Silver Bird

8 Flormosura Julian


Atolei o rosto no travesseiro. Não queria pensar em absolutamente nada, mas minhas mente lotava-se de pensamentos inúteis. Queria fazer como nos filmes: mudar de cidade, conhecer um cara novo, sair com ele e pronto. Talvez o melhor a ser fosse desabafar com a minha mãe, ela me entende e me dá os melhores conselhos do mundo. Não, não falei com ela. Continuei ali, com a cara enterrada no travesseiro. Já eram quase 10:00, minha mãe ainda não gritou por mim. Me virei, e encarei o teto. De mãos cruzadas sobre a barriga, eu só queria sair dali. Me refugiei, novamente na fotografia. Abri a gaveta do guarda-roupa, onde era reservada para todas as minhas câmeras. Eu sabia de cor e salteado, os números de cada uma. Eu precisava da Lomo 4. Cacei-a com o olhar, joguei a alça no ombro, e fui para o banheiro fazer minha higiene matinal. Penteei o cabelo longo e castanho, fiz um coque no alto a cabeça e fui para a cozinha.

– Bom dia, Ju. — disse minha mãe expandindo um sorriso meigo no rosto.

– Oi, mãe. Dormiu bem ? — perguntei.

– Dormi otimamente bem, e você ?

– Dormi. — menti.

– Eu estou preparando um café da manhã para você, no capricho !

– Obrigada mãe. Mãe, quando eu terminar de comer, eu vou sair para fotografar algumas coisas, falou ? Eu to criando um álbum novo, o tema é fotos indies/vintages e símbolos de bandas.

– Outro álbum, Júllia ? Eta ! Você gosta mesmo dessas coisas de foto, né ?

– Sim, fotografias são minhas paixões. — ela terminou de fritar alguma coia na frigideira, serviu tudo na mesa e eu fiz o meu café. Quando terminei de comer, ajeitei a alça da 4, vesti um casaco de lã fino, florido. Saí pelas ruas daquela merda de cidade, quando um rapaz puxou meu braço.

– Ahn, com licença, você é a vizinha nova ? — puuuta que pariu, que cara mais gato !

– Sim, sou eu. — respondi olhando para meus pés, envergonhada.

– Meu nome é Julian. Desculpe não me apresentar antes, eu não sabia que havia vizinha nova. Toda vez que algum vizinho se instala aqui, eu o dou boas-vindas. Como você se chama ?

– Jullia. Jullia Turner. — eu me sentia incondicionalmente honrada em ter o mesmo sobrenome que o Alex. Alex Turner.

– Lindo nome. Você quer ir tomar um sorvete ? Eu conheço uma ótima sorveteria aqui perto. — aaai, com você, gato, eu tomo até no... não, espera.

– Claro, vamos lá.

– Você é fotógrafa ? — a pergunta que eu estava esperando para responder, era essa.

– Ainda não, mas estou quase lá.

– Que maneiro ! Eu adoro fotografias. O quê você fotografa ? — eu iria responder "tudo" mas seria uma resposta muito podre, então não.

– Várias coisas — fala sério ?! " Várias coisas ? " Ah Jullia, vai se foder ! — Eu saí para fotografar algumas vitrines, umas roupas vintages, essas coisas, para meu novo álbum. Eu curto muito essas coisas. Eu tenho, na verdade, 17 câmeras Lomo. Cada uma eu uso para um fim diferente. — Ah, agora sim.
Nós conversamos muito, muito, muito, e ele me chamou para eu conhecer o hobbie dele. Ele não me disse qual era, só disse que queria me mostrar a paixão dele. Lógico que eu aceitei. Caminhei mais um pouco lá por aqueles lugares, fotografei o que eu precisava e voltei para casa. Agora era só esperar aquele Julian me mostrar o "hobbie" dele.

Notas finais
Pessoal, desculpem a quantidade de palavras, eu na verdade, queria fazer o dobro ou mais, mas né :p Saiu isso aí. Sábado que vem tem mais um capítulo, e eu vou compensar tudo o que não escrevi, nele.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.