Silent Hill Sonhos

1 Vivendo ou sonhando?


A chuva estava caindo perfeitamente sobre meu jovem corpo. Ela segurava minha mão e me abraçava em um frio amor silencioso. Não podia estar certo esta descrição, mas eu não sabia como batalhar contra esta minha reação ao senti-la. Ela, tão fria quanto à neve, tentava me esquentar, mas aos poucos meu coração estava desistindo de viver e logo eu iria morrer.

Mais uma vez ela disse meu sonho, mas eu não pude escutá-la. Ela disse de novo e de novo ate eu ter certeza de que eu estava surdo... o que estava havendo comigo? O que esta acontecendo comigo? Por que eu não posso ouvi-la?

A chuva se tornou neve no momento no qual ela deixou de me abraçar. Eu a fitei e ela fez o mesmo para meus serpenteados olhos. Seus cabelos sobrevoaram a aurora noturna deixando seu frio corpo desaparecer de minha visão, aquilo tudo estava tão confuso!

Tentei sair do lugar no qual eu estava sentado, mas algo parecia estar me prendendo... eu, no final, não pude fazer nada por ela... como sou idiota.

-Kuro? Kuro!?-alguém me cutucava me fazendo descobrir tudo aquilo ser um sonho em forma de pesadelo, ainda bem não é?

-Fala Sayono... o que você?-perguntei, meus olhos ainda não haviam se acostumado com o lugar no qual eu me encontrava.

-Temos que ir...-ele respondeu com uma voz suicida. Seus olhos olhavam para algo no teto, mas eu não conseguia ver este algo.

-O que foi?-tudo passou tão rápido; Sayono se jogou do vigésimo andar, suicídio? Eu não sei, mas todos aqueles que me conhecem morrem... assim como todos de minha família.

Olhei a minha volta e notei não estar mais no carro... estava nevando? Como podia nevar nesta época do ano? Olhei novamente e senti aquele mesmo corpo vindo em minha direção, tão frio quanto à neve. Não pude evitar aqueles lábios tristes tocar os meus tão quentes. Estava sonhando como nas ultimas horas enquanto vinha para, olhei aquela placa e fiquei feliz por ser uma cidade, Silent Hill?

Eu podia ver seus rastros na neve ácida; a mesma com gosto de carvão ao cair em minha respiração frágil e ofegante. Enquanto tentava lhe desenhar a névoa estranha, misturada com os quentes flocos cinzas( pareciam neves á meus olhos negros), lhe ajudava a ficar menos nítida e com isso eu parecia lhe perder, completamente, de vista.

-Emily!-gritei por seu nome, mas infelizmente minha voz você não escutou enquanto corria pela cidade abandonada.O barulho do silencio ficava, cada vez, mais forte do que a minha própria respiração... eu precisava descansar, mas desperdiçar esta chance estava fora de questão.

Eu tinha de lutar contra o meu corpo humano, mesmo custando toda minha vida este feito impossível. Minhas mãos procuravam por seu corpo e quanto mais meus pés tocavam aquela rua branca, mais dor eu sentia... então cai sem ao menos sentir o impacto do quente solo estranho daquela avenida.

-Não... eu não quero sonhar... de novo não!-eu estava implorando por uma coisa impossível de se evitar, o sonho iria aparecer de qualquer jeito. Eu tenho de enfrentar mesmo sabendo o quanto difícil seria viver dentro deles... eu tenho que tentar... estou no presente, não posso descrever minha dor em um passado inexistente e muito menos prever o que ira acontecer...

-Aonde estou?-o palco do meu sonho parecia ser o mesmo palco da minha corrida por aquela garota tão familiar, mas tudo estava em movimento... a cidade parecia ter se revivido nas cinzas semelhantes a flocos de neve.

Ninguém havia me notado, mas só fui perceber isso após adentrar em uma cafeteira. Estava um pouco lotada, tentei pedir água, mas ninguém me vira a não ser aquela jovem( aparentava ter quinze anos pelo seu corpo), estranha, parada na entrada da porta inicial, a mesma na qual adentrei minutos atrás.

-Você esta em Silent Hill...-percebi sua voz ser a única coisa na qual eu conseguia escutar, tal como as batidas de meu coração.-...você esta morto!

Antes mesmo de poder lhe perguntar alguma coisa meus olhos novamente se abriram diante daquela, agora, cidade escura... estava de noite, mas os flocos cinzas ainda caiam em meu corpo... eu estava vivendo ou sonhando?