Notas iniciais
Tá acabando, tá acabando DDD:

Reita\'s P.O.V.

Mesmo à distância, eu sentia como o pequeno estava perdido. Nakayume encarava firmemente algum lugar do lençol, como se esperasse alguma resposta do irmão ou algum grito. Não que ele estivesse em condições de gritar, mesmo se quisesse. E agindo por impulso, eu acho, levantei-me de onde estava, voltando a me sentar na cama ao lado do menor e retirando a bandeja do seu colo, colocando-a no meu. Mas devo ter acertado, pela intensidade com a qual segurou a minha mão antes de finalmente falar.

- Não é... como se isso não fosse acontecer, ne? – ele começou, a voz fraca não só pela gripe. – Mas bem... não vou ser egoísta nem infantil. Não vou começar a espernear aqui ou fazer chantagem emocional pra você ficar. E qualquer coisa... já inventaram o divórcio.

Ela riu baixo, olhando-o por alguns segundos antes de lhe abrir os braços. Taka a abraçou, mas ainda sem soltar a minha mão. E apesar de sua voz ter saído baixa, ouvi o que Nakayume disse e não pude evitar de ficar desconcertado.

- Até porque você já está sendo muito bem cuidado, não é, Taka?

Taka riu baixo, soltando-se da irmã. Ela me ofereceu um breve sorriso antes de se levantar e descer, o som da porta batendo denunciando que já havia ido embora. Pisquei, despertando do meu surto de vergonha.

- Ela... podia ter me avisado que iria embora, eu ia abrir a porta.

O menor voltou a rir.

- Isso é sinal que ela já se sente de casa. Da próxima vez ela nem vai tocar a campainha.

- Sério?

- Estava brincando, seu bobo.

Abri a boca pra retrucar, mas desisti. Aquilo não ia levar a lugar nenhum mesmo. Voltei a colocar a bandeja em seu colo, vendo-o atacar a sopa com fome. Fiquei observando-o enquanto eu pensava. Nakayume iria embora... e ali naquela cidade ele só teria a mim. Claro, ainda haviam muitas coisas a se considerar, mas... apesar de ter apenas uma rua de distância, poderia até ser uma idéia interessante ter o menor morando comigo. Depois que terminasse a escola, óbvio. Não queria nem pensar no que poderia acontecer se alguém de lá soubesse do que tínhamos.

O pequeno terminou de comer, parecendo satisfeito em ter algo no estômago que não remédios. Retirei a bandeja do seu colo, me preparando pra me levantar.

- Aki... acho que vou dormir um pouco...

- Certo. – concordei, me levantando, mas sendo impedido por sua mão segurando a minha camisa.

- Fica aqui comigo?

Mordi o lábio, olhando-o. Não era como se eu fosse dizer não, e mesmo se fosse, aquele olhar perdido que ele me lançou teria me convencido do contrário. Deixei a bandeja no chão mesmo, deitando na cama e acomodando o menor. Realmente deveria ter esperado algo do tipo; ele não mostraria sua insegurança para a irmã. Era gentil demais pra isso. Não demorou muito pra que eu sentisse lágrimas quentes molhando o meu ombro, por mais silencioso que ele estivesse.

Apertei-o ainda mais nos meus braços, aos poucos notando sua respiração ficando regular até que finalmente adormeceu. Com certeza não ia ser fácil pra ele, por mais que ele não fosse demonstrar na frente de Nakayume. Mas ele sempre teria o meu ombro.

Ruki\'s P.O.V.



- Nossa, nem acredito que falta um mês pra formatura.

Aki me sorriu. Estávamos voltando da escola, minha garganta infinitamente melhor depois de uma semana sobre os cuidados de Aki. Decididamente ele estava mais atencioso comigo desde o dia em que Nakayume estivera em sua casa, mas não era como se e não quisesse. Ainda estava me adaptando à idéia de não ter mais Nakayume por perto. Lógico, ela não deixaria de ser minha irmã por simplesmente se casar e se muda pra Mie; apenas não ficaria tão próxima quanto era agora, já que sempre sabia que eu não estava bem e sempre dava um jeito de sair do trabalho mais cedo pra me ver.

- Taka... eu queria te perguntar uma coisa...

- Claro.

Ele ficou em silêncio, me olhando. E eu sem entender o que ele queria saber. Depois de alguns segundos ele finalmente falou.

- Seus... seus pais... virão na sua formatura?

- Ah. Não tenho certeza, ainda não deram sinal de vida. Uma vez quase apanhei da Nakayume por dizer que, se eles morressem em uma viagem dessas, seríamos os últimos a saber.

- É realmente mórbido.

- Realista. – completei.

Aki me deu aquele sorriso fraco que sempre me dava quando falávamos nisso, e acabou pro suspirar.

- Vai pra minha casa mais tarde?

- Só mais tarde. Porque alguém passou um trabalho de literatura quilométrico. Ne?

Ele riu, quase sádico, e aquilo me deu medo.

- Claro. Explorar os alunos no fim do ano é regra. E não ganha pontos extras por seduzir o professor.

- Droga.

Enrolamos ali mais um pouco até cada um ir pra sua casa. Joguei meu material sobre o sofá, suspirando desanimado em ter que fazer trabalho. Aki tinha sido carrasco ao passar aquele trabalho imenso, mas eu me vingaria dele. Fui até a cozinha, pensando no que teria pra comer, apertando o botão da secretária eletrônica no caminho.

- Você tem duas mensagens novas.

Franzi o cenho, abrindo a geladeira. Era difícil alguém me ligar, só esperava não ser nenhuma daquelas menininhas da escola se declarando. Mas a voz que se seguiu era de Nakayume, e aquilo me assustou.

- Taka, sou eu. Preciso que você me ligue urgente, é sério... ainda não sei se é uma notícia boa ou ruim, mas tenho certeza que você vai surtar quando souber. Me ligue logo, okay? Amo você.

Tinha tirado os potes de comida e colocado-os sobre a mesa, ainda um pouco assustado com aquilo. A voz dela era muito séria. E a mensagem seguinte fez meu estômago gelar ao reconhecer as vozes gravadas.

- Taka! Surpresa! Eu e sua mãe estamos indo pro Japão, pra sua formatura, claro. E também temos uma proposta pra você... sua mãe queria fazer surpresa...

- Eu queria, mas alguém deixa?

- Mas acho melhor você ir pensando... Nakayume disse que voe quer ser cantor e... apesar de achar que é uma carreira muito difícil...

- Muito instável...

- Nós realmente queremos que você faça o que acha melhor. Então pensamos... as melhores escolas de canto estão na Finlândia... o que acha? São quatro anos... lá é bem frio, mas acho que dá pra se acostumar... pense com carinho, okay? Estaremos aí na sua formatura!

- Se cuide, Taka!


Levei alguns segundos pra notar que o prato que estava nas minhas mãos estava em cacos no chão. Parecia que era um milagre, meus pais pensando em mim e no que eu queria fazer. No entanto... No entanto...

- Finlândia? – disse em voz alta sem perceber.

É um bocado longe do Japão. Pra não dizer... de Akira.

Continua...

Notas finais
É fato que as melhores escolas de Canto e Técnica vocal estão na Finlândia. Bem, são as melhores na minha opinião, ne? o.o Enfim... Continua u_u