Shivver

7 Beijo de Fogo


\"\"



Parecia um grande estorvo fazer Sasuke falar sobre o assunto. Ele media as palavras o tempo todo, começava uma frase e depois desistia de termina-la.
–E-e como ele se chama? — Questionei oscilante.
Sasuke encarou o chão com o cenho franzido e com suas mãos entrelaçadas umas as outras.
–Madara.-
Este nome fez percorrer um arrepio em todo o meu corpo. Um sopro gelado atravessou o quarto.
Encolhi-me na cama, puxei minhas pernas e escondi a cabeça entre os joelhos.
–Não sei por que estou chorando...- Falei baixinho num sussurro abafado. -...Morrer f-faz parte não é?
Minhas lágrimas molhavam os lençóis da cama, da mesma forma que a chuva castigava a grama da mansão lá fora.
Sasuke se sentou mais próximo e me puxou para seu colo. Deitei ali, e o deixei acariciar o meu cabelo.
–Você não vai morrer, eu não vou deixar. -
Sua voz era melodiosa e agradável, era bom contar com ele. Pensava como em tão pouco tempo tínhamos feito essa forte ligação, eu iria longe por Sasuke, moveria céus e terra se fosse preciso. De onde vinha esse sentimento? Só de pensar em perdê-lo meu coração ficava apertado, será que ele sentia o mesmo? Talvez não ser correspondida á altura por esses sentimentos iria me machucar.
Passado alguns segundos, alguém bate na porta com força quatro vezes.
–Sasuke, anda logo! Vamos perder o treino dessa noite. -Era Naruto.
–Já tô’ indo. –Sasuke responde e em seguida bufa. -Eu preciso ir...
–Não Sasuke, vou ficar muito pior se você sair...-



Levantei-me para persuadi-lo a ficar, o que faria se ele saísse de novo? Iria entrar em depressão profunda ou pior.

–Não me sinto bem para ficar sozinha. – Admiti sem problemas, ele era meu amigo, não tinha razão em se fingir de forte em sua presença.

– Então você vem comigo. – Disse ele.

Uma faísca de alivio e empolgação preencheu-me por dentro.
–Aonde nós vamos?

Mas aquela pergunta foi logo respondida.

Sasuke vestiu um casaco quente antes de sairmos,

\"\"

Jogou-me um grande moletom do seu armário e fomos para o quintal nos fundos da mansão.
Estava tudo escuro e a chuva estava gelada e muito forte, a visibilidade era nula. Para mim era como pisar em falso na grama escorregadia, mas Sasuke me levava seja lá onde estávamos indo sem dificuldade.

Dei uma olhada de relance para ele, eu queria ver aqueles olhos vermelhos, infelizmente nem isso era capaz de enxergar. Meu corpo inteiro doía por causa da baixa temperatura, dentro de casa estava bem quente, mas aqui fora parecia estar abaixo de zero, o que não fazia sentido.

O ambiente onde estávamos era muito maior que dez estádios de futebol juntos, e com toda essa chuva e a lua enfraquecida no céu, não via nada.
Continuamos andando e andando, meus tênis molhados fazendo barulho a todo instante, até que finalmente pude perceber luzes se mexendo a nossa frente, eram lanternas bem eficazes, precisamente sete delas carregadas pela mesma quantidade de pessoas.
Estava encharcada da cabeça aos pés e quase tendo um colapso de frio, mas não ousei reclamar, como disse, qualquer coisa parecia mais divertido do que ficar de cama o dia inteiro.
Quando estávamos chegando perto daquele grupo, luzes se dirigiram a nos me forçando fechar os olhos irritados pela claridade inesperada depois de todo aquele bréu.
Ouvi um resmungo de indignação, que descobri ser de Karin.
–Eu não acredito que ele trouxe ela. — Criticou a ruiva oculta no escuro.
–Deixa de ser chata.- Repreendeu uma cabeleira loira molhada.

–Que bom te ver, Sakura.- Saudou Ino.
–Bom te ver também -Respondi.

Minha voz saiu fraca e baixa, definitivamente eu estava com o animo lá em baixo e mal conseguia cumprimentar alguém que tinha sido legal comigo desde que cheguei.
–Então vamos começar! -Anunciou Minato, até aquele ponto pensava que o conjunto de laranja e cabelo amarelo pertenciam a Naruto, mas assim que Minato se pronunciou notei que não era.
Naruto estava ao lado de Hinata, os dois dividindo uma lanterna. Eu acho.
–Vocês conhecem a formação...Naruto, Hinata, Gaara e Ino ficam com as quatro tochas. Sasuke e Karin defendem as oito torres espalhadas na propriedade. Mesmas regras: ataques elementares apenas para assustar, restritamente proibido lançar com a intenção de matar ou ferir seriamente. A partida só termina ao soar do meu apito, aquele que abandonar ou fugir antes disso, lavará a louça a semana inteira com detergente tóxico e esponja fumegante.-

A voz autoritária de Minato ecoou para todos os lados.

– Se alguém se ferir, eu e Kushina estaremos aqui para auxiliar, basta fazer algum sinal com as lanternas. — Kushina estava com uma bolsa grande nas mãos entre Minato e Gaara.
–Vamos nos preparar. -

Falou a mulher, ela abriu a bolsa e tirou quatro tochas apagadas, vários pares de luvas que deixavam espaços para os dedos e um apito.
Minato prontamente pegou uma das tochas e deu à Sasuke.

Ele não fazia parte da equipe que as levaria às torres e isso me deixou confusa por um breve momento, mas então o Uchiha soprou-a e conjurou baixinho "Katon", e uma chama pequena cresceu ali. Ele fez o mesmo com as outras três tochas, deixando-me encantada com aquilo. Mesmo com essa chuva torrencial o fogo não oscilou nenhuma vez.
Os quatro pontos de luz com fogo deixaram o lugar mais iluminado, permitindo os outros a apagarem as lanternas e deixando identificar quem estavam ali.
Ino, Gaara ,Naruto, Hinata, Sasuke, Karin, Minato, Kushina e eu.
Meus dentes começaram a bater, e meu corpo a tremer de frio, quanto tempo essa partida duraria?
–Sakura, querida, não se preoucupe, montarei uma tenda para nós num instante. -

Então Kushina sumiu na escuridão, mas sabia que não havia ido longe, talvez só uns seis passos de distancia.

Os outros se afastaram com as tochas nas mãos, e de repente as luzes desapareceram.

Eles tinham se teleportado para outra extremidade do campo, tão longe que meu olhos não podiam visualizar. Uma luz vinda da tenda rapidamente montada por Kushina era a única fonte de luz por ali.

Karin, Kushina e Minato estavam dentro do armado, o que deixava Sasuke e eu sozinhos.
–Está com frio?- Perguntou ele à mim.
Olhei-o nos olhos agora podendo enxerga-los, tão vermelhos quanto possível, perdi-me naquele mar sangrento tão fascinante por um segundo.

–O que você acha?- Minha voz saiu tremida pelo frio ou talvez nervosismo, ele era intimidante com aquele olhar. Se retirasse meu casaco não me surpreenderia se pulassem peixes e metade de um rio de dentro.
Sasuke colocou as luvas lhe dadas e sem pressa arrancou a grande jaqueta que vestia revelando uma blusa preta de manga comprida.

Ele largou a jaqueta ali na grama mesmo e tive que fazer o mesmo. Aquele bando de roupa encharcada só atrapalhava e me deixaria doente.
–Voce é tão sensível. -Comentou se aproximando cauteloso e fixando seu olhar ao meu. Sua mão com luva esportiva veio ao encontro do meu rosto.

As pontas dos seus dedos descobertos tocaram minha face, o contato extremamente quente com minha pele fria fez-me arrepiar.

–Viu.- Riu ele com um sorriso de canto.
O sangue subiu as minhas bochechas, me fazendo corar por vergonha.
–Você está muito quente, não é minha cul-
Havia sido interrompida pelos lábios de Sasuke em contrastes com os meus, fui pega de surpresa pela boca do garoto que estava incandescente beijando-me.

Era como se eu estivesse com hipotermia e ele fosse o lugar mais aconchegante do mundo.
Senti-o contornar minha cintura me puxando para si, quando notei já estava totalmente entregue.
Sua língua pedindo passagem queimava nos meus lábios congelados pela chuva, só aquilo me projetava tremendas sensações... Sasuke tinha uma língua macia e fervente que fazia carinho com pericia e experiência, nossas línguas se tocando me levaram ao delírio. Sentia como se estivéssemos em chamas. Ele fazia movimentos suaves e ritmados, devagar e sensualmente.

Coloquei meus braços ao redor do seu pescoço nos deixando corpo à corpo, eu queria mais.
Gentilmente o garoto começou a aprofundar o ato, até ele estava perdendo o controle.

Sasuke sugava e se deliciava com meus lábios e eu me perdia em sua ternura tão carinhosa e agressiva ao mesmo tempo. Uma mão travessa do moreno entrou por dentro da minha blusa molhada na base da cintura e apertou minha pele descoberta.
Sasuke estava fumegando, enquanto um intenso calor me atingia, e eu adorava essa sensação. Depois de perdermos o fôlego, olhamos um para o outro e partimos para um segundo beijo maravilhoso, que me traz borboletas flamejantes ao estomago só de recordar.
O Uchiha não só acariciava meus braços descobertos como também beijava meu pescoço deixando por onde passava uma marca de calor.


Eu suava e a chuva gelada evaporava antes de chegar próxima a mim. Mantinha meus olhos fechados, mas de vez em quando os abria e tinha relances de vapor saindo de nós.
Eu não queria parar, aquilo era deliciosamente torturante.

Sasuke mordiscou meu labio inferior, e iniciou outro beijo quente. Esse tinha gosto de final, o que não me agradou.
–Sasuke...- Eu sussurrei seu nome como um pedido. Ele depositou-me um selinho.
–É melhor a gente parar antes que voce se machuque. -Ele alertou acariciando minha bochecha. Toda minha existencia clamava por ele, esse idiota, porque tinhamos que parar? Droga, eu preciso de mais.
Quando nos separamos senti como se me jogassem num lago prestes a congelar, todas as fibras do meu corpo protestaram mas logo depois me sentia aquecida, sem frio algum.

Minha mente voltou ao lugar, saindo daquele transe em que Sasuke havia me colocado anteriormente.
–Você quase me transformou em cinzas! -Briguei.

Aquele beijo tinha ateado fogo em todo o meu corpo, literalmente.
–Você não estava com frio?-
– E só por isso acha que pode sair beijando e queimando-me? -
–Porque você está reclamando? Não te fiz um arranhão.-
Respirei fundo.

Olhei para os meus braços e os examinei procurando por possiveis queimaduras, nao encontrando nenhuma.

Examinei o pescoço no meio do caminho e cautelosamente temendo o pior subi as maos ate o cabelo, fiquei grata pois meus fios estavam em perfeito estado.
–Não me subestime dessa forma, Sakura. Nunca te machucaria. — Confessou ele.
Um grande impulso de agarrar-me a ele me dominou, resolvi ignorar tal instinto.

Então assimilei que havia ganhado meu primeiro beijo, e tinha, sem dúvida, recebido o prêmio de melhor primeiro beijo da história.
Coloquei meus dedos sobre meus làbios relembrando tudo uma vez, curtindo cada pedacinho na lembraça.
–Te mordi muito forte? — Analisou ele preoucupado. –Desculpa, eu acho que.. que posso ter me empolgado um pouco.

–Não é isso... É só q-que eu nunca tinha sido beijada antes.-
Sasuke ficou surpreso, encarei sua expressão, ele não parecia convencido a primeira vista, mas decifrando meu olhar a fixa dele caiu. Ele abriu a boca ousando falar, mas a fechou.
–O que foi? E-eu quero saber! Eu fui muito mal? Sasuke, fale alguma coisa... -
E então o rapaz se pronunciou.
–Ou você é uma boa mentirosa ou nasceu com um talento nato para beijar. -

Aquelas palavras me tranquilizaram.

Bom saber que ele tinha apreciado tanto quanto eu e não se arrependia de nada.
O rosto dele se transformou em uma carranca entristecida com o cenho franzido, como de costume, mas dessa vez ostentava um olhar doído.

– Tenho vontade de repetir.- Acrescentou.
Agora ele parecia bastante desanimado e não existia razão naquilo. Sasuke pensava que eu nao compartilhava o mesmo desejo?
–Eu também. -Disse baixo.
Ele deu um sorriso frouxo, mas sua expressão só piorou depois da minha pronúncia.

–Você é muito sensivel. -
De novo com aquela frase.
–O que você quer dizer? -Indaguei.
Ele encarou o vazio negro a direita, eu sabia que falaria algo dificil ao qual não estava habituado a conversar abertamente.

Sasuke fixou meu olhar, muito sério.

–Eu não me envolvo com garotas como você. Você não é meu tipo. — Suas palavras me cortaram como navalhas e me machucou profundamente.

–A-assim como?- Meu coração começou a bater acelerado no peito, e mesmo com toda aquela chuva sentia-me suar frio.
–Fracas. — concluiu ele.
Eu não queria escutar nada mais. Virei para trás e comecei a correr magoada sobre a grama empoçada da mansão. Com as lágrimas embaçando meus olhos e nao enxergando nada a minha frente não ficaria surpresa em esbarrar contra uma parede ou qualquer outra coisa.

E eu nao poderia estar mais certa.

Dei com tudo em algo macio e quente, senti mais uma vez aquele perfume delicioso castigando-me. Sasuke colocou os braços em minha cintura.

–Ei... Me escute.-Disse ele baixinho.

Uma das mãos agora mexendo em meu cabelo.

–Deixe-me explicar melhor. Um ou dois beijos quando você esta congelando é uma coisa, agora um só beijo enquanto voce esta devidamente na temperatura normal, te machucaria terrivelmente ou pior. -

Ele beliscou minha bochecha. — Faz parte de ser um Uchiha. -

Afastei suas mãos do meu corpo.
–Você não se importou em dormir com a Karin! Ou qualquer uma das outras. Não me faça de idiota.-
Continuei correndo. E novamente Sasuke se teleportou à minha frente.
–Dá pra parar de fazer isso?!- Briguei irritada.
–Se você parar de correr talvez...-
Bufei, era perda de tempo tentar escapar dele.
–Ok, me encha com suas mentiras.-
Sasuke me puxou mais uma vez para perto, coloquei meus braços contra seu torax relutando.

–Não encoste.
Ele obedeceu-me e retornou a falar.
–Karin é especial... -

Ele notou minha expressao de desagrado.

– Digo, não desse jeito. Ela é de um clã muito forte, não sente dor como pessoas normais, assim como qualquer outra garota daqui é imune aos meus perigos. Mas você Sakura.. Você foi tratada a vida toda como mortal, não desenvolveu proteções ou habilidades. Até se aquele garotinho gordo do quarto 72 te beijar causaria danos no seu corpo. Imagine comigo... -
Estava começando a acreditar nas coisas que Sasuke falava, mas não gostaria de ser uma daquelas garotas que perdoam facil qualquer besteira inventada pelo namorado canalha.
–E se as coisas ficassem um pouco mais intensas, não quero nem pensar como você sairia depois disso.-

Havia acabado de receber meu primeiro beijo e ele prontamente estava falando sobre sexo. Esse pensamento fez-me sentir um nó gelado no estomago.
–Jamais me contentaria em apenas te tocar com as mãos, Sakura. -Concluiu.
Uma voz chamou ao longe, era Kushina buscando por Sasuke para o inicío da partida.

Voltei junto à ele até a tenda, onde sem anuncio estava presa a um abraço apertado.

Sasuke me abraçou fortemente por mais de vinte segundos. Minato, Kushina e Karin nos observaram com atenção, fechei meus olhos e enfiei o rosto sobre seu ombro, eu era tão inútil contra Sasuke que chegava a ser ridiculo.

–Isso nunca será suficiente para mim. -Lamentou ele.

–Acho que sempre que se sentir assim você pode me jogar numa piscina de gelo, e então aproveitar o quanto puder.-

–Estou com tanta vontade de te beijar que isso soa como uma boa idéia. -

–Hrum, Hrum. -Pigarreou Karin. -Os outros estão longe o suficiente, devemos ir. -Alertou com desgosto.
–5 minutos. -Eu disse.

Peguei a mão de Sasuke o puxando para fora da grande barraca, um pouco confuso mas querendo minha presença, o rapaz me seguiu sem questionar.

Eu estava prester a fazer algo que poderia me arrepender, mas naquele momento não me importava.

Chegamos la fora e o arrastei para trás da tenda.

–O que foi? -

–Vamos testar essa coisa de maldição.- Falei determinada, mostrando segurança em cada palavra, não permitiria castigar a nós dois por causa de algo estupido.

–Você ficou louca? Disse que jamais te machucaria, Sakura. -
–E quem disse que vai? Se as outras conseguem, eu também consigo. Me diga como fazer. -

Não havia dúvidas que ele não me contaria nada.
–Pare com isso,uma proteção leva muito tempo e se desenvolve na infancia, é impossivel para você. -
–Então é assim? Você quer isso? Vai me abandonar?-
–Quem falou sobre abandonar?-

Coloquei a mão na testa, e respirei indiguinada.

–Como se você conseguisse viver na abstinência, não é Sasuke? -

Sem resposta.

Lágrimas brilhantes molhavam minha face, lá estava eu chorando de novo, quantas vezes fiz isso hoje?

O dedão de Sasuke capturou uma lágrima do meu rosto como se fosse a coisa mais magnifica que já tinha visto.

Sua mão deslizou até minha nuca puxando-me para perto, nossos narizes encostando-se. A respiração dele estava descompassada e misturada a minha, era envolvente.

–Você é tão linda. -Suspirou Sasuke.

Num movimento inesperado seu dedão molhado cobriu meus lábios com a làgrima coletada, então bem devagar senti a boca dele em contato com a minha. Pressionando apenas de leve, nos tocávamos devagar aproveitando aquilo ao màximo, mas ele recuou muito rápido para que eu apreciasse aquele pobre toque.

–Você está bem?- Perguntou Sasuke ainda com os olhos fechados.
–Estava melhor á alguns miléssimos atrás. -Disse triste.
Ele me encarou.

– Um Uchiha jamais poderá derrotar um fiel da pureza. Agora entendo. –

Recitou ele mau-acreditando.

–Entende o quê? — Ele estava me deixando confusa.


–Você é um arcanjo, Sakura.