CAPÍTULO 13

Os meses se passaram e

mesmo co a ajuda de Alice e Ângela, as minhas notas na escola foram péssimas em

todos os testes e provas. Por mais que eu esforçasse, eu não conseguia realmente

estar ali, naquela sala, ouvindo o que o professor tentava me ensinar. Meu corpo

estava presente e meus ouvidos também, entretanto, minha mente vagava por

lugares sombrios e angustiantes que me faziam ficar imersa na dor que me atingiu

no dia em que Edward e eu nos separamos.

Eu tentava dissipar meus

pensamentos, participar das conversas entre os meus amigos, mas cada palavra me

fazia lembrar do pior dia da minha vida. E isso era doloroso demais, até o ponto

em que eu não sentia nada. Absolutamente nada. Havia dias em que eu me sentia em

estado vegetativo, tamanha era a inércia de meu corpo. Fiquei aliviada quando

mais um dia de aula se passou, permitindo-me ir para casa afogar-me num mundo

onde nada existia. Era apenas eu num espaço escuro, vazio. Eu não enxergava

nada, não fazia nada.

A campainha tocou e eu me perguntei quem seria a

essa hora. Pensei na possibilidade de ser Charlie. Depois de ter certeza de que

eu ficaria bem sozinha, ele voltou a trabalhar em tempo integral na delegacia, e

às vezes, esquecia as chaves, mas não me lembro de ter trancado a porta.

Desci escada a baixo, olhando diretamente para uma figura masculina que

pairava na porta, fazendo sua sombra refletir ali. Meu coração acelerou pelo

jeito que o cabelo se mexia por conta do vento lá fora. Estiquei a mão que

tremia em direção à maçaneta quando vi a sombra se afastar. Abri rapidamente a

porta, vendo dois homens que se preparavam para voltar a seus carros, virarem-se

para mim, olhando-me seriamente. Olhei para seus uniformes e, instantaneamente

meus olhos encheram-se d’água por reconhecer suas fardas verdes.

-

Senhorita Swan? – um deles chamou por meu nome, enquanto eu tentava não

acreditar no que estava por vir.

Não tive como pronunciar palavra

alguma, pois sabia o que iria acontecer dali pra frente. Era óbvio prever o que

esses dois homens do exército, um coronel e outro soldado – que inclusive estava

ferido -, vieram fazer em minha casa.

- Estamos aqui para entregar-lhe o

Comunicado de Desaparecimento do Soldado Edward Anthony Masen Cullen. – pus a

mão na boca abafando o grito desesperado que eu prendi em minha garganta – Ele

nos deu esse endereço, caso acontecesse algo com ele. Entendo que este é um

momento delicado, mas peço que avise aos pais dele, pois não temos nada além dos

dados que o soldado Cullen nos confidenciou sobre você.

- Ele...

desapareceu? – eu não entendia.

Abri o comunicado quando o coronel

Stephen Boyel aconselhou-me a ler.

31 de Novembro de

2009

Washington D.C.

Gabinete do Comando de Guerra do Exército dos

Estados Unidos da América

Comunicamos que Edward Anthony Masen Cullen,

soldado que serviu o Exército dos Estados Unidos da América, desapareceu no dia

27 de Novembro de 2009 na cidade de Bagdá localizada no Iraque, quando a base

foi atingida por bombas e alvejada por tiros de terroristas iraquianos.

Infelizmente seu corpo não foi encontrado, portanto, informamos-lhe que está

desaparecido até encontrarmos algo que possa combinar com seu DNA.

Com pêsames,

Comando Geral do Exército dos Estados Unidos da

América

- OMG! Não, não pode ser! Onde Edward está? Por que

fizeram isso com ele?

Eu gritava ao mesmo tempo em que chorava

loucamente pensando onde o corpo de Edward estaria, sem nem ao menos ter direito

a um enterro, a uma despedida. Meu corpo inteiro doía, era como se tivesse

arrancado tudo de mim e agora só restava uma carcaça de um corpo que eu não

sentia, tamanha a dor, o desespero que percorria por minhas veias. Eu estava

angustiada. Meus gritos eram assustadores e eu me sentia tão vazia que eu não

conseguia me controlar.

- Peço que a senhora se acalme, nós vamos...

- Ficar calma? VOCÊS MATARAM O MEU EDWARD! O TIRARAM DE MIM E AGORA ACABARAM

DE TIRAR MINHAS ESPERANÇAS, MINHA VIDA! VOCÊS SÃO UNS ASSASSINOS ISSO SIM! SAIAM

DA MNHA CASA AGORA SEUS ASSASSINOS DE PESSOAS INOCENTES! EDWARD FOI COM VOCÊS

PARA AJUDÁ-LOS A SALVAR VIDAS E VOCÊS ACABARAM DE TIRAR A DELE! SAIAM!

Eu gritava desesperada enquanto os empurrava porta afora sem me

preocupar se os estava desrespeitando ou não. Eles tiraram o Edward de mim,

obrigaram-no a ir para a guerra e o mataram. O tiraram para sempre da minha

vida, dos meus braços. Eles entraram no carro desculpando-se pelo ocorrido.

- Suas desculpas não vão trazer o Edward de volta. – contestei antes que

um deles levantasse o vidro da janela do carro.

Fiquei ali parada,

segurando a carta que acabara de receber, apertada contra meu peito, que parecia

estar vazio, sem batimentos, sem vida. Minha vontade era de gritar, de socar

alguém, de sumir, de morrer e juntar-me a Edward novamente.

Os dias

se passaram e eu perdi a noção de tudo o que acontecia no mundo lá fora. Eu não

comia, não bebia, não levantava da cama. Meu quarto estava todo tapado para que

nenhuma luz entrasse pela janela ou por qualquer outra fresta.

Sentei-me na

cama co o cobertor nas pernas e me abracei, fechando os olhos. Imaginei Edward

entrando pelo quarto e me abraçando bem forte. Passando seu nariz pelo vão de

meu pescoço enquanto sussurrava o quanto me amava. Meus olhos imediatamente

encheram-se d’água e eu, mais uma vez, estava chorando. Porque eu nunca mais o

teria de volta. Nunca mais veria seu sorriso, seus olhos, seu rosto. Nunca mais

sentiria sua pele e muito menos seu abraço ao redor do meu corpo.