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37 Especial - Natsu


Notas iniciais
Olá pessoal, como vão? Eu vou bem. A Faculdade por enquanto não está exigindo todo o meu tempo, assim consegui escrever mais capítulos e (ainda) consigo manter as postagens rápidas. Quero agradecer de coração a todos que favoritam, leem e comentar! De verdade. Vocês estão no meu coração! Sem mais delongas, desejo-lhes uma boa leitura!

Sigilo

Especial

Natsu

O castelo dos Dragneel era considerado uma das mais belas construções de Fiore, perdendo apenas para o Castelo Real. Assim como os demais, ele também tinha um nome conforme costume dos grandes Lordes, chamando-se Chama-Viva. Pois, ao pôr do sol quando o sol refletia-se nas águas do rio Calisto, a luz iluminava ainda mais os tijolos avermelhados do castelo, parecendo que estava em chamas.

Os lados sul e leste de Chama-Viva tinham a visão do rio Calisto, pois o castelo fora construído na ponta da montanha Âmbar, a menor delas. O lado oeste tinha a visão da cadeia de montanhas que se iniciavam um pouco longe dali, indo em direção as terras de Lorde Tormunn. E o lado norte dava para uma grande campina que descia a montanha e dava para as plantações da família.

Os vitrais do pequeno santuário e dos salões principais eram em tons vermelhos, rosados e amarelados, enroscando-se num padrão maravilhoso. Os dois pequenos jardins que compunham os lados do castelo eram recheados de árvores frutíferas e as mais diversas flores, sendo cuidados a mão pela senhora Eliza Dragneel, esposa do senhor protetor das terras ao sul de Fiore, Igneel Dragneel, e mãe do pequeno Natsu.

— Olhe, mamãe, essa moita está soltando flores – o menino de aproximadamente nove anos indicou para a mãe.

Eliza era descrita por todos como uma beldade. A flor mais bela dentre as que existiam em Chama-Viva. Seus cabelos eram rosáceos, os mesmos que o filho herdara, compridos que batiam em seu quadril. O rosto era delicado e levemente redondo. Os olhos eram cinzas profundos. O corpo pequeno.

— Não é uma moita, Natsu. São as folhas dessa planta, seu nome é Áster – Eliza falou, agachando-se perto do filho – e quando os botões abrirem, ficarão da mesma cor que seus cabelos – finalizou, passando a mão pela cabeça dele.

— Do seu também – ele riu.

— Agora vamos, precisamos entrar e nos arrumarmos para a janta, pois seu tio Ivithel chega hoje e seu pai gostaria que estivéssemos presentes.

Ainda haviam algumas horas antes da chegada de Ivithel, mas Eliza sabia o quanto Natsu demorava para se aprontar, devido suas brincadeiras na banheira e a teimosia em usar roupas mais formais. Com a ajuda de Catarina, a serva que lhe ajudava com os afazeres em relação a Natsu, conseguiram colocá-lo em um conjunto ganho pelo tio antes do mesmo ir viajar a negócios.

Ivithel era o braço esquerdo de Igneel, pois o direito era Eliza. O irmão sempre correspondia com os demais Lordes do sul, como Tormunn e CasaDel, algo que Igneel sempre evitava devido ofensas escondidas de elogios que recebia na presença dos demais. Ele também cuidava dos negócios além do mar da família, como exportação de frutas e flores.

— Chegamos! — Natsu exclamou, entrando no salão de jantar antes da mãe, correndo para abraçar o pai.

Igneel estava conversando com a Chefe das Cozinhas sobre os preparativos para o jantar, finalizando os detalhes, mas pausou a conversa assim que o menino chegou. Sorrindo de orelha a orelha, abraçou-o com ternura. Todos em Chama-Viva estavam cansados de saber que Natsu era o orgulho do protetor das terras do sul.

— Meu irmão? — Igneel pediu, dirigindo-se a esposa.

— Ainda não chegou, querido – respondeu, aproximando-se dos dois.

Eles sentaram-se a mesa, conversando distraídos os ocorridos do dia, passando o tempo enquanto o convidado não chegava. Natsu dava olhadas nervosas para a porta, pois sua barriga já roncava, dando sinais de sua fome.

O garoto estava pronto para reclamar sobre a demora quando um grito foi ouvido. Um grito de pavor.

— Mas o que… — Igneel levantou-se e foi para a porta, abrindo-a com rapidez.

Eliza e Natsu o seguiram e contemplaram a mesma visão que o outro. O jardim leste, próximo ao salão, estava em chamas. As labaredas subiam impiedosas sobre as árvores e flores, consumindo toda a vida que Eliza cultivara com tanto afinco.

Igneel ficou enraivecido com o ato e saiu correndo, não sem antes dizer para sua esposa e filho se trancarem no salão e não sair sem que ele próprio pedisse. Entendendo o que o marido dizia, puxou Natsu para dentro, pois o mesmo queria seguir o pai, e trancou a porta com a pesada tranca de madeira.

— Mãe! — ele exclamou indignado.

— É para nosso bem, Nat.

Eliza correu para as janelas, preparando-se para puxar a alavanca que descia uma cortina de ferro, a fim de protegê-los por este lado também, quando a janela do meio foi quebrada por uma grande pedra.

— Natsu vá para as cozinhas! Agora!

O menino ficou desorientado e confuso pela ordem da mãe, e acabou dando tímidos passos em direção a outra porta, aos fundos do salão, que davam para as cozinhas. Porém, parou seu trajeto quando avistou dois homens entrando pela janela quebrada, próximos demais de sua mãe.

— Que sorte a nossa, não? A senhora e seu filhinho – o mais alto deles falou, seu tom zombeteiro.

Ele vestia-se inteiramente de preto com capuz, seu rosto estava sujo. O outro era mais baixo, também vestia-se de preto com capuz, mas tinha o rosto mais limpo, podendo ver melhor as suas características. Tinha grossas sobrancelhas e um rosto angular.

— Parece que perdemos o Lorde, mas ainda podemos fazer algo por aqui – o mais baixo comentou, vindo para perto do menino.

— Natsu, corra! — Eliza gritou, jogando-se para cima do mais baixo, impedindo-o de chegar até ele.

Natsu sabia que deveria correr, mas ver sua mãe ser jogada para o lado e então estapeada o deixou furioso, deu dois passos e viu sua mãe livrar-se das mãos do homem e lhe dar uma rasteira, derrubando-o. Em seguida, Eliza pegou uma faca da mesa, a de cortar carne, e virou-se para o homem, pronta para matá-lo.

Eliza treinara combate enquanto jovem, e continuou com as aulas após casada. Igneel dizia orgulhoso como sua esposa podia virar-se tão bem quanto qualquer soldado e ainda prepararia uma deliciosa torta depois. Entretanto a situação atual não era muito favorável, pois a mulher estava dedicada em proteger seu filho e não a si própria, acabando por cometer um erro.

Tinha se esquecido do outro homem. Ele chegou por trás e enfiou uma adaga por suas costas, perfurando-a num ponto vital. Como se não bastasse, ainda lhe golpeou mais três vezes, dessa vez no ventre e peito. Natsu só conseguia olhar, congelado a mãe ser atingida e então cair no chão, as mãos tentando segurar o sangue que saía pulsante.

— Seu idiota! Não era para matá-la, era apenas o garoto! — O mais baixo que estava se levantando do chão gritava para o companheiro.

— Então o mate logo – o outro respondeu, emburrado.

Natsu viu o homem virar-se em sua direção, retirando uma adaga das vestes. Ele queria ter a mesma coragem que a mãe e revidar com rapidez, mas não passava de um menino. Estava preparando-se para pegar o candelabro em cima da mesa, quando o avanço do outro foi cessado um grito. Eliza, ainda caída no chão, golpeara a batata da perna esquerda do homem, impedindo-o.

— O meu menino, não – falou, enraivecida.

O que o outro retrucaria ficou preso em sua boca quando virou-se e notou algo estranho vindo da porta. Fios de fumaça escura serpenteavam pela fresta abaixo da porta principal, adentrando no local com leveza. Os dois homens trocaram um olhar urgente, percebendo o que ocorria.

— Era para eles soltarem o fogo mais tarde! — o mais baixo exclamou, dando um passo para trás soltando outro grito pelo ferimento.

O cúmplice olhava desesperado para a fumaça que entrava pela fresta.

— Deixe eles, seu imbecil. As chamas podem ficar com eles – o outro falou.

Retirando a faca de sua perna, o homem correu tortamente até seu companheiro sem pensar duas vezes. Enquanto isso a fumaça aumentava mais e mais. Ao longe, através das janelas, podia-se ver mais fogo se aproximando, dessa vez pelo lado contrário que Igneel correra anteriormente. O homem machucado já havia descido pela janela, mas o outro olhou para o garoto com um traço de escárnio, antes de pular.

— Aproveite sua morte, fogo não é o orgulho dos Dragneel? — zombou, fazendo reverência ao estandarte da família, uma chama num fundo vermelho.

O garoto mal registrou a frase dele, correndo para a mãe. Ajoelhou-se ao seu lado, pegando suas mãos vermelhas e molhadas. Pequenas lágrimas lhe caim na face, mesmo que quisesse contê-las. Seu peito doía tanto ao vê-la assim.

— Precisamos sair, mamãe – sussurrou, tentando erguê-la.

Eliza pousou a mão em seu rosto.

— Não há nada que possa fazer por mim, Natsu. Seja um bom menino e me obedeça dessa vez. Saia daqui pela cozinha – sua voz mal era um sussurro, suas forças focadas em olhar para ele.

Havia tanta coisa que gostaria de lhe dizer, tanto a lhe ensinar. Queria vê-lo crescer e se tornar um homem digno. Mas, o destino quis que não pudesse. Via nele a fusão perfeita do seu amor e de seu marido. A coisa mais bela que já haviam feito.

— Nós vamos juntos – ele respondeu, levantando-se e pegando os ombros dela – eu sempre te obedeço, então me perdoe dessa vez.

Ele a puxou o quanto podia, mas seus braços não eram tão fortes quanto sua convicção. As lágrimas agora corriam soltas, e ele as deixava lavar o rosto. Rezou aos Deuses, onde quer que estivessem, que lhe ajudassem a carregá-la. Ele não pedia por ele, pedia por ela. Seu maior tesouro, seu maior amor.

O fogo, raivoso e intenso, entrou no salão derrubando a porta queimando-a. As labaredas correram pelas cortinas e tapetes do local, consumindo-os com fome. O calor varreu o rosto dos dois, envolvendo-os em seu abraço cruel.

Natsu sentiu o corpo que puxava ficar mais pesado, mais árdua a tarefa. Olhou para baixo, decidido a dizer algo que a motivasse, que acreditasse nele, que ele seria o seu herói como sempre lhe falara, quando viu o rosto sem vida da mãe. Os olhos fechados, o sorriso triste estampando sua boca.

Dentro de sua mente ainda infantil, permitiu-se dizer que ela apenas desmaiara. Era isso. Ela desmaiara. Assim, continuou puxando-a mesmo que seus pequenos membros pedissem para que parasse, mesmo que suas mãos doessem, mesmo que seu coração estivesse estilhaçado. Ele continuou.

Estava perto da porta quando tropeçou no tapete e caiu, perdendo o agarre em sua mãe. Desesperado voltou ao seu lado. Foi apenas naquele momento que a situação realmente penetrou por sua mente, fazendo-lhe ver a realidade. Eliza não estava adormecida ou desmaiada, ela já não se encontrava mais nesse mundo.

Não sabia onde o pai estava, tinha perdido a mãe e a sua volta era o caos. O garoto perdeu as esperanças e abraçou o corpo sem vida da mulher que amava. Aquela que lhe ensinara a ler, falar, comer, cavalgar, prezar pela vida dos outros. Aquela que lhe velava o sono quando tinha pesadelos, acalmava-lhe quando tinha medos ou inseguranças. Aquela que dedicou cada segundo dos seus dias, desde que saíra dela, e até mesmo antes, em amá-lo.

O fogo já tinha tomado o local, engolindo tudo o que via pela frente e se aproximava dos dois ao chão. A sua luz calorosa iluminou o rosto do menino, acentuando a cor rosa de seus cabelos, deixando-os mais acessos. Pouco a pouco chegou perto dele, as primeiras chamas dançando em seus calcanhares.

Natsu já não chorava mais e lá no fundo uma pequena revolta se apossou do seu ser. Ele não seria consumido pelo fogo como aqueles monstros queriam. Nem sua mãe. Olhou furioso para as chamas, ao mesmo tempo em que abraçava mais forte o corpo em seus braços.

Eu te comando. Não vou ser queimando. Não vai queimar aqueles que amo. Eu te comando. Pensou, poderoso, olhando o fogo.

As chamas avançaram, queimaram, consumiram, e esmigalharam o salão, mas o garoto e o corpo de sua mãe permaneceram intactos, mesmo que as labaredas lhes circulassem e os tocassem, nenhum fio foi incendiado. A única coisa que queimava em igual intensidade era o espírito do menino, dobrando o caos a sua vontade.

E quando o incêndio foi apagado e as últimas faíscas destruídas, os dois foram encontrados pelo pai e seus homens. Muitos disseram que foi o amor de Eliza que protegeu os dois, outros disseram que era milagre dos Deuses, mas pouquíssimos se atreveram a falar sobre Magia, mesmo que o olhar daquele menino fosse poderoso, mesmo que seu semblante fosse digno de um sobrevivente, não disseram.

A família Dragneel teve muitas baixas naquele incidente. Eliza, Ivithel, que infelizmente chegara bem no momento do ocorrido, vários servos e guardas, morreram. Mas, o que sucumbiu também foi o amor paterno entre Igneel e Natsu. Os dois distanciaram-se como nunca foi pensado ser possível. O garoto por estar cego pela vingança daqueles que invadiram o salão, e o senhor pela dor do luto.

De uma coisa todos sabiam, nenhum deles seriam os mesmos após a tragédia.

(…)

Natsu, agora praticamente homem-feito, cavalgava pela plantação da família, verificando se tudo estava em seu devido lugar. Ao longe ainda podia-se ver as ruínas de Chama-Viva, o antigo castelo deles consumido pelo fogo. Igneel decidira construir outra moradia longe daquele local, no pé da montanha Ágata, a outra montanha que pertencia as suas terras, mas manteve as plantações na montanha Âmbar, estendo-a também para a frente de sua nova moradia.

O herdeiro achava o novo nome condizente a situação de seu pai, quando batizou o castelo de Coração de Pedra. A construção era inteiramente cinza e preta, nada das cores calorosas de antes, nada de jardins frutíferos e floridos, nada de santuários abobados ou grandes salões. O local era tão frio quando o coração de Igneel.

— Lorde Natsu, acredito que as maçãs logo possam ser colhidas – Richard Buchanan, responsável pelas colheitas comentou enquanto analisava uma fruta nas mãos.

— Ainda não sou Lorde, Richard. Não deixe que meu pai lhe ouça dizendo isso – respondeu o rapaz, em tom brincalhão.

Conforme o garoto cresceu, os servos e aliados da família foram se voltando para ele, pois Natsu tinha evoluído no quesito responsabilidade e honestidade. Preferiam tratar de negócios com ele a seu pai, coisa que enfurecia o senhor das terras.

Havia uma pequena brincadeira entre o povo dali, onde chamavam Natsu de verdadeiro Lorde e Igneel de Lorde velho. O rapaz rira com gosto ao saber dos apelidos, mas lhes advertiu sobre o perigo dessa brincadeira, fazendo com que ela fosse diminuindo com o tempo.

A admiração deles não era apenas profissionalmente, pois as moças se derretiam com o charme do rapaz. Apesar de maduro em certas questões, Natsu era inocente no quesito namoro e paqueras. Preferia fugir das investidas femininas e dedicar-se ao trabalho. Com exceção de uma garota, é claro, a recém-chegada Karen Lilica.

Karen era uma moça de cabelo verde-claro, olhos castanhos e um corpo bem estruturado. Seus pais vieram cuidar da fazenda vizinha a deles, porém sob o comando de Igneel. Ela chamava a atenção por onde passava e foi inevitável que Natsu não fosse pego. Apesar da aparência, a moça era tímida e raramente falava com rapazes, salvo Natsu. Os dois criaram uma relação agradável e foram ficando mais íntimos conforme o tempo passava.

Com a ausência da mãe, o rapaz sentiu necessidade de um afeto feminino, mesmo que não fosse com o mesmo grau e finalidade que o de Eliza. Além disso, sabia que deveria encontrar alguém logo, antes que seu pai resolvesse o casar com uma desconhecida de terras distantes apenas por ganância e dinheiro.

Igneel tornara-se ambicioso e calculista. Queria ser o melhor senhor de Fiore, e quem sabe assim fosse cair nas graças do atual Rei, Rogue. Apesar da amizade que tinha com o pai de Rogue, ele ainda não ganhara totalmente a confiança do novo monarca e estava usando a amizade de Natsu com ele para alavancar isso. Ato que fez com que Natsu se dispusesse a cuidar das plantações do sul, a fim de afastar seu pai de Rogue.

Era incrível como seu pai mudara desde a morte de Eliza. A postura calorosa e amorosa sumiu, dando lugar a um homem rígido e por vezes com temperamento difícil. Até parecia ser outra pessoa. Natsu aprendeu a viver sem o pai, sepultando em seu coração os dois, Eliza e Igneel, após a tragédia. Considerava o Dragneel mais velho como um conhecido, não como pai.

Após verificar toda a plantação, o rapaz decidiu ir para o castelo para trocar-se. Queria visitar Karen e conversar com ela sobre a ideia que tinha em mente. Fazia alguns dias que estava pensando em tornar as coisas mais sérias entre eles, sentia que poderia ser feliz ao lado dela, mas não queria pegá-la de surpresa com um pedido de noivado. Assim, entrou animado em Coração de Pedra e rumou aos seus aposentos. No meio do caminho encontrou Zenia, a nova concubina de Igneel. Depois de cinco anos após a morte de Eliza, o homem decidiu que sofrera em luto tempo demais. Mas, não se casaria novamente para não manchar o nome da esposa. Assim, tinha vários casos com várias mulheres sem nunca oficializar a relação.

Natsu achava aquilo um absurdo. Era como ele estivesse usando as mulheres como objeto. Devido a aversão que ganharam ao longo do tempo, decidiu que não seguiria os passos do homem, não faria com as mulheres o que ele fazia. Cumprimentou Zenia e seguiu em frente.

Tinha um pouco de dó da mulher, pois em breve seria dispensada como as anteriores. Quando Igneel se cansava de uma, o que podia durar em torno de cinco meses, ele as mandava para longe. Caso a mulher lhe tivesse tocado minimamente o coração, ele as deixava trabalhar no castelo. Quem sabe Zenia tivesse sorte e lhe ocorresse isso. Seria paga com mais moedas do que em outro lugar, Natsu lhe garantiria isso.

Mesmo que detestasse o novo costume de Igneel, o rapaz reparara em certos hábitos do outro. Ele jamais pegava garotas jovens e que fossem virgens, elas deveriam manter os cabelos curtos ou presos, se fosse um pouco baixa não era requisitada, e jamais escolhia aquelas de cabelo levemente avermelhado ou rosado. No fundo, Natsu notou que ele fugia de características que pudessem lembrar Eliza.

— Senhor Natsu? — Catarina pediu, surpresa pela sua aparição tão fora de hora pelos corredores do local.

O rapaz sorriu e ajudou-a a terminar de carregar algumas bacias até o carrinho próximo deles, provavelmente contento roupa de cama.

— Vim me trocar, preciso conversar com Karen – ele respondeu.

— A Senhorita Ka..Karen?

Havia um tremor nada característico em sua voz. Um sinal que ele aprendera a notar quando a velha mulher queria lhe esconder algo.

— Catarina, o que houve?

A mulher torceu as mãos, nervosa. O rapaz esperou pacientemente, pois sabia que pressioná-la não adiantaria de nada.

— Acho que o senhor Natsu precisa saber, afinal é um rapaz maravilhoso e o que está ocorrendo não é de vosso merecimento – Catarina falou, sua voz baixa.

— Pode me falar – ele incitou, agora confuso com o rumo da conversa.

Ela respirou fundo como se tivesse tomando coragem e olhou nos olhos dele com pena.

— Ouvi Karen e vosso pai nos aposentos privados do Lorde agora pouco, meu senhor.

Aquilo foi como um balde de água fria no rapaz. Ele olhava para a mulher, desnorteado pela notícia. Devia ser por isso que Zenia tinha o semblante triste, deve ter notado que havia outra em seu lugar. Natsu sentiu o coração ser esmagado e pisoteado.

Sem dar ouvidos a Catarina, avançou pelos corredores zangado, direto para o quarto de Igneel. Não bateu a porta, foi logo a abrindo de tamanha raiva que sentia. A cena que registrou estilhaçou o que lhe restara de sentimentos.

Dormindo nua, na cama do Lorde, estava Karen. Seus cabelos espalhados pelo rosto, os fios grudados pelo suor, evidenciando o que fizeram. O barulho de uma cortina sendo aberta lhe fez voltar o rosto para o canto do quarto, notando Igneel saindo do aposento no qual seria o banheiro, vestindo apenas um roupão roxo.

— Surpreso, filho?

A sua raiva tomou-lhe a fala, fazendo-o apenas fitar aquele que um dia foi seu pai.

— Devia saber que moças de fazenda não se apegam a fidelidade. Agora guarde o anel de sua mãe para uma moça descente que escolherei.

Natsu soltou um riso amargo. Como Igneel havia descoberto sobre seus planos ele não fazia ideia, mas naquele momento não importava.

— Nem se dê ao trabalho. Não pretendo me casar mais – disse, virando-se para sair do local.

— Deveria me agradecer, pois lhe abri os olhos – Igneel falou, balançando as mãos – e não seja dramático, vou encontrar moças melhores e dignas para um Lorde.

Um som veio da cama, fazendo com que os dois olhassem para ela. Karen acordava, as sobrancelhas juntas em confusão. Quando notou a nudez exposta, cobriu-se com a coberta reprimindo um grito. Seu olhar correu de Natsu para Igneel, assustada.

— Mas, o que… Natsu?

O rosado olhou para a moça sem nenhum sentimento no rosto. Estava oco.

— Aproveite enquanto pode, Karen. Um dia ele vai se cansar de você, igual as outras – advertiu e então finalmente saiu.

Ao longe conseguia ouvir os gritos da moça, pedindo que esperasse-lhe, mas ignorou-os. Sua mente já trabalhava no que faria em sequência. Iria para Crocus visitar seus amigos, Rogue e Gajeel. Ficaria o mais longe possível do sul.

Notas finais
E então, o que acharam? Teorias? Estou louca por elas, haha. Espero que tenham gostado! Até o próximo!