Notas iniciais
Eu sei que tem MUITO tempo que eu não atualizo Silhouette e peço desculpas por isso, mas confesso que depois que minha conta no spirit foi apagada sem nenhum aviso, e eu perdi praticamente todas minhas histórias, e os comentarios do leitores que tanto me incentivavam, eu desanimei bastante. Sem contar que no meio do caminho meu notebook também estragou, ou seja, uma confusão enorme. Mas eu tenho um carinho enorme por essa história, e não consegui abandona-lá, por isso voltei com um novo capitulo, e espero sinceramente que vocês gostem!

O fim de um dia sempre representou uma metáfora diferente para Robin desde o nascimento de Autumn. Nós primeiros meses, ele representava o inicio de uma jornada exaustiva, marcada por choro, irritação e muitos momentos fora da cama com o objetivo de fazer uma nova mamadeira ou a troca de uma fralda. Com o correr do tempo, o fim do dia começou a significar a perspectiva de uma noite completa de sono, atualmente os fins de dia representavam para Robin e Autumn uma vitoria.

A vida que tinham em Dublin aos poucos se tornava uma lembrança gostosa de ser revisitada, mas o dia a dia em Mallow havia conquistado um espaço mais do que especial no coração de ambos e a cada novo desafio vencido, a cada nova adaptação alcançada, Robin ficava mais próximo do sentimento de ter tomado a decisão correta.

“Você esta pronta?” Ele questionou ao ver ao entrar no quarto de Autumn e observa-lá calçando os sapatos cinza que combinavam com o vestido azul enfeitado com flores pratas.

“Um minuto” Ela disse desviando a atenção dos sapatos para sinalizar para o pai que ainda precisava dar os ajustes finais.

Aproveitando que a atenção da filha ainda estava sobre ele, ele sinalizou dizendo que ia esperar por ela no andar debaixo. Ele agarrou então o embrulho que repousava sob a cômoda da filha, e que trazia em seu interior uma boneca que com certeza não valia seu preço, uma vez que era pequena e exageradamente incomoda se pensássemos nos padrões de beleza de uma boneca, e caminhou em direção a escada.

Era aniversario de Belle, uma das muitas amizades que Autumn havia feito na nova escola. Autumn era o que se poderia chamar de ‘popular’, se é que esse vocábulo era empregado aos alunos do jardim de infancia, e isso a um só tempo fazia com que Robin se sentisse feliz e aterrorizado. Não sabia porque isso o aterrorizava, apenas sabia que fazia.

Em uma ligação rápida no inicio daquela manhã, ele questionou a mãe de Belle como seria a dinâmica da festa, uma vez que os pais deveriam apenas deixar os filho na casa dela, e voltarem para buscar as crianças no horário estipulado por ela. A deficiência de Autumn, fazia com que ele se sentisse apreensivo em deixa-la sozinha em um ambiente, onde as chances de acidentes que acabariam em um hospital, eram consideravelmente altas, mas após a mãe de Belle garantir que haveria monitores para ajuda-la a supervisionar as crianças, assim como havia um especial para auxiliar Autumn, ele relaxou um pouco.

A ansiedade começou a correr sob sua pele quando ele constatou que teria o equivalente a toda uma tarde livre. Fazia tanto tempo que ele não sabia o que era ter um longo período de tempo só para ele, que ele simplesmente não fazia ideia do que fazer. Seu primeiro instinto foi conferir os armários, tanto de mantimentos, quanto de higiene pessoal e fazer uma lista do que estava em falta, ou prestes a acabar para poder então fazer uma viagem ao supermercado afim de compra-los.

“Eu estou pronta.” A garota de cabelos loiros saudou o pai com um sorriso ao entrar no campo de visão dele.

A viagem da casa de Robin a casa da Belle era curta, cerca de dez a quinze minutos dependendo sempre dos sinais de transito. Ao chegarem lá, Autumn quase não conseguia conter a empolgação, e assim que seu pai a ajudou a se desenvencilhar do cinto de segurança, ela pegou o embrulho no assento do carro e correu em direção a porta deixando o pai para trás.

A mãe de Belle, era tão jovem quanto Robin, e tinha um rosto em formato de coração, que junto com os olhos grandes e expressivos, e a personalidade receptiva deixava claro o quão amorosa ela era. Ao abrir a porta e encontrar Autumn, ela abriu passagem para a menina, e movimentando os lábios lentamente indiciou que Belle e as outras crianças estavam no quintal e ela poderia se juntar a eles. A garota não precisou de nem meio segundo para começar a correr na direção que ela havia apontado.

Robin cumprimentou a mulher a sua frente, e depois de mais uma vez repassar suas preocupações, ele foi embora satisfeito, e de certa forma até tranquilo, com a responsabilidade de retornar em três horas para buscar a filha.

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“Você não tem outra escolha, você precisa ir.” A voz da ruiva alcançou a morena, mesmo após Regina fechar a porta do banheiro atrás de si.

“Eu já entendi essa parte, agora eu preciso que você me dê uma data para que eu possa me organizar.” A morena respondeu.

“Não é como se você fosse uma pessoa com a agenda lotada, não seja tão dramática.”

“Não seja uma cadela, eu posso não ter a vida social tão movimentada quanto a sua, mas eu ainda tenho meus compromissos.

“Tudo bem, eu vou pedir minha agente uma data e ainda essa semana te passo a informação.”

“Ok!” A morena respondeu e um estranho silencio recaiu sobre o ambiente.

“Quanto tempo você ainda vai demorar ai dentro?” Rebecca questionou após alguns minutos.

“Você não deveria esta em casa trabalhando na continuação do seu livro, ou algo assim?” A morena questionou e em seguida saiu do banheiro dando de cara com a melhor amiga sentada sob sua cama com o semblante marcado pela ironia.

“Não aja como se você não me quisesse aqui, uma vez que foi você que me ligou cedo me convidando para almoçar.”

“Não seja tão sensível, quando eu estava apenas brincando. Então vamos ?”

Apesar dos sábados serem oficialmente destinados ao seu pai, Regina havia recebido uma ligação no facetime no inicio daquele dia, de seu pai, cancelando o compromisso dos dois. Ele não quis entrar em grandes detalhes, dizendo apenas que ‘algo havia surgido’, dizer que a morena havia ficado curiosa era um grande eufemismo, mas ela havia decidido deixar de lado por enquanto, dissecaria o assunto no próximo sábado, quando eles se encontrasse cara a cara.

Com o plano de aula daquela semana pronto, as atividades corrigidas e o cancelamento do pai, Regina se viu com uma tarde inteira livre pela frente, e sem nenhum ideia do que fazer. Foi assim que ela viu ligando cedo para a amiga e perguntando se Rebecca queria sair para almoçar e talvez assistir um filme. Após o comportamento padrão, reclamar sobre a hora, a ruiva aceitou, e era para isso que as duas se preparavam agora.

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Ir as compras sem a intervenção de Autumn, foi um processo silencioso e rápido, e ele se deu conta, muito rapidamente, que não se adaptava mais a vida solitária, gostava da algazarra, das constantes perguntas e das engraçadas reflexões da filha enquanto, eles passeavam pelos extensos e abarrotados corredores.

Com uma janela de tempo considerável, Robin decidiu permanecer fora de casa e aproveitar para explorar a cidade com seu tempo livre. No entanto, bastou alguns minutos dirigindo para perceber que estava quase que em piloto automático, guiando o automóvel em direção a confeitaria que havia se tornado muito rapidamente o lugar favorito dele e de Autumn.

Ele caminhou para dentro do estabelecimento com um sorriso no rosto e cumprimentou tanto a gerente atrás do balcão repleto de uma variedade imensa de doces, quanto a atendente que havia se tornado um rosto familiar.

Robin deixou o olhar vagar pelo ambiente, e constatou que a mesa afastada da porta, que ficava perto da janela que oferecia uma linda vista para a rua e em subsequência para o que queria ser, mas parecia não ter alcançado o objetivo, um parque.

Antes de se sentar, ele pescou um livro na estante que ficava ao fundo e que ele havia começado a ler da ultima vez que estivera ali com a filha. Romenna, a atendente, se aproximou de sua mesa, e após trocarem algumas palavras e os usuais ‘como esta’? e o curioso ‘onde esta Autumn?’, ele disse que ia querer o de sempre, e ela se afastou para pegar o pedido dele.

Entre um gole no café fumegante, e as cativantes paginas dos livros, ele não viu o tempo passar a sua volta. Sua atenção só foi puxada para o ambiente, quando uma voz conhecida e que aos poucos se tornava familiar invadiu o ambiente.

Desprendendo o olhar do livro, ele levantou a cabeça e viu a morena para diante do balcão acompanhada de uma ruiva que deveria ter a mesma idade do que ela. As duas riam de algo que a ruiva havia dito e pareciam muito confortáveis uma com a outra. Antes que conseguisse processar o que estava acontecendo, ele sentiu um sorriso se espalhar pelo seu rosto. Sorriso esse que foi de maneira veloz escondido, quando o olhar da morena cruzou com o dele, e ele se sentiu como uma criança que havia sido pega em flagrante roubando um biscoito do pote.

A morena sorriu para ele, em um cumprimento silencioso, e ele sorriu de volta balançando a cabeça, e então sentiu a indecisão invadir seu corpo, ele deveria se levantar e ir até ela cumprimenta-la propriamente? Ou deveria esperar que ela fosse até ele? Será que o maneio de cabeça havia sido suficiente e então nenhuma outra forma de cumprimento se fazia necessária?

Enquanto debatia interiormente o que fazer, a ruiva puxou a morena em direção a mesa onde ele estava sentado, e um movimento súbito ele se colocou de pé.

“Olá” A ruiva o cumprimentou.

“Olá” Ele respondeu um pouco incerto.

“Olá Robin, essa é minha amiga Rebecca, e Rebecca esse é Robin, pai da Autumn.”

“Oh! Então você é o Dilf!” A ruiva respondeu deixando a empolgação e a desinibição marcarem sua voz.

“Dilf?” Robin respondeu com um sorriso, sabendo que existia alguma piada ali, mas que seus conhecimentos obtusos sobre o mundo, o haviam feito não entender.

“Rebecca!” Regina disse em tom de repreensão, e a coloração avermelhada surgiu em sua face.

“Ai, eu só estava brincando.” A ruiva disse no que era para ser uma desculpa, mas ficava claro pelo seu tom de voz que ela não havia se arrependido.

“Hora e lugar errado.” a morena respondeu.

“Tudo bem. Mas sobre a pequena, onde esta Autumn?” A ruiva questionou genuinamente curiosa.
“Parece que a agenda social dela é mais movimentada que a do pai — Robin disse com uma risada comedida — ela foi para a festinha de aniversario de uma de suas amigas da escola. E eu estou aqui, me sentindo solitário e completamente desnorteado sem saber o que fazer com todo meu tempo livre.”

“Ah! Essa juventude.” Rebecca disse em um tom engraçado que fez com que os três rissem. “Sabe de uma coisa, Regina levou um bolo do próprio pai hoje, e ela também tem todo um tempo livre, sem nada para fazer, talvez vocês devessem fazer companhia um ao outro.”

“Rebecca não...” Regina começou a dizer, mas sua voz foi suplantada pela voz de Robin.

“Eu adoraria sua companhia Regina.”

“Ótimo! Então, assim eu posso ir para casa e finalmente trabalhar na continuação do meu próximo livro.” A ruiva disse em um tom levemente marcado pela ironia, que não passou despercebido para a morena, principalmente, quando a ruiva deu uma leve piscada para Regina.

“Oh, então você é uma escritora, que legal. Existe algo que eu possivelmente tenha lido?” Robin perguntou se aproximando de Regina e puxando a cadeira, para que ela pudesse se sentar e fazer companhia a ele.

“Depende do quão fã de romances com propensão a drama você é.”

“Não o suficiente para ter um amplo conhecimento sobre o gênero. Talvez, uns quatro ou três livros lidos.” Ele disse com um sorriso timido que mais parecia um pedido de desculpa.

“Tudo bem, eu posso te mandar uma copia autografada, pela Regina, e no nosso próximo encontro você pode me dizer o que achou, talvez eu te encante tanto, de maneira a levar você se apaixonar por mim, ou melhor pelas minhas histórias.”

“Eu adoraria Rebecca.” Ele disse verdadeiramente curioso.

“Então temos um acordo.”

A ruiva se despediu de ambos e caminhou porta a fora com um grande pedaço de torta de sete camadas, que nada mais era do que uma torta com sete tipos diferentes de chocolate, afirmando que aquilo era uma fonte de inspiração ilimitada.

“Ela é – Robin pausou por um segundo a fala afim de encontrar a palavra certa- um pouco expansiva?”

“Acredite, essa é a versão comportada.” Regina disse rindo, e o loiro a acompanhou.

A morena pediu uma xícara de chocolate quente, e apesar de os primeiros minutos terem sido um pouco tensos, afinal era a primeira vez que ela e Robin se encontravam sozinhos. Logo que a conversa avançou, e eles começaram a descobrir mais coisas em comum do que esperavam, eles começaram a se sentir confortáveis na presença um do outro. Tão confortáveis, que Robin quase perdeu a hora de ir buscar Autumn na festa, tão confortáveis, que Regina e ele chegaram a conclusão que deveriam repetir o encontro em algum momento futuro.

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