Shivver
11 Francesa e Frappuccino
Notas iniciais
Pensei em voltar atrás, mas não poderia. Tenten estava me esperando e não acabaria com sua felicidade logo quando tinha chegado até aqui.
Caminhei até a porta do Nissan e abri, me acomodando no banco do motorista. O cheiro do perfume de Sasuke pairava no ar, tão bom. Como se ele estivesse comigo.
Uma onda de lembranças invadiu minha cabeça, o aroma de tudo que compunha Sasuke era sensitivo, desde o seu shampoo ao maravilhoso amaciante de roupas que por algum motivo cativara-me. Não acharia estranho se olhasse para o lado e o encontrasse, só poderia estar ficando maluca. Não pude conter o ímpeto de recordar a viagem que fizemos quando ele e Naruto trouxeram-me para cá.
Tínhamos trocado sorrisos e gargalhadas, ele fora gentil, atencioso e tudo menos maligno. Apesar de sério e indecifrável parecia inofensivo. Dóia-me saber que ele agora vagava por todos os cantos feito uma criatura sanguinaria, se algum dia encontrasse Sasuke, ele definitivamente não seria nada do que já fora.
Observei o painel do motorista, era tão acostumada ao Volkswagem que pegava emprestado de Tenten que minha cabeça deu voltas ao ver o tanto de botões que tinha ali.
Precisaria ligar o climatizador no quente durante a viagem e estava desejando para que não chovesse, eu ainda era uma pilota inexperiente e isso atrapalharia-me terrivelmente. Coloquei a chave na ignição e girei, tudo acendeu.
Nossa, assim que acelerei o ronco suave do motor rugiu, sentia-me tão poderosa sentada no comando. Conduzi o carro até o portão de entrada da mansão, as camêras de segurança estavam me focando, então o portão abriu e parei ao lado do interfone.
–Senhorita Sakura? Desculpe o incomôdo, mas ninguém anunciou sua saída da mansão aqui na recepção.– A voz idosa do porteiro saiu pela caixinha.
Estendi o meu braço para fora do carro e apertei o botão "Falar" .
–Na pressa esqueci de avisar a Sra. Kushina, mas estou indo buscar Tenten. Diga a ela que minha amiga teve um problema com o gps e precisava que alguém lhe buscasse, qualquer dúvida faça com que pergunte a Ino Yamanaka, ela irá confirmar. — Respondi a ele, voltaria só na noite de amanhã e obviamente todos ficariam preocupados, mas depois de pegar a chave na casa da piscina minhas atitudes não estavam lá muito coerentes.
–Certo, assim sendo desejo-lhe uma boa viagem.– Soou a voz do velho gentil.
–Obrigada.- Agradeci e saí portão a fora.
______________SASUKE_________________
O vento balançava as cortinas escuras daquele quarto que ele tanto odiava. Na verdade, nos últimos meses não havia se quer uma coisa que lhe fosse agradável. Tudo parecia estúpido aos seus olhos. Nem de si mesmo ele gostava, ou talvez sobre todas as coisas esta fosse a que mais odiasse. Mas Sasuke nem sempre fora assim.
Há quem diria que o rapaz era educado, inteligente e até doce tempos atrás. Passado. Hoje ele era nada mais que um ser repugnante que vivia com medo da própria sombra, um jovem que todas as noites era atormentado pelas imagens e gritos de suas vitímas, alguém que não se lembrava do significado da palavra paz.
O terror que lhe consumia era desumano à ponto de muitas vezes não deixá-lo dormir. Estava sem consolo, mas por algum motivo ainda mantinha esperanças, elas pareciam definhar entre seus dedos, entretanto Sasuke não deixava de agarra-lás com o coração. Tinha de haver uma cura para o que passava, não poderia viver dessa maneira até o fim de seus dias, nao mesmo.
O rapaz estava sentado em sua nova cama, as costas encostadas a cabeceira, uma mão sobre o rosto e o cotovelo apoiado no joelho. Suspirou longamente.
Escutou passos se aproximando do corredor ao lado e ele sabia muito bem quem estava chegando. Orochimaru abriu e entrou no quarto sem bater, afinal a casa era dele. O homem estava com o almoço de Sasuke em uma bandeja.
–Como está, Sasuke-kun?- Perguntou teatralmente. Orochimaru sorria o tempo todo, mas apenas para enganar feito uma cobra venenosa. Aliás "cobra" o definia muito bem.
–Já tive noites melhores. — Respondeu o Uchiha amargamente.
Aproximando-se dele Orochimaru pousou a refeição sobre os lençois azul marinho, assim como uma mãe faria à um filho doente de cama.
–Mais tarde lhe trarei um remédio que acalmará suas emoções para que possa descansar. — Orochimaru falou observando a linha de expressão de Sasuke, ele tinha que ter cuidado com esse garoto, ele era muito esperto e diferente de qualquer outro, como esperado de um Uchiha.
Sasuke pegou seu prato e começou a comer, ele não questionaria Orochimaru.
Depois de fugir da mansão tinha vagado algumas horas e desmaido em algum lugar qualquer onde Orochimaru encontrou-o, lhe deu moradia e tudo que fosse precisar. O homem era médico e cuidava de pessoas necessitadas. Isso era tudo o que o rapaz sabia. Apesar de poder ter o livre arbítrio de ir e vir, quando quisesse, o Uchiha andava desconfiado que algo maior acontecia nos domínios de Orochimaru. Suspeitava também que estava sendo manipulado por meio de drogas.
Sempre que tomava esses remédios para dormir ele adormecia sem nem perceber e quando acordava sua necessidade de machucar alguém era tanta que ele pulava janela a fora e partia para mais uma terrivel chacina.
Suas vítimas sempre eram pré-selecionadas, não era aleatório, como se fosse para manter sua dignidade ele mapeava todos os traficantes, ladrões e criminosos da cidade e os matava quando batia-lhe o desejo fatal. Alguns poderiam dizer que isto era um ato de bem feitoria, entretanto o rapaz discordava veemente. Matar alguém, seja quem fosse, nunca era para o "bem".
No momento de loucura era maravilhoso ver o sangue escorrendo por suas veias, a vida evaporando de seus olhos, mas quando voltava a ficar sóbrio tudo isso caia sobre sua cabeça e o afundava num mar de realidade profundo. Tinha se tornado um monstro. Matou pessoas sem exitar, mas em nenhum momento machucou uma mulher, nunca sequer encostou um dedo em uma para ferir.
Dentro dele algo puro e pacífico o chamava, algo doce e sereno, a lembrança de alguém. Mantinha sua fé acessa nisso, que um dia poderia sentir coisas boas de novo e sair do pesadelo que vivia.
Orochimaru encarou-o intensamente.
–Já sei o que está pensando! -Disse o homem com a voz animada e alta. -Um jovem rapaz como você deve sentir falta de dormir com mulheres.
Sasuke parou de comer e fixou o olhar em Orochimaru. Não era nem de longe o que o Uchiha estava pensando.
–A onde quer chegar?- Questionou ele.
–Ora, não tente se passar por ingênuo, pude ver que um brilho atingiu seus olhos logo que mencionei o assunto. Olhe só pra você, aposto que consegue a garota que quiser apenas com meio sorriso. — Riu o mais velho.
Tentando ignorá-lo Sasuke recomeçou a sua refeição.
Orochimaru insatisfeito se aproximou mais do rapaz, ficando desconfortavelmente à menos de um metro de distancia.
–São cinco meses que você está aqui e nunca o vi trazer uma garota, e quando volta das suas saídas está sempre muito perturbado, o que me faz presumir que não estava nas graças de uma garota.-
Nem em um milhão de anos Sasuke gostaria de ter uma conversa sobre isso com Orochimaru, definitivamente. Os únicos com quem falara de sexo e garotas eram Naruto e Itachi, e não acrescentaria mais nenhum a esse critério.
–O que isso lhe interessa?- Perguntou rude.
–Não é saudável para alguém da sua idade ficar se reprimindo desse jeito, tenha um pouco de diversão rapaz! -
Diversão? Se não estivesse consciente de suas próprias ações Sasuke degolaria Orochimaru e o deixaria esparramando pelo chão. Como poderia se divertir sabendo que tirou a vida de tantas pessoas? Impossível.
–Hoje você não tomará remédio algum, mas como um favor à mim prometa ficar fora esta noite, isso vai lhe fazer bem, você vai ver.- Orochimaru disse astuto.- Não aceito não como resposta, lembre-se que acima de tudo você é meu hospéde e esta sobre as minhas regras. Além do mais sou seu médico também e sei o que é melhor para meu paciente.-
Sem saída o rapaz apenas deu-lhe um aceno de cabeça, repugnando essa idéia.
Orochimaru não passava de um homem excêntrico na meia idade que não tinha mulheres. Sasuke havia sido acolhido e bem cuidado todo esse tempo e não poderia simplesmente ser mal-educado agora que não seria bem-vindo em lugar algum.
Sorridente o anfitrião e médico saiu do quarto deixando Sasuke sozinho.
Horas depois o Uchiha se preparava para sair, o sol havia ido descansar deixando a lua grande e cheia enfeitar o céu.
O rapaz tinha planejado sair e alugar um quarto de hotel qualquer e esperar o dia de amanhã, quando retornaria aos domínios de Orochimaru fingindo ter se divertido madrugada à dentro. Mas seus planos mudaram quando sua mente foi inundada por idéias prazerosas... Sexo... Gemidos...Corpos nus e suados em contato... Respirações ofegantes... Cabelo rosa bagunçado e olhos verdes o fitando sem pudor e desejo.
O Uchiha ficou tão excitado com sua própria imaginação que precisou se tocar durante o banho. Mas precisou fazer uma, duas, três vezes mais para que pudesse se recompor novamente. Sakura era linda, tudo que ele um dia quisera, a desejava profundamente. Infelizmente a garota o odiava com todas as forças depois do que aconteceu ou nem sequer lembrava de um dia tê-lo conhecido, isso era o que Sasuke pensava.
Talvez não se divertisse essa noite, mas de uma coisa ele sabia, Orochimaru estava certo e o garoto precisava "aliviar". Era comum enquanto residia na mansão ficar com garotas, mas desde que Sakura pos os olhos nele uma espécie de domínio caiu sobre seu ser. Ele se sentia dela e parecia traição o que iria fazer.
O rapaz pulou a janela de uma altura de nove metros e pousou perfeitamente no chão. Pegou sua moto preta, colocou o capacete e partiu para a melhor boate de cidade. Jeans e camiseta negros misturados com a escuridão da noite faziam o Uchiha parecer nada mais que uma sombra ambulante. Sasuke sabia que não tinha idade suficiente para frequentar a boate então simplesmente burlou os seguranças teleportando-se para dentro do local.
Luzes coloridas, música alta, pessoas se espremendo umas contra as outras e o cheiro de uma centena de perfumes misturados tomava conta. Gente bebendo e rindo, alguns chorando, brigando e outros dançando. Nada de anormal.
Sasuke dirigiu-se para o balcão de bebidas e pediu um drink. Observou do banco a balada inteira com o olhar indecifrável, mas se você o conhecesse um pouquinho saberia dizer que esse era seu olhar de tédio. Bebou um bom gole da sua bebida e esvaziou o copo. Ao seu lado duas garotas chegaram, mas o rapaz não as olhou.
–Dois Shakes de morrango com licor, porr favor Raymond.- Pediu uma delas ao barman com intimidade, sua voz tinha um sotaque estrangeiro, parecia francesa.
–Nada de bebidas fortes hoje, Catharine?- Questionou o barman risonho.
-De jeito nenhum, ainda estou de rressaca pela noite passada.- Sorriu ela. A amiga que estava ao seu lado jogou a pequena bolsa sobre o balcão e sentou-se numa banqueta.
–Quando vocês voltam para a Europa? Soube que estão de partida.- Comentou Raymond enquanto picotava alguns morangos.
–Parrtimos depois de amanhã, sentirei falta desse lugar.- Disse a garota que até então não havia se pronunciado. -Aqui é muito agrradavel.
–Eu e Sophie gostarriamos de ficar, mas nossas economias estão acabando. -Suspirou Catharine.
–Então um brinque de boa viagem as moças mais encantadoras que encontrei em todos esses 10 anos nesta profissão!- Alegrou Raymond servindo as bebidas para as francesas, e depois saiu para atender outros clientes.
Curioso Sasuke se virou e observou as garotas. Uma tinha cabelos caramelo meio ondulados até a cintura, estava vestida com um vestido branco e prata. A outra tinha olhos verde-escuro e cabelo castanho, trajava camiseta, shorts e bota. Eram bonitas, doces e... gostosas. Mas provavelmente não seriam "especiais" o que não era nada bom, pois Sasuke não poderia tocá-las sem lhes causar dano.
Vieram da França e com um pouco de sorte elas pertenciam a algum clã antigo sem muito reconhecimento, embora as chances fossem minimas. Havia apenas um jeito de saber.
Sasuke puxou a alça da bolsa de Sophie que pendia para fora da mesa e a bolsinha caiu no chão.
Sophie se virou como se pronta para tapear um ladrão quando deu de cara com Sasuke a fitando. Sem perceber a garota ficou-o encarando debilmente, assim que voltou a realidade se abaixou para juntar sua Gucci, entretanto sentiu a mão de Sasuke impedindo a sua.
–Eu pego.- Disse o rapaz sedutor.
–Obrrigada.- Sophie agradeceu.
Catharine esticou o pescoço para dar uma olhada em Sasuke, a garota sorriu presunçosa para ele. Fitando-o astutamente ela disse:
–Olharr sedutor e arrogante, posturá forte, aura sombria, beleza encantadorra... um Uchiha, aposto. — Analisou e, incrivelmente acertou na mosca.
Sasuke esboçou um meio sorriso.
–Vejo que conhece muito bem os Uchihas, gosto de quem sabe das coisas. -Comentou.
Catherine fixou os olhos em sua bebida e riu sarcástica, desdenhando-o.
–Minha nossa, você é uma cópia cuspida e mais jovem do seu irrmão Itachi, suponho que tenha aprrendido esse sorrisinho com ele... Mas saiba desde agora que não irá funcionarr comigo.- Bebeu um gole do seu shake. -Mande as minhas lembranças àquele canalha.- Então Catharine levantou-se da mesa e sumiu na multidão feito luz de tão rápida.
–Catharine é assim impulsiva, ignorre-a.- Pediu Sophie.
–Sem problemas. -Deu ele de ombros.- Vocês conhecem Itachi? Como ela sabia que sou irmão dele? -Perguntou Sasuke, estava meio atormentado mas não demonstrou.
Sophie ajeitou uma mecha de cabelo para trás da orelha. Um sinal claro de que ela tinha um certo interesse por ele.
–Como ela mesma disse você é uma cópia mais jovem de Itachi. Há alguns anos ela namorrou com ele, ou pelo menos erra o que ela achava. Tudo não durrou mais de um mês e quando Catharine estava tota lmente arrebatada por ele o rrapaz sumiu, nunca mais sequerr ligou. Até hoje ela o ama.- Contou ressentida a garota. — Mas creio que o rreconheceu atrravés da Clarividência que possui. Assim que olha para alguém consegue identificar muitas coisas sobre a pessoa, por isso ela logo soube que você é um Uchiha.-
Sasuke há cada minuto cativava-se pela a garota e seu sotaque.
Espertamente sentou-se mais a frente em direção á Sophie, seu jeans encostou nas pernas nuas da loira-caramelo. Sem anúncio a garota ousadamente pôs a mão sobre o braço de Sasuke. Os dois estavam flertando descaradamente.
–Viajamos bastante e semprre quis conhecer um Uchiha, a fama e as histórrias sobre vocês alcançam os lugarres mais rremotos do mundo.- O olhar de Sophie era devorante. Sasuke usou seu sorriso de canto implacável.
–Está em frente a um, me diga, sou o que você pensou que um Uchiha seria?- Provocou ele. A garota percebendo a deixa deu um riso discreto. Sophie inclinou o corpo para frente dando uma visão encantadora de seus seios, colocou uma mão sobre o ombro do Uchiha e colou a boca em seu ouvido.
–É muito melhorr. — Sussurrou Sophie.
No momento em que se aproximou dele Sasuke foi capaz de sentir seu perfume adocicado, apesar de preferir a fragância única de uma rosada o cheiro de Sophie mexeu com ele. Quando a garota puxou o R assim que pronunciou a palavra "melhor" um leve arrepio o atingiu fazendo a testosterona do rapaz dançar loucamente dentro dele.
Ela se afastou e retornou a sua postura anterior.
Apesar de novo o Uchiha conhecia muito bem a arte do flerte, havia praticado com muitas garotas, além de tudo ser divertido a recompensa final era no mínimo gratificante, e ela vinha em um embrulho de lençóis pela manhã, totalmente nua pedindo por mais. Mas essas recompensas eram descartáveis, assim que terminava de usar descartava-as.
Sophie era do tipo que mostrava as intenções mas não as concretizava, na opinião dela esse era o papel do rapaz.
Percebendo isso Sasuke não demorou muito para começar a agir. Sophie deixou claro que estava atraída por ele, e não era preciso muito para notar o que o Uchiha queria. Chegou um ponto que o assunto acabou, o que significava que já se conheceram e perguntaram mais do que o suficiente um para o outro. Sem demora Sasuke entrelaçou os dedos nos dela e Sophie pediu para o garoto leva-lá para algum lugar mais reservado. Não foi preciso mais nada.
Caminharam até uma parede atrás da boate perto do estacionamento com os saltos de Sophie fazendo barulho. No estacionamento a única audiência que tinham era a lua no céu iluminando-os e sem demora o Uchiha pressionou seu corpo contra o dela.
A garota não era muito mais baixa que Sasuke, seus narizes tocavam um no outro e eles se encaravam demoradamente, o desejo fluindo em cada partícula que os constituíam.
Sasuke colocou uma mão na lateral do rosto francês dela e a outra foi parar ao redor de sua cintura. A noite estava quente, mas isso não os impediu de selarem os lábios fervorosamente.
Os lábios dela estavam cobertos de gloss e escorregadios, o gosto lembrava exatamente a cor de seus cabelos, doce como caramelo.
O beijo começou intenso e um pouco desordenado pois não conheciam bem o ritmo um do outro. Logo esse empecilho não existia mais e o casal aprofundava o ato, mau paravam para respirar. As línguas se tocavam fortemente e os lábios logo ficaram inchados e vermelhos pelo atrito constante.
Sophie tinha um certo apego com os cabelos de Sasuke e os esmagava com a mão constantemente. Enquanto o Uchiha beijava seu pescoço e apertava com força seu traseiro por cima do vestido colado. Sasuke estava tão duro entre as pernas como o chão que sustentava-o. Empurrou o quadril na direção de Sophie para faze-la sentir sua ereção. A garota soltou um suspiro abafado.
–Vamos para o meu carro. — Ordenou ela ofegante, nunca alguém a tinha feito enlouquecer daquela forma, agora entendia o que Catharine vivia falando sobre Itachi e a forma com que a seduzira.
Sasuke beijou os ombros de Sophie e deslizou até sua clavícula, depois foi até o pescoço perfumado dela.
Perto assim fungou-a feito um vampiro sedento e levantou os olhos para observar seu rosto. Ele constatou que a garota realmente queria aquilo e sorriu triunfante.
Aquela noite tinha começado bem e terminaria muito "melhorr".
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Fazia mais de 11 horas que eu estava dirigindo e 4 que não havia feito uma parada. Observava atentamente a rodovia por placas que indicassem postos de gasolina, pois precisava abastecer e usar o banheiro.
As estações de rádio não pegavam corretamente e tudo que se podia ouvir eram chiados, quando passei dentro de uma cidade longínqua e fiquei parada num sinal vermelho vasculhei o porta-luvas e encontrei um CD.
Era de uma banda que eu não conhecia, mas passei a gostar muito depois que coloquei para tocar. Sasuke tinha bom gosto. Era impossível não pensar nele, as músicas o representavam terrivelmente bem e bobamente o imaginava cantando-as.
Quando vi um posto de gasolina na beira da estrada não poderia sentir-me mais agradecida, girei o volante e parei ao lado do abastecedor. Um homem não muito velho veio me receber.
–Enche o tanque, por favor.- Disse a ele enquanto saía do carro. O atendente olhava para o automóvel como se fosse a coisa mais magnífica do mundo. Dirigi-me para a loja de conveniência e usei o banheiro nos fundos. Comprei vários doces e Doritos, fui para o caixa e paguei pelo combustível e a comida.
Dirigi por mais uma hora e encontrei uma filial do Starbucks, tomar um bom café ajudaria-me a passar a noite acordada. Peguei uma vaga no estacionamento e antes de abrir a porta e sair meu celular tocou.
–Alô.-
–Você é mesmo surpreendente.- A voz de Itachi recebeu-me.
–Ah, Itachi! Desculpe-me mesmo, eu não pretendia nada disso.- A culpa martelou na minha cabeça.
–Não estou bravo, não se preocupe. Confio em você.– Suas palavras me relaxaram.
–Eu sabia que entenderia. -Confessei aliviada.
–Onde você está?- Perguntou casual.
–Estou estacionada em um Starbucks, numa cidade chamada Land Crow, Lady Crow ou algo assim.-
–Ligue-me se tiver problemas, e tome cuidado, uma garota como você viajando para tão longe e sozinha... Bem, você sabe.–
Sim, era perigoso e imprudente, mas por Tenten tudo valeria a pena.
–Eu sei, nunca pensei que dirigir cansaria tanto mesmo estando sentada. Não vejo a hora de tudo isso acabar. -Bufei enquanto procurava minha carteira na bolsa.
–Tem algo que preciso conversar com você. Kiba veio aqui. – Disse Itachi sereno. — Estava irritado e meio alucinado, devo dizer. Ameaçou-me reclamando que se tentasse encostar um dedo em você ele faria de mim um monte de ossos. Pode dizer o que sabe sobre isso?– Questionou e comecei a escutar sons de TV vindo do outro lado da ligação.
Kiba tinha ido importunar Itachi com seu ciúmes e fundamentos tolos. O rapaz não sabia o que é limite?
– Kiba me chamou para um encontro esta manhã, mas recusei alegando ter treino, então ele começou a falar que você gostava de mim e perdeu a calma. — Expliquei distraidamente sem me preocupar com o assunto, Kiba fora grosseiro e eu realmente não gostaria de me estressar nesse momento. — Não é mistério o que ele sente por mim, a nossa amizade parece ter definhado após isso, não sei se poderemos voltar ao que éramos antes.- Terminei pensativa fitando o para-brisa.
–E o que você acha sobre o que ele disse?– Itachi me perguntou, sua voz cada vez mais branda.
–O que exatamente?- Levantei uma sobrancelha.
–Eu e você. Sobre a atração que sinto quando estamos juntos que é impossível controlar, o jeito que eu tiro vantagem nos treinos lhe pedindo para usar shorts e blusas colados apenas para ver sua curvas e nossa, que curvas! As pernas então, sem comentários. Mas tudo fica melhor quando você começa a suar, a blusa cola mais ao corpo e posso ver a forma perfeita de sua cintura, os seios parecem escorregarem um no outro... Melhor parar antes que fique excitado.–
Mau consegui absorver as palavras de Itachi quando ele falou, demorou um tempo considerável para que os pontos se ligassem em minha cabeça.
–N-não, seu idiota! Nem sequer brinque com isso. -
A risada forte dele explodiu no meu ouvido pelo telefone.
–Como sabia que não estava falando sério?- Perguntou-me ainda rindo.
–Não que você seja ruim em mentir, mas te conheço o suficiente para saber que nem em um milhão de anos falaria dessa forma comigo.- Passei a mão na testa como se tentando apagar o que ele havia dito. -Mas de qualquer forma parece que você realmente presta atenção demais nesses detalhes durante os treinos, você é homem e não lhe culpo, entretanto vou parar de usar tais roupas e se eu pegar você me olhando diga adeus a sua vida. — Não estava realmente nervosa com ele, mas sentia desconforto por saber que ele me via dessa forma.
–Assim você me assusta.– Debochou o Uchiha.
–Essa é a minha intenção. — E gargalhamos juntos.
–Se está tudo bem com você fico mais tranquilo, não se esqueça de me ligar aconteça o que acontecer, faça boa viagem, quando voltar estarei aqui te esperando. — Itachi se despediu amável.
–Não esquecerei, boa noite.-
Após conversar com Itachi caminhei para a entrada da cafeteria, o lugar parecia meio vazio e quieto, mas um pequeno grupo de homens estavam sentados em uma mesa perto à parede, e junto ao balcão haviam duas moças e um rapaz, eram os atendentes. O ambiente era bem iluminado com luzes brancas e fortes, o piso revestido por porcelanato cor de gelo e tudo ali tinha aparência novinha em folha.
–Um Frappuccino de baunilha para a viagem. — Pedi para a ruiva no balcão.
A moça foi preparar a minha bebida e os outros dois atendentes foram para a cozinha interna fazer qualquer coisa que não sabia.
O clima naquele lugar estava estranho, leves calafrios subiam pela minha espinha, estava desconfortável por alguma razão.
Meio desconfiada virei a cabeça para trás, a cafeteria estava completamente vazia e eu estava sozinha. Os homens que antes estavam lá também haviam sumido. Sem querer o medo começou a crescer dentro de mim, o que estava errado?
O meu pedido estava demorando para ficar pronto ou talvez a pressa de fugir tenha me feito pensar que sim, mas a minha maior vontade era de correr direto para o carro e cair fora daquele lugar perturbador.
Não sei quanto tempo se foi quando meu Frappuccino finalmente chegou, paguei com uma nota de vinte e não esperei pelo troco.
Saí com pressa pela porta da frente e acelerei o passo até o Nissan. A cada passada meu coração batia forte no peito, com uma das mãos eu segurava a bebida e a outra esmagava a chave do carro. Até o estacionamento estava calmo demais.
Apertei o botão para destravar a porta e o alarme com apenas um metro de distância do veículo, estava pronta para entrar quando uma mão enorme agarrou-me pelo pescoço e me deu uma chave de aperto ali.
O ar trancou-se na minha garganta e tentei me livrar usando minhas mãos, meu Frappuccino derramou completamente no chão bem aos meus pés. Tentei manter a calma e lembrar do que havia aprendido nas aulas que tive na Mansão, eu era uma Arcanjo e podia me defender muito bem sozinha.
Finquei minhas unhas no braço do homem, eu sabia que era do sexo masculino pelo formato e a quantidade de pelos que possuía. Ele rosnou próximo a minha orelha, mas não me largou. Debati-me um pouco, entretanto o criminoso era tão forte que pôde me erguer acima do chão, minha visão começou a rodar pela falta de oxigênio e impulsivamente ataquei o homenzarrão com uma cotovelada acima do estomago. Ele era puro músculo, mas meu movimento surtiu efeito.
Cai de joelhos inspirando por ar, minha garganta estava seca e doída.
Livre pude encarar o maldito a minha frente, e apesar de tonta chutei-o nas partes baixas. O homem guinchou de dor e mordeu a própria língua, era tão grande que quando se estatelou no chão bateu com a cabeça no concreto ficando desmaiado e inerte. Dois homens antes escondidos apareceram por de trás das latas de lixo e correram em minha direção.
Eu sabia que não teria tempo de entrar no carro antes que me pegassem, o que fiz foi começar a correr desesperada para direção nenhuma por dentro da noite escura, rezando para que meus poderes se ativassem. Corri e tentei espiar para trás e ver os outros dois me seguindo, mas não havia ninguém. De repente a ficha caiu. Os homens queriam roubar o carro de Sasuke.
Aquele carro era realmente caro e não poderia deixar que o roubassem, ainda mais após Itachi dizer que confiava em mim. Procurei meu celular no bolso, mas não o encontrei. Deixei-o na minha bolsa, no banco do passageiro do Nissan. Um ronco de moto uivou perto da entrada da cafeteria.
Eu teria que voltar para a lá e pedir ajuda, mas os ladrões me veriam e estaria mais do que frita. Entretanto essa era minha única opção.
Corri de volta para o estacionamento o mais rápido que consegui sentindo a adrenalina bombar por minhas veias.
O carro ainda estava do jeito que o deixei, a porta do motorista entre-aberta, mas fora isso o lugar tinha se transformado completamente.
O homem que havia tentado me enforcar estava morto no chão, sua blusa agora tinha marcas de pneus e seu rosto estava inteiramente deformado. Os outros dois também estavam mortos sobre suas próprias poças de sangue, um deles teve a perna arrancada e jogada longe.
Sobre a escuridão da noite uma figura negra estendia-se bem no meio da cena, não pude visualiza-la bem durante algum tempo pois parecia-se com uma nuvem de fumaça.
Ao seu lado uma moto preta ainda ligada fazia barulho, era o motoqueiro. Ele usava luvas pretas e capacete, mas eu sabia que era um rapaz.
Continuou observando os corpos, mas não havia notado a minha presença. Minha mente me dizia para fugir e se esconder, mas meus pés não obedeciam.
Sem anúncio ele subiu na moto, foi então que percebeu-me ali.
Através do capacete não era possível saber para onde olhava, mas eu tinha certeza que era para mim. Pensei que ele me mataria naquele instante.
Ficou me encarando por mais alguns segundos, parecia estar pensando em como agir, mas então inclinou-se e deu partida na moto.
Acelerou em minha direção, mas mudou no ultimo segundo passando de raspão pelo meu lado direito. Meu corpo não se mexeu um milímetro. Meus músculos estavam todos rígidos e só consegui controlar a minha respiração depois que o barulho da moto evaporou pela noite.
Alguém havia me salvado, de propósito ou não.
Meu coração falhou uma batida quando um certo nome veio em minha cabeça.
Sasuke...
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