Silhouette
10 Novas direções
Notas iniciais
O sorriso que estampava o rosto de Autumn quando Robin estacionou para pega-la era tão brilhante e tão cheio de histórias que ele não pode conter a alegria que se espalhou em seu interior. Toda a apreensão e medo que ele havia tão bem escondido em seu inconsciente de repente foi varrido para fora de seu corpo, e ele sentiu como se estivesse pelo menos dez quilos mais leve, os ombros relaxaram, e como em um ato de puro reflexo, um sorriso igualmente brilhante se espalhou pelas feições dele.
No caminho para casa, Autumn, tentou coloca-lo a par de tudo o que havia acontecido, mas ele logo chegou a conclusão de que dividir a atenção entre a estrada e o reflexo da filha no retrovisor não era uma boa ideia, então ele pediu para que ela esperasse até que eles chegassem em casa.
Eles nem haviam passado pela porta de entra quando Autumn começou a gesticular euforicamente, fazendo com que ele, mesmo já tendo alguns anos de experiência, tivesse dificuldade de acompanhar. Ela contou que havia se divertido bastante, e que Belle sua melhor amiga, depois de Julie, ela fez questão de frizar, havia permitido que Autumn a ajudasse a abrir os presentes. A pequena também acrescentou que havia comido dois saquinhos de pipocas, porque elas eram doces e cor de rosa, e que o bolo era de chocolate com balinhas. Por ultimo, Autumn disse que havia ganhado uma tatuagem, e Robin sentiu a respiração ficar em suspensão até ver a filha lhe estender a mão e mostrar uma borboleta de asas verdes desenhada no dorso de sua mão.
Após os relatos animados e detalhados, Robin levou a filha até o andar de cima, para poder ajuda-la no banho e a se preparar para dormir. Quando finalmente estava pronta, ele pegou o livro que era a leitura da semana sobre a cômoda e se deitou-se junto com a filha para começar a leitura. Antes no entanto, que ele terminasse a segunda página, a respiração pesada e ritmada de Autumn deixou claro que ela já estava apagada.
De volta ao andar de baixo, Robin ligou a Tv em um canal aleatório, afim apenas de que o barulho que provinha do volume mediano do aparelho preenchesse o ambiente. Ele se serviu uma taça de vinho para relaxar, e deixou o corpo se acomodar no sofá.
Antes que pudesse se controlar, sua mente resolveu reviver a tarde daquele dia e o seu encontro com Regina.
“Então, eu vou querer saber o que significa Dilf?” Robin perguntou após uma xícara de chá ter sido colocada em frente a Regina, e então os dois terem voltado a ficar sozinhos.
“Não, definitivamente não – Robin notou o rubor se espalhar pela pele da morena, e podia jurar não ser um efeito colateral da bebida quente que ela sorvia aos poucos – Rebecca só tem essa mania irritante de querer me envergonhar em frente das pessoas.”
“Tudo bem, eu vou deixar passar, no entanto, não prometo não fazer pesquisas mais tarde quando retornar para casa.” Robin disse com um sorriso no rosto
“Oh Meu Deus, eu vou matá-la!” Regina gemeu e ao permitir que seu olhar se encontrasse com o de Robin ela sentiu suas bochechas esquentarem ainda mais. “Nós podemos mudar de assunto, por favor?”
“Vocês se conhecem a muito tempo?” Robin questionou
“Sim, eu a conheci no primeiro ano do Middle School, a família dela tinha acabado de se mudar para cá, e ela era uma bola de energia que queria ser amiga de todos da escola, e antes que eu me desse conta eu tinha sido arrastada para vida dela.”
“Eu posso imagina-la como a garota popular do colégio, mas você, é um pouco difícil de imagina.”
“Não é difícil, é impossível, porque isso nunca aconteceu, eu sempre fui o estereotipo da garota nerd, óculos de grau, toda semana um livro diferente, e meus peitos não cresceram até eu estar quase no High School.” Assim que terminou Regina teve vontade de abrir um buraco no chão e se enfiar nele, ela tinha acabado de falar sobre seus peitos com o pai de uma de suas alunas, se algo pior pudesse acontecer …
“Essa sim é uma imagem que eu consigo pensar, uma garota e seus inúmeros livros.” Robin disse com um sorriso simpático no rosto, e Regina agradeceu com olhar o fato dele ter optado por ignorar o detalhe que ela tão desnecessariamente tinha deixado escapar.
Regina virou a direção da conversa para ele, subitamente curiosa, quis saber como havia sido a adolescência dele. Com bom humor, ele explicou que também não foi o garoto mais popular do colégio, uma vez que todos os seus amigos eram apaixonados por esportes, e os interesses dele, estavam mais voltados para desmontar eletrónicos e monta-los novamente, tentando entender como eles funcionavam. Mas ele acrescentou mais tarde que mesmo assim os seus amigos ainda o chamavam para sair, e esse fato quando em conjunto com o fato dele saber tocar violão, fez com que ele fosse consideravelmente popular com as meninas.
A morena perguntou se ele ainda tocava violão, e o semblante do loiro murchou, quando ele explicou com a voz engasgada que não havia tocado em seu violão desde o que havia acontecido com Marian, Regina se desculpou por ter tocado naquele assunto, e o clima ficou pesado durante alguns segundo, até ele se lembrar de algo engraçado da sua época de colégio e adicionar na conversa. Perdidos nas descobertas um sobre o outro, Robin quase perdeu a hora de buscar Autumn.
—x-
“Você se lembra de como marcamos um minuto?” Robin questionou a filha lhe entregando o relógio que usualmente residia no pulso esquerdo dele.
“Sim! Quando o ponteiro grande da a volta completa na rodinha.” A menina disse com um sorriso orgulhoso no rosto, e Robin sorriu de volta também orgulhoso.
“Tudo bem, então se vire para lá – ele disse apontando para a cerca de madeira que delimitava o fim do quintal da casa deles – e espere o relógio completar um minuto para vir me procurar certo?”
Balançando a cabeça em concordância a pequena se virou na direção que o pai havia indicado, e fixou o olhar no relógio. Robin correu pelo quintal em direção a casa a procura de um lugar em que pudesse se esconder. O dia havia amanhecido com um sol tímido, mas com o decorrer das horas, ele foi se tornando consideravelmente mais forte, então o loiro resolveu que era uma ótima ideia que ele e Autumn passassem um tempo fora de casa, no quintal, brincando e absorvendo toda a vitamina D possível.
Após tropeçar no tape, e decidir que aquilo era um armadilha em potencial, uma vez que Autumn tinha predileção por correr, ao invés de caminhar pelos ambientes da casa, Robin finalmente se escondeu atrás da poltrona que ficava na sala da TV. Um minuto mais tarde ele ouviu os pequenos pezinhos de Autumn tamborilarem pelo piso, ele soube que ela já havia iniciado a expedição atrás dele.
Uma risada escapou dos lábios da pequena ele soube que seu destino estava traçado, ela havia o encontrado. A pequena pulo no colo do pai, e ele a apertou em um grande abraço de urso. Rindo eles voltaram para o quintal, para desfrutarem do piquenique que havia preparado algum tempo antes.
Quando a noite finalmente chegou, Autumn estava exausta, mas nada se comparava ao tanto que Robin estava cansado, e ele pensou que talvez a idade estivesse chegando, e então, ele não seria capaz de acompanhar por muito mais tempo as aventuras de Autumn, que ao contrario dele, parecia ter sido liga no nível máximo de voltagem, tamanha era a energia que ela tinha.
“Tudo bem querida, você quer escolher uma nova história para começarmos essa noite?” Robin perguntou ao colocar Autumn na cama.
“Nós podemos fazer algo diferente?”
“Como o que ?”
“Eu queria ligar para tia Marie, eu estou com saudades.”
“Oh baby, eu não sei se tia Marie esta em casa, mas podemos tentar.”
Robin caminhou até seu quarto e buscou o Ipad, e entregou a filha. Autumn rapidamente ligou o aparelho e ligou para tia pelo FaceTime. Enquanto Robin, ficou responsável por acender a luz. Após algumas chamadas, o loiro já estava pronto para dizer que era melhor eles desistirem e deixarem para o dia seguinte, quando então, ele ouviu a doce voz da irmã ressoar do outro lado da tela.
Como um observador distante, Robin observou a filha contar para tia como havia sido o dia deles, assim como também a observou narrar detalhadamente, como havia feito com ele, tudo o que havia acontecido no aniversario de Belle no dia anterior.
“Você deixou o seu pai sozinho durante todo o dia?” Marie perguntou com o rosto marcado por uma falsa preocupação. “Você não ficou com medo que ele fizesse algo errado?”
“Ele sabe se comportar direitinho, e a gente conversou antes deu sair de casa, ele prometeu não fazer nada de errado.” Autumn gesticulou para tia rindo, e Robin revirou os olhos para irmã.
“Ele te contou o que fez durante a tarde?” Mesmo que a pergunta tivesse sido direcionada a Autumn, Robin sabia que a irmã na verdade estava curiosa e queria quer ele respondesse, afinal, a tempos ele não tinha um tempo livre assim só para ele.
“Não!” A pequena respondeu para tia então se virou para o e questionou o que ele havia feito.
“Compras! Isso foi o que eu fiz.”
“Durante toda a tarde?”
“E a confeitaria.” Ele disse num tom que deixava claro aquela conversa tinha chegado ao fim.
O foco da conversa voltou para Autumn, e como em um estalar de dedos, a presença de Robin foi novamente esquecida, mesmo que eles estivesse deitado ao lado da filha na cama. Com um sorriso no rosto, ele percebeu a maneira atenta com a qual Autumn fitava a tela do aparelho quando sua tia lhe contava algo.
Quase uma hora mais tarde, os olhinhos de Autumn começavam a fraquejar, e ela já tinha aberto a boca de sono, duas vezes, percebendo que estava na hora de encerrar a conversa, Marie resolveu que era hora de contar alguma curiosidade sobre dinossauros para Autumn, uma vez que elas sempre encerravam as conversas assim. Antes no entanto, que o irmão desligasse o aparelho para fazer a filha dormir, Marie pediu para que mais tarde ele a ligasse novamente, queria conversar com ele.
Vinte minutos mais tarde, jogado confortavelmente sob sua cama, Robin pegou o Ipad e ligou para irmã. Era tarde, e ele provavelmente não deveria ligar naquele horário, mas ela parecia mesmo precisar falar com ele, então ele ligou, e foi atendido no segundo toque, como se ela estivesse passado todo o tempo aguardando.
“Olá”
“Então, me conta!” Marie disse pulando as cortesias e indo direto ao ponto.
“O que exatamente eu preciso te contar?” Robin perguntou genuinamente confuso.
“O que aconteceu ontem a tarde? como você sentiu ao ter uma tarde inteira só para você?” Marie questionou com um grande sorriso no rosto.
“Foi estranho, confesso. Acho que desde a morte de Marian eu nunca tive tanto tempo livre como ontem. Mas foi interessante.”
“O que você fez?”
“Compras, eu já disse!”
“E?”
“E eu fui a confeitaria, comer e ler algo, enquanto esperava o tempo passar.”
“E?”
“Marie! Chega de ‘e’”
“Eu sei que você esta me escondendo algo, eu te conheço a vinte e dois anos.”
“E eu me encontrei com Regina, e a gente passou algum tempo conversando. Fim.”
“Eu sabia!!!!! Me conte, como foi com Regina.”
“Foi ótimo, a gente conversou, e eu tive a oportunidade de conhecer ela um pouco melhor, e descobrir que ela é divertida como eu imaginava, e intrigante também.”
“Você deveria chamar ela para sair em um encontro, um encontro de verdade.”
“Oi?” Robin não conseguiu esconder o espanto.
“Você gosta dela Robin, e ela aparentemente gosta de você. Você disse que gostou da companhia dela, e da oportunidade de conhecer ela melhor, então porque não fazer isso de novo, mas agora de um jeito apropriado.”
“Regina é professora da Autumn, não acho que isso seria certo.” Robin como se considerasse a ideia, mesmo que em seu interior tivesse uma guerra entre, o talvez e o absolutamente não.
“E dai? Eu não estou mandando você casar com ela, eu estou falando para você chamar ela para um encontro, talvez um jantar, onde vocês possam conversar e se conhecer mais, como amigos.”
“Marie, eu não acho que isso vá funcionar.”
“Ah Meu Deus! Você quer que eu ligue par ela e a convide por você? Como eu fiz com Jessica quando você estava na sexta serie?” um sorriso debochado surgiu nas feições de Marie quando ela ouvi um gemido de vergonha escapar do irmão. Ele odiava essa lembrança.
“Ok, esse é o fim dessa conversa!”
Por mais que fosse brincadeira, já estava realmente tarde e Robin se despediu da irmã, uma vez que ambos precisariam acordar cedo no dia seguinte. Deitado em sua cama, no entanto, Robin não conseguia parar de pensar no que Marie havia dito. Seria muito errado se ele convidasse Regina para jantar na sua casa na próxima sexta, e então, pedisse que ela acompanhasse ele e Autumn a peça de teatro infantil para a qual ele havia ganhado ingressos? Enquanto sua mente pulava para inúmeros cenários diferentes se ele levasse aquilo a diante, ele acabou caindo no sono, sem chegar a uma resposta final.
—xx-
Fale com o autor