Silver Bird
7 O livro dos tesouros
Eu nem tinha noção da hora, só queria dormir. Acordei e enterrei a cara no travesseiro, mas uma das três disse que eu deveria levantar. Eu respondi com um gemido grave.
– Não preciso não. Me deixem dormir.
– Senhorita, você realmente precisa levantar.
Levantei o tronco, meus cabelos caíram na cara.
– Será que ninguém pode dormir em paz ? Que saco ! Eu estou cansada ! — resmunguei enquanto abria as portas do guarda-roupa e tirava uma calça jeans.
– Não, não, não, a partir de agora, você está na Seleção. Usará vestidos na maior parte do tempo, pelo menos, enquanto estiver aqui. — Repeti o gemido grave.
– Tem mais isso ainda ?
– Sentimos muito, senhorita.
– Tá, tá, eu entendo. Não são vocês que fazem as regras. — mas usar calça é uma exceção ! Eu amo calças ! E por falar nisso, aposto que em menos de um dia e meio elas vão me querer por num salto. E vou decepcionar muito elas, pois eu não sei usar salto. Nunca andei em um.
Elas foram até um guarda roupa que eu nem tinha notado e tiraram um vestido fresquinho azul-turquesa. Ele tinha um tecido de seda por baixo da saia, e o corpete tinha umas rendinhas. Eu não sou muito de vestidos, mas aquele estava lindo. Elas eram muito talentosas.
– Fizemos para a senhorita. Segundo Mark, você usa muito azul, acreditamos que irá gostar este.
– Sim, sim, é lindo ! Mas... eu não vou usar um salto, né ? — sério, tenho pavor de salto.
– Depende da ocasião. Em festas, com certeza usará um. Em reuniões, talvez uma sapatilha, ou um saltinho baixo, como este aqui que separamos para você. — Elas andaram até uma caixa no canto do quarto. May se abaixou, abriu a tampa de vidro e tirou um saltinho branco.
– Ahhhh — resmunguei. — Não posso usar uma sapatilha, sei lá ? Qualquer coisa menos salto ! — Elas se entreolharam e deram um sorriso. O que elas estão pensando ? Que eu sou uma burra ? Vou mostrar para elas !
– Me deem isso aqui ! — Tomei a caixa de May, tirei o salto e subi em cima e me equilibrei.
– Nem é tão difícil assim !
– Ahn... Senhorita... os pés estão trocados. — disse Jane. Eu não me segurei e soltei aquela gargalhada, elas riram junto.
– Deixe-me te ajudar.
•••
Desci as escadas, e trombei com um soldado.
– Sinto muito — disse e tentei continuar meu caminho, mas ele me segurou perlo ombro. Me virei.
– Senhorita Sophia.
– Sim ? — ele vestia uma roupa meio verde, semelhante à uma armadura.
– Preciso lhe passar um recado, venha comigo. — ele me puxou pelo braço, coisa que não achei muito sofisticada para um soldado, mas quem sou eu para falar alguma coisa ? Chegamos à uma parede bege, muito grande. Ele colocou a mão em um dos tijolos e uma porta se abriu. Tudo lá dentro era escuro, só vi a luz de algumas velas. Ele entrou na frente, acendeu uma luz e automaticamente todas as velas se apagaram. Eu comecei a andar e a observar as estantes de livros. Tinham muitas, e uma delas estava com uma vitrine de vidro, talvez como proteção.
– O quê é aquela estante ali ? — apontei com a cabeça.
– São os livros proibidos. — Me virei para o soldado, ele parecia procurar algum livro. Me aproximei, e ele tirou um livro de capa meio marrom, aparentava ter umas 700 páginas. Ele tirou uma chave do bolso, encaixou na fechadura, girou e o livro se abriu. Na capa estava escrito " Os 13 tesouros ". Os 13 tesouros ? O que isso significa ?
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