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–Arcanjo? – Perguntei vacilante. – O que isso significa?

Sasuke deu um sorriso de canto, parecia tão satisfeito.

– Uma criatura de luz. Arcanjos são tão poderosos que podem ser considerados os seres mais fortes que ainda vivem nos dias de hoje. –

O garoto ajeitou uma mecha do meu cabelo para trás da orelha delicadamente, seus olhos brilhavam como se mirasse a coisa mais magnífica á sua frente.

–O que foi? – Questionei-o.

–Você foi feita para mim. – Disse ele encostando sua testa à minha. Sério e romântico. Ele parecia bom de mais para ser verdade, talvez eu estivesse sonhando com tudo isso que vem acontecendo nos últimos dias, não ficaria surpresa.

–Como assim? –

–Uchihas e Arcanjos, desde eras passadas se relacionavam entre si, para que o mundo ficasse em equilíbrio de forças. Uchihas como os portadores das trevas e Arcanjos carregadores da luz. Já ouviu falar que os opostos se atraem? Foi daí que surgiu esse ditado. – Disse sorrindo.

–Portadores das trevas? – Essas palavras abalaram-me um pouco, não traziam um bom pressentimento.

Sasuke suspirou. Os pingos de chuva escorriam pelo seu rosto, traçando uma linha perfeita para a ponta do nariz e então deslizando para os lábios, onde se acumulavam. Aquilo era muito convidativo. Queria beijá-lo, e mal pude me controlar.

–Melhor explicar depois, não há tempo agora. –

O rapaz prontamente pegou minha mão esquerda e entrelaçou meus dedos com os seus. A forma com que estava segurando passava segurança e sua presença me deixava tão feliz que seria bobagem tentar explicar.

Saímos de trás da cabana e demos de cara com apenas Kushina nos esperando.

–Ande logo, garoto. – Disse Kushina com a mão na cintura. – Naruto não para de me mandar mensagens telepáticas perguntando o que houve, está me dando uma dor de cabeça tremenda! –

–Mais tarde conversamos. – Dizendo isso depositou um beijo leve na minha bochecha, o que me fez piscar.

Assim que abri os olhos, ele havia sumido.

–Venha Sakura, vamos entrar para nos aquecermos. – Convidou Kushina.

Kushina era uma mulher exuberante, com cara de quem tem atitude, mas também de quem é mãezona.

–Não creio que a partida de hoje vá demorar, mas enquanto isso prepararei um chá para nós. – Comentou ela quando entramos na tenda.

Era incrivelmente quente ali dentro, havia duas poltronas e uma mesinha no centro.

–Deixei a água fervendo no fogão, só um minutinho e estou de volta. –

Kushina que estava bem à minha frente tinha desaparecido, havia se teleportado provavelmente para à cozinha da mansão. Sem barulho, sem esforço. Simplesmente assim.

Fez-me lembrar do dia em que Sasuke e Naruto apareceram no meu dormitório, o loiro não foi bem sucedido na aterrissagem e acabou quebrando a mesa de vidro. Ri baixo recordando.

Em segundos Kushina estava de volta, trazendo com ela uma chaleira saindo vapor, xícaras e biscoitos.

–Prontinho. – Seu cabelo vermelho ia até abaixo da cintura, tirando um elástico do bolso ela o prendeu num rabo de cavalo bem no topo da cabeça. – Sente-se, Sakura. – Falou sorrindo.

–Obrigada.-

Sentei-me na poltrona, puxando uma das mantas até a cintura. O cheiro gostoso de chá invadiu minhas narinas.

Kushina colocou os itens que trouxe sobre a mesinha rústica, a porcelana das xícaras parecia muito cara, então tomei cuidado ao levar a bebida até a boca.

–Ouviu algo da partida? – Questionou ela distraída se servindo. – Não gosto muito quando Naruto e Sasuke estão em times adversários, eles podem ser bem persistentes quando querem. –

–Imagino.- Disse sincera. Qualquer um podia sentir o clima de rivalidade entre os dois, mesmo sendo amigos. – Porque Sasuke e Karin estão juntos? Digo, porque só eles contra todo o resto? – Minha frase soou como se estivesse com ciúmes o que não era minha intenção.

Kushina sorriu e me entregou um biscoito.

–Sasuke poderia jogar contra todos os outros sozinho se quisesse, mas a questão é que Karin não é bem-vinda nas equipes. O único que é indiferente na presença dela é Sasuke. Para falar a verdade, Naruto e Sasuke estão num nível muito superior. Suas forças se igualam. É como se os outros fossem apenas peões em suas companhias. –

–Gaara me parece bem forte. – Comentei mordiscando o biscoito salgado.

– Ele é. Todos são, mas Naruto e Sasuke são mais, muito mais. – Falou Kushina dando ênfase no “muito mais” e olhou para mim como se dissesse “Imagine o que já não passei com esses dois” .

–Não entendo... o que tem de tão especial em Naruto e Sasuke que os fazem tão superiores aos outros? –

–Genética. Sei que tudo isso é novo para você, mas no nosso meio algumas famílias são mais poderosas que outras. Por famílias eu quero dizer clãs... No caso do Naruto, que é meu filho com Minato, nós descendemos de um dos clãs mais poderosos de todos os tempos, e não sei se posso dizer que isso seja algo positivo, mas Naruto carrega um bijuu.-

–Bijuu?-

O olhar de Kushina se tornou pesaroso e cansado por um momento, com certeza aquilo à fazia sofrer.

–Sim, Kurama ou Kyuubi, como desejar. Uma criatura com nove caudas, a mais poderosa e igualmente perigosa, devo dizer. – Bufou ela. – É uma história muito longa, não quero importuná-la com minha grande matraca, perderia horas tentando lhe contar os fatos. – A Uzumaki sorriu abertamente, mas com o mostrar de dentes um pouco forçado.

– E no caso de Sasuke? – Perguntei para aliviar-lhe de falar sobre Naruto..

–Bom, Sasuke tem um sangue talentoso. Todos os membros da sua família nasceram extraordinários, e com ele não é diferente. Desde que chegou aqui se destacou pelas suas incríveis habilidades e continua evoluindo. –

Kushina levou a mão até a testa rapidamente, dando-se um bofetão de leve.

–Ah! Havia me esquecido de lhe avisar, amanhã à tarde marquei médico para você, aposto que quer começar os treinamentos o mais rápido possível, e machucada isso não seria nada legal, não é? – Falou sorrindo meigamente.

Fiquei lisonjeada com a preocupação que ela tinha comigo, esse tipo de atenção materna era desconhecida para mim, e esse sentimento fez brotar uma alegria incomum dentro do meu coração.

–Muito obrigada. — Agradeci contente.

Nesse exato momento um forte estrondo atingiu nossos ouvidos, levei as mãos à cabeça por impulso e senti o chão tremer. Algo havia acontecido logo em frente a barraca.

Kushina fez uma carranca e saiu, segui-a bem de perto.

À cena em frente aos meus olhos era difícil de decifrar, por causa da falta de luz fiquei bem confusa, mas foquei meus olhos em um lugar determinado e soltei um suspiro de medo.

Gaara se encontrava desmaiado no chão, numa espécie de cratera formada pelo impacto que ele havia causado na terra. Uma fumaça quase invisível evaporava de seu corpo. Suas roupas estavam sujas, rasgadas e queimadas. Em sua camisa uma mancha enorme de sangue transbordava na área da barriga. O tórax do ruivo se mexia pesadamente, ele estava com dificuldade para respirar. Meus olhos saltaram quando vi Sasuke aparecer há uns 5 metros de distância de Gaara, não podia ser, Sasuke havia o jogado até ali?

Olhei perplexa para o Uchiha, no meio da noite seus olhos vermelhos faiscavam, como dois pontos sanguinários no meio da escuridão, ele parecia muito diferente.

Seus ombros estavam curvados para frente, suas mãos se posicionavam como garras, e ele olhava ferozmente para o corpo do ruivo, um ar animalesco e feroz pairava sobre ele, além de uma nuvem mais negra que a sua própria sombra, ele estava pronto para matar.

–Sasuke, o que você está fazendo?! Deixe Gaara em paz! – Exclamei assustada, o que havia de errado com ele?

Senti a mão de Kushina apertar meu antebraço com força, suas unhas quase perfuraram minha pele. Mirei sua face, estava aterrorizada e seus olhos não piscavam. Sua testa suava frio, a pupila estava extremamente dilatada, e seu queixo pequeno tremia de terror.

–Shhh. Não fale mais nada... Vamos sair daqui. – Falou ela num sussurro de medo.

–Não podemos! Precisamos ajudar Gaara... –De começo estava falando muito alto, mas meu tom de voz diminuiu até cessar. Kushina apertou-me mais forte.

Sasuke vinha caminhando em nossa direção, devagar, ameaçador. Sua postura ereta e elegante, mas ainda assim totalmente maligna chegava mais perto a cada passo. O Uchiha não estava mais tão animalesco, seu modo de movimentar parecia calculista, como se raciocinasse o que fazer após.

–Ah... porque essas caras? –Disse ele. Curvou sua cabeça para o lado como se nos analisasse. – Sakura, está com medo?

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Claro que estava! O que ele pensa que esta fazendo?

Minhas pernas tremeram, nunca imaginei que a presença de uma pessoa poderia causar-me tamanha impressão. Pensei em correr, mas para onde? Ele me alcançaria em qualquer lugar.

–Porque você está assim?! Sasuke-kun, pare de brincadeiras! – Exclamei com o máximo de força na voz que consegui encontrar.

Sasuke soltou uma risada sarcástica.

–Brincadeira? Sim... brincar com vocês pode ser bem divertido. –

Ele estava maluco, completamente insano. Neste ponto me senti tão aterrorizada como jamais estive.

Parecia que uma pedra de gelo desceu da minha garganta até meu estomago fazendo com que meu corpo inteiro protestasse, o medo aumentava meus sentidos.

Minha visão estava apurada, conseguia notar a diferença, tudo parecia mais claro, e se um galho de arvore se partisse ali perto, eu escutaria.

Uma sensação engraçada se alastrou pelas minhas pernas, e um leve formigamento contínuo começou abaixo das minhas panturrilhas e aquilo me fazia sentir-se bem de uma maneira estranha.

Estava mais leve.

–Ora ora... então finalmente você começou a despertar um pouco do seu poder. –Comentou o Uchiha maligno.

Abaixei meu olhar para as minhas pernas e notei uma espécie de brilho dourado emanando do meu corpo, eu estava reluzindo. De relance enxerguei algo branco se mexendo entre meus pés, o que vi a seguir me deixou ainda mais surpresa. Dois pares de asinhas brancas abanavam-se entre meus calcanhares.

Foi quando a palavra Arcanjo veio a minha cabeça, parecia que Sasuke tinha razão, o que me deixou ainda mais amedrontada (se isso era possível).

Fiquei imóvel, minha cabeça dizia que num simples movimentar meu corpo levitaria e eu sairia voando por aí.

Kushina largou meu braço, e se posicionou à minha frente. Protegendo-me.

– Você não se atreveria a tocar em Sakura, sabendo o que ela é. Seria como assinar seu próprio voto de morte.-

–Ah, como se uma expulsada conseguisse ferir um Uchiha como eu. – Riu-se ele.

Peguei-me pensando no que ele queria dizer com expulsada.

–Tem certeza que vai arriscar? – Uma voz forte disse logo atrás do garoto, ele se virou imediatamente. Vendo quem se pronunciara sua postura se encolheu um pouco.

Minato foi quem falara, junto dele estavam todos os outros com os rostos contraídos por raiva, e miravam Sasuke com olhares fuzilantes.

–Sakura e Kushina venham conosco. – Disse Ino que estava segurando Gaara nos ombros. – Vamos voltar para a mansão e cuidar de Gaara. –

Lágrimas escorriam pelo seu rosto claro, seu namorado estava a beira da morte e dizendo isso, ela desapareceu com ele.

Hinata olhou para Naruto e o abraçou fortemente, o loiro lhe deu um beijo na testa e a garota se teleportou.

Karin deu uma ultima olhada em Sasuke, e fez o mesmo que as outras.

–Vocês podem ir, nós cuidaremos de tudo aqui. – Disse Minato tentando transparecer calmaria, mas não era fácil ler sua face repleta de preocupação.

–Voltem bem. – Desejou Kushina á eles.

Senti a pele da mão da mulher de cabelos vermelhos tocarem meus ombros, e não estávamos mais no gramado molhado, agora nos localizávamos dentro da enorme casa. Ela havia me teleportado junto dela. Eu tinha saído do "modo" arcanjo involuntariamente, pois não brilhava mais e não havia asas em lugar nenhum.

Kushina me soltou, seus olhos ainda meio desnorteados fixaram a porta de entrada.

–Escute, Sakura.- Sua voz tremeluzia ao se pronunciar. – Sasuke está em frenesi. Ele não vai parar até que alguém esteja morto. -

Meus pensamentos se embaralharam, será que ele poderia machucar alguém? Mas a resposta veio imediatamente, claro que sim, olha só o que fez com o Gaara!

Ás vezes você passa a vida inteira com alguém e não á conhece por completo, há sempre um lado que você não viu, e fazia cerca de três dias que conhecia Sasuke, ou melhor, não conhecia. Sentia-me totalmente iludida, ele não era o tipo de pessoa que pensei que fosse.

Com o coração fraco no peito mordi meu lábio inferior com um pouco de força, era difícil tentar assimilar o que minha mente dizia, e o que meu eu machucado gostaria de acreditar.

Logo um nó se formou na minha garganta e meus olhos encheram-se de lágrimas brilhantes.

– Chamarei a Tsunade-sama para cuidar de Gaara. – Disse Hinata prontamente com a mão trêmula no telefone.

–Esqueça minha querida... Assim que entramos ativei um escudo ao redor da casa... estamos seguras aqui.... Ninguém entra, ninguém sai. – Disse Kushina olhando para mim, Ino e Hinata.

O que significava que Naruto e Minato também estavam presos lá fora, lutando com um Sasuke fora de si.

–Não! Gaara precisa de ajuda urgente ou ... oo-u.. – Ino não conseguiu terminar a frase, soluços incontáveis causados pelo choro tomaram conta dela, e num ímpeto de desconsolo ela desabou no chão sem esperança.

–Eu posso ajudar... – Pronunciou-se Karin que até então estava encolhida numa poltrona. – Posso tentar cura-lo com um pouco do meu sangue, mas... não sei se seria o bastante, ele parece muito fraco. – Comentou ela.

Ino olhou para cima rapidamente.

–Karin, por favor ajude-o.. – Implorou a loira. – por favor...

Hinata abaixou-se ao lado da amiga e a abraçou tentando consolá-la. A Yamanaka se enfiou no conforto dos ombros dela molhando a blusa da garota de olhos perolados.

Sem dizer mais nenhuma palavra Karin foi até Gaara que estava inconsciente no sofá, sentou-se na beirada do estofado e o mirou com um pouco de pesar nos olhos.

Cuidadosamente ela desbotou a camisa encharcada de sangue do ruivo, e fez uma carranca de desagrado. Estava horrível, sua barriga parecia um grande buraco de órgãos, a cena era forte demais, fui obrigada a desviar o olhar.

Hinata apertou Ino mais próxima a si impedindo que a garota visse tal horror que era o estado do seu namorado.

Apesar de tudo, Karin nem se quer piscou, ela estava determinada á ajuda-lo, era visível.

O garoto mau respirava, e sua testa estava encharcada, era tão nítido o sofrimento que ele passava que me fez pensar por um segundo o quão doloroso aquilo seria.

Passos foram ouvidos vindo da escada grande e majestosa, todas olharam para ver quem estava descendo.

Temari apareceu, primeiramente não notou a presença de ninguém, pois olhava para os degraus e cantava alto com seus fones de ouvidos.

Assim que chegou ao pé da escada, olhou ao redor e enxergou primeiramente á mim erguida ao lado de Kushina, depois Hinata e Ino abraçadas no tapete grande, e olhos esverdeados arregalaram-se ao ver seu irmão ensanguentado e esturrado no sofá. As pernas dela bambearam, e ela não conseguia assimilar o que acontecia, tudo que via era seu irmão, semi-morto.

Tirou seus fones de ouvido e veio correndo em nossa direção. Assim que nos alcançou, seu rosto já estava molhado com lágrimas, e ela mau podia perguntar o que estava acontecendo. Abria sua boca mas palavras não saiam, Temari estava em choque.