Notas iniciais
Capítulo sem grandes emoções, mas é importante e necessário para o desenvolvimento da história, espero não decepcioná-los! ♥


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5 MESES DEPOIS



Senti alguém acariciar minha bochecha, levei um pequeno susto pelo toque inesperado, abri os olhos agitada, mas logo relaxei.
–Bom dia. — Saudou Kiba.
O rapaz me acordava todos os dias assim, fazendo carinhos na minha face, e se não despertasse, ele partia para algo mais prático como sussurrar ao meu ouvido: "Bom dia, flor da manhã." Ele era doce e animado, e nos dávamos muito bem.



Era monitor assim como Naruto, ou seja, tinha acesso ao dormitório feminino. Sasuke quando morava na mansão provavelmente também o era, pois havia estado aqui também. Ótimo, com menos de 1 minuto acordada meus pensamentos automaticamente já vagavam para as lembranças que tinha do Uchiha. Maldição.
Apoiei-me sobre o braço.



–O que temos hoje?- Perguntei sonolenta. Treino ao ar livre com a Kurenai. -Respondeu ele oferecendo-me um pedaço da sua torrada meio comida.



Kurenai-sensei era uma boa professora, bonita e inteligente, suas aulas eram muito bem explicadas, eu tinha um certo apresso por ela, pois nós tinhamos algo em comum, as duas haviam perdido seus amados, Kurenai para a morte e eu para um selo... um selo, que ridiculo.


–Eu gostaria de fazer algo especial com você hoje. — Disse Kiba.- Só nós dois. — Convidou sentado na beirada da cama, fitando-me.

Não era uma tarefa difícil desvendar o que ele pretendia.

Com toda a atenção que me dava não foi complicado notar seus sentimentos. O garoto estava completamente apaixonado por mim, e terrivelmente, não seria capaz de corresponder a ele.

–Oh, desculpe-me mesmo, mas estarei ocupada com Itachi hoje.- Disse como se não soubesse do que se tratava o convite.

No momento achei melhor omitir o fato de saber as intenções românticas do garoto, se descobrisse que mesmo tendo conhecimento de seus sentimentos continuei apenas lhe oferecendo amizade, o que pensaria de mim?

A verdade era que Kiba vinha sendo um ótimo ombro amigo e não gostaria que as coisas mudassem, eu precisava dele, os poucos momentos que tínhamos juntos eram como início de férias de verão, que quando chegava fazia que os problemas sumissem por uns intantes, mas apenas por pequenos instantes.

Logo depois a saudade vinha me assombrar. Realmente estaria ocupada com meus treinos particulares com Itachi, mas poderia pedir um dia livre se quisesse, ele nao faria objeções. Que terrível amiga eu era, Kiba me fazia tanto bem e eu apenas o machucava.

Levantei da cama, caminhei até o guarda-roupas para procurar alguma coisa e vestir, ficando de costas para Kiba. Se visse meu rosto o rapaz saberia que algo estava me incomodando.

Recentemente tinha ido as compras com Ino, e meu armário agora jazia repleto de roupas caras e de marca, sem mencionar as bolsas e sapatos. Ao que parece meus pais antes de morrer haviam me deixado uma pequena herança. Estou sendo modesta, o que me deixaram estava mais para uma by InstantSavings\">fortuna, tanto by InstantSavings\">dinheiro que não saberia o que se poderia comprar com o valor total, um país ou uma ilha talvez.

Mas nem todo by InstantSavings\">dinheiro do mundo me livraria do buraco negro em que me afundava cada dia mais desde a partida de Sasuke. Eu sabia que era amor, só podia ser. O que mais me deixaria tão devastada? Eu o amava, sentia isso com todas as minhas forças.

–Vocês andam bastante próximos ultimamente.- Comentou Kiba e pude sentir o ressentimento em sua voz. –Mas é claro, ele esta me ajudando com aulas extras.- Falei distraída puxando uma blusa lilas claro.

–Você me entendeu, Sakura.- Repreendeu um pouco mais sério.
Mordi meu lábio inferior. Sim, eu tinha entendido.

Não esta acontecendo nada entre nós se é isso que esta supondo. — Respondi calma, pois era verdade. O que mais me indignava era que como todos que moravam aqui, Kiba também sabia dos meus profundos sentimentos por um bad-boy de cabelos negros espetados desaparecido.

–Talvez da sua parte não.- Disse ele levemente irritado. Ciúmes?
Fiquei um pouco confusa.
–O que quer dizer? -Indaguei imaginando o que viria a seguir.
Pensei por um instante que Kiba desviaria o olhar ou até mesmo sairia do quarto sem falar mais nada, mas me enganei, o moreno continuou ali me encarando.
–Ele gosta de você.-
Uma risada brotou dentro de mim, doce e ameninada pediu para sair e alegrar o quarto, mas foi engolida pelas minhas tristezas profundas. Há um tempo sorrir tinha se tornado difícil.
–Você está delirando, Kiba.- Puxei uma calça jeans colada.
–Não, não estou. Você é quem está, já percebeu o jeito que olha pra você? A boca mau fecha e só falta deixar escorrer a baba, fica te secando o treino inteiro.-
–Não, nunca percebi, e me diga uma coisa, por um acaso você fica nos observando escondido durante minhas aulas com ele? .- O encarei severa. — Não, nem me responda, eu sei a resposta.- Fechei os olhos tentando não exaltar-me. — Poderia me dar licença? -E abanei minhas roupas em frente ao seu rosto, num pedido para que ele se retirasse para me trocar.

O garoto saiu bufando e bateu a porta com força. Um ato meio infantil, devo dizer.

Uma hora mais tarde estava no gramado ao lado dos outros dez alunos que teriam aula com Kurenai, Kiba se manteve afastado de mim encostado em uma árvore grande e velha.
Quando o olhava, pegava o moreno me observando, mas logo ele desviava o olhar.

Pensei ir até ele, o que tinha acontecido de tão terrivel afinal? O garoto sugeriu um possível romance entre mim junto com Itachi e tudo que fiz foi negar, nao era grande coisa, então porque me encarava com tanto amargor? Eu que deveria estar brava. Resolvi deixar tais pensamentos para lá e mais tarde aceitar seu convite de encontro como uma oferta de paz. Seria bom tentar descontrair e livrar minha cabeça de Sasuke por algumas horas, e além do mais Kiba nao era de se jogar fora, alto, moreno, engraçado e atencioso... Pareceria uma troca interessante se você nunca tivesse provado um toque, ou trocado uma única palavra com Uchiha Sasuke. Perto dele Kiba não era nada além de um garotinho inocente sem experiência. Assim eu pensava.

Após treinar os golpes que Kurenai nos ensinara voltei para a mansão para almoçar com Ino e Gaara em uma das mesas.

Gaara enchia seu prato de cada coisa dísponivel, ultimamente estava fraco pela transfusão de sangue forçada que recebeu de Karin. Nunca ousei perguntá-lo sobre as sequelas do acontecimento, mas um rumor bastante conhecido dizia que o ruivo estava com uma cicatriz quase invísivel na pele da barriga.

Desse eu não duvidara nem por um segundo, porque depois de tudo seria um milagre que o rapaz não saisse sem nenhuma marca permanente.

Haviam outros boatos, como o que mais me chamou a atenção entre todos, o que dizia o seguinte: A cicatriz era incurável, apesar de aparentar estar fechada a ferida ainda lhe causava dores em certos momentos, e que isso era a malignidade que a mão de um descendente Uchiha poderia fazer. Neste apesar de tudo tinha minhas dúvidas, entretando não faltava fundamento, não era raro ver Gaara fechando a cara em alguma contração de dor e logo depois soltar a respiração por alívio, eram rápidos momentos, mas se via claramente que sofria.

–Adoro a Kushina, mas bem que ela poderia organizar esse cardápio para algo menos calórico. Olhem só essas coxinhas de frango frito!- Típico da Ino. Se não a conhecesse a julgaria, mas eu sabia que além de todas as suas frescurisses havia uma garota extremamente insegura e doce.

A comida daqui era maravilhosa, não tinha como ficar melhor. Se comparada a do orfanato... Não, nem sequer havia comparações a que se fazer. Lembrando do orfanato, lembrei de minha melhor amiga a qual estava esperando uma ligação no horário de almoço, ou seja, agora a qualquer momento. Mau devaneei e meu celular vibrou.

–Ooooi, Sakura! - Saudou ela rindo. Como você está?
–Bem, e você?- Dessa vez pude sorrir abertamente, Tenten era meu porto seguro.
–Ótima, tudo pronto para a minha chegada? -

Amanhã cedo ela estaria chegando aqui, não para apenas visitar, mas sim morar. Ela não tinha nenhuma habilidade, muito menos vinha para treinar.

Como não tinha pais e com seus bons 16 anos na cara, se mudaria para cá, e dividiria o quarto comigo. Estudaria numa escola bem próxima daqui.

Tenten sabia de tudo sobre esse lugar. No primeiro fim de semana que veio para visitar-me eu não passava de um poço infinito de lágrimas e precisei contar-lhe sobre tudo, e nesse gesto poder dividir a angústia que sentia. Minato e Kushina censuraram-me por isso, mas assim que souberam que Tenten era como uma irmã para mim, decidiram convidá-la a se juntar a nós, e não tendo que sentir saudades de minha amiga eu poderia aliviar um pouco das minhas tristezas.

Entretanto os Uzumaki nunca me contaram a verdade sobre os meus pais alegando não ser a hora certa. Quem eles tinham sido? Como eram? Como foi que morreram? Eles me amavam? Tantas questões sem respostas... E isso me incomodava profundamente.

–Tudo pronto sim, já até colocaram a cama extra no quarto, você vai adorar. -

–Além de ficar perto de você, graças a Kami-sama também poderei me livrar dessa colega de quarto filha da mãe! Estou tão feliz, você não pode imaginar. -

Tenten estava certa, não poderia imaginar sua felicidade, minha depressão me consumia, não entenda mal, é claro que estava feliz por ela vir pra cá, isso tinha sido a minha maior alegria nesses últimos 5 meses. Mas se você nunca perdeu alguém importante, então não espero que me compreenda.

Brinquei com um pedaço suculento de carne que estava no meu prato.

–Sabe chegar aqui sem problemas? Eu sei que você veio outras vezes, mas todo mundo diz que as estradas daqui podem confundir. -

Alertei-a, mesmo Kushina e Minato haviam se perdido por essas bandas recentemente e olha que moravam aqui desde sempre.

–Ah! Que bom que você me lembrou, preciso de um favor. Não quero parecer folgada nem nada, mas será que alguém daí poderia me buscar? Eu sei, eu sei, estou pedindo demais, apenas escute. Semana passada emprestei meu carro para a mejéra que divide o teto comigo visando melhorar nossa convivência e advinha só? A maldita estragou meu GPS! Não sei como, mas acho que foi por pura maldade. Pelo seu tom de voz ela odiava essa garota até o fundo da alma.

–Bom, não posso garantir nada, mas vou lhe procurar uma carona.

– Eu tinha em mente alguns amigos que se ofereceriam à ir sem problemas.

–Não, não preciso de carona, só quero alguém que me mostre o caminho, sabe? Que vá na minha frente. Se não for possível posso me virar sozinha, tentando uma passagem de ônibus ou um táxi. Você acha que sairá muito caro? Tenten perguntou apressada. Uma passagem de ônibus custaria no minímo quase metade do que ela ganhava em um mês, um táxi seria muito pior. E além do mais ela precisaria deixar seu carro em algum estacionamento para buscar depois, o que lhe custaria mais um pouco e traria dor de cabeça extra.

–Relaxa, deixa que eu dou um jeito. — Disse. — Dê-me uma hora e te ligarei novamente, ok?

–Tudo bem, uma hora apenas, não vejo o momento de dar adeus à este lugar. Bom, nos falamos daqui a pouco. Até mais.-

Até.- Despedi-me e terminamos a ligação.
Olhei para Ino e Gaara que estavam sentados na minha frente. Parecia um bom lugar para começar minha busca.

–Estava falando com Tenten? — Perguntou Ino animada. -Mais uma para a festa do pijama dessa semana. — E a loira parecia que ia pular e bater palmas de tanta diversão.

A tal festa que Ino se referia tinha sido idéia da Hinata junto com Temari, o propósito era passarmos o tempo comendo besteiras e assistindo filmes, de qualquer categoria menos romântico, pois alegaram não estarem no humor para "melação".

Festa do pijama sem filme romântico? Sem falar de garotos? Ficou claro que era tudo uma desculpa para me deixarem manter os pensamentos sobre Sasuke longe e me divertir um pouco.

–Isso se ela chegar aqui.- Comentei esperando despertar a curiosidade de Ino.

–Como assim? O que aconteceu? — Perguntou instantaneamente. Bingo!

–Ela está sem GPS e não sabe bem como chegar, estou procurando alguém para guiá-la, se habilitam? -Disse sem pestanejar, eu sabia que Gaara tinha carro.

O ruivo e a loira trocaram olhares por um segundo. O clima ficou um pouco tenso de repente.

–Acho que não poderemos ajudar, Saky. Gaara não se recuperou totalmente do que aconteceu, Tsunade pediu para que ele não dirigisse por longas viagens e eu não tenho carteira.- Gaara ainda estava tão ruim assim após tanto tempo? Meu coração apertou um pouco com a lembrança da trágica noite.

Eu estive apavorada a maior parte do tempo quando tudo aconteceu, mas os olhos frios e vermelhos de Sasuke eram mais do que nítidos na minha cabeça.

–Sem problemas, verei se Naruto pode ajudar. — Falei fitando meu almoço esperando que eles não notassem a aflição que sentia no peito.

Terminei de comer em silêncio mesmo sem apetite e parti para a biblioteca do outro lado da mansão, onde sabia que Hinata estaria trabalhando como recepcionista.

Com um pouco de sorte encontraria Naruto dividindo uma tigela de rámen quente com ela, porque a morena não era liberada no horário de almoço. Essa hora tinha um certo movimento por lá, ao que parecia era momento de pique, todos resolviam devolver e retirar livros.
Quando adentrei o lugar aquele silêncio costumeiro veio à tona. Amava essa calmaria, ela aquietava toda a confusão que existia dentro de mim.

Fui direto para o balcão à direita e logo avistei Naruto com seu cabelo loiro ofuscante e sua camisa laranja. Tudo nele era como se gritasse: EI! ESTOU BEM AQUI! VEJA!

Ao contrário de Hinata que era tão serena que poderia passar despercebida, mas isso não acontecia, pois era tão bela que vê-la era um deleite para os olhos.
Os dois me viram chegando e abriram seus sorissos.

–Sakura-chan, que bom te ver! — Saudou Naruto. Embora morássemos na mesma casa, a mansão era tão grande que não cruzava com ele há mais de dois dias.

–Olá, Sakura-san. — Cumprimentou Hinata doce como sempre.

–Olá, como teêm passado? — Questionei sorridente, os dois eram como uma dose de alegria inexplicável injetada direto na veia.

–Estamos bem, completamos 8 meses de namoro hoje. — Respondeu Hinata alegre recebendo um beijo estalado do namorado. Estava realmente feliz por eles, mas logo hoje? Isso havia frustado o meu plano de pedir à Naruto que buscasse Tenten, sem dúvidas o casal tinha planos para o dia todo.

–Nossa, parabéns! -Congratulei sinceramente. Agora precisava procurar um outro alguém caridoso. -Bom, só passei para dar um oi mesmo, estou com um pouco de pressa. -
–Certo então, nos vemos por aí. -Se despediu Naruto.

O loiro apesar de feliz sempre parecia cansado, alguma coisa o pertubava internamente e a fonte de tal coisa era nada menos que Sasuke. Inconformado com a partida do amigo o rapaz tentou ir em sua busca, mas fora impedido pelos seus pais que disseram que ele não seria tolo o bastante para tentar procurá-lo sem ao menos ter uma pista do paradeiro do Uchiha.

Uns dias depois do ocorrido o loiro juntou as coisas novamente para ir, mas incrivelmente uma conversa com Neji o fez mudar de idéia. Aposto minha vida que o diálogo tinha a ver com o garoto partir e deixar Hinata sozinha e preocupada sabe-se lá por quanto tempo.

Depois de praticamente meio ano sem noticías ou indícios de Sasuke, apenas sua namorada gentil para manter o Uzumaki por aqui. Mas uma voz na minha cabeça dizia que o rapaz logo não suportaria a ausência de seu amigo tão importante.

Mais de vinte minutos haviam se passado o que aumentou consideravelmente a minha pressa. Saí da enorme residência e segui entre o jardim luxuoso em direção a casa da piscina. Passei por uma estátua duas vezes mais alta que eu, vi como a figura em branco projetada em mármore se assemelhava à uma sereia.

Sem tempo não a contemplei por mais de alguns segundos, mas estava maravilhada mesmo assim. Acelerei o passo e encontrei a pequena casinha onde pediria ajuda a ultima pessoa que tinha colocado na minha lista de solidários a mim neste dia.

Bati três vezes na porta.

Silêncio.

Estranho, Itachi sempre advinhava quando estava chegando, geralmente nem chegava a bater e ele já havia aberto a porta. Insisti mais uma vez e o resultado foi o mesmo. Ótimo, o que será que eu fiz para merecer um dia tão azarado como hoje? Definitivamente havia levantado com o pé errado da cama.

Itachi tinha saído. Só para ter certeza forçei o trinco e para minha surpresa com um clique a porta se abriu.

Quem sabe ele estivesse dormindo? Este horário após o almoço tinha a vibe perfeita para um cochilo. Com cautela dei dois passos a frente e me deparei com o lugar. Apesar de treinar algumas vezes por semana com ele nunca havia entrado ali.

O ambiente era exatamente como se poderia esperar de uma casa na piscina, exceto o fato de tudo ser dez vezes mais caro que em qualquer outra. Tinha um banheiro, um balcão para refeições e fogão à lenha, mas tudo no padrão sofisticado da mansão. Abri uma porta devagar pretendendo não acordá-lo de súbito. Infelizmente tudo que encontrei foi uma cama king size bem arrumada no meio do quarto, um closet e uma hidromassagem ao lado.

Isso realmente era apenas a casa da piscina? Eu teria que me acostumar com tanta ostentação.

Após conferir que Itachi realmente não estava, sentei-me numa banqueta no balcão.

Se o Uchiha não estava aqui então havia ido dar uma volta de carro na cidade, pois com certeza não estava em nenhum lugar da mansão, desde que Sasuke foi embora o garoto não colocou os pés lá. Quem poderia me dar uma mão agora? Pensei em Kiba.

Embora não estivesse na minha lista para colaborar devido ao acontecimento mais recente do dia de hoje, no fundo eu sabia que ele seria um dos primeiros a quem eu recorreria em outras circunstâncias. Poderíamos ir buscar Tenten e como passaríamos um bom tempo juntos seria como substituir um encontro comum.

A questão era: Eu realmente gostaria de ter um encontro com Kiba? Seria capaz de dar-lhe mais falsas esperanças só para apagar o desentendimento desta manhã?

Sair com ele apenas faria as coisas caminharem para a direção que menos desejava, para o romance. Entre ficarmos meio tensos um com o outro e fazê-lo pensar que erámos mais que amigos, decidi pela primeira opção.

Essa seria menos dolorosa para Kiba no final. Não restava-me mais ninguém, então ligaria para Tenten e lhe daria a notícia. Tirei meu Docomo SH do bolso e comecei a procurar o nome dela na agenda.

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Foi então que um vento travesso soprou para dentro da porta e um som tintilado se fez presente.

Olhei ao redor e encontrei pendurada em um cabide de parede uma chave de carro. Segurei a chave entre os dedos, Itachi não estava aqui, então ele tinha mais de um automóvel? Bem, isso não seria uma surpresa. Será que notaria se eu pegasse o carro emprestado? E se ele precisasse dele? Eu duvidava que fosse usá-lo pois tinha o outro, mas como o azar era meu convidado hoje fiquei insegura.

Não era do meu feitio roubar ou pegar coisas sem pedir, entretanto eu sentia que o rapaz não se importaria. Itachi e eu tínhamos um elo inexplicável, como se nos conhecessemos desde sempre. Se ficaria bravo ou não, nada que um pedido de desculpas meu não resolveria.
Liguei para Tenten.

–Sakura?- Perguntou ela.

–Oi, tudo resolvido, estarei indo te buscar agora mesmo.-

–É você que vem? Que ótimo! Exclamou minha melhor amiga alegre.

–É... meio que peguei um carro emprestado.- Meu tom de voz parecia mais culpado do que eu realmente me sentia.

–Meio que? Isso tem cheiro de vandalismo... Oh cara! Corromperam minha pequena Sakura! Riu Tenten.

–Certo, você me pegou. Mas é apenas um roubo temporário nada que não será revertido.- Disse trocando o celular de orelha.- Agradeça-me quando chegar aí com uns grandes e doces donuts, vou dirigir por horas só por você.

–Já te contei o quanto te amo? Indagou ela.

-Posso ser presa por sua causa, então você pode imaginar que sinto o mesmo. -

–Me ligue qualquer coisa, estarei esperando aqui para lhe receber com um abraço de urso. Byeee.
Tchau, até daqui a pouco. -

Depois de falar com Tenten saí da casa da piscina e dei a volta pelo campo de treinamento onde tinhamos aulas ao ar livre, eu não havia aprendido muito além de correr um pouco mais rápido e aumentar minha força. Perto dos outros alunos só uma palavra poderia me descrever: Patética.

Por outro lado minhas aulas com Itachi andavam bem, agora conseguia bloquear as visões que tinha de Madara, ainda era difícil, mas eu me esforçava.

Entrei na garagem que estava lotada, era grande o sufiente para armazenar mais de cem carros, então gostava de pensar nela como um estacionamento particular para os alunos. Obviamente não sabia qual dos carros era o de Itachi, então apertei o botão na chave para destravar o alarme, o que fez uma luz de farol piscar uns vinte metros na minha frente do lado esquerdo.

Caminhei até a frente do automóvel e o fitei, minhas pernas perderam as forças e uma nausea me atingiu, entretanto continuei em pé.

Mirava um Nissan Gt-R preto, o carro de Sasuke.

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Notas finais
Até mais, kissu!