Shot In The Dark – Kogan
3 Coincidências Demais
Notas iniciais
SEIS MESES ATRÁS:
POV Logan:
- Calma, Kendall, não é o que você está pensando. Houve um problema com o plano de saúde do seu amigo, mas nós vamos operá-lo sim. – Falei tentando tranquilizá-lo.
- Mas, Dr. Mitchell, o convênio do Sr. Garcia... – Interrompeu-me a enfermeira Liz.
- Já sei, Liz. Vamos resolver isso também. Só preciso que você faça um levantamento dos custos da cirurgia, incluindo equipamento e remuneração dos meus colegas, e que mais tarde me repasse o valor total, ok? Eu vou pagar tudo.
Nesse momento, vi que o Kendall ficou impressionado com minha atitude. Tentou disfarçar, mas realmente ficou admirado, ele não esperava que eu fizesse aquilo.
- Entendi, Dr. Mitchell, vou providenciar tudo imediatamente.
- Ok, Liz, faça isso. Agora deixe que eu faça meu trabalho e não me interrompa mais.
- Tentando aliviar o peso da sua consciência, almofadinha? – Provocou o Kendall.
- Não, apenas assumindo minha responsabilidade. – Respondi seco para ele e após dei-lhe as costas. Em seguida, dirigi-me ao Carlos: – Prometo que não teremos mais interrupções, parceiro. Primeiro, radiografias, logo depois, cirurgia. Confia em mim, cara, eu sei o que estou fazendo!
- Eu confio, Dr. Mitchell, quer dizer, Logan... E Kendall, para de implicar com ele!
- Tá, só faltava essa, os dois são melhores amigos agora? Ninguém merece... Mas tá bom, parei de reclamar, ao menos por enquanto. – Respondeu o loiro.
Depois disso, fomos primeiro fazer algumas radiografias. Como eu suspeitava, o Carlos estava com uma fratura no rádio. Imediatamente, minha equipe e eu procedemos à cirurgia no braço dele.
...
Algumas horas depois, a cirurgia tinha acabado e tudo ocorreu conforme o esperado. Com algum tempo de “molho” seguido de um período de fisioterapia, o braço do Carlos estaria novinho em folha.
De certa forma, me sentia muito aliviado. Afinal, não era só mais um paciente, era alguém cuja lesão eu tinha provocado. Embora não tivesse admitido antes, no fundo eu sabia que a maior parcela de responsabilidade no acidente foi minha. Então o problema que eu tinha causado, eu tinha resolvido. E essa sensação de dever cumprido era muito boa. Poderia dormir tranquilo de noite, sem peso na consciência.
Estava saindo da sala de cirurgia, tirando a máscara e a touca. Cumprimentei minha equipe pelo bom trabalho feito. O que eu mais precisava naquele momento era tomar um copo gigante de café, talvez comer algo, afinal não tinha almoçado hoje. Antes de ir à cantina, porém, tinha que falar com o amigo do Carlos, o Kendall, na sala de espera. Como ele fazia questão de brigar comigo por qualquer coisa, não era tarefa das mais agradáveis, mas alguém tinha que fazer.
Chegando à sala de espera, vejo o Kendall aflito, andando de um lado para o outro. Ele parecia se importar muito com seu amigo, o que era bem bacana da parte dele.
- Logan, então, como foi? O Carlos tá bem? – Ele me perguntou com o semblante preocupado.
- A cirurgia foi um sucesso, Kendall. Ele deve ter alta em um ou dois dias e depois de um tempo de fisioterapia vai ficar muito bem. – Falei sorrindo.
- Sério? Que ótimo! Eu tava preocupado com o anão, ele nunca tinha passado por uma cirurgia na vida e... Ei, por que você tá rindo?
- Eu só tô rindo porque você pela primeira vez me chamou de Logan, e não de “almofadinha” ou “filhinho de papai”. Isso demonstra que você sabe ser civilizado quando quer. – Não pude resistir e provoquei-o.
- Ah, vai se catar, cara! Eu aqui preocupado e você vem com essas bobagens! E quer saber, tira esse sorriso do rosto porque não tô impressionado por você pagar a cirurgia do Carlitos, era mais que sua obrigação, “Dr. Mitchell”! – Ele falou em tom debochado quando me chamou de Dr. Mitchell.
Nesse momento, fiquei sério e falei: - Quer saber, cara, cansei de discutir com você hoje! Não tenho mais saco para ficar ouvindo suas asneiras. Eu errei, agora admito, mas já fiz e vou fazer tudo que tiver ao meu alcance para reparar esse erro! Agora, se nada do que faço é bom o suficiente para você, problema seu! Fui! – Saí rápido dali e deixei o Kendall tagarelando sozinho. Com certeza, conhecê-lo não tinha sido a melhor coisa que tinha acontecido no meu dia. Precisava mesmo tomar aquele copo gigante de café.
No caminho para a cantina, meu celular toca. Era a Jo de novo. Resolvi atender dessa vez.
Cell On
- Oi, meu amor, tudo bem?
- Logan, por que você não atendeu ao telefone antes?
- Jo, pega leve, gata, meu dia foi difícil.
- Sério? O que aconteceu, Lolo?
- Já disse que não curto muito quando você me chama assim... Mas o fato é que hoje cedo atropelei um cara de bicicleta.
- Você o quê?
- Relaxa, Jo, Eu tô bem, o cara que atropelei fraturou o braço, mas ele vai ficar bem, eu mesmo fiz a cirurgia dele, e devido a esse imprevisto não consegui te ligar mais cedo.
- Nossa, Lolo, você teve um dia agitado hoje. Aposto que só vai querer ir para casa e descansar quando sair do hospital, né?
- Não mesmo, nosso jantar de aniversário continua de pé! É só o tempo de eu sair daqui, tomar banho, me arrumar e buscar você. Posso passar na sua casa por volta de 21 horas?
- Pode sim, Logan... Te amo, sabia?
- Eu também te amo, gata... Esteja pronta quando eu chegar. Agora, tenho que desligar. Beijão.
- Beijos, Lolo.
Cell off
Bom, parece que o meu dia vai terminar de forma mais agradável do que começou. Se a Jo aceitar o meu pedido de casamento, então, vai tudo terminar da melhor forma possível. Pego café e algo para comer na cantina e, pouco tempo depois, já estava de volta ao plantão.
...
POV Kendall:
- Carlos, você tem certeza que está bem, cara? Não quero ir embora sabendo que você pode precisar de mim.
- Relaxa, Kendall, eu vou sobreviver a isso. Ainda não foi dessa vez que você se livrou de mim! – O latino falou de um jeito debochado.
- Isso não teve graça! – Resmunguei para ele.
- Mano, olha, eu vou ficar bem. Agora, por exemplo, não tô sentindo nada... Claro que é por causa do efeito da anestesia, mas tô de boa, Kends. Além do mais, meus pais e a Camille devem estar quase chegando. Então, você não precisa ficar mais tempo por aqui, pode ir resolver suas coisas!
- Tá, mas eu só vou embora quando todos eles chegarem... Bem capaz que vou deixar meu brother recém operado sozinho nesse hospital. – Falei denotando preocupação.
- Ok, eu é que não vou reclamar por você ficar mais um pouco. Mas me diz aí... O que você achou do Logan? Boa gente ele, né?
- Ah, fala sério, Carlos! Você só tá aqui porque ele foi imprudente dirigindo! E não me venha com esse papo de que ele é um cara do bem porque te operou e também porque disse que vai pagar pela cirurgia. Ele só tá tentando fazer de tudo para se sentir menos culpado!
- Kendall, por que esse cara te deixou tão nervoso? Eu nunca te vi assim antes! Geralmente, você é o cara mais tranquilo que eu conheço. Quase tô perguntando pro nervosinho aí o que ele fez com meu amigo. – Ele falou sorrindo. Carlos conseguia ser bem-humorado até mesmo num dia difícil como esse. E eu adorava isso nele.
- Ele não me deixa nervoso. Só não suporto injustiça e impunidade. E achei que o almofadinha nem ia te ajudar depois do problema que ele te causou, mas eu tava errado. Mas sei lá, não fui muito com a cara dele. – Falei enquanto sentava na poltrona ao lado da cama do Carlitos.
- Sabe o que eu acho?
- O quê, Carlos?
- Sempre quando a gente conhece alguém e começa a brigar muito com essa pessoa, às vezes sem motivo, é porque tá gostando da outra pessoa. Só acho. – Ele debochou.
- Ah, cala a boca, Carlos! Eu gostando do Mitchell? Era só o que me faltava! E se você continuar engraçadinho desse jeito, eu vou pedir mais uns travesseiros para a enfermeira para sufocar certo anão amigo meu... – Imediatamente, começamos a rir.
E assim passamos à tarde no hospital. Conversando, falando bobagens, rindo muito, assistindo alguns programas na TV. Mais tarde, chegaram o Sr. e a Sra. Garcia e também a namorada bipolar do Carlos, a Camille. Tipo eu adoro ela, mas às vezes suas mudanças repentinas de humor me deixavam assustado.
Sabendo que o Carlos estava muito bem acompanhado e que eu tinha ainda algumas coisas para fazer antes do meu trampo da noite, me despedi de todos e fui embora. Como estava sem minha bicicleta, que perdi em razão do acidente, peguei um táxi na saída do Hospital St. Matthews.
Eu atualmente estava morando sozinho na periferia de Los Angeles. Ainda assim quase diariamente visitava minha mãe e minha irmã caçula Katie, que moravam apenas a alguns quarteirões de distância do meu apartamento. Como homem da família, preocupava-me muito com o bem-estar delas. Eu inclusive ajudava com suas despesas porque sabia que o salário da minha mãe como secretária de um escritório de advocacia não era lá grande coisa.
Também havia outro motivo para que eu me esforçasse ainda mais para ser um filho e irmão bastante presente na vida delas: o meu pai não prestava. Ele era do tipo covarde, que batia na mulher quando estava bêbado, além de possuir uma extensa ficha criminal. Atualmente, não sabíamos o paradeiro dele, se estava preso ou até se ainda era vivo; tudo o que importava para mim era que ele permanecesse bem longe de todos nós.
Resolvi sair de casa no ano passado. Achei que era hora de ser mais independente e ter meu próprio canto. Tendo que pagar minhas despesas e ajudar com as da casa da minha mãe e da Katie, atualmente eu trabalhava como atendente numa livraria durante o dia e à noite como garçom num restaurante de gente rica e esnobe, o Chez Fancee. Tenho que admitir que nenhum dos dois eram os empregos dos meus sonhos. Mas quem disse que meus sonhos ajudavam a pagar as contas?
Na verdade meu sonho era viver da música. Eu era compositor e aspirante a cantor e já tinha me apresentado em alguns bares e casas noturnas, mas nada muito sério. Como a minha carreira musical não decolava, de uns tempos para cá até comecei a criar, como freelancer, alguns jingles para algumas agências de publicidade. Alguns desses jingles, como o “Giant Turd”, criado para uma propaganda de desentupidores de privadas, ficou famoso e até me rendeu uma grana razoável.
Fora isso, viver da minha música parecia um sonho impossível de ser realizado. Então, muitas vezes eu tinha que esquecer o sonho de adolescente e encarar a vida como adulto, ganhando dinheiro do jeito que era possível.
Cheguei ao meu apartamento e tomei um banho rápido. Em seguida teria que sair de novo, pegar outro táxi e ir para o Chez Fancee. Com o acidente do Carlitos, mal tive tempo de me alimentar hoje, mas me preocupo com isso mais tarde.
De repente, o celular toca. Era minha mãe:
Cell On
- Alô, mãe, tudo bem com você? E a Katie, como tá? Aconteceu algo?
- Calma, filho, eu não posso ligar para você sem que tenha acontecido algo conosco?
- Eu sei, mãe, é que me preocupo muito com vocês...
- E eu agradeço a preocupação, mas você tem é que cuidar melhor de si mesmo, eu te achei tão magrinho na última vez que veio jantar aqui em casa. Você tem se alimentado bem, querido?
- Eu tô legal, mãe, não se preocupa, tenho me alimentado bem, sempre que os meus horários permitem.
- E depois você não quer que eu me preocupe... Nesse fim de semana você vem jantar aqui em casa, certo? De repente até fica para dormir, pode ser?
- Vou sim, mãe, até porque já tô com saudades de vocês...
- Combinado então... E o Carlos, está se recuperando bem?
- Foi um grande susto, mãe, mas o Carlitos tá bem, deixei ele com a família e a namorada, ele vai ficar legal, já tá até fazendo piadinha no hospital!
- Ah, que ótimo, Kendall!
- Verdade. Mãe, tenho que desligar, ou me atraso pro trabalho!
- Ok, filho, só uma última coisa: a Lucy ligou hoje cedo, disse que era importante. Como você não a atendia, ela ligou para cá e pediu que eu te desse o recado.
- A Lucy? Sério? Achei que ela não quisesse mais assunto comigo. Mas eu falo com ela assim que puder. Tô saindo, mãe. Beijão para a Sra. e para a Katie.
- Beijo, filho, se cuida.
Cell Off
Logo depois de terminar de falar com minha mãe, peguei a mochila e desci as escadas do meu prédio rapidamente, mas, quando chego à portaria, vejo o meu senhorio, o Sr. Bitters. Que ótimo. Ainda assim, tento ser educado, como de costume:
- Boa noite, Sr. Bitters. Como vai o senhor?
- Sem conversa fiada, Knight. Pague o aluguel. Você já tá devendo os últimos dois meses.
- Sr. Bitters, agora eu tô com pressa, preciso ir trabalhar. Conversamos sobre isso amanhã, ok? – Continuei rumo à porta deixando-o falar sozinho. Escutei de longe que ele praguejava algo e ameaçava me despejar. Tenho que resolver logo isso, talvez pedindo um adiantamento lá no restaurante ou na livraria. Isso era bem chato, mas eu não via outra solução.
Cerca de meia hora depois, chego ao Chez Fancee. O restaurante ficava em um bairro nobre de Los Angeles e recebia todo tipo de ricaço e gente bem sucedida da cidade. Muitos deles eram esnobes e tratavam mal os funcionários, outros em compensação davam gorjetas muito boas.
Rapidamente entrei no vestiário, troquei de roupa e saí vestido a caráter: smoking, gravata borboleta, o traje almofadinha completo. Não me sentia muito à vontade naquela roupa de pinguim, mas era um pequeno sacrifício que eu tinha que tolerar. Logo, comecei meu trabalho como garçom. O restaurante estava lotado e a noite prometia ser de bastante cansativa.
POV Logan:
Depois de um dia atribulado, finalmente eu teria um momento para relaxar com minha namorada jantando num dos restaurantes mais chiques da cidade, o Chez Fancee. Eu até preferia sair para comer um hambúrguer ou coisa do tipo, mas como era nosso aniversário de namoro e eu tinha o meu pedido especial para fazer para a Jo, um restaurante sofisticado era o ambiente mais do que adequado para a ocasião.
- Boa noite, senhor. – Disse-me sorrindo a recepcionista. – Em nome de quem está a reserva?
- Em nome de Logan Mitchell e da Srta. Jo Taylor, minha adorável namorada. – Respondi também sorrindo.
- Ah, aqui está, Mitchell e Taylor, mesa para dois. Por aqui, por favor. – A recepcionista encaminhou-nos até nossa mesa.
Já acomodados em nossos lugares, Jo e eu entrelaçamos as mãos sobre a mesa. Trocávamos sorrisos e olhares carinhosos.
- Lolo, ainda não acredito que estamos comemorando um ano de namoro! Parece que foi ontem que éramos só amigos e que nossas mães faziam de tudo para que ficássemos juntos, lembra?
- Como não lembrar? Minha mãe meio que gosta de se meter na minha vida, mas só posso agradecer tudo o que ela fez para nos aproximar. Ela tinha razão quanto a nós. – Falei esboçando um enorme sorriso.
- Ah, Lolo, não me canso de admirar seu sorriso e essas suas covinhas lindas!
- Você que é linda, amor. Sou um homem de sorte por ter você comigo. – Disse piscando para ela, que se derreteu toda com a piscadinha que dei para ela.
- Mas a ocasião hoje é especial, então precisamos do melhor champanhe deles para comemorar. Vou chamar o garçom. Ei garçom! Garçom! - Falei dirigindo-me a um rapaz alto que estava de costas para a nossa mesa. Imediatamente ao meu chamado, o garçom se vira e diz:
- Pois não, senh--? – A surpresa o impediu de terminar a frase. Refeito do susto, ele diz:
- Logan?
- Ah não acredito, você de novo, Kendall!?!
TO BE CONTINUED...
Notas finais
Ah, uma pergunta: com o Kendall por perto, vocês acham que o Logan vai conseguir pedir a Jo em casamento? ^^
É isso, gente, deixem muitos reviews. Beijos e abraços a todos.
P.S.: Feliz Dia das Mães para todas as mães do mundo, em especial para as mães da família rusher! :)
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