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36 Capítulo 34 - Lucy


Notas iniciais
Olá pessoal, como vão? Por aqui (ainda) está tudo tranquilo. Resolvi postar logo o próximo capítulo, pois não me aguento ver o documento lá pronto e esperar dar o prazo de 15 dias, haha. Espero que gostem, pois ele ficou grandinho! ps: fiz uma pequena montagem em cima do mapa de Fiore para que vocês entendessem a geografia do local, no corpo do texto vai ter o link ^^ Desejo-lhes uma boa leitura!

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Capítulo 34

Lucy

Fui acordada com o chamado de Jura e Freed na entrada de minha tenda particular. Envolvi-me em um grosso roupão, escondendo as roupas de dormir que nada mais eram do que um simples vestido de linho branco, porém fino o suficiente para notar-se as curvas do corpo, e os convidei a entrar.

— Aconteceu algo? — pedi, preocupada pelo motivo da visita tão fora de hora.

Jura deu um sinal com a cabeça para que Freed tomasse a fala.

— Meus homens encontraram outra comitiva vindo em nossa direção, dessa vez em número menor. Mandei que verificassem quem eram – ele fez uma pausa, afligindo-me – um deles diz ser o Príncipe Gajeel, Majestade. Pedi que fossem instalados em uma tenda para que Vossa Graça fosse confirmar a identidade dele.

— Como não conhecemos o rosto do Príncipe, não podemos dizer se é um farsante ou não. E não queríamos verificar com o Lorde Dragneel – Jura completou.

Sabia que estava bem amparada com eles, e a atitude deles de agora só afirmava o fato. Meu coração pulou animado, desejando que o homem fosse mesmo o Príncipe.

— Podem pedir ao Natsu que me acompanhe também? – pedi, querendo também sua presença pelos conselhos que me daria caso não fosse Gajeel.

— Como desejar, Majestade – Jura concordou, saindo junto de Freed em busca do rosado.

Enfiei-me num vestido o mais rápido que pude e joguei uma pesada capa de pele nos ombros, pois sabia que lá fora seria frio. Natsu encontrou-me saindo da tenda, já que a sua própria ficava a poucos metros da minha. Juntos seguimos Freed e Jura sem dizer nada. O percurso durou um tempo considerável, pois Freed e seus homens estavam instalados no lado oeste do acampamento, perto das árvores.

Natsu e eu entramos na tenda em questão com o coração na boca. Faziam quase três semanas que não tínhamos notícias de Gajeel e os demais. A única carta que nos foi enviada dizia que Rogue estava vivo, porém era prisioneiro de Erza.

O local estava levemente cheio, portanto, demorei alguns segundos para assimilar quem eram os ocupantes. Minhas sobrancelhas foram até a raiz quando notei dois rostos que me lembraram o tempo no cativeiro de Erza. Natsu ao meu lado teve a mesma reação. Praticamente nem nos importamos com os demais presentes, nossa atenção estava focada na albina e no corpulento loiro.

— Lucy!

A vozinha de Levy chamou minha atenção, desviando-me dos meus antigos carcereiros. Ela estava sentada em uma cama improvisada com Gajeel, em carne e osso, ao seu lado.

Os guardas moveram-se para entrar em minha frente, mas os dispensei com um aceno de mão.

— É o Príncipe – confirmei, fazendo com que meus homens relaxassem – Levy, o que ocorreu contigo? — questionei, vendo os hematomas amarelados colorindo o rosto de minha melhor amiga.

— Erza – Gajeel rosnou.

— O que ocorreu com vocês? E por que esses dois estão aqui? — Natsu pronunciou-se ainda olhando desconfiado para os dois rebeldes.

— Não tiveram notícias de Crocus? — Gray, que até então não tinha lhe notado, perguntou.

Ergui minhas sobrancelhas novamente quando avistei Juvia agarrada ao seu braço. Havia um leve rubor em suas bochechas e olhava para Natsu e a mim com vergonha.

O que esses rebeldes estão fazendo aqui? Praticamente gritei mentalmente para Gajeel, que ergueu uma sobrancelha, confuso pela minha reação enraivecida.

— Só sabemos que Rogue está sendo mantido como refém por Erza – respondi.

— Não recebemos nada sobre vocês – Natsu continuou, passando o olhar em todos na tenda – e estávamos supondo o pior pela falta de notícias.

— Erza deve ter interceptado todas as cartas – A albina comentou, recebendo um aceno positivo do loiro.

— Para resumo, fomos presos e então escapamos – Gajeel nos informou, cruzando os braços.

— E onde os nossos antigos carcereiros entram nessa bagunça? — Natsu pediu, indicando os três rebeldes.

— Carcereiros? — Levy questionou.

— Quem nos vigiava enquanto capturados por Erza eram esse loiro e essa albina. Juvia tentou nos impedir de escapar – expliquei.

Todos ficaram em silêncio por um tempo, absorvendo a quantia de novidades.

— Juvia sente muito pelo que ocorreu no passado. Juvia acreditava que Erza fosse nos ajudar, mas ela só pensa em si mesma. Juvia está do lado de Gray-sama e dos amigos dele – a Maga das águas olhou-me com firmeza, mesmo que estivesse envergonhada.

Podia ver que ela realmente se arrependera do que fizera. Ela havia sido fiel a pessoa que lhe estendeu a mão e então, aparentemente, fora descartada por Erza. Especulava que Gray tivesse um pouco de participação na vontade dela de nos ajudar. O modo como ela segurava o braço dele não era apenas por proteção, existia uma leve possessividade. Conseguia ver que se eles saíssem vivos dessa guerra, algo poderia nascer entre eles.

— Juvia está do nosso lado – Levy pronunciou-se – assim como meu irmão, Laxus – ela indicou o loiro com a mão – e Mirajane – concluiu, indicando a albina.

Olhei para o loiro, notando somente naquele momento o modo protetor que ele se projetava para Levy. Então esse era o seu irmão, o rapaz que entrou nos rebeldes para procurar pela irmã e que a ajudara a escapar do ataque deles no esconderijo de Gray. Movi meus olhos para a albina, Mirajane, e notei a sua mão esmagada na de Laxus. Apesar de sua pose orgulhosa, aquela mão demonstrava que ela estava temerosa pela nossa recepção.

— Levy me contou sobre você, Laxus – comecei, olhando-o séria – e acredito que deseja o bem dela – virei-me para Mirajane – a ti, peço que se realmente deseja nos ajudar, que abrace a causa, não podemos nos dar o luxo de pessoas em dúvida – então voltei-me para Juvia – todos merecem uma segunda chance, portanto, agarre-se a sua e não a desperdice, pois não haverá uma terceira – respirei fundo e me dirigi a todos naquele aposento – vamos deixar as novidades para serem contadas depois, chegaram agora e devem estar cansados pela longa viagem que fizeram. Em breve mandarei alguém para orientá-los sobre tendas e afins. Agora, se me dão licença, tenho alguns assuntos para tratar.

Dei um sorriso para Levy e um aceno a Gajeel, então sai da tenda. Precisava respirar. Por mais que aqueles três dissessem que estavam do nosso lado, e suas atitudes de trazer nossos amigos até aqui provassem um pouco o ponto deles, era difícil estar no mesmo ambiente que eles e não relembrar do que passei no cativeiro. Queria poder abraçar minha amiga, meu coração estava tremendamente aliviado por ela estar viva, porém não consegui ficar mais tempo no mesmo local que os outros três.

— Deem um tempo a ela, Lucy passou por várias coisas – ouvi Natsu comentar de dentro da tenda.

Ergui o capuz da capa que vestia e comecei a andar pelo acampamento, espairecendo. Tinha me afastado um pouco quando ouvi alguém gritando meu nome. Virei-me, pesando que era Natsu, mas acabei me deparando com Gajeel.

— Preciso falar contigo em particular – ele anunciou, prostrando-se ao meu lado.

— É sobre Rogue? Algo que os demais não podem saber? — pedi, ficando levemente aflita.

O Príncipe balançou a cabeça.

— Não, Rogue está bem na medida do possível. O que quero falar contigo é sobre outra coisa.

Vendo seu semblante sério, levei-o a minha tenda particular, pois a principal onde realizavam-se as reuniões estava com o braseiro apagado, ao contrário da minha. Pedi que os guardas que estavam prostrados perto da entrada, como sempre faziam quando me ausentada do local, que fossem dar uma volta. Assim, ficaríamos em particular conforme Gajeel pedira.

— Pode falar – incitei, posicionando-me ao lado do braseiro.

— Tenho um plano para retomarmos Crocus de Erza – ele anunciou.

Meu coração pulou aliviado. Gajeel era conhecido por ser o Protetor do Reino, o Príncipe que zelava pelos habitantes e sempre possuía as melhores estratégias para derrubar os inimigos de Fiore.

— Isso é maravilhoso! Estamos quebrando a cabeça a dias para criar um bom plano e nada de bom saía. Se quiser, amanhã mesmo convoco uma reunião e você pode falar a todos o seu plano – falei, feliz.

Gajeel balançou a cabeça, confundindo-me.

— Não sou eu quem devo falar sobre o plano.

— Como não? Foi você quem o criou – rebati.

Meu cunhado deu um sorriso de canto e colocou uma mão em meu ombro.

— Levy me contou através das visões dela que você tem comandado esse exército e que eles estão começando a lhe respeitar. Se eu chegar e apresentar o plano, os líderes vão querer que eu assuma a liderança do exército por ser o irmão de Rogue e ter algo em mãos. Mas, você é a Rainha, e é imperativo que lhe sigam e não a mim.

— Posso até ser a Rainha, Gajeel. Porém, o casamento não foi consumado e sou mulher. Entre você, o Príncipe que já assegurou Fiore mais e uma vez, e a mim, sempre escolherão você – respondi, um pouco emocionada de que ele estava apoiando minha autoridade aqui.

— Está na hora dessas regras idiotas e patriarcais mudarem. Sei que é tão capaz, se não mais, quanto qualquer barbudo daqui em liderar essa tropa – Gajeel brincou, aliviando o clima – além disso, não desejo ser líder de coisa alguma, a não ser da minha vida. Comandar esses homens é seu direito, e por isso será você quem contará sobre o plano.

Algo dentro de mim se quebrou com aquelas palavras, queria chorar de emoção por Gajeel acreditar em mim, via em seus olhos a fé de que eu não o desapontaria. Confesso que quando o vi, imaginei que ele quem lideraria os demais a partir de agora, e neste momento ele estava me entregando a liderança sem nem questionar. Não faria pouco-caso de sua atitude, honraria o cargo de Rainha que fora posto em meus ombros.

— Certo. Qual o seu plano? — pedi, erguendo um pouco a cabeça.

Gajeel sorriu, orgulhoso. Sentia que uma parceria acaba de se formar entre nós.

(…)

A tenda principal era grande, mas só comprovei realmente sua capacidade esta manhã. Foi inevitável que o burburinho da chegada do Príncipe não corresse pelas fileiras e viesse até os ouvidos de Igneel, por isso ele praticamente exigiu uma reunião com o irmão do Rei que trazia notícias de Crocus, palavras dele. Seu entusiasmo aplacou-se um pouco quando o informei que já tinha convocado uma reunião através dos guardas hoje bem cedo, mas que ele estava dormindo profundamente e não recebeu o recado.

Ali dentro estavam Sting, Jura, Freed, Erik, Natsu, Gajeel, Levy, Wendy, Gray, Juvia, Laxus, Mirajane Lorde Igneel responsável pela parte sul de Fiore, Lorde Navish responsável pelo leste, Lorde Kartt pelo oeste. Os Lordes Crysh, CasaDel, Tormunn, Bettoni e Rose responsáveis pelo norte, sudeste, sudoeste, nordeste e noroeste respectivamente ainda não manifestaram seu apoio a nossa causa contra Erza, pelo contrário devido a carta que recebi essa manhã. Isso me deu um novo motivo para acelerar a reunião e iniciar o plano de retomada de Crocus.

Posicionei-me na ponta do mapa de Fiore, próxima a parte norte onde os bonecos presentavam as terras protegidas por Lorde Crysh, bem como os Lordes Bettoni e Rose. A carta estava aberta ao meu lado, mas eu havia decorado as palavras que continham, de tamanha indignação ao lê-la.

— Silêncio, por favor – entoei em voz alta, sem muita paciência para o burburinho que Igneel fazia ao tentar chegar mais perto de Gajeel, que estava posicionado na parte leste no mapa. Bem perto de onde estávamos localizados no momento, nos campos de Magnólia onde Lorde Navish auxiliou que os homens de Ghaléia repousassem.

Todos me olharam com expectativa, afinal o recado dizia que haviam várias novidades e serem discutidas.

— Como podem ver, o Príncipe Gajeel e seus companheiros conseguiram escapar de Erza e se juntaram a nossa causa. Trouxeram notícias sobre o Rei e sobre como a invasão ao Castelo está sendo comentada pelas redondezas de Crocus – falei com calma, indicando com a mão o moreno, dando deixa para que ele falasse.

Gajeel e eu tínhamos discutido o andamento dessa reunião na noite anterior, e concordamos que deveria ser ele quem contasse as notícias, deixando para mim a questão do plano.

— Meu irmão, o Rei, está sendo mantido como refém pela Rebelde Erza. Notamos que a Vermelha, como vocês a chamam, não anunciou seu controle sobre o Castelo para a população deixando-os acreditar que Rogue ainda mantém o controle sobre tudo. Nossos guardas, os Magos de Gray, – ele apontou para o líder que educadamente acenou com a cabeça – curandeiros, servos e conselheiros com suas famílias foram presos no calabouço do Castelo. Com a ajuda de alguns infiltrados – ele indicou Juvia, Mirajane e Laxus – conseguimos escapar da prisão e chegar até a Rainha para ajudá-la.

Concordamos que Juvia, Mirajane e Laxus seriam anunciados como infiltrados para os demais, dizendo que era um plano que Gray tinha posto em prática a algum tempo, sem que Natsu e eu soubéssemos, apenas Gajeel, para que a nossa reação na tenda não complicasse a história. Seria tremendamente incomodo ter de explicar a todos os líderes de esquadrão e Lordes que Rebeldes viraram nossos amigos agora. Principalmente se levarmos em conta a questão da carta que recebi.

— Ficamos imensamente aliviados que conseguiram escapar, Alteza – Igneel tomou a fala que abrimos para os presentes, pulando a vez de Lorde Navish – imagino que com a sua presença, o irmão do Rei, o protetor do Reino, as coisas possam andar de vez.

E ali estava o pensamento que Gajeel e Natsu me alertavam, coisa que eu mesma já previa. Igneel apenas falou o que alguns Lordes e homens pensavam. Com a chegada de Gajeel, eles automaticamente direcionariam sua lealdade a ele por ser homem e irmão do Rei, o herdeiro da coroa, caso algo ruim ocorresse a Rogue. Ignorando o fato de eu ser a Rainha.

— Agradeço pelas palavras de incentivo, Lorde Dragneel. Mas, não estou aqui para comandar ninguém, afinal, nossa Rainha está presente. Sou apenas um ajudante dela. – Gajeel respondeu em um tom leve, mas a bronca ainda podia ser ouvida em suas palavras.

— Acredito que o foco dessa reunião não seja quem vai liderar o exército contra a Vermelha, e sim as notícias que a Rainha e o Príncipe tenham a dar – Natsu emendou, voltando o assunto para onde deveria seguir.

Igneel fitou seu filho com raiva, como se quisesse costurar a boca dele para que não o contrariasse novamente.

— Se a Vermelha não se anunciou, significa que tem um plano em mente. Sabemos que aquela mulher é inteligente e uma jogada dessas não foi feita sem pensar – Jura comentou, seguindo Natsu.

Gray deu um passo a frente, chamando a atenção.

— Só temos suposições, baseando-se no que notamos da Vermelha. – ele começou, dando apoio ao plano de que os três eram infiltrados – Ela sabe que se proclamar Rainha nesse momento só geraria discórdia e revolta no povo. Eles amam Rogue e Gajeel e estão começando a amar a Rainha deles. O povo não a apoiaria.

Todos no aposento prestavam muita atenção em sua fala, pois ela era interessantíssima. Gray estava lhes mostrando um lado que não havia sido abordado nas reuniões anteriores. E Deuses, nem eu mesma tinha previsto uma jogada dessas antes que Gajeel me confidenciasse suas especulações.

— Não se anunciando e levando todos a crer que o Rei ainda é absoluto, dá-lhe margens para mover as peças no tabuleiro do modo que ela quiser. E especulamos que seu primeiro passo é desacreditar a Rainha e o Príncipe, as pessoas mais fortes para receber a coroa em caso de Rogue cair.

— Realmente parece algo que a Vermelha faria – Erik contemplou com a mão no queixo.

— Felizmente, não tivemos indícios de que ela esteja fazendo isso – Gray finalizou, deixando os líderes com um ar mais aliviado.

Esse era o momento onde eu derrubaria o castelo de cartas que estávamos erguendo. Pelo menos até essa manhã as coisas poderiam parecer promissoras.

— Tínhamos, Gray. Pois, infelizmente essa manhã tive uma confirmação dos planos de Erza – falei, erguendo a carta para que todos vissem.

Gray, Gajeel e os demais arregalaram os olhos. Pelo canto do olho vi Levy morder os lábios, sem surpresa. Provavelmente havia tido uma visão e não conseguira contar a ninguém.

— Lorde Crysh enviou-me esta carta que chegou essa manhã, pouco antes da reunião – iniciei, olhando as terras do norte com um pouco de raiva – finalmente posicionando-se diante nós. Através dessa carta ele comenta que minha investida é uma traição ao Rei, pois tentar roubar a coroa de Rogue é um ato vil e desrespeitoso de minha parte e de meu aliado, o Príncipe Gajeel. Diz que usar de desculpas e mentiras sobre o estado de Vossa Graça é depravador. – fui dscrevendo, calmamente, mesmo que quisesse tacar fogo naquele pergaminho – Ele jamais enviará homens para traidores. Seus homens e os dos Lorde Rose, Lorde Bettoni, Lorde CasaDel e Lorde Tormunn sempre serão e prestarão ao chamado do verdadeiro dono da coroa, Rogue RedFox.

No que se seguiu a minha fala foi uma confusão. Os demais Lordes exclamavam, enfurecidos com a ousadia de Crysh e seus seguidores. Igneel praticamente socava a mesa, pois sua rixa com Tormunn era bem mais antiga, e sua afronta a quem ele apoiava o deixava irado. Gajeel tinha os punhos cerrados e respirava fundo. Os Magos tentavam acalmá-lo e a Gray. Olhei para Gajeel, comunicando-me visualmente com ele.

O moreno soltou um longo e alto assobio, chamando a atenção de todos, cessando a gritaria.

— Majestade ainda tem mais a falar – simplesmente anunciou.

Respirei fundo, acalmando-me.

— Erza não perde tempo, portanto não perderemos também. Se ela quer guerra, ela terá guerra. Mas, digo-lhes, com certeza, que ganharemos. Pois, temos algo que ela não tem. Conhecimento – minha voz era forte, pausada, gerando impacto nos presentes. Vi pelo canto do olho Gajeel dar um leve sorriso diante minha performance – Ela se jogou para dentro das muralhas de Crocus sem saber o que existe debaixo de seus pés, e acredita que seus homens e Crocus possam lhe defender. Vamos provar seu erro, dizimando-a.

Erik, Jura, Freed, Natsu tinham um fogo nos olhos, animados pela certeza em minha fala.

— Qual o plano, Majestade? — Jura pediu com um sorriso predatório.

Pousei meu dedo em cima do desenho de Crocus no mapa.

— O Rei de Fiore, mais conhecido como Metallicana, o mesmo que fez a Lei Anti-Magos, fez um enorme rombo nos cofres reais enquanto vivo. O motivo? A construção do calabouço – comecei, lembrando-me da fala que tinha ensaiado – Ele não queria um calabouço qualquer, ele pretendia fazê-lo abaixo de todo o solo onde viria se tornar a cidade de Crocus. Um calabouço que poderia prender centenas de Magos, mas que também servisse de rota de fuga caso ocorresse uma invasão. Apenas ele e seus construtores sabiam da rota completa, que viria a dar num rio um pouco distante da cidade.

— Uma rota que dá diretamente no Castelo? — Natsu pediu, entendo onde estava indo.

— Várias rotas no subsolo que dão em vários lugares diferentes da cidade, incluindo o Castelo – respondi – e é através dessas rotas que vamos entrar em Crocus e retomá-la.

— Maravilhoso – Lorde Navish admirou-se.

— E como vamos saber qual rota pegar? — Igneel, num raro momento, pediu sério. Sem qualquer sacarmos ou insinuação. Aparentemente a traição do Lorde Tormunn reforçou sua decisão de nos ajudar.

Fiz sinal para Gajeel falar.

— Sempre tive curiosidade sobre esse boato das rotas e resolvi explorar enquanto jovem. Consegui descobrir praticamente todas as rotas, assim saberemos quais pegar de acordo com o objetivo – ele deu de ombros, como se aquilo não fosse nada demais – então quando comentei o modo que escapamos, Lucy teve a ideia de usar as passagens para entrar em Crocus.

— O que precisamos fazer por primeiro é separar-nos por grupos. Três para ir até o Castelo, um para resgatar Rogue, outro para impedir que Erza entre em contato com seus guardas e o terceiro para abrir os portões do Castelo. Então serão enviados pequenos grupos para todos os portões da cidade e pontos de observação dos muros, bem como em pontos estratégicos da cidade para neutralizar os soldados dela.

— Acredito que os homens de Erik possam ficar com os pontos de observação, e Freed com mais alguns homens nos portões, assim poderão nos dar sinais de quando obtivermos controle dos locais – Jura comentou, já pensando nos grupos.

— Eu obviamente irei atrás de meu irmão – Gajeel anunciou.

— Perdão pela pergunta, Majestade – Lorde Kartt pronunciou-se pela primeira vez, um tanto envergonhado – mas, uma quantia grande de homens como a nossa não chamaria a atenção enquanto marchássemos até Crocus?

Era uma pergunta pertinente.

— Bom ponto levantado, Lorde Kartt. Sim, um exército como o nosso chamaria atenção. Por isso, temos que mover os olhos de Erza para algo que oculte nosso avanço até Crocus. E é aí que os seus homens, os de Lorde Navish e Lorde Dragneel entram. Juntos, vocês formam a maior parte do nosso exército, uma quantia considerável e usaremos toda a nosso favor. Vocês marcharão para Crocus com o pretexto de pedir perdão ao Rei Rogue, pois a carta de Lorde Crysh abriu-lhe os olhos e jamais compactuariam com uma traidora, alguém que nem é de Fiore. – falei, olhando alternadamente nos olhos dos três Lordes – O número de vocês poderá levar em seu meio alguns homens de Jura e Freed, enquanto os demais vão se locomover em pequenos grupos, auxiliados por homens de Erik através de rotas diferentes a noite, até chegarmos em Crocus. Enquanto isso, a campanha de vocês parará nos vilarejos maiores espalhando a mentira que Erza usou contra mim, assim ela não desconfiará de vocês.

— E com essas paradas dará tempo aos demais grupos se locomoverem a noite e com isso, chegarmos juntos a Crocus – Igneel completou o pensamento.

— Exatamente – pontuei.

Confesso que me senti orgulhosa da última parte, pois pensei sozinha enquanto juntava o conteúdo da carta com o que Gajeel e eu tínhamos elaborado. O Príncipe notou isso e olhou-me com orgulho, fazendo-me ficar levemente corada.

Quem diria que eu poderia criar estratégias de guerra.

— E se me levassem como prisioneiro, um presente para Erza? — Sting anunciou-se também pela primeira vez.

— Como assim? — pedi.

— Erza é esperta, sabemos disso. Ela prioriza atitudes. Se eles – apontou para os Lordes – me levassem como prisioneiro, aumentaria as chances dela confiar neles e quem sabe, abrir os portões e com isso poupar homens em derrubadas dos portões, focando na parte do Castelo, onde acredito que ela mantenha os melhores Magos.

— Gostei da ideia – Natsu concordou.

— Ele tem um ponto – Jura complementou.

Eles sabiam o quão relutante eu seria em deixar meu irmão tão perto de Erza, fora de minha vista. Ele era o único de minha família que me apoiava e eu detestava a ideia dele em perigo. Sting olhou-me sério, pronto para o que fosse preciso para me ajudar com essa situação.

— Majestade – a voz de Levy cortou a nossa troca de olhares.

— Sim?

Minha amiga aproximou-se com calma da mesa e pousou a mão sobre a minha.

— Seu irmão estará fora de perigo. Mesmo que Erza consiga pôr as mãos nele antes de agirmos, ela não machucaria o herdeiro de Ghaléia. E pelo que sabemos dela, sua ganância não lhe permitira perder a oportunidade de pegar o outro reino para si também.

Era incrível como ela conseguia enxergar situações tão a frente com tanta facilidade. Levy era inteligente e perceptiva. Uma aliada fortíssima para se ter ao lado. E Deuses, era a mais pura verdade o que ela dizia.

— Se estiver de acordo com isso, meu irmão, que seja posto em prática esse plano – concordei, apesar de meu coração estar apertado.

— Vamos formar os grupos então – Jura incitou a todos.

Juntos, fomos olhando as qualidades de cada esquadrão e pensamos com cuidado em como faríamos todo esse arranjo. Era energizante ver as peças se movendo num rumo certo.

Aguarde-me, Erza.

Notas finais
E então? O que acharam deste plano? Ah, eu fiquei TÃO empolgada na hora de escrever ele *-* E essa situação toda com os rebeldes? Lucyzinha ainda tem um pé atrás com eles, haha. Quero agradecer a todos que veem comentando, favoritando e recomendando a fanfic. Vocês são demais! Enfim, espero que tenham gostado do capítulo. E o próximo será o especial do Natsu! Se preparem, haha. Um beijo a todos e até o próximo.