Sid e Os Filhos da P@#%
1 Capítulo 1 - Piloto
O dia começou com eu sentando no carro da minha mãe, indo direto pra escolinha Pernilongos. Eu sabia que esse dia ia ser bom pra caralho porque ia encontrar o meu amigo Sid e os seus filhos da puta lá.
Oi, meu nome é Jeremias e eu tenho 10 anos de idade. O meu cabelo é encaracolado que nem o da minha mãe e a minha coisa preferida é tomar leite com chocolate.
(Sim, eu falo palavrão. Lidem com isso, otários!)
Mas enfim, tava eu no carro com a minha mãe ouvindo umas músicas da trilha sonora de Shrek quando nós finalmente chegamos na escola.
“Tchau, filhoto.”
“Tchaaaaaaaaaaaau.” Disse eu, animadástico.
Sid estava esperando por mim no pátio.
“E aê cara, tava todo mundo te esperando.”
“Fala Sid!” Dei um toca aqui no meu melhor amigo e lá fomos nós entrando na escola.
Percebi que Sid estava com uma cara de quem tinha cometido um crime de ódio, então perguntei se havia acontecido alguma coisa.
“Cara, tu nem imagina. A partir de agora a escola é nossa.”
“Ué, como assim?”
“Entra nessa porra que tu vai entender, caralho! Tu é protagonista de anime ou o quê?”
O Sid ficou meio irritadinho, mas ele é assim mesmo. Ele tem a personalidade de um líder e o carisma de um terrorista.
Sid sempre espera muito de nós, os filhos da puta dele, e sempre que falhamos em alguma coisa ele fica irritado.
"Caralho véi, já tô entrando! Pra quê me agredir verbalmente, sô?”
Fiz o que o senhor presidente disse e abri a porra da porta. O que eu vi lá dentro nunca sairá de minha cabeça pequena e inocente (Ah vá).
“KKKKKKKKKKKKK, o que tu achou véi?”
O SID AMARROU A NOSSA PROFESSORA NA CADEIRA, QUE PORRA É ESSA?!
“FUDEU!”
“Só pra ela mesmo. E então, o que achou? Temos a escola toda em nossas mãos.”
Esqueci de explicar que a nossa escola é meio estranha. Nós somos os únicos alunos, e de responsáveis só tem a professora e a diretora da escola. Ouvi falar que elas são casadas.
Cara, vida de aluno do fundamental é uma coisa bem bizarra.
“Mas e aí, o que a gente vai fazer agora?”
“Espera aí, que eu vou reunir a galerinha.”
Então ficou eu, Sid, a Roberta e o Canudinho. Esse último aí na verdade se chama Pedro mas nós gostamos de chamar ele de Canudinho.
“Vamos tocar o terror!” Disse Sid.
“Ou a gente pode ir lá na lojinha comprar pão de queijo.”
“Isso, vamos comprar pão de queijo e depois a gente tortura a professora.”
“Mas por quê?”
“Faz dois meses que o Gustavão desapareceu e ela tá agindo de forma muito estranha, acho que está escondendo alguma coisa.”
“Porra Sid, mas você tem certeza mesmo?”
“Nunca tive mais certeza na vida.”
“Agora é a gente que manda.” Disse a Roberta, com um sorriso maroto.
“Caralho Roberta, tu tem certeza que é uma boa ideia? Vai que a polícia descobre…”
“Você tá preocupado demais, Jerê. Se esqueceu que a gente tem o Sid do nosso lado? O cara sobreviveu a todas as guerras mundiais.”
“Eu sei, mas-”
“Relaxa que vai ficar tudo bem, parça!” Disse o Canudinho, passando a mão no meu cu.
Puta que pariu. Tá todo mundo de boa na lagoa, mas eu sinto que algo muito errado vai acontecer. Faz uma semana que eu fui transferido para essa escola e me juntei à gangue do Sid e, mesmo assim, sinto que não posso confiar 1000% neles.
Mas enfim, eu tava tendo um ataque de ansiedade quando o Sid chegou da cantina com um saco de pão de queijo.
“Quem tá com fome?” gritou Sid
“EU!” Disse a Robertinha e o Canudinho.
Sid meteu aquela mão suada no pacote e deu um pão de queijo para cada. Eu até comeria, mas-
“SID POR QUÊ OS PÃES DE QUEIJO ESTÃO SUJOS DE SANGUE?!”
“Caralho velho, se acalma. É sempre bom comer um pão de queijo com o sangue dos seus inimigos.”
“Sid, o que você fez com a professora?”
“Martelei aquela arrombada, fio.”
“SID A GENTE VAI PRA CADEIA!”
“Porra muleke, tu tá cuspindo no meu pau-digo, pão de queijo! Isso não se faz!” Disse o Sid, que começou a se aproximar de mim com os punhos eretos.
“Calma aí, Sid! O Jerê ainda é novo na escola, tá ligado? É normal as crianças novas ficarem com medo da gente. Pensa no quanto isso te faz se sentir fodão!”
“Verdade.” Disse Sid, que apertou a minha mão, com um sorriso.
“Você ainda tem muito que aprender, Jerê. Por isso decidi passar para você a tarefa mais importante de todas.”
“E qual é essa tarefa?” eu perguntei, ainda ansioso.
“Eu quero que você me ajude a torturar a professora.”
“QUÊ?”
“Vai ser assim, a gente vai tocar as músicas do MC Barney e o Dog Brasil Usuário até ela ficar completamente pirada da cabeça.”
“M-mas eu não posso…”
“É claro que você pode, Jerê! Faça isso pelo Gustavão.”
Fiquei calado, sem saber o que dizer…
Fale com o autor