Shut Up!
4 Cápitulo 3 - Sob tortura
Notas iniciais
Boa leitura.
Isabella PDV
Durante toda a noite eu não consegui fechar os olhos. Só pensava em formas de superar essa etapa da minha vida. Só pensava em formas de devolver todo o sofrimento que o Edward me causou, mesmo eu não sendo uma pessoa vingativa.Fui com minha picape até a escola, ela ainda atraia muitos olhares por causa das letras pinchadas. Doía muito ver aquelas letras pinchadas numa coisa que tinha tanto valor pra mim. Pela manhã, antes de sair de casa eu havia pedido um carro pra minha mãe. Eu gostava muito da minha velha picape, mas eu tinha que a manter segura, era a única lembrança do meu pai. As lembranças dele estavam indo embora junto com o tempo, e eu nunca queria esquecer a boa pessoa que meu pai sempre foi.
Entrei no colégio meio desnorteada, com as pessoas ainda caçoando de mim, ignorei o máximo que pude, sempre foi assim, mas depois que eu passei por aquela humilhação a coisa só fez piorar. Abaixei minha cabeça tentando me focar no meu objetivo ali.
Me choquei contra alguém que eu não vi, e fui ao chão com o impacto, parecia que eu havia sido empurrada propositalmente e com muita força. Resolvi não olhar nada, apenas ignorei encarando o chão. Tentei me levantar, mas com as roupas que eu vestia ficava difícil me reeguer, eu tinha certeza que algum popular havia me empurrado propositalmente, eu lutava com todas as minhas forças e discutia com minha mente que essa pessoa não fosse o Edward. Ele nunca me agrediria. Mas o medo de encarar o agressor era muito grande. Levantei minha cabeça devagar e foi como se eu tivesse sido esmagada por inteiro quando vi Edward, ali, na minha frente, junto com três garotos que me encaravam. A decepção que eu senti foi grande o bastante pra formar um bolo na minha garganta. Edward começou a ri e a ser acompanhado pelo seu grupinho que ria mais ainda. Tentei novamente me levantar, mas dessa vez não consegui mover um músculo do chão.
–Deviam varrer o lixo dos corredores — Edward sorriu zombateiro encarando os amigos que começaram a rir também. Lixo. Era isso que eu significava pra Edward, algo que não prestava e que ele podia usar várias maneiras pra me jogar fora.
Tentei me levantar novamente, mas algo me prendia ao chão, me virei e encarei um garoto loiro que estava pisando na barra da minha saia, me impedindo de levantar. A única solução que eu achei foi ficar parada esperando eles cansarem de me humilhar.
–Não vai levantar baranga? — a voz de Edward ecoou pelo lugar e eu ouvi mais risadas a minha volta — Não vai tentar sair da sua posição de lixo? — Edward perguntou e o seu grupo riu, continuei calada — Levanta!
Uma droga de uma dor no peito, fazia com que meus olhos começassem a se encher de lágrimas, mesmo eu lutando pra que isso não acontecesse. Quando as palavras não saem, as lágrimas assumem o seu lugar. Eu sempre fui ofendida e humilhada e conseguia ignorar, mas com o Edward era diferente, porque eu o amava.
–Mostre a nós aqui que você pode sim passar de um lixo — ele falou e continuou — Pra uma lata de lixo, claro. — O loiro puxou a xuxa do meu cabelo com força, me provocando uma dor no couro cabeludo.
Lutei contra a dor pra não gritar.
–Olha pessoal! Apresento a Elba Ramalho — Edward riu sendo acompanhado por muitas risadas no corredor, várias pessoas olhavam a cena, um típico bullying, ninguém era capaz de denunciar o que estava acontecendo, eles só incentivavam — Vamos, levante daí! — ele berrou — É o melhor que pode fazer ignorar? Gosta de ignorar as pessoas não é mesmo? É porque é fraca demais pra retrucar, e quando retruca só sai merda! — percebi que ele rodava a minha volta enquanto falava — Vai aprender que é muito errado ignorar as pessoas — ele continuou em tom de brincadeira — A baranga não quer nos obedecer... O que vamos fazer com ela? — ele perguntou aos amigos.
–Que tal o armário? — o loiro perguntou e houve um silêncio.
O loiro tirou o pé de cima da minha saia e eu tentei escapar rapidamente, mas em vão, porque ele segurou meu braço com força, tentei não gritar pra não demonstrar a dor que eu sentia, eles iriam cansar de fazer isso comigo, se eu não reagisse.O Edward me puxou pelo outro braço me reerguendo. Não levantei minha cabeça. Fui arrastada sem nem reagir a nada.
A dor que eu sentia dentro de mim era intensa, mas nem assim eu fui capaz de fazer alguma coisa.
Senti sua respiração se aproximar do meu ouvido enquanto ele encostava os lábios macios nele, meu corpo todo entrou em choque com o contato de sua pele.
–Ainda não tem medo de mim? — sussurrou e eu ignorei. Ele estava se vingando, se vingando das coisas que eu lhe disse ontem a noite.
Ele parecia que ia me castigar, decidi reagir, me debati o quanto pude, mas em vão, eles eram muito fortes e eu era uma fraca. Me seguraram bem mais forte e riram ainda mais.
–O que vão fazer comigo? — levantei a cabeça.
Ouvi risinhos baixos vindos de Edward, enquanto os alunos que estavam atrás gritavam e incentivavam os agressores ainda mais. Um garoto bem forte passou na minha frente e abriu o armário. Em seguida eles me agitaram e me empurraram pra dentro do armário com toda força, bati minha cabeça no fundo do armário, gritei de dor enquanto sentia minha cabeça latejar e as pessoas rirem ainda mais de mim, coloquei a mão na cabeça ainda gritando e vi que Edward se aproximava de mim.
–Agora você tem medo? — ele perguntou.
O ignorei novamente, fingindo que estava mais preocupada com minha cabeça que doia muito, gemi de dor ao senti que a cada segundo minha cabeça doia mais. Mas, não só minha cabeça, minhas pernas, meus braços e principalmente meu coração.Fechei meus olhos ignorando o que podia vir a seguir, não ouvi nada, nenhum risinho, nenhuma palavra. Abri meus olhos na esperança que aquilo tudo fosse uma completa ilusão. Mas não, Edward ainda estava me fitando, fitando minha dor. Passei a mão nos olhos e eles estavam inundados, as lágrimas rolavam pelo meu rosto numa velocidade incrivel.Edward me fitava, e por um momento achei que me tiraria do armário, por outro momento ele riu e bateu a porta do armário com toda força, a porta bateu nas minhas pernas me fazendo gemer de dor.Ouvi o barulho da porta do armário sendo trancada.
–Tem medo agora? — ele perguntou com uma voz rouca e com raiva.
–O silêncio destrói qualquer um não é? — sussurrei, tentando ser a mais forte no momento.
A voz dele se calou por um momento.
– Você é ridicula, vai aprender a não me desafiar — ele chutou a porta do armário me fazendo encolher ainda mais.
Me encolhi no armário sentindo as lágrimas rolarem com toda a velocidade sobre meu rosto ridiculo. Ainda era possivel ouvir pessoas rirem do lado de fora.
–Vai mesmo deixá-la trancada no armário? E se alguém caguetar e a diretora nos suspender? — ouvi uma voz baixa do lado de fora.
–Eu vou adorar ser suspenso, pra mim isso é uma recompensa, você apronta com uma CDF e ainda é recompensado com uma semana em casa. Sacas? — Edward falou baixo.
–Tem razão, cara! Isso foi irado! — ele falou e continuou — Mas a CDF nem resistiu, nem teve muita graça assim...
O horário bateu fazendo o silêncio reinar. Meu soluço ficou forte e ensurdecedor, até pra mim. Eu nunca imaginaria que o Edward podia fazer isso comigo. Eu nunca pensei que o Edward fosse tão cruel, tão monstro. Tão capaz de me agredir. A raiva que eu sentia dele naquele momento era incontrolável, uma raiva que eu nunca senti antes, por ninguém.
Dei murros na porta do armário de raiva e revolta com toda minha força enquanto chorava, minhas mãos doiam, mas eu não ligava, eu me sentia um lixo, uma porcaria. Uma grande merda. Soquei o armário com mais força ao pensar na minha burrice em me apaixonar pelo Edward. Pensei em tudo que eu esqueci depois que me apaixonei por ele. Dei um soco forte fazendo minhas mãos latejarem e me encostei no fundo do armário me encolhendo o máximo possivel. Lágrimas desciam pelo meu rosto, puxei minha blusa e limpei todas elas.
Uma onda de lembranças invadiu minha mente.
Flash back on*
5 anos antes...
Estava encolhida remexendo a sopa no prato, enquanto tentava digeri o péssimo dia que tinha tido, havia sofrido bullying. Novamente.
–Hey Bella? — meu pai me olhava sorrindo e eu levantei a cabeça.
–Sim pai...? — falei meio desatenta.
–O que aconteceu? — ele perguntou com uma expressão de curiosidade, minha mãe não estava a mesa, e a Alice e o Emmett estavam estudando, eles estudavam a noite.
–Ér... Não foi nada demais! — falei já sabendo o que viria a seguir, eu diria o que aconteceu pra ele, ele era a pessoa que eu mais confiava nesse mundo, era o pai que todos sentiriam orgulho de ter.
–Ahan, você nunca me enganou, conte-me o que aconteceu, e eu farei de tudo pra te ajudar. — ele falou.
–Pai, eu... Sofri bullying de novo, eles me odeiam, todos me odeiam... — falei e abaixei a cabeça de novo, encarando a sopa no prato.
–Você merece um castigo pelo que disse — ele falou e eu levantei a cabeça — Isso é um insulto a mim, eu te amo Bella, sua família te ama, essas pessoas que fazem isso com você não devem ter o dobro da sua felicidade... — ele falou e de fato estava certo, eu era feliz, muito feliz, tinha uma linda casa, pra mim era a mais linda do mundo, era feita por meu pai, o meu pai, o melhor pai do universo! ele continuou a falar — Nunca diga isso, ok? E nunca deixe ninguém te humilhar, ninguém é melhor que você, ninguém! Pelo contrário, essa pessoa que humilhar você, um dia será humilhado, e pensará: "Um dia eu fiz isso com uma garota, e hoje eu estou sofrendo na pele"
–Então, quando me humilharem é pra eu não fazer nada? — perguntei.
–Isso mesmo, um dia você vai ver, isso vai passar! Eu te juro que enquanto eu estiver vivo não vou deixar ninguém te machucar, ninguém! — ele me fitou.
–Obrigada pai! — peguei uma colher e pus na boca.
–Conte sempre com seu velho aqui! — ele falou.
–Velho não, novo! — falei e ele riu.
–Sabe Bella, este é um bom jantar, eu gostei, um jantar feliz com você... Te dando conselhos, eu desejo que tudo isso seja eterno! — ele falou.
–E vai ser! — disse por fim.
Flash back off*
DROGA! DROGA! Você não pode deixar ele pisar assim em você Isabella.Eu não posso simplismente ignorar o que ele está fazendo eu passar. A dor me consumia por inteira, mas nenhuma dor era mais forte do que aquela que eu sentia no meu coração. Naquele momento eu tinha vontade de morrer, tinha vontade de ser uma pessoa forte, que ninguém humilha ou maltrata.Queria ser impiedosa como o Edward. Eu queria não ser eu.
Mais lágrimas rolavam dos meus olhos.
Não tem que ser assim...Não de novo!
Eu NUNCA mais vou deixar o Edward me humilhar novamente. Nunca vou deixar ele pisar em mim e me chamar de lixo. Eu posso ser fraca, ingênua, mas eu não sou um lixo. Eu... Vou fazer ele pagar por tudo isso! Eu vou fazer ele se arrepender por tudo que está fazendo eu passar.
Eu quero odiar o Edward igual como eu me odeio agora. Eu quero odiar o Edward mais que tudo na vida.
Será que eu conseguiria substituir o amor pelo ódio?
Droga! Olha o que você fez com sua vida... Olhando pro Edward, confessando pra ele o que você sente. VOCÊ É BURRA, MUITO BURRA! Chutei a porta do armário com força.
Ou você acaba com as ilusões, ou elas acabam com você.
Lágrimas de raiva desceram descontroladas, encharcando meu rosto.
–Burra... Burra — sussurrei soluçando.
–Quem está aí? — ouvi uma voz do outro lado do armário, pelo o que eu conhecia deveria ser a diretora. Ouvi a porta sendo destrancada e rapidamente a diretora abriu a porta e me fitou.
–Oh meu Deus, quem fez isso com você? — ela perguntou.
–Foi o... O... — tentei falar mais minha voz falhava.
–Venha comigo — ela falou e ofereceu sua mão pra eu segurar.
(...)
Bebi mais um gole d'água.
–Isabella... Você tem que me contar quem foi pra eu puder punir esse aluno — ela falou.
–Eu não o vi — menti.
–Ele estava encapuzado? — ela perguntou.
–Eu não lembro — falei.
–Tudo bem, matenha a calma — ela falou.
–Quero ir pra casa — falei.
–Tudo bem, eu te levo — ela falou.
(...)
Minha mãe não estava em casa, eu me despedi da diretora e andei trocando as pernas até minha casa, eu ainda estava em choque, minhas pernas ainda doiam e eu sentia uma dor de cabeça muito forte. Ao subir as escadas eu deitei na minha cama e comecei a soluçar. Eu não deveria demonstrar o medo que eu sentia do Edward.
Sempre fiquei pensando como as pessoas reagiriam se eu morresse
(…)
O Edward nunca se importaria.
Eu queria morrer, desaparecer dali. Mas no fundo no fundo eu queria dar o troco e acabar com a raça do cara que um dia eu ainda o disse que o amava e talvez por isso ele tenha resolvido me humilhar e pisar em mim. Talvez ele não tenha sentimentos e se divirta a custa dos sentimentos das pessoas.
E a cada minuto que eu conhecia o Edward eu me sentia mais burra e mais tola do que nunca. Tola por amá-lo e por mais que ele tenha me feito sofrer em tão pouco tempo, me sinto tola em não odiá-lo e em não entregá-lo pra diretora.
Eu me sinto pisada, massacrada , humilhada, mas pelo menos agora eu me sinto mais forte, forte o bastante pra parar de deixar as pessoas me humilharem e simplesmente ignorá-las. Sempre ouvi os conselhos do meu pai, mas tem certos momentos que devemos seguir nossa própria mente e parar de seguir essa droga de coração que só bate por ele.
Talvez isso tudo precisasse mesmo acontecer para me fazer encarar a realidade.
Encarar a realidade pode até doer, pode até nos deixar aborrecidos. Mas encarar a realidade é que nos liberta. Se ela é a dor, ela é o próprio remédio. A realidade, quando vista de forma clara e com amor, é que nos encoraja para seguir adiante. E a realidade era que o Edward nunca foi o principe encantado saindo do seu lindo cavalo pra me buscar, a realidade é que ele era o vilão da história. SEMPRE FOI! Sempre... E talvez esse vilão tivesse um final ruim. Só talvez.
Tirei minha cabeça do travesseiro e limpei minhas lágrimas com a manga da blusa. Peguei meu diário em cima da cômoda e comecei a escrever.
"Certas coisas podem ter me feito sofrer muito, mesmo sendo em tão pouco tempo. Mas, essas coisas simplismente precisavam acontecer para me fazer crescer. E uau como eu me sinto grande agora."
Me levantei disposta a voltar pra escola, eu voltaria lá com a cabeça erguida e daria o troco, nem que fosse a última coisa que eu fizesse nessa vida.
(...)
Olhei no relógio e percebi que era hora do intervalo, várias pessoas já circulavam pelo corredor, mas infelizmente, a pessoa que eu queria que estivesse ali não estava, ainda. Muitas pessoas me olhavam surpresas, elas deveriam achar que eu não conseguiria sair do armário tão cedo, mas eu não ligava. Avistei a garota que me humilhou anteriormente encostada no armário. Edward apareceu em seguida, e felizmente não notou minha presença, já que eu olhava de longe. Ele foi até a garota e se posicionou na frente dela, tentando a agarrar, pra minha completa surpresa e felicidade ela virou a cara e deu um soco leve no seu peito o fazendo andar um passo pra trás.Cheguei mais perto a fim de ouvir a conversa.
–Acho que não entendeu o que eu disse no telefonema — ela falou.
–E o que você disse? — ele perguntou.
–Eu não acreditei que estava com sua família, e tenho certeza que estava com uma mulher se esfregando com ela e depois vem pra mim — ela falou.
–Que isso? Tá louca? Eu estava com a minha família Jess, para com isso.
Quer que eu enlouqueça? — ele pegou na sua cintura e eu tive que me segurar pra não vomitar. Ele a puxou pra sua boca, e ela tentava resistir e obteve êxito quando ele já estava quase a beijando.
–Pega leve! — ele falou.
Ela ficou calada.
–Por favor, gatinha! — ele falou.
–Você não pega leve comigo! — ela sussurrou.
–Poxa! Me perdoa Jess? — ele perguntou, sua voz havia mudado totalmente, ficou de repente uma voz tão carinhosa.
–Não! — ela falou, mas dava pra ver que mais cedo, ou mais tarde ela ia ceder.
–Não queria te magoar! Não era a minha intenção... — ele falou.
–Tudo bem! — ela falou cedendo.
–Ótimo! — ele falou.
Ela disse que ele estava com uma mulher? E pelo jeito ela tem ciúme dele pois me humilhou na frente de todos só porque eu a olhei, então...Me aproximei deles dois pronta pra agir, ignorando o medo que eu sentia de Edward e dei um passo a frente encarando os dois.
Edward me encarou surpreso enquanto eu me aproximava cada vez mais, a garota ao lado me olhava do mesmo modo.
–Como saiu do armário? — Edward perguntou em tom de zombaria.
–Isso não te interessa! — falei fria e continuei — Jessica, tenho que te alertar. Esse daí não presta. Se você sente alguma coisa mesmo por ele esqueça. Ele costuma se divertir com os sentimentos das pessoas.
–Fala isso, porque ele não te quis e nunca vai te querer — ela falou.
–Ele... É meu irmão, ele te contou isso? — perguntei.
–Não sabe a hora de dizer adeus CDF? — ela perguntou irritada.
Edward me olhava com repulsa.
–Sabe onde ele estava ontem a noite? Num jantar, lá em casa, e eu também tava naquele jantar — falei. Ela demorou um tempo digerindo a informação e depois me olhou, em seguida pro Edward.
Continua...
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