era o amor de minha vida e ela não acreditou, ficou com aquele papo de Dama do Gelo – expliquei para Ivy que corou na mesma hora.



–Odeio esse apelido – ela comentou revirando os olhos e depois sorrindo – Mas seria meio difícil de acreditar mesmo se eu não fosse conhecida dessa forma.



–Então você é a mulher da vida dela? – Thomás repetiu em um tom de dúvida – É lésbica e comprometida?



–Exatamente. Sempre fui dela, na verdade – Ivy deu de ombros e cortou um pedaço de maçã, ela sempre ficava com fome depois de uma noite como a que passou.



– Eu não consigo acreditar – Tinna murmurou e gargalhou – Ninguém vai acreditar nisso.



–Não precisamos que acreditem – Ivy acrescentou um pouco séria – Aprendi que não devo explicações pra ninguém, apenas para quem realmente me importo.



–Espere, deixe-me entender. Vocês estavam juntas no passado? – Thomás ainda buscava um pouco de lógica.



Ivy encarou-me um pouco em dúvida, se deveria mesmo contar nossa história ou não. Mas por um tempo eu iria viver com Tinna até ter minha vida estabilizada em Londres. Então peguei na mão de minha italiana e entrelacei nossos dedos de um jeito carinhoso e com um meio sorriso tornei a encarar o casal a minha frente.



–Estudamos na mesma escola desde o ensino médio – comecei a contar – Ela me odiava, eu a achava uma gostosa irritante. Sempre acabávamos brigando e nisso a diretora nos fez escrever uma redação sobre a outra ou iria tomar medidas drásticas conosco.



–Esse foi o ápice do meu ódio por você – Ivy riu ao lembrar – Queria te matar.



–Não foi a única meu amor, ta vendo? Nossos sentimentos sempre foram recíprocos – brinquei não resistindo a dar um beijo na bochecha dela apenas para vê-la ficar sem jeito – Mas isso só fez a gente ficar mais juntas. Desde sempre eu tive de me virar sozinha, by Text-Enhance\">trabalhar, cuidar de meu irmão mais novo. Ivy descobriu tudo sobre mim e fazer o que se eu sou apaixonante!



–Ragazza stupida, não fique tão metida! – Ivy reclamou, mas ao olhá-la ela sorria – Você esqueceu-se de contar que eu era completamente heterossexual.



–Você era tão galinha quanto eu, ao menos nisso estamos kits – lembrei a ela – Mas enfim, de forma resumida. Apaixonamos-nos e começamos a sair juntas. Ivy passou a cuidar de mim de uma forma que me fez amá-la cada dia mais. Tudo estava indo bem, escola, by Text-Enhance\">trabalho, romance. Mas tudo desabou de uma vez quando o pai dela descobriu sobre nós.



–Foi a pior noite de minha vida. Até porque teve aqueles idiotas do parque – Ivy comentou ficando tensa, apertei a sua mão e ela suspirou – Meu pai na mesma noite já estava planejando me mandar para Oxford. Ameaçou Shay e cortou toda nossa comunicação.



–Dois anos depois aqui estamos. Reencontramos-nos ontem, tivemos o melhor sexo de nossas vidas e vamos enfrentar tudo o que estiver pela frente.



–SHAY! Eles não precisavam saber dessa parte! – Ivy reclamou envergonhada e tímida.



–Ah, sinto informar, não somos cegos. A Shay ainda está toda marcada – Tinna comentou rindo – Fica meio óbvio.



–A história de vocês é linda, apesar de tudo – Thomás sorriu grande – É um prazer conhecê-la oficialmente, Ivy mulher da Shay.



–Gostei disso – aprovei completamente.



Ivy me deu uma leve batida com seu cotovelo e acabei rindo. Verdade seja dita, nesse dia eu riria até do vento de tão feliz que estava. A puxei e comecei a encher seu rosto de beijos e leves mordidas enquanto ela tentava me afastar rindo, mas quase sem forças de me empurrar por não querer realmente me afastar.



–Ainda estamos aqui – lembrou Tinna pigarreando.



Nesse momento o celular de Ivy começou a tocar. Ela levantou e foi procurá-lo em meio ao caos de nossas roupas espalhadas por toda a casa. Aproveitei para continuar o meu café da manhã, precisava recuperar nem que fosse o mínimo de minhas forças. Tinna ficou fazendo algumas pequenas perguntas enquanto Ivy ia em uma busca quase perdida do aparelho. Quando o achou ela gritou um “achei você miserável” em italiano que me fez rir. Era tão delicioso finalmente entender tudo o que ela falava, sem deixar de ser sensual quando ela falava a sua língua materna.



–Oi Karen! – ela atendeu da sala, mas como o apartamento era pequeno dava para escutar facilmente a conversa – Estou bem, desculpe sair daquele jeito. Não, não passei a noite em meu apartamento, mas não se preocupe, estou muito bem acompanhada. Claro que não! Eu não ficaria bêbada para sair com qualquer um por carência! Alias, porque não chama o pessoal para o saguão do edifício para que eu possa apresentar? Daqui a pouco eu chego ai.



Ela desligou o celular e eu levantei indo de encontro a ela. Não deixei que falasse, a envolvi pela cintura em um abraço apertado e a beijei dominadora, mas apenas para deixar o contato o mais longo e carinhoso possível. A noite de ontem não foi suficiente, poderia passar uma semana, um mês ou um ano, nunca o seria. Simplesmente porque não me cansava dessa italiana, nunca me cansaria! Quando o beijo finalmente teve fim ela roçou o nariz no meu e envolveu meu pescoço com seus braços de uma forma terna.



–Vamos conhecer meus amigos, são poucos, mas me ajudaram a enfrentar esses anos – ela falava baixo como se quisesse conversar apenas comigo.



–Queria passar o resto da semana só com você, te beijando e amando – fiz beicinho pidão.



–Temos aulas e compromissos de qualquer forma – Ivy começou a mexer em meu cabelo fazendo-me ficar entregue a qualquer sugestão que ela desse – Mas teremos de arranjar um jeito para passarmos todas as noites e tempo livre juntas, ao menos por um tempo.



Fiz que sim com a cabeça e dei-lhe mais um beijo. Mas dessa vez Ivy não deixou-me prolongar, o interrompeu e foi até o banheiro terminar de ajeitar-se. Joguei-me no sofá com um sorriso impossível de ser retirado de meus lábios, mesmo que eu tentasse ele sempre persistia em sua teimosa felicidade.



–Então eu poderia dizer que você passou em um dos programas mais difíceis apenas por causa de uma mulher? – Tinna perguntou enquanto se aproximava e sentava no sofá a frente de mim.



–O principal motivo. Amo arquitetura, sempre estudei para fazer esse curso. Mas quando perdi Ivy a arquitetura se tornou um meio para encontrá-la. Só uni o útil ao agradável. Se não fosse pelo programa eu arranjaria estágios, empregos, juntaria meu dinheiro e viria para cá, mesmo se usasse todas as minhas economias – expliquei de uma forma simples, como se isso fosse óbvio para mim. Sentei melhor e fitei Tinna sem perceber que meus olhos brilhavam apaixonados – Entenda, eu não saberia viver sem ela, passaria minha vida buscando formas, meios de encontrá-la ao menos para saber se estava bem. Minha vida não iria continuar sem isso.



–E você prometeu que iria me encontrar – de repente Ivy estava atrás do sofá, inclinando seu corpo para envolver-me por trás e dar um beijo carinhoso em meu pescoço – Se formos rápido poderemos usar meu apartamento logo depois.



–Porque ainda estamos aqui? – perguntei fingindo seriedade.



Ivy riu e deu-me mais um beijo. Despedimos-nos de Tinna e Thomás e pegamos um táxi. Não iria brigar com Ivy por causa disso mais, afinal apesar de ainda ter uma condição financeira menor que a dela o programa havia coberto todos os custos, o que me deixou em uma posição favorável já que tudo o que eu juntava era pensando nela. Durante o caminho ela me contou um pouco sobre seus amigos, os descrevendo rapidamente já que meu apartamento era relativamente perto do dela. Quando ela chegou em Gerrad foi impossível não amarrar a cara e ficar um tanto chateada. Ela percebeu e franziu o cenho.



–Ele é um amigo importante – ela terminou de falar.



–Sim, que por acaso todo mundo sabe que é afim de você – falou ainda de um jeito emburrado.



–E que todo mundo sabe que nunca quis nada com ele. Porque eu estava esperando você. Ah não faça esse beicinho, tenho vontade de mordê-lo só porque te deixa extremamente fofa.



Tentei continuar emburrada, mas aqueles olhos tão intensos sobre mim não me permitiam. Acabei sorrindo e revirando os olhos, ganhando como bônus um abraço de lado já que ainda estávamos no táxi.



Quando chegamos ela segurava a minha mão em um aperto gentil, mas ainda assim segurando como se não quisesse soltar. Entrelacei nossos dedos e entramos em seu prédio, que obviamente era muito maior e melhor que o meu. Provavelmente ali ficavam os filhinhos de papai que não queriam morar nos dormitórios do campus da universidade. Por um momento me arrependi de ter escolhido uma simples calça, tênis e uma blusa de mangas compridas preta sendo completada apenas por um casaco branco sem mangas por cima. Estava tão simples e eu poderia apostar que os amigos dela eram de alto nível. Respirei fundo para comentar algo sobre isso com a Ivy, mas antes que percebesse estávamos em uma sala cheia de sofás e uma bela decoração em verde e branco.



–Ivy! – uma garota pequena exclamou.



Ivy acenou com um enorme sorriso, engoli tudo o que tinha de dizer e tomei coragem. O que importava era apenas a Ivy e nada mais, não é? Avistei os outros amigos dela e ajeitei meu cabelo por instinto de ficar mais apresentável. Eles levantaram e se aproximaram, meu único alívio foi o aperto da mão dela sobre a minha, ela não me soltaria.



–Você passou uma noite com uma garota? – um garoto, que não era Gerrad pois este eu o conhecia, perguntou em uma sincera surpresa – E a sua garota da escola que...



–Prazer – o interrompi com um sorriso tímido – Sou a garota da escola que ela é perdidamente apaixonada. Shay Williams.



–AH MEU DEUS! – Karen gritou.



–Eu não acredito! – o mesmo garoto também estava evidentemente chocado.



–Foi por causa dela que eu sai correndo do Sunset. Ela estava me esperando na praça – Ivy explicou com um lindo sorriso nos lábios – Então apresentando formalmente. Amor, esse é o Benjamin, ele faz relações internacionais. A pequena Karen, ela é um semestre a menos que eu. E este é o Gerrad, ele faz administração e já está terminando o seu curso.



Acenei para todos mais relaxada. Mas ao olhar para Gerrad minha mão automaticamente apertou ainda mais a da Ivy. Entendam, ele era um daqueles homens que fazem as mulheres se apaixonarem apenas com seu sorriso de dentes brancos e barba por fazer. Estava tão concentrada nisso que quando recebi um beijo em meu pescoço me surpreendi e sorri desconcertada.



–Vocês precisam contar como foi que tudo isso aconteceu! – Karen quase pulava no lugar, tão feliz por nós duas que ganhou prontamente a minha simpatia.



Fomos para os sofás mais afastados e novamente contamos um pouco de nossa história. O mais engraçado entretanto aconteceu quando um grupo de estudantes passaram por nós e retornaram como se viessem confirmar o que estavam vendo. Eu estava com um braço envolvendo a cintura de Ivy e rindo, nossos corpos estavam quase colados sem que eu percebesse até aquele momento.



–Eles estão nos encarando? – perguntei curiosa, apontando com a cabeça para o grupo.



–É o Seth e os amigos dele – Benjamin os reconheceu – Ele é da minha turma de Francês Avançado.



–Eles devem estar estanhando a Ivy – Karen ria – Afinal ela nunca ficou tão perto de alguém assim antes. Sempre se afasta. Nem mesmo o Gerrad...



–Ah, a Dama de Gelo – a interrompi não querendo que ela falasse de Gerrad ao mesmo tempo em que tinha uma ideia – Então me deixe da um recado para eles.



Segurei o queixo da Ivy e antes que ela pudesse reagir encaixei nossas bocas em um beijo intenso. Ela tentou me empurrar depois dos primeiros segundos, mas aquele beijo não era para aquele grupo, mas sim para que Gerrad visse que ela era minha e só minha! De uma forma possessiva briguei pelo domínio e não hesitei em submeter Ivy a um beijo realmente avassalador e definitivamente escandaloso para um local público. Ignorei todos os protestos dos amigos dela de que estavam de vela, parando apenas quando o ar realmente faltou. Não pude conter um riso baixo ao ver que quando ela abriu os olhos ainda estava entorpecida pelo efeito do beijo.



–Essa italianinha chata e irritante é minha – falei de um jeito carinhoso, mas sabia que Ivy notaria que era o mais puro ciúme escondido em minhas palavras – Sempre foi e sempre vai ser.



–Quem quer apostar que vai estar em todos os anúncios de redes sociais isso? – Karen ria ao imaginar – “A Dama do Gelo é atacada por uma desconhecida!” ou então “Ela finalmente derreteu! Qual será o segredo dessa garota misteriosa?”.



–Ou comentários pejorativos – Gerrad completou sério – O rumo que se pode dar a boatos é assustadoramente perigoso, acho que isso foi desnecessário e exibicionismo.



Eu quis matá-lo. Geralmente era Ivy que demonstrava ciúmes e posse, como quando aconteceu com Linna ou quando ia acompanhar no trabalho e ficava de olho nas garotas que ela costumava chamar de piranhas assanhadas. Mas naquele momento aquele era o garoto que passou mais tempo com minha mulher, escutou cada riso dela e o amou, a fez sorrir em esperança de que ela lhe sorrisse de forma especial. Eu tinha raiva disso, talvez pela inveja que sentia, da vontade de ter sido eu a fazer essas coisas e não ELE.



–Eu não me importo, não mais – Ivy disse determinada ao meu lado – Sempre irão falar, ou olhar torto, especular coisas e me julgar. Mas posso aguentar tudo isso, posso ser forte... Se tiver a Shay, depois de tudo que a gente passou é como se eu pudesse conquistar o mundo apenas com minha felicidade.



–Felicidades são apenas momentos. Uma reputação ou construção de imagem pode ser pra vida toda – Gerrad continuou.



–Então vou aproveitar cada momento meu com ela, bom ou ruim – Ivy continuou e suspirou – Nada vai nos abalar Gerrad, já sofremos preconceitos, Shay chegou a apanhar em público para me defender. Não sou ingênua, mas também não vou me prender por especulações e possibilidades.



–Mas... – Gerrad ia continuar.



–Cara, para de por defeito – Benjamin o interrompeu – Elas se amam. Fim. Você vai ter de superar isso.



Passei a quase amar aquele irlandês. Gerrad estava tão obviamente apaixonado por Ivy que minha vontade era de socá-lo até deformar sua carinha de macho sedutor. Eu sabia que o encarava de forma ameaçadora, não conseguia esconder ao todo o meu desconforto assim como preferia manter-me quieta para não descer o nível de minhas palavras como tinha vontade.



–Só estou querendo protegê-la! – brigou o inglês cerrando os punhos – Não pode me impedir disso.



–Eu posso – não aguentei mais. Inclinei meu corpo para frente lançando um olhar intensamente frio para o meu rival – Sempre cuidei dela quando ao meu lado, não será diferente. Agradeço por vocês terem tomado conta dela, não penso em roubar a Ivy de vocês. Mas quero deixar claro que ela é minha namorada, não, minha mulher. Certas responsabilidades cabem a mim agora.



–Você é só uma garota magra! – Gerrad levantou perdendo o controle – Como vai proteger dos perigos? Não foi capaz de segurá-la perto de você, o que te faz capaz de algo agora?!



Aquilo me atingiu a ponto de me fazer empalidecer um pouco. Que garantias eu tinha de que a protegeria? Ou melhor, quando eu as tive? Não tinha força bruta ou financeiras, não ainda. Ivy iria levantar, mas eu a segurei. Em movimentos lentos ergui do sofá e sem pronunciar nenhuma palavra dei um passo suave em direção ao Gerrad... E apliquei o meu melhor gancho de direita. O golpe foi forte o suficiente para derrubá-lo no chão e afastar o corpo dele. Todo mundo levantou bruscamente e até mesmo o grupo de curiosos se aproximaram. Gerrad arrastou-se para trás para aumentar a distância e levantou rapidamente para não ter ferido demais o seu orgulho.



–Viu? Assim que vou proteger – disse de uma forma seca, mantendo o olhar tranquilo e frio – Agora escute aqui inglês estúpido, eu cresci tendo de enfrentar batalhas muito maiores que meu tamanho e forças. E venci de algum modo. Jamais vou pedir a Ivy que se afaste das amizades que ela fez, afinal de certa forma era você que estava ao lado dela quando eu não estava. Mas agora eu estou e vou proteger tudo o que a gente tem com todas as minhas forças, nem que eu tenha de vender minha alma pro diabo para poder enfrentar até mesmo o papa. Eu não me importo de receber alguns golpes, de cair e me humilhar. Mas por essa mulher eu atravessei o continente e posso fazer muito mais por ela. Não vai ser um inglês que não aceita perder que vai se intrometer entre mim e ela. Você é nada comparado ao que a gente já passou!



Respirei fundo pelo nariz para recobrar o fôlego. O silêncio dominou o ambiente até que Benjamin se aproximou de Gerrad e o puxou pelo braço para longe. Eu não tinha percebido, mas inconscientemente meu corpo se pós a frente de Ivy como se servisse de escudo. Eu poderia protegê-la, eu sabia que sim! Mas então porque aquela dúvida implantada em meu peito? Eu estava completamente desconfortável com os olhares e sem conseguir decifrar o que Ivy estava sentindo. Massageei meus dedos um pouco doloridos por causa da força do golpe e recuei alguns passos.



–Desculpe – pedi olhando de Ivy para Karen – Não queria realmente machucar o amigo de vocês.



–Ele estava passando dos limites – Karen tentou apaziguar o clima – Você se machucou.



–Nem quebrei uma unha – tentei brincar e sorri, mas foi em vão. Meus ombros caíram desanimados – Acho melhor eu ir embora, novamente desculpe pelo inconveniente.



Recolhi o resto de minha dignidade e comecei a me afastar. Não aguentaria olhar para Ivy e mostrar toda a minha insegurança, não queria que ela visse que eu estava prestes a chorar. Fazia tão pouco tempo que tudo mudou radicalmente que agora faltava-me a confiança que fingi demonstrar para Gerrad. E se Ivy se machucasse nisso tudo? Se eu a fizesse sofrer por causa de minha condição? Estava tão confusa que não percebi que seguia para o lado contrário da saída, apenas andava almejando ficar longe de tudo. Passei tanto tempo sozinha que naquele momento a solidão parecia ser meu único conforto. Abri uma porta pensando ser uma saída apenas para descobrir que havia parado em uma sala de estar vazia, provavelmente por causa do horário.



–Shay...



Escutei a voz de Ivy atrás de mim, mas bem próximo, o suficiente para que logo depois os braços dela me segurassem em um abraço apertado. Enxuguei uma lágrima teimosa e segurei em suas mãos para afastá-la. Ivy apertou-me ainda mais contra o seu corpo. Ela devia ter me seguido silenciosamente sabendo que estava indo pelo caminho errado, talvez para que pudéssemos ficar a sós.



–Eu não vou te soltar – ela murmurou de um jeito calmo em meu ouvido.



–Eu só preciso de um tempinho sozinha, logo me recupero e peço desculpas até para aquele inglês. Desculpe se te envergonhei com minhas atitudes – falei com a voz rouca, estava tentando a todo custo não mostrar que estava prestes a cair em um pranto silencioso – Queria ter passado uma boa imagem para eles. Ia até te falar pra você me deixar voltar pro apartamento pra vestir algo melhor, mas já era tarde e a Karen tinha te visto...



–Eu te amo.



–E tentei realmente ignorar aquele garoto, os olhares que ele estava te dando, os pensamentos ciumentos e zangados. Eu realmente tentei me controlar e...



–Que droga Shay – Ivy de repente virou-me e empurrou para que eu caísse em um sofá que estava praticamente ao nosso lado. Em movimentos rápidos ela sentou em meu colo, uma perna a cada lado de meu corpo mantendo-se assim de frente para mim. Assim ela poderia me olhar com aquele mar azul com uma intensidade que roubou meu fôlego – Escute o que eu estou dizendo, eu te amo.



–Nem sempre será o amor que irá nos sustentar – murmurei finalmente me permitindo ser fraca, não conseguiria mentir perante aquele olhar – Gerrad pode estar certo em alguns pontos...



–Eu te amo – ela me interrompeu de novo.



–Você está me escutando? – perguntei um pouco brava, porque ela não me entendia?!



–Sì, lo sono. Ma sto dicendo che ti amo – ela disse que estava, mas estava dizendo que me amava. Incrivelmente ela me presenteou com um sorriso apaixonado – Enquanto não escutar isso não poderei dizer as outras coisas.



Mantive o olhar sem conseguir me pronunciar. Então Ivy me deu um selinho, e depois outro mais demorado, mordeu meu lábio inferior e novamente mais um selinho. Não resisti a um suspiro, o que denunciou que aquilo que ela fez acalmou-me um pouco. Ela sorriu satisfeita e levou uma mão para meu cabelo para ficar acariciando enquanto falava.



–Eu também tenho medo. Medo de te perder novamente, porque não sei se iria sobreviver novamente se isso acontecesse. Tenho medo de que você se canse de mim...



–Isso é impossível Ivy! – a cortei prontamente.



–Não ficamos nem um ano juntas Shay, apesar de parecer que vivemos uma vida. Então sim, tenho medo que você descubra que fez isso tudo para depois de alguns meses ou anos descobrir que não era eu.



–Isso é impossível – repeti convicta – Você é a mulher de minha vida. O que me garante que você também não faria isso? Eu tenho certeza do que eu sinto, Ivy!



–Eu tenho uma certeza – ela disse com a voz levemente embargada – Certeza de que desaprendi a ter uma vida independente. Não sei o que seria não pensar em você todos os dias, sorri sozinha com alguma lembrança nossa. E agora que a tenho novamente percebo que nem meu coração, alma e corpo me pertencem mais. São tão seus que não tenho uma segunda opção. E isso não é ruim porque neste momento eu sou a pessoa mais feliz deste planeta.



–Felicidade é feita de momentos. Vamos ter uns tão complicados quanto os do passado, talvez mais – lembrei amargamente do que Gerrad disse.



–Por mais que tenhamos sofrido no passado eu sempre te esperei não foi? Eu sei disso tudo Shay. Como também sei que poderia sair gritando por toda Oxford que você é a mulher de minha vida, que eu te amo e que quero você, farei isso até perder a voz com os gritos. Se for necessário para que você acredite em você mesma.



–Acreditar em mim mesma?



–Sim, porque se eu posso fazer isso por acreditar em nosso amor, passar o maior mico do século na universidade mais conceituada da Inglaterra... Você também será capaz de me proteger, de me fazer sorrir nos dias mais tristes, de me abraçar quando eu me sentir incapaz ou machucada por outros.



–Eu não quero que se machuque...



–Não podemos prever o futuro ou ficar especulando demais ou enlouqueceremos nas possibilidades. Mas eu acredito em você, em sua força, em sua coragem. Eu acredito em seu amor, Shay Williams.



Suspirei alto e senti duas lágrimas escaparem. Ivy as enxugou com a mão livre e acariciou minha bochecha, eu não sabia se ela tinha conhecimento de que aquelas simples carícias me aliviavam de toda a tensão. Mas se isso era possível, porque não no futuro?



–Sei que irá brigar por mim sem se importar em perder ou ganhar, mas que irá tentar com tudo o que tem. Da mesma forma que estarei lá para te ajudar a levantar, pra curar suas feridas ou revigorar suas forças. Eu estarei lá porque eu te amo, eu te amo tanto que às vezes sinto que irei sufocar ou que meu coração irá explodir com tanto sentimento guardado e...



Eu a interrompi com um beijo calmo e curto. Mas apenas aquele toque de lábios bastou para que acendesse as chamas de minha força e convicção. Havia chegado até ali e não foi a toa, eu teria aquela mulher para sempre do meu lado.



–Você é tão perfeita – murmurei apaixonada contra os lábios dela – Perfeita até em suas imperfeições.



–Sobre Gerrad... Não faça essa careta, escute-me. Eu estava prestes a dar um tapa na cara dele de tão irritada que estava por dentro. Mas posso revelar algo? Você estava tão fofa cheia de ciúmes e quando o derrubou e disse todas aquelas coisas eu a amei mais ainda... E a achei extremamente sexy.



Não aguentei o riso que logo foi acompanhado pelo dela. Eu a abracei forte a prendendo contra meu corpo. Sentia-me tão poderosa e viva novamente que era como se toda a confusão anterior fosse apenas uma bobeira minha.



–Que tal irmos para meu quarto e termos aquele sexo das pazes que sempre tínhamos no passado? – Ivy perguntou sedutoramente em meu ouvido.



–Mas não fomos nós que brigamos – brinquei deslizando as mãos para as coxas dela.



–É apenas uma desculpa para subirmos – ela disse revirando os olhos.



–Antes quero saber algo que me veio agora à mente. É muito importante e quero que você responda com toda a sinceridade.



–O que não sabe ainda Shay? Tem dúvida de algo ainda?



–Sim – respondi sincera e ela suspirou, afastou um pouco para poder olhar-me direito. Pigarreei como se tivesse tomando coragem.



–Fale logo – ela reclamou da minha hesitação.



–Ok ok... Então italianinha, eu queria saber... Un giorno, mi vuoi sposare?


Notas finais
Antes que vocês comentem nos reviews eu queria esclarecer umas coisas. Eu parei para pensar no panorama geral das coisas e se não me engano as duas não conseguiram nem passar 6 meses juntas. Depois disso foram 2 anos separadas e ao meu ver 6 meses é pouco para se aguentar uma relação de 2 anos sem se ver ou comunicar. Mas como eu venho sempre demonstrando o amor delas é puro, romântico e cúmplice. Então sim, ele resiste até mesmo ao tempo... Mas não tem como se salvar das dúvidas ou incertezas! Ainda mais que não se passou mais que 48h que elas se reencontraram. Acho que se eu não abordasse de nenhuma forma essa questão perderia um pouco o quê de realidade que gosto de por. Mas no fim sempre foi como deve ser, as duas se acertando sz

Tive de vim editar pra lembrar de dizer o que significa "Un giorno, mi vuoi sposare?" pensei em deixar na maldade pra fazer vocês pesquisarem pra ter certeza... Mas sou muito boa ç.ç então a frase em português seria "Um dia, você se casaria comigo" (ou então 'você casaria comigo')