Shot In The Dark – Kogan
2 O Primeiro Encontro
Notas iniciais
POV Logan:
Após ter sido detido pela polícia no apartamento do Kendall, acusado de ter matado o meu namorado, fui conduzido à Delegacia de Homicídios mais próxima para que pudesse ser interrogado e para que pudesse ser lavrado o auto de prisão em flagrante. De pouco me adiantou alegar inocência.
Mesmo que tenha sido um pouco constrangedor, eu confessei para os policiais que eu amava o Kendall e que na verdade éramos namorados. Não pude deixar de perceber os sorrisos de deboche dos policiais ao ouvirem minha confissão. Percebi que sussurravam algo do tipo “como pode um cara bem-sucedido e cheio de grana, com uma noiva gostosa como aquela Jo Taylor, preferir dormir com outro homem?”
Esse tipo de deboche não me abalava mais. No passado teria me deixado com vontade de quebrar a cara deles, mas hoje nada mais importava. E no fundo eu sabia que admitir que namorava a vítima não mudaria a situação, afinal fui pego em flagrante abraçado ao corpo do Kendall, com sangue dele em meu corpo e minhas digitais espalhadas por todo o apartamento. Eu estava ferrado.
Apesar disso, só conseguia pensar no Kends. Lembrava do seu sorriso perfeito, dos seus olhos verdes lindos, do seu jeito bobo que me cativava, só conseguia enfim pensar nele e na vida cruel que eu tinha pela frente agora que o destino tinha nos separado para sempre. Ainda não consigo imaginar por que alguém teria motivo para matar a pessoa mais incrível que eu já tinha conhecido na vida.
Tudo que eu tinha agora do meu Kends eram lembranças. E elas me faziam bem, mas também me faziam chorar.
Depois do interrogatório e de mais alguns procedimentos burocráticos, eu estava prestes a ser enviado para a Penitenciária Estadual Hard Rock, na periferia de Los Angeles. Já haviam confiscado as minhas roupas e eu já tinha vestido o macacão laranja que os prisioneiros usam, igualzinho aos que a gente vê nos filmes e na TV.
Ao embarcar no ônibus dos prisioneiros senti um pouco de raiva pelos meus pais não terem corrido para a Delegacia para me darem algum apoio. Telefonei para eles, expliquei a situação e eles nada fizeram. Sequer enviaram um advogado para me acompanhar durante o interrogatório. Eles devem estar furiosos com toda essa minha história com o Kendall. Mas por maior que seja a raiva deles, nada justifica deixar o filho desamparado no pior momento da sua vida. Nesse momento, sinto quase como se odiasse meus pais.
Era um longo caminho a ser percorrido entre a Delegacia de Homicídios e a Penitenciária Estadual Hard Rock. Como sentei sozinho num dos bancos do ônibus, não precisei me cuidar dos meus novos e mal-encarados “colegas”. Então, comecei a recordar de como tudo isso começou, de como conhecer Kendall Knight mudou minha vida para sempre.
SEIS MESES ATRÁS:
POV Logan:
O trânsito nessa cidade está realmente um inferno. Estou tentando há mais de uma hora chegar na clínica médica em que trabalho com meu pai e outros colegas e parece que não saio do lugar. Sei que meu pai vai me matar pelo atraso, porque temos uma reunião importante hoje no trabalho, algo sobre investir na clínica e abrir outros estabelecimentos não só em L.A., mas também em várias outras cidades da Califórnia.
E hoje o meu dia estava realmente cheio. Depois dessa reunião com meu pai e demais sócios da clínica, tinha que fazer plantão de 8 horas no Hospital St. Matthews e ainda por cima de noite tinha que ir ao jantar especial que tinha prometido para a Jo em comemoração ao nosso aniversário de um ano de namoro. Uma ocasião que tinha tudo para ser muito especial, porque hoje à noite eu finalmente pediria a Jo em casamento.
Sim, eu finalmente vencerei meu medo de compromisso e pedirei em casamento a minha namorada linda, sofisticada e filha de família tradicional. Minha mãe sempre dizia que eu tinha que parar com a vida de farras ao lado do meu melhor amigo, o James, e que tinha que amadurecer e casar com a Jo, que segundo ela, era a mulher perfeita para mim.
Pressões da minha mãe à parte, eu admito que amo a Jo e que acho que seremos muito felizes juntos. É verdade também que nunca fui loucamente apaixonado por ela, mas prefiro pensar hoje que paixão é coisa de filmes, livros e coisas do gênero. O amor que eu sinto pela Jo foi algo construído aos poucos; no início éramos amigos, depois incentivados por nossas mães nos aproximamos mais e daí aconteceu que começamos a namorar, já faz um ano. E estou pronto agora para dar o próximo passo.
Perdido em meus pensamentos e com o som do carro em alto volume para que eu escutasse a música “Time of Our Life”, de uma banda chamada Big Time Rush, que eu adorava, nem percebi quando o trânsito finalmente descongestionou. Quando dei por mim, os veículos que vinham atrás buzinavam para que eu prosseguisse. Voltei a mim e segui com o carro até parar novamente em um semáforo. Nesse momento, o meu celular toca.
Cell on:
- Fala, Jay, vai me dizer que caiu da cama hoje? Não são nem nove horas! – Falei zombando dele.
- E quem falou que já dormi hoje, Logan? Tava na despedida de solteiro do Dak e, cara, aquilo foi uma loucura! Cheguei em casa recém agora!
- Ah é? E quantas você pegou ontem, Jay? – Perguntei, debochado.
- Não seja indiscreto, amigão, você sabe que eu sou um cavalheiro e nunca falo desses assuntos para ninguém... Coff... Quatro... Coff... Quatro! Peraí, me deu tosse agora! — Ele falou em tom de brincadeira.
- Quatro, cara? Ah, fala sério! Você tá zoando comigo!
- Logan, eu seria incapaz de mentir para você sobre garotas! E dependendo de qual for seu conceito para “pegar”, em vez de quatro, podem ter sido cinco! Porque eu fiz algumas coisinhas legais com a Jenna Watts... Hehe... – Ele sorriu vitorioso.
- A Jenna Watts? Ah, cara, não acredito! Aquela mina é toda fresca e não deixa ninguém chegar perto! Você tá contando vantagem, como sempre!
- Nunca duvide do poder de sedução de James Diamond, meu enforcado amigo.
- Tá, já vai você começar com essa história de que eu tô perdendo de aproveitar a vida namorando sério com a Jo, nem vamo começar esse assunto!
- Tá, tá, doutorzinho, não quis ofender. Só quero que saiba que até você podia ter se dado bem na festa de ontem! Pense nisso, Logan. Mas, mudando de assunto, eu te liguei pra perguntar se você tem compromisso hoje?
Nesse instante, o semáforo abriu e eu continuei falando ao telefone com o James, algo que logo em seguida revelar-se-ia um grande erro.
- Hoje? Por quê?
- Por que hoje é a noite de pôquer com o pessoal do Clube e depois pensei na gente sair para beber e, sei lá, azarar a mulherada. – Ele falou com empolgação.
Eu não estava a fim de falar para o Jay que iria jantar com a Jo hoje de noite e muito menos que iria pedi-la em casamento. Seria muita aporrinhação de parte dele já no início do dia. Então, menti: - Olha, cara, acho que hoje não vai dar eu tenho que fazer plantão até muito tarde no hospital e aí --
Subitamente, ao me aproximar de outro semáforo, numa das mais movimentadas avenidas de L.A., sou distraído por um rapaz alto, loiro e magro que rapidamente atravessa o cruzamento em sua bicicleta. Não sei por que, mas aquele cara realmente chamou minha atenção, distraindo-me do trânsito inclusive e então quando menos espero... BOOM!
- Ah, droga! Me diz que isso não aconteceu! – Falei, desanimado.
- Logan, o que houve, cara? Que barulho foi esse? Logan!?! – O James não parava de me chamar no celular.
- James, agora não posso falar, deu merda aqui, mas não se preocupe, eu tô legal...Tenho que desligar.Tchau.
- Mas Logan? Logan!?!
Cell Off
Desliguei o telefone e saí rapidamente do meu Porsche. Torci para que não tivesse atropelado ninguém e também, se possível, que não tivesse amassado muito o meu carro. De repente, vejo uma bicicleta na frente do veículo e mais adiante o condutor dela, estirado no chão e gemendo de dor. Droga. Realmente tinha atropelado um ciclista.
Aproximo-me do ciclista e percebo tratar-se de um rapaz que devia ter mais ou menos a minha idade, de origem latina, estatura mediana, que segurava o braço com uma expressão de muita dor. Abaixo-me e falo com ele:
- Cara, você tá bem? E que loucura foi essa? Como você atravessa o cruzamento com o sinal verde para mim? Só podia dar no que deu! Qual seu nome?
- E-Eu me chamo Carlos G-Garcia... – Ele falou com uma expressão de dor.
- Eu sou médico e me chamo Logan, Logan Mitchell. Deixe-me examinar seu braço. Dó aqui?
- Ai! – Ele urrou. – Cara, não faz isso de novo e só pra constar: você que tava errado, o sinal tinha acabado de fechar para quem vinha no seu sentido.
- Não, nem vem com essa, não me coloca a culpa, o único imprudente aqui foi você, cara! – Retruquei, já na defensiva.
- Meu, sai de perto dele, não mexe com meu amigo! – Ouço uma voz em tom ríspido logo atrás de mim.
Quando me viro para ver quem era, percebo que era ele, o loiro alto e magrelo que me chamou atenção enquanto atravessava o cruzamento na minha frente. Ele chegou todo autoritário e com cara de bravo para mim.
- E quem é você? – Pergunto para ele, afinal eu já estava bem curioso.
- Eu sou o Kendall, e você, seu filhinho de papai, acabou de atropelar meu melhor amigo! – Ele falou já me peitando.
- Opa! Opa! Não quero confusão, cara. Sou médico e só estava examinando o braço do Carlos e acho que ele fraturou o antebraço e... – Falei até que ele me interrompesse.
- Sai de perto dele, meu! Eu vi o que você tava fazendo! Tava conversando no celular o tempo todo e não viu quando o sinal fechou! Aí atropelou meu amigo e agora quer o quê? Consertar a merda toda que você fez?
- Eu não tava errado, foi seu amigo que cortou minha frente e... Quer saber? Esquece! Eu não quero discutir com vocês e nem vou mencionar o prejuízo que seu amigo causou amassando meu carro.
- Típico de vocês, riquinhos mimados! O Carlos tá ali no chão se contorcendo de dor e você vem me falar de prejuízo patrimonial! Vai se ferrar, almofadinha!
- Ei! Ei! Chega de ficar me xingando ou então vou ter que quebrar a tua cara agora mesmo!
- Vem, então, vem que eu quero ver! – O tal Kendall queria mesmo brigar e a gente começou a se empurrar imediatamente.
- Para com isso, Kendall, ser cabeça quente agora não vai resolver o meu problema! Ai! – O Carlos falou e então o Kendall caiu em si e parou de se avançar sobre mim. Aproveitei o momento e ponderei:
- Olha, entendo que você esteja nervoso, seu amigo tá ali estirado no chão com muita dor, mas eu sou médico traumatologista, me deixa cuidar dele e tudo vai ficar bem, eu prometo. E não se discute mais quem foi o culpado e nem falo mais do prejuízo no carro, ok?
- Você pode até providenciar a ambulância e se explicar para os tiras sobre o acidente, mas não quero um cara imprudente feito você tratando do meu amigo! – Ele falou bufando e arregalando seus olhos verdes.
- Cara, deixa de ser teimoso, eu posso cuidar dele! – Repliquei.
- Já falei, você não trata do meu amigo. – O Kendall insistiu.
- Ok, ok, só vou chamar a ambulância então. Enquanto isso, dá uma assistência para o Carlos e tranquiliza ele, assim que eu terminar aqui você vai me ajudar a imobilizar o braço dele, se você permitir que pelo menos isso eu faça! – Falei ironizando.
- Tá certo, almofadinha, uma trégua pelo bem do Carlos, mas não pensa que eu esqueci que você causou essa lambança toda!
Telefonei para a ambulância do Hospital St. Matthews, que não tardou a chegar. Enquanto isso, Kendall e eu cuidamos do Carlos, imobilizando seu braço fraturado. O tal do Kendall me olhava com cara de poucos amigos o tempo todo e eu estava meio desconfortável com aquela situação. Depois que a ambulância levou os dois para o hospital, liguei pedindo para que meu colega traumatologista, o Dr. Holly Wood, acompanhasse o caso do Carlos. Ele era meio excêntrico e tinha um reality show na TV, mas era um excelente profissional.
Depois disso, conversei com os policiais, assinei o termo de ocorrência do acidente de trânsito e já sabia que em breve não escaparia de comparecer ao Tribunal para ser julgado sobre essa confusão toda. A essa altura, já era quase meio-dia e já tinha perdido a reunião na clínica, o que vai fazer o meu pai querer me matar. Bem, resolvo isso depois.
Agora tinha que ir rápido para o hospital, porque em menos de meia hora começaria o meu plantão na emergência do St. Matthews. Como o carro tinha sido guinchado para reparos, fui de táxi mesmo.
Chegando lá, a mesma loucura de sempre. Motociclistas acidentados, idosos e crianças que sofreram acidentes domésticos, etc., todos com fraturas e necessitando de cirurgia com urgência. Chegando ao saguão do hospital, recebo uma chamada da Jo. Não atendo, não tava com cabeça para isso agora.
Chegando ao bloco cirúrgico, pergunto para a enfermeira recepcionista se o Dr. Holly Wood já tinha atendido o paciente de nome Carlos Garcia. Ela me respondeu que o Dr. Holly Wood tinha saído para resolver uma emergência e que não voltaria mais hoje. Conhecendo-o bem como eu conheço, aposto que tem a ver com o seu programa na TV. Que raiva.
Então, chamo a responsabilidade para mim, como devia ter feito desde o início. Talvez, eu disse talvez, eu tenha sido o responsável pelo acidente, então tenho mesmo que operar o Carlos. Dane-se o que o tal do Kendall vai achar disso. Troco de roupa, ponho o jaleco e dirijo-me ao quarto em que o Carlos estava internado.
Chegando lá, o Kendall que estava sentado do lado do Carlos, já se levanta todo espinhado e gritando:
- O QUE VOCÊ TÁ FAZENDO AQUI?
- Kendall, baixa o tom de voz, cara. Meu colega não está disponível e eu vou ter que operar o Carlos, depois de fazer mais algumas radiografias. Tudo bem por você, Carlos?
- É claro que sim! Só quero que meu braço volte ao normal e que a dor passe, doutor!
- Me chama só de Logan! Então, alguma objeção, Kendall? Outra trégua pelo bem do Carlos?
- Hum, tá ok, vai nessa, almofadinha, opera o Carlos! Mas tema pela sua vida se não fizer o serviço direito! – Bradou ele em tom ameaçador.
- Ok, nariga, relaxa, que seu amigo tá em boas mãos comigo e minha equipe cuidando do caso dele. – Respondi provocando-o, afinal não é só ele que podia me apelidar pejorativamente. Eu vi que ele não gostou, mas dane-se, o que importava era o bem-estar do Carlos. Sem falar que por algum motivo indecifrável eu estava gostando de trocar “elogios” com esse cara.
Quando estávamos quase saindo do quarto, a enfermeira recepcionista vem e me diz, afobada: - Dr. Mitchell! Dr. Mitchell! Preciso falar em particular com o Sr.!
- Agora?
- É urgente e tem que ser em particular.
-Ok. Carlos e Kendall, só um instante.
Afasto-me um pouco do Carlos e do Kendall e de imediato pergunto:
- O que foi, Liz? Algum problema? Não tá vendo que estou prestes a operar o paciente?
- Desculpe, Dr. Mitchell. É que acabei de conferir: o plano de saúde do Sr. Garcia não cobre o procedimento cirúrgico. Não podemos realizar a operação aqui no St. Matthews, Dr. Mitchell!
No que ela terminou de falar, percebo que o Kendall estava próximo de nós e que tinha ouvido a nossa rápida conversa. No mesmo instante, ele diz, furioso:
- Vocês só podem tá de brincadeira! Quer dizer que o Carlos não vai poder ser operado nessa porcaria de hospital?
TO BE CONTINUED...
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