Silence - Season 1
1 Conflicts
Notas iniciais
O barulho das sirenes do carro de polícia e da ambulância da cidade de Westphalen ecoam e acordam toda a vizinhança próxima das ruínas da antiga igreja da cidade.
Cinco jovens são levados para a delegacia algemados e um corpo dentro de um saco preto escrito Instituto Médico Legal de Westphalen sobre uma maca levado para a ambulância.
[...]
Um dia antes:
– Senhorita Valentina Hastings, por favor, compareça a direção. – anunciou a voz da diretora Vera Cury nos alto-falantes da escola de Westphalen.
A menina caminhou receosa até a diretoria e bateu na porta que estava entre aberta.
– A senhora quer falar comigo? – questionou a menina.
– Sim, sente-se, por favor. – respondeu a diretora apontando para as poltronas frente a sua mesa.
Valentina sentou-se e não parou um instante sequer de esfregar suas mãos no veludo negro da poltrona.
– Valentina, eu temo que a notícia que lhe darei não é muito boa, mas você precisa ouvi-la de uma maneira ou de outra. – afirmou Vera olhando cautelosamente para a menina a sua frente.
– O que aconteceu, dona Vera? – perguntou a moça aflita.
– Sua avó me telefonou pedindo pra eu lhe mandar para casa, aconteceu algo a seu pai. – disse a senhora sem mais delongas.
Naquele instante o mundo ao redor de Valentina congelou, ela levantou-se e sai porta a fora sem falar com ninguém, aparentemente sem saber para onde ir, porém ela sabia exatamente para onde ir.
...
Ao chegar ao apartamento de seu pai, ela encontra policiais, repórteres e sua avó Helena sentada no sofá, com uma xicara de café nas mãos.
– Vovó, cadê meu pai? – questionou a menina com lágrimas caindo de seus olhos castanhos.
– Querida, a casa foi invadida e seu pai foi... foi encontrado morto. – disse Helena largando a xicara sobre a mesa e pegando as mãos de sua neta.
...
Naquele mesmo dia, no final da tarde, Helena chama sua neta para conversar sobre sua ida para Westphalen.
– Valentina, eu sei que não é hora, mas nós precisamos sair do apartamento, ainda hoje.
– Sim, eu sei vovó, as minhas coisas já estão arrumadas, quando partimos? – questiona a menina.
– Não está triste por ir embora de São Paulo? – questiona a senhora.
– Porque eu estaria, se eu não for para Westphalen eu terei que ir para o sul morar com a tia Amália, e eu prefiro Westphalen a Porto Alegre. – responde a garota surpreendendo sua avó pela decisão.
– Vamos colocar as malas no carro então, dormiremos lá e assim que o corpo do seu pai for liberado, irão leva-lo para Westphalen para o funeral. – afirma Helena.
...
Já em Westphalen, Valentina liga seu computador e recebe um chamado pelo Skype, é seu amigo Henrique.
– Valentina como você está fiquei sabendo o que aconteceu com seu pai, sinto muito. – fala Henrique.
– Oi Henrique, está meio complicado assimilar tudo isso, tem horas que eu quero sumir daqui, e depois eu penso que se não fosse pela minha avó eu já estaria em Porto Alegre. – diz a menina.
– Mas você vai ficar aí quanto tempo? – questiona o rapaz.
– Até eu me formar, como sou menor de idade e minha avó é o mais próximo de uma mãe que eu tenho eu vou ficar morando com ela.
– Mas e sua mãe, não deu noticias? – pergunta ele.
– Não e espero não vê-la tão cedo. – afirma Valentina.
– Não fale assim, apesar de tudo de errado que ela fez, ela ainda é sua mãe. – diz o menino tentando consola-la.
– Minha mãe não existe mais. – responde a menina enxugando as lágrimas de seu rosto.
– Eu entendo, mas você querendo ou não a Esther ainda é a sua mãe. – afirma Henrique.
– Eu sei que ela ainda é a minha mãe e nunca vai deixar de ser, mas ela me abandonou quando eu era um bebê, por que ela viria atrás de mim agora? – Valentina se pergunta.
– Ela deveria ter um motivo pra fazer isso, por mais que fosse um terrível motivo, ela o fez. – afirma Henrique.
– Bom, eu acho que sim, mas preciso tomar um banho e comer alguma. – afirma Valentina.
– Amanhã eu vou pra Westphalen, pra ver como você está. Está bem? – pergunta Henrique.
– Sim, eu te espero na rodoviária. – afirma Valentina. – Tchau, até amanhã?
– Ate amanhã. Descansa. – diz Henrique desligando a webcam.
...
Ao amanhecer, Valentina levanta-se e desce até a cozinha. Encontra sua avó conversando ao telefone.
– Sim, eu entendo o que você quer dizer Alberto, mas isso é perigoso...
– Vovó, está tudo bem? – questiona Valentina sentando-se a mesa.
– Sim querida, esta tudo ótimo. – afirma Helena desligando o telefone rapidamente tentando disfarçar a surpresa ao ver Valentina.
Valentina toma uma xícara de café com leite morno e come bolo de baunilha como cobertura de chocolate.
Levanta-se e vai até a varanda, senta-se no balanço e fica admirando os pássaros voando ao redor da árvore onde ela subia quando criança.
♪ — o celular de Valentina toca ao seu lado — ♪
Ela pega o telefone e lê a mensagem.
Vá até as ruínas da igreja hoje ao pôr-do-sol, tenho uma surpresa para você.
Ela olha para os lados e não avista ninguém. Desliga o telefone levanta-se e vai até a rodoviária esperar por Henrique.
Ela vê o ônibus chegar, mas não vê Henrique. Pega o telefone e liga para ele, mas ninguém atende então ela volta para casa.
– Valentina, seu amigo ligou e disse que não poderá vir hoje, mas ele virá em breve. – noticia Helena chegando ao jardim de sua casa.
Valentina passa à tarde na casa da avó deitada, dormiu a maior parte, até o telefone tocar. Ela acordada assustada, teve um pesadelo com seu pai e uma mulher que poderia ser sua mãe.
Ao pôr-do-sol, Valentina veste um casaco e vai até as ruínas como dizia a mensagem, porém ao chegar lá encontra quatro jovens da mesma idade que a sua, porém o que ela acha mais estranho é o fato de eles estarem em silêncio.
Ela se aproxima deles e fica em silêncio também. Uma pancada forte em sua cabeça faz com que ela desfaleça rapidamente.
[...] – continua...
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