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38 Capítulo 35 - Levy


Notas iniciais
Olá! Olha só quem veio mais cedo! haha. Mas, lembrem-se que nem sempre será assim (acho que já estão cansados de eu avisar isso, né?). Algumas respostas sobre o que ocorreu no especial do Natsu vão ser respondidas neste, então prestem bem a atenção ^^ Quero agradecer por todo o carinho que dão a mim e a Sigilo S2 Sem mais delongas, desejo-lhes uma boa leitura.

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Capítulo 35

Levy

Com a reunião finalizada e a estratégia devidamente planejada, ninguém perdeu tempo conforme Lucy falara em seu discurso. Soldados corriam pelo acampamento desmontando tendas e arrumando seus pertences, pois os grupos que usariam as rotas noturnas levantariam acampamento naquela noite mesmo, exceto pelo nosso grupo que ficaria para acertar mais alguns detalhes antes de partir pela manhã, escondidos no meio do grupo maior.

Gajeel ficou na tenda junto de Lucy, Natsu e Sting planejando melhor a questão do suposto aprisionamento de Sting. Afinal, deveriam arrumar uma desculpa plausível para que não fosse Lucy em seu lugar. Portanto, pedi que fosse dispensada, pois queria conversar com Wendy sobre alguns assuntos particulares.

— Então, o que queria conversar?

Wendy pediu assim que entramos em sua tenda a qual dividia com Juvia e Mirajane. Percebi que apesar do pouco tempo instalada, via-se seu toque na parca decoração através dos frascos de antídotos que confeccionara durante a viagem e os ingredientes que conseguira com os curandeiros do acampamento para criação de novas poções.

Confesso que estava um pouco envergonhada do assunto que queria tratar, mas precisava dizer logo.

— Existe alguma planta que impeça gra...gravidez? — pedi, gaguejando um pouco na última palavra.

A Maga ergueu levemente as sobrancelhas, mas não fez nenhum comentário malicioso.

— Existe – respondeu, voltando-se para seus pertences atrás de si.

Ela remexeu nas suas coisas por um tempo e então voltou-se para mim com um frasco cheio de um líquido amarronzado, estendendo-o para mim.

— Essa poção dura aproximadamente um mês. Digamos que é uma espécie de chá preventivo – Wendy explicava-me.

Peguei o frasco e fui para seu lado enquanto ela colocava algumas plantas em cima da mesinha do local.

— Esse chá que lhe dei é feito de raízes da erva Dong Quai, trazida para Fiore pelos imigrantes do reino Joya. Caso queira um efeito rápido após relações, use o chá, ele vai lhe trazer a lua de sangue – disse, apontando para a raiz em cima da mesa.

Deuses, era muito estranho ouvir Wendy falando sobre esses assuntos, principalmente por ela saber questões tão íntimas como a lua de sangue, período o qual sangramos para mostrar que não estamos grávidas, e falar tão naturalmente sobre relações.

— É uma espécie de chá abortivo – comentei, pensativa.

— Diria que sim – Wendy concordou – ou, você pode ingerir essas sementes de cenoura selvagem, mais conhecidas como renda da rainha – indicou a planta branca em cima da mesa, que por sinal era muito bonita – todos os dias que vai impedir uma gravidez.

— Tem algum efeito secundário?

— Apenas um pouco de prisão de ventre – Wendy riu – caso queria ter filhos, é só parar de ingerir as sementes.

— Você é bem informada – comentei em voz baixa, surpresa.

— Minha escolha de vida exige isso, Levy. E saiba que não é a primeira que me pede sobre isso. Várias Magas questionaram-me sobre o assunto ao longo do tempo enquanto revolucionária, afinal, era a úncia curandeira do grupo todo – Wendy tinha um semblante profissional, como se o assunto fosse o mesmo que uma dor de cabeça.

Ela pegou dois pacotinhos e me entregou.

— Dentro do pacote fechado com fita azul estão as sementes de Dong Quai, e no maior, de fita vermelha, estão as sementes da cenoura selvagem.

— Por quê? — pedi, ainda atordoada pela reação dela.

Wendy ergueu uma sobrancelha.

— O chá e as sementes não vão durar para sempre, Levy. Vai precisar plantar caso queira continuar com essa prevenção.

Dei uma risada percebendo minha lerdeza.

Não é que eu não quisesse filhos por buscar essa alternativa. Eu os queria, e muito. Mas, sem saber como a situação ficaria de agora em diante, trazer uma criança inocente no meio dessa confusão toda não estava nos meus planos.

Agradeci Wendy e fui para minha tenda, guardar as sementes que ganhei. Durante o caminho acabei me deparando com uma cena um tanto curiosa. Parcialmente escondidos pelas árvores e uma longa tenda, estavam Igneel e Natsu tendo uma conversa calorosa, dado aos gestos que um fazia ao outro. Pelo jeito a pequena reunião anterior já tinha se encerrado. Devo ter passado mais tempo com Wendy do que imaginava.

Aproximei-me de leve sem que me percebessem e tentei ouvir o que diziam. Sabia que era errado bisbilhotar a vida alheia, mas havia algo em Igneel que me deixava com uma pulga atrás da orelha. Não sabia se podia confiar completamente nele ao nosso lado.

— Você está louco – Natsu praticamente rosnou.

Ergui as sobrancelhas diante o tom de voz.

— Louco? Não, meu filho. Estou bem lúcido e com olhos que enxergam muito bem. Eu vi o modo como protegeu aquela moça e sei detectar um olhar apaixonado quando vejo um – Igneel retrucou, áspero.

Meu coração deu uma batida acelerada, imaginando o conteúdo da briga.

— Como detectou com Karen?

Havia um traço de mágoa na voz de Natsu que me fez ficar aflita. Havia algo muito profundo machucando a relação de pai e filho, e pela frase poderia chutar que era essa moça mencionada.

— Até quando vai me culpar por isso? Deixe-me lhe explicar novamente, ela não te amava. O que fiz foi um favor.

Natsu riu, amargo.

— Então agora é um profundo entendedor do assunto amoroso. Que maravilha! – ele ergueu os braços, zombando.

Nunca havia visto o Dragneel mais novo tão cético, irônico. Igneel lhe trazia traços obscuros com facilidade.

— Diga-me, quem mais você farejou amando uma pessoa que não podia ter? Afinal, deve ter experiência para me acusar de desejar a Rainha— Natsu frisou a última palavra, confirmando minha teoria.

— Seu tio.

Vi meu amigo ficar estático com a resposta. Nem mesmo eu, uma espectadora indesejada, esperava por uma resposta direta a uma pergunta retórica.

— Tio Ivithel?

— Exatamente – Igneel diminuiu o tom de voz, acalmando-se. Dava para notar que era um assunto delicado para ele.

— Por quem? — Natsu exigiu.

— Sua mãe – um sorriso triste apareceu na face do homem, agora afundando-se em memórias – Eliza era uma linda mulher e encantava a todos. Ivithel apaixonou-se por ela junto comigo, mas Eliza preferiu a mim e isso machucou meu irmão profundamente. Era por isso que ele viajava sempre e quase não aparecia em reuniões familiares.

Natsu estava surpreso ao extremo, que nem esboçava reações diante o que era dito.

— Eu via o modo como ele olhava para sua mãe, então quando lhe digo que consigo identificar um olhar apaixonado, sei do que estou falando – ele completou, focando em Natsu.

— Nunca imaginei – o rosado comentou, confuso.

— Se não acredita em mim, pode confirmar com Catarina, sua antiga ama. Ela viu o modo como ele ficou transtornado no incêndio, qualquer um pode notar isso naquela tragédia.

— Ele também morreu naquele dia – Natsu falou, recuperando sua energia – você nunca me contou o que realmente aconteceu durante o incêndio. Tem relação com o fato de você ter ficado irado daquele modo com a menção do Lorde Tormunn? Eu sei que afastou-se dele após o ocorrido.

Pude notar que Natsu queria desviar do assunto, tanto pelo golpe inesperado sobre o tio e sobre o fato de Igneel estar certo sobre seus sentimentos. Mas, o novo assunto abordado por ele era tão interessante quanto. Também havia notado o modo como o Lorde do sul ficara transtornado com a traição de Tormunn.

Igneel deu uma olhada séria para seu filho, medindo-o. Então, soltou uma longa respiração, como se estivesse preparando para uma complicada história.

— Naquela época, o Rei Ryos, pai de Rogue e Gajeel, ainda era vivo e com isso a Cavalaria de Sangue seguia ativa por toda Fiore. A Cavalaria estava fazendo inspeções no sul inteiro por conta de uma denúncia anônima sobre Magos clandestinos atuando pela região, e acabaram fazendo uma bagunça nas terras de Tormunn, chegando até a acusar sua esposa de ser Maga. O Lorde ficou enraivecido e sua fúria só aumentou quando A Cavalaria não revistou nosso castelo. Ele então julgou que fosse eu quem tivesse denunciado e quis se vingar.

“Nunca consegui provar concretamente que Tormunn foi o mandante do incêndio a Chama-viva. Porém, por conta de piadas e frases que ele dirigia a mim acabei por saber quem era o responsável. Ele queria que eu soubesse, mas teve o cuidado que eu não pudesse lhe acusar para um julgamento com o Rei. Naquela noite perdi minha esposa e irmão, e acredito também que perdi meu filho.

Deixei Eliza e você naquele salão e fui salvar o que podia do castelo, enquanto Ivithel, que havia chegado a pouco, abatia os mercenários contratados por Tormunn. Percebemos o fogo no salão que vocês estavam tarde demais, mas Ivithel correu cegamente atrás de vocês mesmo assim. Ele morreu tentando os salvar, mais precisamente sua mãe. Tudo aquilo mexeu comigo e me fez agir de outra maneira dali em diante.”

Igneel deu uma pausa em sua narração, tomando uma nova respiração. Então fixou o olhar em Natsu.

— Não vou pedir desculpas pelo que já fiz, pois só queria o seu bem, apesar de você não acreditar em mim. Mesmo que não queria admitir o que sente pela Rainha Lucy a mim, eu sei. E vou lhe dar um conselho antes de seguirmos para Crocus e espero que atenda-o. Desejar a esposa de outra pessoa nunca acaba bem, sufoque isso.

Dizendo isso, ele deu as costas a Natsu e saiu dali, porém não sem conseguir esconder completamente uma pequena lágrima que teimosamente escorreu pelo seu olho. Fiquei abismada com a dor no relato dele e em como ele conseguia se colocar no lugar do irmão em determinados pontos do relato. Igneel parecia sofrer por Ivithel também, como se fossem um só.

Atordoada com tudo que presenciei, praticamente corri para minha tenda. Tentando colocar de lado as coisas sobre o passado de Natsu e a relação conturbada de sua família. Após entrar na tenda, foquei-me no que havia ido procurar Wendy e empacotei as bolsinhas com cuidado na pequena mala de garupa que tinha, e dei um gole no chá antes de guardá-lo também. O gosto não era um dos melhores, mas também não era um dos piores.

Balancei a cabeça e decidi dormir um pouco, afinal, a viagem realmente exigiu nossos esforços, e como voltaríamos a viajar novamente, qualquer descanso antecipado ajudaria. Mal senti minha cabeça repousar no travesseiro e já fui saudada pelo sono.

(…)

Abri meus olhos, surpresa por ter acordado tão cedo, sendo que precisava descansar. Levantei-me de onde estava deitada e fiquei confusa quando notei o local. Diferente de onde imaginava, encontrava-me no salão das imagens. Observei por um tempo as imagens passarem por mim, emolduradas por um suporte de bronze, só então notei que o salão não era do branco usual e nem o dourado das visões futuras, e sim um novo com o mesmo tom das molduras.

Aproximei-me de uma imagem e analisei o que mostrava. Era Natsu pequeno, correndo por entre árvores frutíferas. Franzi o cenho, agora ainda mais confusa com o que ocorria. Não lembrava-me de ter desejado vir ao meu subconsciente, e muito menos ter focado em Natsu. Continuei andando e verificando as cenas, quando a compreensão me chegou.

Antes de deitar havia pensado demais no conteúdo da conversa entre ele e seu pai, e ultimamente vinha recorrendo muito as visões, consequentemente, fazendo a entrada no salão mais fácil. Minha mente deve ter agido por conta própria e viajado para cá, motivada pela curiosidade sobre o passado e pelas reações de Igneel.

Com um pouco de vergonha por ser bisbilhoteira, fui avançando quadro a quadro. Não sabia de que época eles se referiam ao incêndio que levou a mãe de Natsu, por isso precisei vasculhar por um longo tempo até encontrar uma imagem flutuando num canto levemente escuro, mostrando um castelo em chamas.

Parei em frente a ela e me peguei pensando se era certo o que faria. Natsu jamais havia comentado sobre seu passado conosco, e somente espiando foi que notei o quão dolorido era. O que pesou na minha decisão foi Igneel. Ele era uma incógnita que incomodava-me e algo lá no fundo me dizia que talvez encontrasse algo que pudesse nos ajudar futuramente.

Assim, mergulhei na imagem.

Fumaça circulava toda a extensão do Castelo, obscurecendo a visão das janelas e setores. Em um dos dois Jardins do local, haviam dois homens, gêmeos, lutando lado a lado contra os invasores vestidos de preto.

Cuidado, Igneel! — um dos gêmeos gritou, empurrando o irmão para o lado, salvando-o de um golpe inesperado.

Os dois tinham cabelos vermelhos, olhos ônix e um porte atlético. O que diferenciava-os era uma pequena cicatriz em forma de X abaixo do olho direito no que se chamava Igneel.

Estou bem, Ivithel! — Igneel gritou, dando um pequeno sorriso, cúmplice.

Está querendo ganhar outra cicatriz para impressionar Eliza, isso sim – Ivithel bufou, revirando os olhos.

Os dois seguiram lutando e gradualmente foram vencendo os inimigos, fazendo com os que sobraram corressem dali, temendo por suas vidas. Os irmãos já iam dar um grito vitorioso quando uma explosão os assustou, vinda da parte onde o salão de refeições se encontrava.

Eliza! — os dois gritaram e correram.

Avançaram castelo adentro sem medo, desviando dos móveis derrubados e dos servos que fugiam das chamas. Quando finalmente chegaram ao corredor que dava para o salão, foram barrados por uma viga que caíra, parcialmente queimada.

Droga! — Igneel urrou.

Olhando para os lados, deparou-se com uma cortina intacta. Depressa, agarrou-a e se envolveu com a mesma, preparando-se para avançar contra o fogo.

O que pensa que está fazendo? — Ivithel perguntou, olhando o irmão assustado.

Vou salvar minha esposa e filho. Fique aqui para ajudá-los caso algo me aconteça.

Ivithel agarrou a manga o irmão, desesperado.

Ig…

Prometa que vai me ajudar. Vai esperá-los – os olhos de Igneel estavam se enchendo de lágrimas. Ele não esperava voltar, mas faria de tudo para impedir que os outros dois morressem.

Sem responder nada, Ivithel abraçou o irmão com força.

Então abri os olhos de verdade, assustada com o que tinha visto.

A lona escura da tenda onde fomos realocados me saudou. Precisei de um tempo para me orientar. Respirando fundo e analisando tudo, notei que havia dormindo, ou melhor, permanecido no salão bem mais do que o planejado. Já devia ser noite, pois a única luz que existia provinha de três velas acessas no chão no meio da tenda. Tomei outra respiração e tentei não pensar na visão.

Com cuidado virei-me, constatando que Gajeel dormia ao meu lado, seu braço rodeando-me parcialmente. Delicadamente passei meus dedos por seu rosto, decorando suas formas e detalhes. Ele era perfeito a meu ver, bruto e gentil, sarcástico e afável. Não sei o que faria caso o perdesse nessa guerra, lembrando-me subitamente daquela louca visão do futuro que tivera, mesclado ao passado que tinha acabado de ver.

— Acordando antes do tempo? — Gajeel perguntou em voz baixa, sem abrir os olhos.

— Pesadelos – respondi – desculpe, não queria lhe acordar.

Seus olhos rubros se abriram, fitando-me com intensidade.

— Só estava cochilando – ele comentou, sorrindo, seu braço se apertando a minha volta – além do mais, existem coisas melhores a se fazer do que dormir.

Seus lábios tomaram os meus, calmos. Seus dedos traçando leves círculos em minhas costas. Ele estava me acalmando, de um modo que apenas ele era capaz de fazer. Era incrível como percebia minhas reações. Passei meus braços em seu pescoço, diminuindo ainda mais nossa intimidade. Seu corpo trazia calor e proteção, expulsando qualquer medo de mim.

Aos poucos o beijo foi se aprofundando, tornando-se mais urgente e febril. Os toques foram tornando-se mais abusados, um buscando a pele do outro, apalpando as regiões erógenas que causavam gostosas sensações. Sua mão puxou meu vestido para cima, enquanto a minha mão desfazia os nós de sua calça. Tínhamos pressa, vontade.

Gajeel posicionou-me acima dele, seus lábios tocando minha orelha, pescoço, ombros. Seus olhos brilhavam de desejo, assim como o meu devia brilhar. Me desfiz de minha peça íntima, permanecendo de vestido por precaução, enquanto isso ele se desfez das peças debaixo. Era inebriante fazer nas pressas, correndo riscos de sermos descobertos.

— Vou precisar de ajuda – confessei, levemente envergonhada.

— Aqui – Gajeel falou, pegando minha mão e a conduzindo para seu membro, ajudando-me a me posicionar melhor.

Senti um pequeno desconforto conforme ia sentando. Fui acostumando-me ao tamanho enquanto fazia os movimentos com o quadril. Deuses, Gajeel era enorme. Ele foi erguendo o tronco, ficando mais próximo de mim conforme eu criava coragem com os movimentos.

Suas mãos seguravam os lados de meu quadril, intensificando o sobe e desce, e seus lábios roubavam beijos bruscos de mim. Abracei seus ombros, fechando os olhos. Uma sensação prazerosa foi se apoderando de mim, enviando arrepios por minhas pernas e coluna, gerando leves gemidos. Senti o agarre no quadril deslizar para minhas nádegas, suas palmas apertando a carne macia ao mesmo tempo que sua boca chupava meu pescoço.

— Minha Levy – a voz de Gajeel era rouca, contribuindo com o momento.

Ele então reverteu a posição, jogando-me na cama e cobrindo-me com seu corpo. Cruzei minhas pernas em sua cintura, apertando o espaço entre nós. Cravei minhas unhas em suas costas cobertas pela camisa branca, ao mesmo tempo que arqueava as minhas, enlouquecida pelo prazer. Nossas ações ficando mais rápidas e urgentes. Queria gritar, e aquela sensação de perigo de sermos descobertos só aumentou a vontade, fazendo-me morder os lábios.

Então senti aquele famoso apogeu, algo que só tinha lido em livros, jamais presenciado. Foi algo indescritível, roubou-me o pouco de ar que tinha, gerando calafrios em minhas coxas. Gajeel chegou ao momento dele pouco depois de mim, sua respiração ficando pesada.

Ficamos nos olhando por um bom tempo, sem dizer nada. Apenas sorrindo um pro outro. Já bastava, pois não havia palavras que descrevesse a felicidade, o amor e o modo como me sentia completa ao lado dele. Eu o amava tanto, que faria qualquer coisa para assegurar a felicidade e segurança dele.

Puxei o cobertor e o abracei, desejando que aquele momento durasse eternamente.

(…)

Fechei melhor minha capa, envolvendo-me para fugir do sereno da madrugada. Estávamos com o restante do acampamento, que eram os homens de Lorde Dragneel, Lorde Navish e Lorde Kartt. Nosso grupo que era composto por Gajeel, Gray, Juvia, Wendy, Natsu, Lucy e eu. Laxus e Mirajane entraram num grupo separado, devidos suas aptidões de combate, estando adiantados de nós.

Por precisarmos nos misturar com os soldados e a comitiva de apoio deles, Natsu, Gray e Gajeel vestiram o uniforme dos Dragneel, passando-se por homens de Igneel. Wendy tinha a farda de curandeira do Lorde Navish, assim como Juvia. Lucy e eu nos cobrimos com mantos das cores de Lorde Kartt, fingindo ser curandeiras dos homens dele.

Portanto, nosso grupo precisou seguir a linha de caminhada dos grupos aos quais se escondiam. Natsu, Gray e Gajeel seguiam mais a frente, Wendy e Juvia na última formação, Lucy e eu no meio. Cada uma tinha um cavalo e cavalgávamos num trote leve, quase apressado, que nos fazia viajar longas distâncias sem cansar demais o animal.

Meu corpo estava se acostumando a cavalgar, quase agindo por conta própria, dando-me tempo para pensar sobre minha Magia. Após uma conversa com Gajeel sobre como as visões andavam me cansando e atrasando minha recuperação, fiquei tentando criar um meio de acessá-las sem precisar dormir. O fato de entrar em sono e então acordar bruscamente estava minando minha disposição. Seria bem mais fácil se conseguisse viajar ainda acordada.

O que eu fazia era deixar minha mente tranquila e me guiar para aquele salão. Era tão fácil quando adormecida. Pedi a Lucy que cuidasse de mim, caso meu cavalo seguisse uma direção contrária, ainda sem falar-lhe o que pretendia, e fixei minha visão na nuca do homem a minha frente, relaxando a mente.

Senti Lucy aproximar sua montaria da minha e sua mão pousar sobre a rédea de meu cavalo como medida de segurança, mas meus olhos e mente estavam vagando para outro local. Apesar de sentir todas as questões físicas, como o balanço do corpo, o ar frio no rosto, os sacolejos conforme avançávamos terreno a dentro, meus olhos agora nublaram a visão de tudo, deixando a paisagem atual encoberta por um véu esbranquiçado. Ainda conseguia discernir formas da nossa comitiva, mas não as via com clareza.

Guiei minha mente para a calmaria, fechando meus ouvidos para os sons do mundo. Não demorou muito para que começasse a ouvir o som característico das imagens flutuando de quando entrava no salão branco, porém não via o tal salão, apenas ouvia os sons provindo dele. Respirei fundo e comecei a tentar enxergá-lo, mas o que conseguia ver ainda era a imagem difusa da comitiva.

Foi então que entendi o que ocorria.

Meu corpo estava no mundo real, minha visão estava num meio termo, e minha audição e mente estavam no salão. Estava conectada a três realidades simultâneamente.

Erza pensei com força. Como não podia ver as imagens e escolher qual visão gostaria de ter, pensei na pessoa em quem gostaria de espiar. Segurei o nome da Maga em mente e coloquei minha fé de que funcionaria.

Então a minha visão dos soldados foi misturando-se a outra imagem. Estava vendo a comitiva em segundo plano pelo olho esquerdo e o a sala privada de Rogue no direito, as duas imagens difusas. Confiando em Lucy, fiz meu cérebro ignorar parcialmente a visão esquerdo focando no direito. Conseguia identificar pelas formas esbranquiçadas que Erza estava sentada atrás da mesa e parecia contemplar um objeto em cima dela.

Entre – ouvi ela falar.

Parecia que estava exatamente ao seu lado, pela clareza da voz.

Mandou me chamar, Majestade?uma voz desconhecida e masculina soou.

Ouvi Erza arrastar uma cadeira, provavelmente levantando-se.

Quantos homens consegue reunir hoje para uma jornada de escolta?

Dependendo da escolta o número se altera – o homem respondeu.

As minhas garotas chegaram de Bosco e estão voltando ao lar. Quero o máximo de segurança que conseguir, porém sem chamar atenção – seu tom de voz trazia uma leve preocupação.

Então, senti meu aperto nas rédeas ser puxado em outra direção, chamando minha atenção a realidade. Assim, respirei fundo novamente e forcei minha mente a sair daquele estado de tríplice sentido. Precisei piscar várias vezes até minha visão voltar ao normal e me sentir novamente inteira ao lado de Lucy.

Dei dois tapinhas em sua mão e sorri, mostrando que estava ali novamente. Minha amiga tinha o semblante preocupado, mas, ao mesmo tempo, curioso. Formei a palavra depois apenas com os lábios, pois a nossa companhia não nos permitia uma conversa franca.

Apesar de estar de volta, meus pensamentos giravam em torno da conversa que ouvira. Aparentemente, Erza estava a espera de certas pessoas que estavam em Bosco, reino vizinho a Fiore, do outro lado de Ghaléia. E Erza as queria em segurança.

Será que essas pessoas teriam relação com a busca da cura no qual Erza estava tão empenhada? Faria sentido sua necessidade se alguém com quem ela se preocupasse estivesse doente. Mas, por que Bosco? E quem seriam? Pelo relato dela durante minha prisão, não parecia que mais pessoas tivessem entrado em sua vida.

Se bem que ela pode ter omitido vários detalhes por razões óbvias, com ocultar a existência dessas pessoas. Queria perguntar a Laxus e Mirajane sobre o assunto, mas eles estavam inacessíveis no momento, o que dificultava a situação.

O jeito era ficar observando a ruiva e assim quem sabe, encontrasse algo sobre essa charada.

Notas finais
E então, o que acharam? Este foi um capítulo recheado de situações, não é mesmo? KKKKKK Teve de tudo! Espero que tenham gostado e se preparem que a partir de agora novas revelações estão para vir. Quero agradecer novamente todo o carinho que venho recebendo, vocês são demais! Um beijão e até o próximo.