Short-fic Only For Love (Concluída)
7 End of the happy days
Notas iniciais
Segue o penúltimo capitulo de Only For Love *espero que gostem*
Não deixem de ler o N/A mega importante sobre alguns pontos da estória que comentaram no capitulo anterior.
Escutem as músicas, elas darão um clima especial.
Enjoy...
‘’Você não sabe se amanhã ou na outra semana essas pessoas estarão aqui. Então, ame as pessoas em vida.”
(Herrera)
Seis meses
–Bom dia amor. – toquei em suas costas, tentando acordá-la.
As noites de Bella estavam mal dormidas, ela passava horas tentando arrumar um jeito de dormir que não fosse incômodo ou que não ficasse com falta de ar.
–Amor, acorda. – continuei a acariciar suas costas.
–Não quero levantar agora. – murmurou, com os olhos fechados.
–Nós, vamos à doutora Bree, amor, quem sabe hoje essa ou esse danadinho nos deixe ver o sexo. – sorri.
Da última vez que tivemos consulta com a ginecologista obstetra da minha namorada o bebê estava com as perninhas fechadas, no mais era muito saudável, o peso era bom e o seu coraçãozinho batia ritmado, sempre nos fazendo chorar. Desde que eu sair da clínica de recuperação essa seria a primeira vez que eu e Bella veríamos nosso filho ou filha sozinhos, já que sempre estávamos rodeados por pessoas, quando não eram Charlie, Renée e Carlisle os avós babões, eram Alice e Emmett os padrinhos implicantes, viviam brigando pelo bebê.
Meu cunhado disse que seria um meninão e que ele iria levá-lo para assistir todas as temporadas de Detroit Lions nosso time do coração quando estivessem jogando.
E isso a deixava louca, por que um afilhado de Alice Brandon não iria para um estádio, se juntar com pessoas sem cérebro que ficavam gritando por um monte de homem que corria atrás de uma bola. Mas Alice estava convicta que o bebê seria uma menininha, e que no primeiro aninho ela daria algo da Ana Wintour.
E isso deixava o Emm enfurecido por que ele dizia que mesmo que se fosse menina levaria para o estádio, e que compraria uma camiseta pequena dos Lions para dá-la de presente quando fosse ao shopping. Lógico que essa ideia não agradava a amiga da minha mulher.
E acontecia o óbvio os dois brigavam sério, e o Emm passava na cara dela, que o bebê era mais dele do que dela por que ele além de padrinho era tio.
Bella e eu ficávamos apenas rindo dos dois se digladiando. Os dois padrinhos do meu bebê eram malucos.
–Edward remarca para amanhã, eu estou cansada, com sono. — afundou a cabeça em meu travesseiro.
Infiltrei minha mão por sua camisola, tocando em sua calcinha, só assim para minha namorada acordar.
–Acorda amor. — beijei sua clavícula.
Ela sabia que não havia nenhuma insinuação sexual naquele ato, eu não faria nada, queria apenas despertá-la.
–Me convenceu Edward, merda. – jogou os travesseiros e o edredom para longe do seu corpo, e saiu a passos largos para o banheiro.
Bella estava naquela fase que se irritava com tudo, chorava o tempo inteiro, se eu me atrasasse dez minutos sua mente fértil imaginava mil e uma coisas, mas para balancear, ela estava carinhosa, amorosa e feliz. Os hormônios mexiam com ela de um jeito...
–Estou te esperando na cozinha.
–Tá. – retrucou irritada.
Segui para a cozinha sorrindo do jeito da minha mulher emburrada. Preparei um suco de laranja para ela com algumas panquecas.
Esquentei o leite e deixei na mesa, eu havia criado o hábito de tomar leite, por ela, Bella para produzir leite e dormir melhor abdicou totalmente da cafeína em sua dieta. O que eu achava ótimo.
Ela aproximou-se vagarosamente com aquela barriga linda e sentou-se em frente à mesa, jogando mel na sua panqueca.
–Ei cadê o meu bom dia? – fiz biquinho, fazendo-a rir.
–Bom dia. – falou com a boca cheia. Agachei-me ficando do seu tamanho e toquei meus lábios nos seus. Fazendo-a sorri e olhar-me com aqueles orbes intensos.
–Você não vai trabalhar?! – perguntou estreitando os olhos para mim.
Assenti.
–Sim, depois da sua consulta, vou te deixar na casa da sua mãe, e depois vou para a clínica, hoje não vou aparecer no comitê do seu pai, então provavelmente eu vá te buscar cedo.
Nos últimos dois dias antes de trabalhar, levava a Bella para a casa da Renée, o quartinho do bebê estava sendo reformado já que era acoplado com o escritório achamos melhor derrubarmos uma parede, para refazê-la juntamente com uma nova parede dividindo os cômodos. E para não incomodâ-la achávamos melhor para ela, que por sinal não interviu na posição.
Bella subiu para escovar os dentes e pegar sua bolsa e exames da consulta anterior que a doutora Bree havia solicitado, e eu fiquei na cozinha lavando a louça suja.
Chegamos ao consultório adiantados, Bella ficou sentada em uma das poltronas confortáveis, enquanto eu me dirigia a atendente para avisá-la que chegamos.
Sentei-me ao seu lado observado o seu sorriso espontâneo e gostoso.
–Está rindo de que? – perguntei curioso.
–Não são lindos?! – respondeu-me com outra pergunta, apontando para os quadros que estavam a nossa frente.
Sorri amplamente também.
–Lindos.
Bebês vestidos de flores. Rosa, margarida, lírio, girassol todos dentro de um vasinho. Encantadores.
–Isabella Swan. – chamou doutora Bree sorrindo. Tirando-nos dos nossos devaneios. – acompanhem-me.
–Bom dia. – desejamos em uníssono.
–Bom dia queridos. – respondeu de um jeito amável. – como estamos ai dentro Isabella?
–Er...Está ótimo.
Sentamos de frente para a doutora Bree, Bella entregou todos os exames que haviam sido solicitados e a médica analisou, nos deixando um pouco apreensivos pela demora, que logo foi espantanda pelo seu sorriso.
–Os exames estão ótimos, Isabella, vejo que esta sendo uma gestante boazinha. – comentou a médica. – vou passar apenas algumas vitaminas rotineiras certo?!
Minha namorada assentiu.
Doutora Bree examinou a minha menina, medindo pressão, o peso, o tamanho da barriga e estava tudo na mais perfeita ordem.
Quando a senhora de cabelos loiros cacheados anunciou que faria o ultrassom e provavelmente pela circunferência da barriga de Bella daria para ver o sexo, só faltei dar pulos pela sala como um menino que ganha o melhor dos presentes.
Entrei em um biombo ajudando a minha garota a tirar as roupas do seu corpo e vesti aquelas camisolas de hospital.
Doutora Bree preparou todos os aparelhos com uma ajudante e eu auxiliei Bella a subir na maca.
Ela deslizou uma boa camada de gel na barriga proeminente da minha mulher, o que a fez se retesar um pouco, mas depois sorrir para mim. Sentei em um banquinho ao seu lado e segurei sua mão.
A médica murmurou um ótimo ‘fluxo sanguíneo’ o que me deixava feliz. A cada palavra que ela dava sobre o meu filho estar ótimo, os meus sorrisos sempre se fundiam com os de Bella.
–O bebê esta num ótimo tamanho...Esta vendo isso aqui? – ela fez um círculo no local e virou a tela para que pudéssemos ver.
–Sim. – respondi.
–São as perninhas ... Sabe distinguir isso aqui papai?
Pisquei algumas vezes para a tela, até falar com a voz emocionada e embargada que eram as mãozinhas. E a médica fez questão de dizer que eram enormes.
–Os papais querem ver o sexo do bebê?
–Sim.- Bella falou empolgada.
–Bem...O que vocês querem? Menino ou menina?
–O sexo é o de menos doutora, o que importa é que ele ou ela esteja bem.
–Isso mesmo Isabella, saibam que quando meus filhos nasceram era a mesma coisa, o importante para mim era que eles estivessem bem. – ponderou a doutora Bree. –Bem...Vamos lá. Estão vendo esse pontinho aqui?- riu baixinho. – O papai consegue adivinhar?
–Isso é um... É um... – não conseguir pronunciar uma palavra coesa, fazendo com que Bella e a médica rissem. Era um pontinho mínimo, entre as pernas.
–Sim, papai... Se gosta de futebol, terá um companheiro para acompanhá-lo aos estádios.
Senti minhas vistas embaçarem, um garotão, para correr pela casa sujo de lama das partidas de futebol com os amigos, deixando Bella louca por pisar em seu carpete. Lágrimas escorriam pelos meus olhos, olhei para a minha mulher ali deitada e o mesmo acontecia com ela. Beijei sua boca e sussurrei um ‘obrigado’, suas pequenas mãos encontram minhas lágrimas e a enxugaram, e eu beijei as suas.
E para completar a nossa felicidade doutora Bree pousou uma máquina pequena na barriga de Bella, o que fez uma batida forte ecoar pela sala. O coração do nosso filho.
Sete meses
–Elas vão conseguir me deixar maluca. – murmurou minha namorada assim que entrei no nosso apartamento depois do trabalho.
–O que foi? – perguntei sentando-me no sofá em que ela estava deitada. Puxei seus pés colocando em meu colo e alisando seus tornozelos levemente inchados.
–As duas estão lá em cima brigando para saber qual o papel de parede vão usar, já que cada uma comprou um diferente. – falou entediada.
As duas que Bella se referia eram Renée e Alice, as duas brigavam diariamente para ver quem ganhava em disputas como o berço mais bonito, o armário mais adequado. O bebê nem nasceu ainda e já era paparicado.
–Deixa elas duas Bella, elas sempre se entendem no final. – e era verdade, depois acabavam rindo. – Que tal, tomar um banho comigo e depois sairmos para aquela confeitaria que você adora... Hm?! O que me diz de tomar um chá com torta de limão?!
Num átimo Bella já estava de pé, próxima às escadas.
–Anda Edward...
Sussurrou um que homem lento. Ao subir os degraus.
Rolei os olhos.
–Já estou indo amor.
Tomamos um banho demorado, aproveitando para apalpar todas as partes de seu corpo gostoso e lhe fazer um sexo oral que a fez gemer alto sem se importar com quem estava em nosso lar.
Bella em retribuição, ao ver meu membro duríssimo tratou de abocanhar-me, o que rapidamente me fez gozar naquela boca macia.
Depois de sairmos do banho, nos trocamos e seguimos para o quarto do nosso filho. A reforma estava pronta, havia jornais por todo o chão, as paredes já estavam pintadas de branco, mas o quarto estava vazio. Certamente ouviram nossos gemidos e resolveram ir embora.
–Elas estão aí? – perguntou Bella detrás de mim.
–Não, acho que ouviram seus gemidos. – brinquei.
–Só os meus né?!
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Saímos rapidamente de casa, antes que Bella tivesse uma síncope por não comer logo essa torta de limão espelhada que segundo ela era a melhor do mundo.
Dirigir com a minha mulher ao meu lado segurando em minha mão, só nos soltávamos para trocar a marcha, mas em seguida grudávamos nossas mãos novamente.
Assim que chegamos à confeitaria Bella correu para olhar se ainda tinha a torta enquanto eu estacionava o carro.
O estacionamento estava cheio então tive que percorrer uns cinco minutos para achar um lugar apropriado para estacionar.
Voltei para a confeitaria a passos largos, para encontrar com a minha Bella, mas paralisei ao ver o homem conhecido sentado no chão.
–Jacob? – o cara que se dizia meu amigo estava diferente, bem mais magro que há cinco meses, roupas sujas, fedendo e completamente drogado.
Agradeci a Deus por ter alguém como Bella que me tirasse dessa vida.
–Jacob?! – toquei em seu braço, assustando-o.
–Tira suas mãos fodidas de mim, cara. Eu não tenho a porra do dinheiro para te pagar.
–Jake, sou eu cara, o Edward.
Só aí Jacob estreitou os olhos em minha direção e sorriu com escárnio?!
–Ah...Sim, o filho da mãe que abandonou a galera.
Ignorei por completo o que ele tivesse falado, ele estava fora de ‘si’ por causa da merda das drogas.
–Você precisa de ajuda Jacob, assim como eu precisei. Essas porras não te levaram a lugar nenhum ao não ser o fundo do poço.
–Não preciso de caralho de ajuda nenhuma. – retrucou.
–Eu precisei. Todos nós precisamos. – rebati.
Ele fez uma careta e depois negou com a cabeça.
–Você era um cara legal quando vivia com a gente, agora a mulherzinha conseguiu te separar de nós.
–Jacob, bota na sua cabeça que droga é uma merda.
–Me deixa aqui com as minhas belezinhas. –abriu a mão e tinha pelo menos uns quatro papelotes de crack. – e volte para a sua vida sem graça.
Jacob saiu cambaleando e falando asneiras.
Ele assim como tantos outros precisavam ser ajudados, mas infelizmente insistiam que isso era felicidade. Eu provei dessa falsa felicidade que nada mais é do que uma euforia momentânea. Precisei cair, para aceitar ajuda. Talvez seja isso que eles precisem, cair para ser reerguerem depois.
Voltei para onde havia deixado minha mulher. Bella estava sentada em uma das mesas, bebendo água direto da garrafa. Por um momento senti ciúmes e inveja da garrafa devo confessar.
Sorri ao ver seus lábios contraídos formando um bico perfeito.
–Demorou hein?! Pensei que tivesse me abandonado. – virou o rosto contrariada.
–Encontrei o Jacob aqui perto... Estava sentado no chão drogado. Do mesmo jeito que você nos encontrava nos becos. – balancei a cabeça para espantar as coisas ruins que aquelas lembranças acarretavam.
–Não quero que você pense mais nisso amor. – tocou seus lábios nos meus. – Não tem mais torta de limão. –tentou distrair-me, Bella com toda a certeza era a mulher mais especial desse mundo.
–E por que não uma torta deliciosa de pêssego? – tentei persuadi-la.
–Não, eu queria algo meio azedo.
–Maracujá. – retruquei.
–Muito enjoado. – rebateu, fazendo uma caretinha.
–Hm...Torta de Kiwi, não é muito doce e é meio azedinho.
Fizemos o nosso pedido e óbvio que Bella comeu toda a sua torta de kiwi, e uma generosa parte da minha de maçã.
E mesmo contra a minha vontade ela resolveu comprar um bolo trufado. Sei que um docinho não mata ninguém ainda mais grávida que fica cheia de vontades e desejos. Entretanto Bella deixava de comer coisas saudáveis para comer doces, eu sempre acabava reclamando e ela ficando chateada comigo.
O caminho até nossa casa foi em silêncio, assim que chegamos ela foi direto para a cozinha guardar a torta na geladeira.
Foi para o quarto, com a cara emburrada. Eu odiava vê-la desse jeito.
Dei alguma privacidade a ela enquanto olhava a minha caixa de e-mail que estava abarrotada, com o período eleitoral todos os candidatos estavam pavorosos com a campanha e Charlie não ficava para trás. Respondi alguns e vinte minutos depois subir em direção ao nosso quarto.
Abri a porta vagarosamente e lá estava ela, com os cabelos molhados e vestindo uma das minhas camisas, sentada assistindo tevê.
Subi lentamente na cama, e deitei-me ao seu lado, Bella continuou olhando para a tevê como se eu não estivesse ali.
Levantei minha blusa que estava em seu corpo até a base dos seios, deixando toda a barriga de fora.
Levei minhas mãos a cada lado da sua barriga, beijei e depois pousei minha cabeça ali, esperando os movimentos dele, a noite era o período que ele mais chutava.
Inconscientemente as mãos de Bella voaram até meus cabelos acariciando, como ela sempre fazia.
–Ainda esta chateada comigo, amor?- perguntei.
–Não deveria...Mas estou. – confessou, mas suas mãos incansáveis afagavam meus cabelos bagunçados.
–Você sabe que se eu reclamo, é para o bem de vocês não sabe?
–Humhum...
Ficamos alguns minutos em silêncio, até que a minha mulher o quebrou.
–Eu estava pensando no nome para ele. – disse com entusiasmo.
–Quais?- levantei-me para olhá-la.
–Bem...Eu tenho alguns, você quer ouvir?- assenti sorrindo. – nós não podemos chamá-lo de bebê ou neném sempre, então pensei em... Bryan, Dirk...
–Dirk nem pensar, isso me lembra de Dick aquele garoto que morava na mesma rua que você, e os moleques ficavam zoando dele por causa do nome...Não quero que meu filhão. – afaguei sua barriga. –Sofra bullying.
Ela riu, mas me deu razão. Jamais queria ver nosso filho ser chamado pelos moleques de senhor pênis ou caralhão, como chamavam o vizinho dela.
– Ryan?! Eu gosto da sonoridade desse nome. — retrucou ela....É eu também gostava.- Tem Oliver também.
–Não, Bella, quando ouço o nome Oliver, a primeira coisa que vem na minha cabeça é aquele desenho.
Bella riu alto.
–Caleb?! Eu amo esse nome.
–Eu também amo esse nome... Caleb. –testei a sonoridade do nome. – Ryan. – fiz a mesma coisa.
Bella pediu-me o notebook para pesquisar os significados desses dois nomes.
–Ryan vem do Irlandês e significa pequeno rei. – falou sobre o primeiro nome.
–Hm...Gostei. E Caleb?
–Vem do hebraico e significa fiel como um cão.
–Eu adoraria ter um filho fiel a seus princípios, as pessoas que ama, que convive. Então?! Caleb?
Bella acarinhou a barriga e sorriu travessa.
–Eu não disse que o papai ia amar o seu nome Caleb?!
–Sua safadinha... Você já tinha escolhido?!
–Siiim...
Gargalhou.
Fiz cócegas por ela ter mentido para mim como forma de vingança até ela protestar que estava com falta de ar.
Tomei um banho rápido e voltei para os braços de minha mulher.
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O trabalho estava cada vez mais exigente, então eu tinha que passar horas longe da minha garota e me odiava por isso.
Seus pais e Emm estavam envolvidos sempre com a campanha de Charlie viajando por todo o território eleitoral, Alice assim como sua irmã Ângela tiveram que viajar por causa de um parente adoentado. Então Bella com aquela barriga imensa ficava sozinha em casa.
Claro que Bella não reclamava, incrível do jeito que é, era muito difícil, mas dava para ver em sua fisionomia que ela estava cansada.
Eu insistia em contratarmos alguém, mas Bella com sua relutância em aceitar, dizia que assim que o Caleb nascesse ela pensaria nisso, afinal ela voltaria para a faculdade.
Cheguei ao nosso apartamento por volta das vinte e duas horas, segui até a cozinha para comer algo, o dia havia sido exaustivo, tanto pelas eleições, como pela parte burocrática da clinica, Carlisle queria aumentar as filiais. E eu estava morto de fome.
Como Bella provavelmente estaria dormindo, esquentei as panquecas de frango que estavam no microondas e comi ali mesmo de pé tomando suco de laranja.
Corri para o meu quarto para encontrar a minha garota, estava tudo silencioso demais, eu odiava essa quietude extrema, Bella sempre deixava a tevê do nosso quarto ligada enquanto eu não chegava. Adentrei e não havia ninguém, nem mesmo no banheiro. Ela não sairia sozinha, ainda mais sem me avisar sabendo que eu morreria de preocupação. Rapidamente tive um estalo sabia muito bem onde ela estava. Girei meus calcanhares e seguir para o quarto, pronto recentemente, do nosso filho. Assim que toquei a maçaneta e abri a porta uma onda de pequeno príncipe que era o tema do quarto me tragou.
Ela estava ali absorta sentada na poltrona do lado do berço. Sorri ao vê-la tão linda e iluminada, afagando nosso Caleb por cima da camisola rosa.
Bella estava tão alheia que nem se deu conta quando me ajoelhei ao seu lado e afaguei seus joelhos.
–Hey...Boa noite princesa.
–Boa noite, amor. – sussurrou.
–Como se comportou esse garotão? – perguntei tocando em sua barriga, e como resposta Caleb chutou forte na palma da minha mão, nos fazendo rir. –Ei filhão, você chutou muito a mamãe? Hãm?!
–Diga ao papai que você foi um verdadeiro príncipe com a mamãe, e não deu trabalho nenhum. –respondeu minha namorada acariciando meu rosto.
Saímos do quarto encantador do nosso bebê e seguimos para o nosso.
Bella deitou-se enquanto eu ia para o banheiro, meu banho foi rápido. Logo em seguida me joguei na cama sentando-me na ponta massageando os tornozelos da minha garota. Seus pés e tornozelos ligeiramente inchados, assim como outras partes do seu corpo. Ela era tão pequena, sua barriga enorme, parecia pesar uma tonelada. Segundo doutora Bree tudo estava na normalidade.
As noites eram mais difíceis para ela dormir, então eu ficava acordado com ela lhe massageando as costas para aliviar alguma dor na coluna ou ajudá-la a respirar melhor.
A aproximação do nosso menino nos deixava ansiosos, o seu nascimento seria um novo capítulo em nossas vidas.
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Quase oitos meses de gestação, Bella estava relativamente bem, apenas um pouco ciumenta, o que era algo normal.
Todas as vezes que eu me atrasava no escritório, quando chegava ao nosso apartamento encontrava uma Bella mal humorada, irritada e resmungona, que dizia que eu me atrasava porque estava com a Liza minha suposta amante uma das secretarias do Charlie, por isso que eu chegava tarde. Ou que simplesmente eu não a desejava mais, quando não fazíamos amor, por que segundo ela, eu achava que ela estava gorda demais. O que era uma inverdade, Bella era a mulher mais linda e gostosa que eu já tive o prazer de ter. Eu fui o único homem a tocá-la então me sentia duplamente honrado.
E quando eu lhe dizia que isso era coisa de sua cabeça Bella só faltava me comer vivo, dizendo que eu estava chamando-a de louca.
Hoje era um dia atípico. Haveria um jantar na mansão dos Swan então, toda a família deveria comparecer. Depois de minha namorada jogar no chão todas as roupas do seu closet dizendo que não tinha uma roupa que coubesse nela, por fim decidiu aceitar a minha opinião, irmos a uma loja de gestantes para ir comprar uma roupa.
–Bella...Você já esta pronta ou vamos chegar lá depois das eleições? – gritei da sala de estar, onde eu estava sentado há meia hora esperando-a.
–Edward eu não quero mais ir. – falou do topo da escada, descendo segurando o corrimão.
–Por quê? –perguntei sem entender.
Bella estava linda num vestidinho cinza soltinho que deixava o barrigão livre, saltos médios e uma maquiagem leve. Linda!
–Olha para mim...Eu estou parecendo uma bola. – choramingou.
Estreitei meus olhos em sua direção e levantei-me para ajudá-la a descer.
–Pois se acostume Bella, por que depois do Caleb eu penso em ter ainda mais quatro, sempre sonhei com casa cheia.
Ela gargalhou alto.
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A recepção foi agradável, a maioria do tempo Bella passou sentada já que seus pés estavam inchados, levantou-se apenas para me dar a honra de uma contradança que foi a mesma que dançamos ali há algum tempo atrás, ela adorava a Joni Mitchell acho que foi por isso que ela aceitou dançar comigo e não pelo meu desempenho.
Eu me lembro da época que você me dizia
Amor é tocar almas
Seguramente você tocou a minha
Pois parte de você flui de mim
Cantarolou em meu ouvido.
–Hm...Tentando me paquerar senhorita Swan?! Que feio... Tsc, tsc...
Ela bateu em meu ombro, divertida e continuou a cantarolar e dançar com o rosto afundando em meu pescoço.
Eu me perdia naquela mulher.
Toda a família, inclusive eu óbvio o noivo da filha grávida de Charlie, posamos para as fotos para vinculação a favor da sua campanha eleitoreira, eu não queria por minha imagem nisso e nem a da minha garota, mas era pela família e pela família todos devemos fazer sacrifícios.
....
Nosso tão merecido final de semana. Só assim para poder descansar e cuidar da minha menina, já que os sábados e os domingos eram os dias que eu não trabalhava.
Fizemos caminhada como a médica havia pedido por causa da retenção de líquidos, e o sal também estava escasso na nossa dieta por causa do inchaço da minha mulher.
Quando voltamos para o apartamento, Bella simplesmente tomou um banho e foi dormir e ficou irritada quando fui acordá-la para o almoço.
Bella comeu tudo o que lhe foi oferecido e feito com muito amor, salada de batata com iogurte e mostarda sem adição de sal e salmão grelhado em pouca quantidade.
Passamos a tarde assistindo tevê deitados na cama, Bella sobre o meu peito e eu aspirando seu cheiro acolhedor.
Até que nós dois adormecemos.
Quando acordei Bella não estava ao meu lado, mas quando fiz menção de levantar da cama ela apareceu na porta do quarto, andando lentamente.
–Esta acordada há muito tempo?
Bella não me respondeu. Aproximou-se da cama e cuidadosamente sentou-se.
–Edward...Não entre em pânico okay?! Mas eu acho que a minha bolsa estourou por que mal cheguei na sala já estava assim. – ela abriu as pernas para que eu pudesse ver sua calça molhada. – E agora eu estou com muita dor.
Eu até então parado ali, foi apenas ouvir dor e associar a minha menina que eu fiquei maluco.
Por mais que você saiba que uma hora ou outra isso vai chegar, você simplesmente não vai estar preparado.
Virei pelo meu quarto umas vinte vezes pensando no que fazer.
–Edward, pega uma roupa e me veste, por favor.
Okay...Eu tinha que tomar as rédeas da situação. Bella e Caleb precisavam de mim agora. Corri até o closet, peguei uma calcinha e um vestido soltinho.
Quando voltei Bella estava deitada de lado com as mãos na barriga, aquilo foi o ápice para que eu ficasse maluco. Ainda faltavam mais de trinta dias. Fiquei desesperado.
Ajudei a minha mulher a ficar sentada, tirei sua calça e calcinha e a vesti com uma calcinha seca, tirei a blusa que estava em seu corpo e joguei o vestido pelos seus ombros.
Peguei Bella no colo mesmo com ela protestando, peguei minhas chaves e o celular e estava de bom tamanho, as malas pegaria depois que ela estivesse no hospital e tudo desse certo.
A expressão da minha namorada era de muita dor, mas ela mordia os lábios com força abafando o grito. Você se sente tão pequeno nesse momento, por mais que você esteja ali presente, nada você pode fazer.
–Respira Bella. – foi à única coisa que eu podia mandá-la fazer.
–Estou respirando... Liga para minha mãe. – sussurrou.
Liguei para todos ,meu pai, Renée, Charlie, Emm, Alice e doutora Bree. Eu estava tão nervoso que nem parei no acostamento falei com eles enquanto dirigia até a maternidade.
Esses foram os piores vinte minutos da minha vida, a angústia que eu sentia a cada respiração forte de Bella, e o pior era pensar que ela e meu filho não estariam bem.
–Oh... Deus...- sua voz saia com dor. Embora ela não quisesse me apavorar e se apavorar, ela sabia que havia algo de errado, Bella não havia completado nem oito meses ainda.
E o medo de não vê-los mais me assolou naquele momento, não sei porque, senti lágrimas quentes escorrem pelo meu rosto.
Medo, medo, medo... É apenas isso que sentimos alguém que amamos está saindo de nossos braços.
Pov. Bella
Eu estava com medo, muito medo, meu filho era prematuro nem trinta e três semanas nos tínhamos ainda e ele já queria vir ao mundo.
Quando chegamos da caminhada, o calor estava intenso então resolvi tomar uma ducha fria, mas antes de entrar no chuveiro ouvir um ‘ploft’ como se algo tivesse rompido dentro de mim, mas como não sentir dor não dei tanta importância, vesti-me e deitei-me na cama para dar um cochilo, ultimamente o cansaço é o meu companheiro. Quando eu estava pegando no sono comecei a sentir algumas contrações que mais pareciam cólicas menstruais, alguns minutos passaram e eu peguei no sono. Somente acordei quando Edward chamou-me para o almoço.
Desci as escadas com cuidado, às dores pareciam aumentar e eu só pedia a Deus para ser coisa apenas passageira, quando Edward e eu subimos para dormir a tarde a dor havia desaparecido novamente, mas vinte minutos depois as dores aumentaram significantemente, minha coluna parecia que abriria de cima abaixo, minha vagina doía como se algo fizesse pressão, esquivei-me dos braços do meu namorado que estava adormecido e sai andando como pude para a sala, bebi um copo de água para que meu coração se acalmasse e peguei o telefone, para ligar para a doutora Bree, mas nem deu tempo uma enxurrada de água desceu por minhas pernas parecendo xixi.
No carro parecia que a dor estava sendo triplicada, era uma contração atrás da outra, mas eu não me incomodaria se eu já tivesse com os nove meses completos, porém Caleb já queria vir ao mundo.
A cada contração mais forte eu queria gritar, mas Edward já estava nervoso demais, quando vi suas lágrimas eu queria consolá-lo, dizer que tudo ficaria bem e que em alguns dias estaríamos em casa com ele, contudo meu coração dizia o contrário.
Meu peito estava comprimido como se tivesse algo errado com meu filho.
Eu rezava baixinho e pedia a Deus para que o meu parto fosse algo natural, que meu bebê ficasse bem, eu não me importaria se algo acontecesse comigo, contanto que meu filho ficasse bem.
Assim que chegamos ao hospital dois enfermeiros me ajudaram a sentar na cadeira de rodas, e guiaram-me até a sala da doutora Bree onde já me esperava, enquanto Edward fazia a minha ficha na recepção.
Primeiro o senhor rechonchudo negro atendeu-me, fazendo um tipo de pré consulta em seguida fui mandada para a sala da minha ginecologista obstetra.
Doutora Bree e sua assistente ajudaram-me a deitar na maca e ficar exposta naquela cadeira ginecológica constrangedora fazendo todos os típicos exames, inclusive o de toque já que havia apresentado a ruptura da bolsa.
Minha pressão sanguínea, assim como meus batimentos cardíacos e temperatura foram conferidos.
Logo meu namorado apareceu, segurando minhas mãos e dizendo que tudo daria certo.
Um monitor fetal foi colocado em minha barriga para conferir os batimentos cardíacos do Caleb. Seu coração não estava batendo como antes, mas segundo a médica isso era algo normal no parto prematuro.
O parto seria natural, já que o meu colo do útero estava completamente dilatado. E não tinha mais como injetar Bricanyl para interromper as contrações uterinas impedindo assim o trabalho de parto prematuro já que eu estava com quase sete de dilatação. E nem poderia tomar a peridural para amenizar as contrações já que a passagem estava dilatada, me colocaram apenas no soro.
Depois de um tempo fui levada para o meu quarto, e lá estavam todas as pessoas importantes para mim naquele momento.
Sorri ao ver minha mãe e meu pai abraçados, meu irmão e Alice sentados juntos e eu naquela maca com Edward segurando minha mão. Aquele gesto dele era simplesmente o que me dava forças para superar qualquer resquício de temor que me sobressaltava.
Todos vieram me cumprimentar, com abraços, beijos e palavras de conforto, dizendo que tudo ficaria bem e que Caleb seria um neném perfeito.
Ficamos ali duas horas o que mais me pareceram séculos intermináveis aguentando quieta cada contração, segurando firme a mão do meu namorado, que ao ver muitas vezes meu esforço ao conter o grito de dor ofereceu-me seu braço para mordê-lo.
Doutora Bree chegou ao quarto às dezesseis horas, com a sua equipe, ao checar os batimentos do bebê, seu rosto traspunha preocupação, mas nada me disse.
Poderia ser coisas da minha mente cansada e preocupada, mas o olhar de aflição que ela e Edward trocaram me fez estremecer.
Duas enfermeiras faziam companhia à doutora Bree, que pegou um banquinho e sentou-se entre as minhas pernas abertas. Enquanto meu namorado segurava uma perna, uma das enfermeiras cujo nome era Meryl que eu havia lido a pouco em seu crachá, falava palavras doces juntamente com a minha mãe que permaneceu no quarto.
Meu pai saiu rapidamente do quarto dizendo que não aguentaria aquela pressão toda, ele estava nervoso demais e não era nada bom para a sua hipertensão.
Emmett saiu alegando que estava indo para a sala de espera unicamente porque não queria ver a minha vagina, fazendo todos ali rirem mesmo sob aquele ar de tensão, mas sabíamos que na realidade seu nervosismo não o deixava ali, assim como Alice que disse que eu precisava respirar e o cômodo estava cheio demais por isso que iria fazer companhia ao meu irmão.
Comecei a fazer força assim que uma contração forte me tomou. Eu tentava não gritar, mas era quase impossível.
Não estava aguentando mais, algo queria sair de dentro de mim e eu estava com uma imensa vontade de ir ao banheiro... Sim a sensação era como se eu fosse evacuar ali.
Era a impressão mais estranha que eu havia tido na vida!
Doutora Bree me mandava fazer força a cada contração, que por sinal estava cada vez pior. Eu não sabia se chorava se urrava de dor, ou se ficava feliz por ver o meu filho.
–Bella querida, empurre. –pedia a médica calmamente no meio das minhas pernas.
Depois de alguns segundos em vão empurrando, eu queria jogar a toalha, desistir de tudo, parecia que eu nunca conseguiria dar a luz.
–Eu não aguento Edward. – olhei para Edward implorando por desculpas, eu não estava conseguindo por o nosso filho no mundo e isso estava me deixando desesperada.
–Você é uma garota incrível, e eu sei que você é forte, amor.- sussurrou em meu ouvindo.- quando a dor tiver insuportável morda meu braço.- neguei o seu pedido estapafúrdio, eu nunca iria machucá-lo. – Amo você.- escovou seus lábios nos meus.
–Eu também te amo...
Uma forte contração me atingiu, fazendo-me apertar a mão direita dele com força descomunal.
–Empurre querida. – pediu doutora Bree.
–Força filha.- falou minha mãe incentivando-me, tirando alguns fios de cabelo de minha testa molhada.
–Bella?! Concentre-se okay?! No três eu quero força...- os movimentos e os trejeitos de doutora Bree não eram mais cadenciados, seu olhar para os médicos que estavam ali era apreensivo.- um, dois, três...
Eles levantaram mais minhas pernas, meu queixo quase tocando meus seios e deus à força que eu fiz nunca havia feito em toda a minha vida.
–Vamos querida, já esta bem pertinho... Vamos...
Fiquei roxa de toda força que eu fiz e nada.
Então depois de tanto tempo deitada a médica e a enfermeira me ajeitaram de lado. Com a senhora e Edward segurando minha perna. Meu impulso era querer fechar, mas a médica disse que eu poderia machucar o meu bebê.
Mais algumas contrações a cabeça começou a sair, ou coroar como disse a médica.
–Muito bem Bella. – meu namorado me parabenizou beijando-me na testa.
–Quer tocar na cabecinha?- perguntou doutora Bree sorrindo.
Eu assenti.
Ela levou minha mão delicadamente a sua cabecinha, fazendo com que eu sentisse seus cabelos ralos entre as pontas dos meus dedos.
Isso me estimulou a continuar, eu agora o queria em meus braços.
Ouvi algo apitar e a enfermeira correr para a máquina, Edward e minha mãe se entreolharam e dois médicos que estavam ali com uma incubadora se entreolharam também, eu estava tão absorta que nem os vi chegar.
Cold — Aqualung & Lucy Schwartz
–Por Deus Caleb...Deixa a mamãe conhecer você. – berrei a plenos pulmões enquanto fazia força para expeli-lo.
Eu não conseguia pensar em mais nada a não ser ajudar o meu filho nascer logo.
–Tem que ser agora Bella...respire....E no três você vai empurrar...Um, dois, três.
Para não gritar enquanto fazia força, mordi meus lábios, a intensidade era tão forte que senti o gosto de sangue no meu palato.
–Uh...
Senti um círculo de fogo em minha vagina a ardência era enorme, senti quando sua cabeça e corpo passaram.
Minha mãe beijou minha testa suada parabenizando-me.
Meu namorado tocou meus lábios com o seu dizendo que eu era a garota mais incrível que ele havia conhecido.
–Parabéns Bella, é um garotão. – falou a médica com ele nas mãos tentando tirar o cordão umbilical do seu pescoço.
Mas o que eu mais queria era o choro, eu queria ouvir o choro dele, para saber que ele estava bem.
Doutora Bree deu dois ‘tapinhas’ em suas costas, mas o choro não vinha.
Rapidamente a ginecologista passou o meu filho para os pediatras que se afastaram de nós. Eu queria me levantar, mas não conseguia a médica estava ainda no meio das minhas pernas.
Comecei a ficar apavorada, Edward foi até lá ver o que estava acontecendo com nosso bebê, mas percebi que uma lágrima caia por sua face.
–Por que ele não chora? – perguntei para Renée que não tirava os olhos do lado esquerdo da sala.
–Eu não sei anjo.- disse minha mãe recostada a cama com minha cabeça em seu colo.
Eu me sentia exausta, apavorada e uma dor imensa estava invadindo meu coração.
–Chora neném, chora. – ouvi de longe uma voz masculina falar.
Ouvi a médica dizer que a placenta havia saído e que estava fazendo a saturação em duas pequenas lacerações, mas nada me importava, meu foco era o cantinho da sala.
Levaram meu Caleb as pressas dali, Edward chorava baixinho no canto da sala, minha mãe foi consolá-lo e saber o que havia acontecido, mas não voltará.
Não sei o que estava acontecendo. Ouvi algo zunindo em meus ouvidos, uma tontura que fazia minha cabeça girar tanto que parecia que eu não conseguiria sustentar minha cabeça em meu pescoço e minhas vistas escureceram e eu enfim agradeci quando a inconsciência resolveu me levar.
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Acordei meio assustada, ou melhor, desorientada sem saber onde estava direito, mas ao olhar meu corpo avistei a maldita camisola azul do hospital.
E logo lembranças vieram como enxurradas por minha mente, tentei levantar rapidamente o que me causou uma vertigem.
Meus pais aproximaram-se de mim, seus rostos eram tristonhos.
–Que bom que acordou anjo. – disse Renée alisando minha mão próximo ao cateter.
–Cadê o Caleb?!- pigarrei duas vezes para afastar a rouquidão brusca da minha voz.
–Filha...- meu pai não precisava dizer mais nada, pois as expressões sôfregas do seu rosto denunciava tudo.
Alice não estaria com a cabeça no ombro do meu irmão caso algo estivesse bem, tenho certeza que a minha amiga encheria o quarto de balões azuis. Contudo ao invés disso, o quarto estava cinza, sem cor, sem vida, sem cheiro de bebê.
Meus seios doloridos começaram a regurgitar leite manchando a minha vestimenta.
–O Caleb precisa mamar... Meus seios estão vazando.
–É você esta produzindo muito leite filha. – minha mãe sorriu triste.
Em um vislumbre eu vi os olhos de Renée se encherem de lágrimas, eu nunca havia visto minha mãe chorar. Ela sempre me dizia por mais que seu coração doa, encene o sorriso, até que o ultimo espectador vá embora aí sim você poderá correr para o seu quarto e chorar a sua dor, mas logo após descer e entrar em seu personagem.
E agora presenciando isso me parecia tão contraditório o que ela falará. Talvez essa fosse à verdadeira Renée.
–Por que não trazem o Caleb para mamar?!
Delicadamente Renée passou um tipo de fraldinha de pano em meus seios, e a deixou ali, por causa do excesso de leite que estava manchando o vestido hospitalar.
–Onde está o meu filho mãe?!
–Eu não aguento isso. – murmurou meu irmão saindo do quarto.
–Está sendo muito bem tratado pelos médicos. – redarguiu meu pai sem olhar diretamente para mim, algum ponto no chão lhe parecia interessante agora.
–Filha...Você quer tomar um banho?!
–Edward?! – murmurei.
–Com os médicos querida!
–Eu quero que ele me ajude no banho. – pedi, virando-me para encarrar a porta.
Quando trariam meu filho para mamar?!
Renée aproximou-se de Charlie falando-lhe algo. Rapidamente meu pai girou em seus calcanhares e voltou minutos depois com o meu namorado.
A expressão de Edward era tácita, de alguém que havia passado o dia inteiro chorando.
Ele não falou nada, apenas estendeu a mão para me ajudar a sair da maca com cuidado, pegou uma maleta preta que era minha e levou junto conosco para o banheiro.
–Quem trouxe minhas coisas?!
–Alice e Emm foram buscar.
–Há quantas horas o Caleb nasceu?! – perguntei enquanto ele me despia.
–Somos pais há seis horas. – comentou com um sorriso tristonho.
Edward me banhou em silêncio, lavando meticulosamente todas as partes do meu corpo, com cuidado.
Quando meu banho acabou, ele secou todas as minhas partes, vestiu a minha calcinha e em seguida uma camisola salmão junto com o robe, penteou meus cabelos e me perfumou. Segurou forte em minha mão direita levando ao seu peito, isso fez com que eu o encarasse.
–Você foi fantástica, forte... Você é a garota mais incrível que eu conheço. – segurou meu rosto tocando levemente seus lábios nos meus.
–Eu não sou...- funguei.- não fui forte o suficiente para fazer o meu filho...
–Shiii...Não fale assim.- seus braços me envolveram, senti-me protegida. Dali eu não queria sair nunca, é como se os meus medos e dores se esvaíssem com ele ao meu lado. Nós nos conhecíamos em um nível que as palavras não precisavam ser ditas.
Nós choramos abraçados, estávamos passando pela mesma dor, então um era o alicerce do outro. Porém, eu sentia como se a qualquer momento eu fosse desmoronar.
Nosso filho, era tão amado e esperado, não era justo Deus tirá-lo de mim.
–Vem... Você precisa deitar princesa.
Eu assenti. Eu sentia como se meu corpo tivesse atravessado o oceano atlântico a nado.
Meu quarto estava vazio, meus pais não estavam lá, o que eu estranhei, mas não senti a necessidade de fazer observação.
Meu namorando deitou-se comigo na cama estreita abraçando minha cintura enquanto depositei a cabeça no peito do Edward ouvindo seu coração errático se acalmar, assim como o meu, quando ele cantarolou baixinho uma canção de ninar.
Até que eu adormeci nos braços do meu amado.
Quando meus olhos se adaptaram a luz fluorescente, minha mãe estava sentada na maca ao meu lado, Charlie no outro olhando para mim, e dois homens queimando-me com o olhar.
Caleb ! Meu coração parecia que sairia pela boca, alias acho que o meu coração era o único som que provinha do quarto soturno.
–Doutor, não esconda nada de mim, por favor!
Falei assim que notei a tristeza nos rostos conhecidos, Edward não estava ali, onde estaria?! Eu sabia que havia algo de errado com o meu Caleb, meu coração me dizia.
–Bem senhorita Swan... — senhor Morgan um médico negro que havia me atendido quando cheguei com as dores, começou a explanar. – Seu filho tem algo que nós chamamos de doença da membrana hialina, mas conhecida como Síndrome da angústia respiratória do recém-nascido, é um distúrbio decorrente da produção insuficiente de surfactante pulmonar pela má adaptação a vida intrauterina, esse risco se intensificou pelo parto prematuro de trinta e duas semanas. No seu filho faltou algo especifico chamado Surfactante Alveolar é uma espécie de substância secretado dentro dos alvéolos pela membrana alveolar, é uma mistura de moléculas lipoproteicas, produzidas pelas células secretoras do epitélio alveolar. Também conhecida como agente tensoativo, essa substância reduz a tensão superficial do líquido presente nos alvéolos.
Por que nessas situações eles não poderiam falar a nossa língua e sim em grego?!
–Por favor, pelo amor de Deus me explica em uma língua que eu possa entender o que meu bebê tem. – supliquei chorosa.
–Essa ‘substancia’ é obtida a partir do 30ª semana de gestação e vai se desenvolvendo apenas com o tempo, e como o seu bebê nasceu apenas a duas semanas da produção dessa ‘substância’... Assim que ele entrou em contato com o ar seus brônquios inflaram... Infelizmente seu filho não conseguirá respirar sem ajuda dos aparelhos.
Eu não conseguia me pronunciar, palavras naquele momento seriam apenas palavras...Eu sentir o ar faltar em meus pulmões, até Renée pedir-me para respirar, e eu soltar o ar.
–Eu pago o que for preciso, levo meu neto para os melhores hospitais, contratarei os melhores médicos. – falou Charlie exaltado.
-Não é uma questão de dinheiro senhor Swan. Infelizmente!
–Nós estamos fazendo o possível senhor Swan. – comentou o outro médico para o meu pai.
–Eu não quero o possível, façam o IMPOSSÍVEL. – gritou Charlie, sendo abraçada por Renée que o amparava.
Meus pais envolveram-se demais na minha gestação, prepararam um quarto para o nosso pequeno pacotinho o Caleb.
Os médicos saíram com o Charlie e Renée permaneceu comigo.
–Cadê o Edward?! – perguntei chorando.
–Está com Carlisle meu amor. – respondeu minha mãe, já ao meu lado novamente. — Agora descanse por que você teve um dia extenuante.
Assenti. Eu não queria pensar, eu não conseguia pensar. A única coisa que eu estava fazendo naquele dia era dormir, e era o que eu mais queria não ter consciência das coisas que aconteceriam. A minha mente parecia um nevoeiro e além de tudo eu não raciocinava... Não conseguia.
Eu realmente me sentia fraca cansada... Chorei até ser tragada por uma luz escura novamente. Contudo o que eu mais queria naquele momento era não acordar nunca mais.
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–Você tem que decidir senhorita Swan...- falou doutor Morgan, com pesar para mim. Naquele momento meu coração perdeu uma batida, meu pequenino iria morrer, e eles queriam que eu, justamente eu, decidisse isso.
Percebendo minha relutância, o outro médico, um senhor de meia idade aproximou-se de mim, segurando uma das minhas mãos que estavam cheias de fios que dariam no soro.
– Senhorita, seu filho teve uma parada cardíaca, o que o está mantendo vivo são os aparelhos. Você como mãe não quer ver o sofrimento do seu pequenino não é?!
Eu assenti, no meio do meu choro e da minha dor.
–Então querida, você precisa tomar essa decisão. – o velho senhor que cuidará de meu filho beijou meus cabelos e saiu junto com a junta médica.
Chorei, sentindo meu coração quebrar em mil pedaços. Eu estava quebrada.
Tomei fôlego e fiz um pedido em voz sussurrada.
–Eu quero ver o meu filho.
Os médicos se entreolharam e cochicharam algo, mas permitiram que eu o visse.
Uma enfermeira aproximou-se com uma cadeira de rodas, mas eu neguei com a cabeça.
Vagarosamente por causa dos pontos que eu havia levado eu seguir para a UTI neonatal com Renée, Charlie e Emmett ao meu lado dando-me apoio, logo no corredor avistei Edward sentado no chão com os joelhos no peito enquanto Carlisle o consolava.
Acho que Carlisle cochichou algo em seu ouvido, porque rapidamente Edward se levantou e veio aproximar-se de mim cautelosamente.
Ergui os meus braços e me pendurei em seu pescoço.
Chorei, choramos, nosso Caleb estava partindo.
–Vão desligar agora?! – perguntou em meio aos soluços. Eles já haviam lhe dito.
Apenas assenti.
Minha mente estava aérea eu não conseguia respirar direito, meu filho estava com os minutos marcados para morrer.
Assim que adentramos na sala um barulho tortuoso preencheu o ambiente.
Bip.
Bip.
Bip.
A enfermeira da UTI permitiu apenas que eu e o Edward adentrássemos a sala, logo avistei meu bebê na incubadora.
Caleb era o menor e o que tinha aparelhos por todo o seu corpinho, fios por todo o seu peito e um respirador na sua boca.
Como meu neném estava sofrendo.
Carinhosamente Edward segurou em minha mão e guiou-me até uma poltrona próxima, em uma saleta reservada, não ofereci resistência, sentei-me, minhas pernas estavam fracas demais e alguns pontos do meu recém-parto estavam doloridos.
Havia uma junta médica que analisava o caso do meu filho, mas seus rostos era como já esperado, eles tinham uma carranca impassível, senti naquela hora que os observei que não adiantava ter esperanças, ele não iria usar suas roupinhas, conhecer o seu quartinho, não mamaria no meu seio cheio, não ouviria sua vozinha quando ele tivesse idade o suficiente para me chamar de mãe e ao Edward de pai.
Um dos médicos veio ao nosso encontro com um ar derrotado, mesmo ele não abrindo a boca para ter nos dito nada, meu coração de mãe sabia o que ele me diria o que eu não queria ouvir.
–Olá, eu sou Brandon Baker um dos pediatras da UTI neonatal, e fui eu quem cuidou filho de vocês. – Ele estendeu a mão para o Edward que rapidamente o pegou em gesto de cumprimento.
Ele falara no passado, cuidou... Isso quer dizer que...
–Edward... – apresentou-se meu namorado. – Essa é a Bella, nos somos os pais do Caleb, você poderia nos explicar, por favor, o que o nosso filho tem. – a voz de Edward estava embargada.
–Bem...O filho de vocês tem algo que chamamos de doença da membrana hialina ou como ela é popularmente conhecida como Síndrome da angústia respiratória do recém-nascido, por isso que o bebê não chorou assim que nasceu, por que ele tinha muitíssima dificuldade para respirar...- e lá estava o maldito passado no que o médico falava. – a produção de surfactante não foi o bastante, e isto o levou a ter um colapso alveolar.
Como se lesse o meu pensamento Edward pediu para que o médico fosse mais explicito.
–Okay...O neonato em breve desenvolveria Pneumotórax, mas poderia fica mais tempo respirando por ventilação mecânica, só que ele teve uma piora muito significativa, ele teve uma parada cardíaca que enfraqueceu todos os seus órgãos.
–Ele não vai sobreviver não é? – A voz de Edward não passava de um sussurrou.
Doutor Brandon não respondeu apenas maneou com a cabeça.
Eu estava ali sentada inerte, me sentindo impotente em relação às dores que meu bebê deveria estar passando enquanto o médico nos explicava.
–O filho de vocês é um guerreiro, aguentou muita coisa e esta lutando pela vida... Mas ele esta sofrendo. – sua voz ficou mais cautelosa.
–Qual a sua opinião?! – perguntou Edward com receio.
–Como disse o meu colega doutor Morgan está é uma decisão difícil, mas que só poderá ser tomada por vocês, o bebê de vocês não terá mais do que uma hora. Está nas mãos de vocês decidirem.
–Mas isso não seria eutanásia? – inquiriu Edward.
–Não, a eutanásia é basicamente para aquelas pessoas que tem uma grande enfermidade, portanto doença incurável e que sofre há anos, estão cansados de viver... No caso de vocês isso será inevitável, os órgãos vitais do neném estão caindo a cada minuto consideravelmente, vocês estarão deixando ocorrer da forma natural sem aparelhagens isso se chama a Ortotanásia... E...
–Eu quero segurá-lo. – pronunciei-me pela primeira vez em meio aos meus soluços, interrompendo o que o médico prestativo falava.
–Bella amor, ele esta nas aparelhagens, então você não poderá segurá-lo em seus braços.
–Eu quero que desliguem os aparelhos Edward. – retruquei alterada.
–Bella...
–Eu não quero ver o meu filho sentindo dor até o ultimo minuto da sua vidinha, olha para ele Edward. – não só meu namorado como o médico olharam em direção à incubadora transparente. – ele está roxinho, seus pezinhos estão inchados, ele deve estar com medo e dor, eu quero ele em meus braços antes dele... Dele...- a palavra precisa não queria sair, eu não conseguia expor.
Uma senhora baixinha agachou-se a minha frente com a armação de um óculos que ficava na base do seu nariz arredondado, com alguns papéis nas mãos. Nem sei de onde ela saiu por que eu não prestei a mínima atenção.
–Eu sou Stella, psicóloga da equipe neonatal. — fez uma pausa. Senti seus olhos queimando em mim e no Edward, então voltamos o nosso olhar para ela. – Vocês tem a plena certeza do que vão fazer?!
–Nosso filho não tem chances, então para quer prolongar essa dor? – contestou Edward.
–Eu só não quero que o meu bebê sinta dor. – murmurei olhando nos orbes tristonhos do homem que amava.
–Eu só preciso saber que vocês estão cientes disso, eu já tinha falado com os médicos antes sobre o real estado do bebê de vocês. Então mãe e pai o que vocês resolvem?
Deus, a última coisa que eu queria agora era ouvir a palavra mãe. Aquilo me machucava, só em saber que o Caleb nunca falaria...
–O queremos conosco quando ele partir...
Ela assentiu para nós dois, Edward abraçou-me pelos ombros me mostrando força. A senhora Stella maneou para os médicos que falam entre si.
–É uma atitude sensata. – a ponderou. — vocês precisam assinar alguns papeis.
Edward a acompanhou deixando-me sozinha ali.
As lágrimas de dor caiam manchando meu rosto, eu fiquei ali observando todo o procedimento que eles faziam com o meu filho, primeiro o tiraram da incubadora e com ele os fios que estavam interligados em seu corpinho diminuto.
Chorei a cada fiozinho tirado do seu corpo, ali era a certeza que não haveria chances para sua sobrevivência.
O tiraram enrolando-o em um tipo de manta e uma enfermeira alta o entregou para mim, ajudando-me a ficar o mais confortável possível, a mesma enfermeira olhando-me com tristeza, disse-me para que ajeitasse a roupa que eu estava vestida, deixando alguma pele exposta, para que Caleb sentisse meu calor, então eu o fiz deixei cair uma alça do meu vestido e o posicionei-me entre meu colo.
Sua boquinha em forma de coração perfeito, seu corpinho mole mexia-se como um bebê normal. Quem o visse de longe diria que era um bebê em perfeitas condições.
–Você vai ficar bem querida? – perguntou a enfermeira.
Assenti, mentindo, eu nunca ficaria bem. Levemente ela tocou os dedos nas bochechas do meu bebê e sorriu fraco para nós e saiu nos deixando a sós, na sala não havia mais ninguém a não serem crianças na mesma situação que meu bebê, dentro de suas incubadoras.
–Oi Caleb. — balbuciei em meio ao pranto. — Estou me sentindo tão impotente nesse momento... Sabe, eu amei você desde o momento que você estava dentro de mim crescendo em minha barriga...E o papai quando soube sobre você ?! – Olhei para o seu rostinho. – o papai ficou todo babão.
Meu namorado voltou para nós com um olhar tristonho e os ombros derrotados.
–Oi filhão. – mais uma lágrima caiu dos seus olhos avermelhados e inchados.
As mãos de Edward voaram para as costinhas do nosso filho, alisando o local carinhosamente.
–Olha como ele é cheiroso. – sorri mediante as minhas lágrimas.
Edward sentou-se ao meu lado pousando a cabeça em meu ombro do mesmo lado onde estava nosso filho, ele colocou seu nariz ao narizinho do Caleb, e o cheirou como se tivesse gravando o seu cheiro assim como eu fazia.
–Desculpa o papai filho.
Abraçamo-nos, os dois deixando nossos braços envolverem Caleb, choramos juntos pela ‘alegria’ velada de ter nosso filho e pela dor de perdê-lo em breve.
Edward segurou por alguns minutos mostrando Caleb aos seus avós, tio e Alice. Meu pai precisou retirar minha mãe dali, já que seu choro tomava medidas lastimáveis. Nesse tempo de gestação mamãe e Alice, eram as pessoas mais próximas a mim depois de Edward. O pai cochichou algo em seu ouvidinho, e o beijou na bochecha me devolvendo.
Peguei seu corpinho antes quente e agora um pouco mais frio, levantei seu rostinho para colar-se ao meu, aspirei seu hálito puro completamente livre de qualquer alimento.
–Ele é tão puro, ele cheira a vida. –falou entre o seu soluço não contido. -Amo tanto você...Você é tão forte Bella.
–Eu não sou forte Edward, eu estou morrendo por dentro... Ele está ficando frio Edward. — sussurrei.
Meu namorado assentiu chorando cada vez mais, Deus meu filho estava morrendo em meus braços.
Colei meu filho em meu colo e infiltrei meu nariz em seus cabelos, sentindo o cheirinho próprio que emanava dele. Aos poucos Caleb ia parando, sua respiração agora era quase imperceptível e um tonzinho mais escuro se fazia presente em sua pele.
– Você é o meu anjinho, Caleb, obrigada por ter feito parte de mim e da minha vida. – sussurrei sem conseguir conter as lágrimas.
Então comecei a fazer a única coisa que eu poderia fazer naquele momento passar o amor que eu estava sentindo por ele e cantarolar.
O deitei e comecei a embalá-lo cantando uma canção suave para que onde ele estivesse, lembrasse que a mamãe estaria com ele para sempre.
Eu te desejo liberdade
Eu te desejo paz
Eu desejo noites estreladas que te acenem para você dormir
Eu desejo mágoas que te façam mais que um homem
Eu desejo estar lá, mas eu não posso.
Seu rostinho estava próximo ao meu, os seus movimentos eram cadenciados. Meu filho estava me deixando.
Eu desejo lugares que você possa se sentar assim
Onde pessoas nunca mudam e nunca irão mudar
Eu desejo que eu possa te segurar e fazer você entender
Eu desejo estar lá, mas eu não posso... –Filho. — completei.
Mas ao ver o Caleb cada vez mais roxinho e parando era como se a minha vida tivesse sendo tirada de mim, um nó imenso saiu da minha garganta em forma de grito.
–POR FAVOR, EDWARD ME DIZ QUE NÃO, ME DIZ QUE NÃO EDWARD... EDWARDDDD...
Gritei, sem me importar de ser ouvida, sem me importar que ali era um hospital, eu estava sangrando.
Só lembro-me do Edward me segurar, e depois sentir meus braços vazios. Até a escuridão resolver fazer o seu trabalho e me engoli.
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Sentados no salão do velatório de frente para o caixão branco, eu observava as pessoas conversando e comentando sobre si mesmas. Alguns conhecidos de Edward do trabalho, alguns políticos amigos de Charlie e as socialites amigas de Renée apenas ali alheios, apenas mostrando presença na sociedade.
E eu ali, sentindo a dor da perda de alguém que até a dois dias atrás fazia parte de mim, dando-me alegria a cada movimento que fazia.
A dor era insuportável.
Você sempre acha que isso poderá acontecer com todos, menos com você, mas ledo engano acontece com você de maneira brusca, te devastando, destruindo todos os sentimentos ao seu redor.
Alice e Edward estavam ao meu lado ambos segurando em minhas mãos, dando-me força, mas eu me sentia tão derrotada.
Numa matéria na faculdade, em uma das disciplinas de serviço social, estudamos a morte de anjinhos como eram denominados, havia uma cultura a qual eu não lembro que dizia que a morte de crianças não deveria ser chorada e sim comemorada porque crianças eram alegres, felizes. Certamente quem inventou isso não havia perdido um filho. Pois a dor era tão grande e incomensurável, que você sente como se não pertencesse mais a esse mundo, pois todas as coisas ao seu redor perdem a graça e a cor. Você não sente mais vontade de viver. É como se um grande tsunami arrastasse todos os seus sentimentos, e ali estivesse apenas a ‘casca’.
Meu coração estava em pedaços, não havia uma dor pior do que essa.
A hora da despedida é a pior, apenas em saber que não verei mais o rostinho do meu filho, de certa forma ele não estará mais presente em minha vida.
Edward silabou um ‘Esta na hora’ chorando, e eu assenti da mesma forma.
Sempre de mãos dadas, Edward me conduziu até onde o nosso filho seria enterrado. Por todos os lados gramas verdes, me lembravam do quanto meu namorado sonhava com o dia que o Caleb começaria a jogar bola. Caleb foi um sonho em minha vida, que passou rápido demais.
Novamente sentamos debaixo do toldo, enquanto o padre Marcus dizia algumas palavras de conforto, seguindo assim pelos avós, e o último Edward, que não conseguia evitar seu pranto.
Esta era a hora do adeus, levantei-me vagarosamente e aproximei-me do caixãozinho branco, alisei seu rostinho mesmo por cima do vidro e beijei o local.
–Mamãe ama você para... Sempre.
Edward veio ao meu encontro e abraçou-me por trás, depositando a cabeça em meu ombro.
–Adeus filho. – sussurrou meu namorado.
–Adeus anjinho da mamãe.
Não conseguir controlar que as poucas lágrimas que eu tinha banhassem o meu rosto, ao ver seu caixão indo de encontro a terra.
Dor dilacerante. Impotência, tristeza... Vazio absoluto.
–Deus te acompanhe filho.
Sete dias se passaram da morte do meu anjinho, e a dor continua lacerante como antes.
Ninguém, absolutamente ninguém venha me dizer que a morte do meu anjinho foi vontade de Deus, por que eu não vou aceitar ao menos que você tenha passado pela mesma dor que eu estou passando. Se a vontade de Deus é que ninguém sofra, por que ele estaria me fazendo sofrer desse jeito?!
Ou tampouco venha me dizer que eu posso ter outro, meu filho não era descartável, Caleb é insubstituível.
Talvez não tenha sido culpa minha o meu bebê ter tido os seus minutos contados, mas sinto como se houvesse falhado em algum momento.
Meu pobre bebê não teve chances.
Meu coração está tão ferido.
Por mais que eu tente seguir, uma mãe nunca ira superar a dor de perder seu filho.
Quinze dias sem meu filho, a dor ainda parecia querer me sufocar, mas eu fingia ser forte só para não aguentar as pessoas me dizendo que eu precisava ser forte. Isso é uma droga de uma ironia. Ao constatar isso ri sem nenhum traço ou vestígio de humor.
Naquele meio tempo eu não estava em nosso apartamento, eu não aguentaria ver a plaquinha de boas vindas Caleb de frente para o meu quarto, então achamos...Bem eles acharam que era melhor que eu ficasse na casa dos meus pais, já que meu estado catatônico não me deixava escolher ou opinar, mas devo dizer que a decisão mais sensata que tiveram.
Apesar dos meus pais o convidarem e eu mesma chamá-lo para ficar na mansão Edward não aceitou, preferiu fica em nosso cantinho, porém ele vinha geralmente pela manhã e só saia a noite depois que eu estivesse dormindo, ou muitas vezes fingindo para ele não pegar a estrada muito tarde, ele me fazia companhia, não me deixava sozinha nem para tomar banho, na realidade Edward me dava banho, mesmo eu me envergonhando do meu atual corpo, meu corpo estava flácido, meus seios ainda inchados, mas ele parecia não se importar, me banhava com um carinho imensurável, deixando-me mais emocionada e apaixonada pelas suas atitudes.
Edward entendia a minha dor cuidava de mim, e sofria comigo. Isso já bastava.
Seguiu até o meu closet onde pegou uma camisola azul e deslizou pelo meu corpo deitou-me na cama e encostou-me ao seu peito, que emanava seu cheiro já característico e conhecido por mim. Ali era o meu lar.
Com delicadeza Edward infiltrou a mão em meus cabelos depositando ali cafuné que me fazia ficar sonolenta, assim como a singela cantiga de ninar que ele cantava em meu ouvido.
Nunca mais eu seria a mesma Bella, passei por dores terríveis, as quais não se cicatrizarão nunca. Edward havia lutado para sair daquela vida de merda que ele levava ao ser mais um drogado em um mundo maçante onde não importa a sua estória, suas dores, cicatrizes, essa é a sociedade do politicamente correto onde ninguém pode errar, e ninguém tem direito voltar a essa sociedade.
Quantas vezes eu vi olhares de pessoas estranhas quando o Edward estava drogado?! O olhavam como se ele a qualquer momento fosse roubar, matar, sequestrar, seguravam suas bolsas, se esquivavam dele como se ele fosse um leproso, mas eu não. Eu o queria bem, e conseguir tirar o meu homem disso.
Contudo o medo que eu tinha que ele entrasse em rendição era enorme, entretanto ao olhar nos seus olhos no dia do enterro do nosso filho, ele voltou a prometer que não usaria mais nada que pudesse ser considerando droga, ele naqueles meses não havia ingerido álcool e nem cigarros. Eu estava imensamente orgulhosa dele.
Sai dos meus devaneios quando os lábios molhados de Edward tocaram meus lábios em um beijo tépido.
–Eu te amo... Odeio-me por não poder tirar essa dor do seu olhar, meu anjo. – ele sussurrou embalando-me mais rápido. Edward pensará que eu estivesse dormindo.
–Eu te amo, muito. – respondi, mentalmente.
Tivemos que passar por tantas coisas na vida, para nos darmos conta que nos dois éramos apenas crianças desprotegidas querendo apoio e colo de quem amamos.
Tinha que tomar uma decisão, talvez não houvesse outro caminho, eu o amava, mas precisava lhe dar espaço, ter meu espaço.
Eu queria ser uma nova Bella, aquela de há quinze dias estava morta.
Nem que me doesse e dilacerasse meu coração, mas New Hampshire, para mim Isabella perdeu a graça e a coloração. Eu tinha que partir o mais rápido, antes que eu fizesse uma besteira e acabasse machucando mais as pessoas que amava.
Aconcheguei-me mais em seus braços e beijei seu maxilar. Edward sorriu para mim com os olhos fechados, e eu automaticamente rir também.
–Se um dia algo acontecer, espero que você simplesmente lembre-se que eu te amo, com todas as minhas forças, você foi meu primeiro e único amor.
E assim nos seus braços aconchegada que eu adormeci, sem pensar em mais nada.
Notas finais
Bom...Para quem não sabe eu sou estudante de psicologia e para falar sobre a internação do Edward de 2 meses eu recorri a um professor de PS para perguntar. Então, não foi aleatoriamente que eu estipulei o tempo.
Pq eu não me aprofundei na internação do Edward?! Simples, pq essa é uma estória sobre a Bella, a vida que ela levava, a garra que ela tinha em não deixar o amor da sua vida esmorecer e tals, acho que deixei isso claro no prólogo,p/ quem não lembra é só da uma olhada.
Sobre a morte do pequeno Caleb, foi necessário, essa estória já estava em minha mente a muito tempo.
Espero que vocês continuem comigo nessa jornada até o final e o epilogo.
Quanto a doença eu não sou enfermeira e tampouco médica, tudo o que eu descrevi foi a partir do que li na net, no Wikipedia, blogs e depoimentos de pessoas que tiveram perdas com essa doença.
Espero que tenham gostado. E ai?? Mereço reviews?! Recomendações??
Para saber quando será o próximo post, ou outras fics > @PriihCullen
Perguntas ou reclamações-' http://www.formspring.me/PriihBeatriz
Bom Domingo...
Beijos!
Priscila =}
PS: Hoje terá capitulo em GI o/
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